quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Não tarda aí o 18 do Brumário

Vi há bocado o debate na SIC Notícias, com todos os partidos, sobre a declaração à comunicação social do Presidente da República sobre o caso das escutas. Todos concordaram que é gravíssimo haver falhas de segurança dos mails presidenciais. O que isso tem a ver com as escutas denunciadas ao Público em Agosto "por fonte autorizada da Presidência da República"? Não tem nem precisa de ter. Sócrates fica a cozer em lume brando. Sob suspeita, sempre ─ e não é preciso mais nada.

Lá para finais do mês, Cavaco diz ao PS que o País não pode permitir-se um PM sob suspeita, que ele próprio alimentou e promoveu ─ mas que é que isso importa? O PS que indique outro candidato a formar Governo, Sócrates, ele não aceita. O PS, se tem vergonha na cara, recusa.

Aí o PR faz um discurso vicioso, como o de ontem, e anuncia ao País que o PS não quer formar Governo, e de qualquer maneira não tem direito a isso, que a soma do PSD e do CDS é maior do que o PS, sem contar com o PCP e o BE, que também não o querem.

E logo a seguir indigita Manuela Ferreira Leite para formar assim a modos que um Governo de maioria presidencial... Bonapartismo? "Só se foi por ter ocorrido por alturas do 18 do Brumário" ─ dirão, fazendo-se desentendidos, os homens do Presidente

Claro que o programa de um tal Governo não passa na Assembleia. Por isso não seja a dúvida: Manuela mantém-se em Governo de gestão, descobre escutas por todo o lado, o caso Freeport avança a todo o vapor, até Março do próximo ano, até às Presidenciais, não há condições para substituir Manuela Ferreira Leite e o seu governo presidencial.

Estou a imaginar? Pois não sou o único. Já viram bem o que o Presidente disse?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Obviamente demita-se

Em minha humilde opinião, foi uma intervenção paranóica, a do Presidente da República, hoje, como paranóica foi a da “fonte autorizada da Presidência” ao Público, em Agosto último, que revelou “as escutas”, mesmo se não foi por escrito, como paranóica tinha sido a “démarche” de Fernando Lima junto do Público “a pedido do Presidente da República”, em Abril de 2008, que lhe encomendou uma “investigação” sobre a presença na Madeira de um colaborador do Primeiro Ministro durante uma visita oficial do Presidente da República, alegadamente para o espiar.

Continua tudo na mesma se não pior: as suspeições agravam-se, ninguém pode fazer de conta, é o próprio PR que vem agora fazer suas as manobras dos seus colaboradores. E fá-lo, pasmai, ó gentes, sem apresentar um único facto relevante.

Os mails do Presidente têm falhas de segurança?! O que é que tem a ver o cu com as calças? O que estava em causa era o mail do Público, de Alvarez para Tolentino, relatando uma encomenda de notícia, que era uma espionagem de um colaborador do Primeiro Ministro, que se teria infiltrado na comitiva do Presidente em visita oficial à Madeira.

E nesse ponto o Presidente insiste na perfídia ao dizer que não sabe o que esse senhor ouviu, ele não tem nada a esconder. Calma no Brasil: está a dizer que o tal senhor ouviu alguma coisa que não devia? Ou que não podia espiar uma visita oficial do Presidente porque não há nada a espiar?

Então porque mandou Fernando Lima (ou não mandou?) falar com o Público, contar-lhe uma história sinistra e entregar-lhe um dossier sobre aquela pessoa? O colaborador do PM integrou legalmente a comitiva, sentou-se onde o mandaram, participou nos eventos para que foi convidado? Sim ou não?

O Presidente continua a desconfiar e a alimentar o clima de suspeições, isto é de doidos. Onde estão os factos em que alicerça a sua desconfiança? Que o Presidente da República não tinha conhecimento daquele mail do Público? Pois não teria, a menos que daquele mail tenha sido dado conhecimento a Fernando Lima, e este, fazendo jus à sua qualidade de leal colaborador do Presidente, que o era e continua a ser, tenha corrido a mostrá-lo a Cavaco Silva: “Veja isto, senhor Presidente, os dados estão lançados, com a ajuda do Público vamos fazer deles gato sapato”.

E a “fonte autorizada da Presidência da República” que em Agosto revelou ao Público “as escutas”, mesmo se não o fez por escrito e em papel timbrado do Presidente? Que dois membros do PS tinham levantado a hipóteses de alguns homens do Presidente estarem a trabalhar no Programa do PSD e pediram esclarecimentos. Que é que isso tem? Pois se o próprio Presidente diz que no passado colaboradores de outros Presidentes desenvolveram actividades nos respectivos partidos... E que é que isso prova? Que há/havia escutas em Belém, como disse a tal “fonte autorizada? Mais uma vez: o que é que o cu tem a ver com as calças?

Se estivéssemos no Senado norte-americano, perante este Watergate, sem ponta por onde se lhe pegue, todos estes pormenores não deixariam de ser investigados e tirar-se-iam as ilações do caso, a saber:

  • Existe alguma razão por remota que seja para o Presidente continuar a levantar suspeições de que está a ser vigiado pelo Governo?
  • E, se não há, o Presidente goza neste momento de boa saúde mental? Está em condições de continuar no exercício das suas funções?

É que já por duas vezes na nossa História tivemos Chefes de Estado que tiveram de ser retirados de funções. Aconteceu com D. Afonso VI e com D. Maria I. Eram reis, com mandatos vitalícios, e nem isso impediu que os processos se fizessem.

Reclamo e requeiro que o Parlamento investigue. Que, eventualmente, havendo motivos para tal o Supremo Tribunal de Justiça instrua o competente processo. E que nos termos constitucionais se demita, obviamente, quem tiver de ser demitido. Ou o Governo. Ou o Presidente.

Assim sendo prefiro o futebol

Cavaco Silva continua a falar "à comunicação social", e não directamente ao País, como devia fazer se tivesse algo de importante a dizer. É um vício que lhe ficou depois das manchetes do Público, do Sol, da TVI. Não é para mim. De qualquer maneira à mesma hora tenho mais do que fazer: vou ver a bola. Como este correspondente da Câmara Corporativa, sinto-me dispensado de ouvir:

A palavra aos leitores

De um e-mail de Manuel T., de Santa Maria da Feira:
    Ao que consta, o Presidente da República vai falar.
    Para beber da “verdadeira fonte”, fui à página que a Presidência da República tem na Internet e verifiquei que, afinal, o Presidente da República fará “uma declaração à comunicação social”.
    Ora, mesmo que se pense ou queira o contrário, a comunicação social não é o país nem vice-versa.
    Donde, ou no Palácio de Belém anda muito nervosismo, ou lá continua alguém convencido de que é falando para a comunicação social que o país acede à verdade e a política à decência.
    Em consequência – como o Presidente da República não vai falar para o país, mas à comunicação social – estou por Cavaco Silva dispensado de o ouvir.


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Este é o primeiro dia do resto das nossas vidas

O Povo decidiu, está decidido. O PS ganhou e os outros perderam. Assim quis o Povo soberano, para que conste:
PS: 36,6%;
PSD: 29,1%;
CDS/PP: 10,5%
BE: 9,9%;
CDU: 7,9%
Ainda falta contar essa coisa ridícula (só existe em Portugal!) que são os deputados pelos emigrantes, uma espécie de consolação para o facto de os emigrantes serem impedidos de votar, como devia ser seu direito, nas suas terras de origem. Isto é que a composição do Parlamento português na próxima legislatura deverá ser a seguinte:
PS: 97-98;
PSD: 80-81;
CDS/PP: 21;
BE: 16;
PCP: 15.
Curiosidades e consequências lógicas (depois falaremos das outras):

Primeira: A vitória do PS, por si, não serve para nada. Porque não pode governar sozinho e seria bem imprudente que o tentasse, depois da agitação permanente, as sabotagens e os bloqueios, a que está sujeito. Mesmo que o seu programa passasse na Assembleia. Os poderes que se lhe opuseram ─ no Parlamento, na Presidência, nos tribunais, nas corporações, nos sindicatos, nas ruas, nas televisões ─ ganharam um novo fôlego, como se viu nos discursos "de vitória", do Bloco, do PCP, do CDS e da maioria dos comentadores encartados.

Segunda: Ninguém se quer coligar com o PS e foi o que expressamente proclamaram o PSD, o CDS, o BE e a CDU. Todos fizeram sua a célebre máxima daquele anarquista espanhol: Hay gobierno? Soy contra. E como são todos homens e mulheres honrados vão manter o que disseram. Em resumo: não me admiraria nada que como na Bélgica daqui por oito ou nove meses ainda estivéssemos à espera da formação de um novo governo.

Terceira. É a vontade do Povo, que é soberano, imensamente sábio, infinitamente bom. Está tudo bem quando acaba bem, ou, como dizia o Candide, se o Povo votou assim tinha as suas razões e o futuro provará como está tudo bem no melhor dos mundos. "Há Paz em Varsóvia!" durante algum tempo (quanto?) pelo menos.

A prazo, eu bem avisei, como sabem os poucos que me lêem, vem aí... "o estoiro da boiada". Na URSS, em 1917, ocorreu num 7 de Novembro, depois de eleições que tinham dado a vitória a partidos moderados. Em Portugal, em 1910, foi num 5 de Outubro, depois de eleições que o Partido Republicano tinha perdido em todo o País excepto em Lisboa. Suponho que nas condições actuais, estando nós na Europa (contra a vontade de alguns!) "o estoiro" final ainda vai demorar algum tempo. O mais tardar, e bruscamente, no Verão, quente, quente, como nós, portugueses, gostamos tanto!

Até lá, gozemos da vida: hoje vou bicicletar no Paredão se os esbirros de Capucho me deixarem. E como está um sol bom, isso ninguém nos tira, talvez dê mesmo um mergulho no Tamariz. Carpe diem! Louvado seja o Povo nosso Senhor! E Deus me livre de dizer mal do soberano.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Declaração de voto: o melhor que anda aí...

21 de Abril de 2002. Em França, Lionel Jospin, o Primeiro Ministro da Esquerda Plural (PS+PCF+Radicais+ Verdes, geralmente considerado um bom governo), era o candidato mais bem colocado para bater o Presidente em exercício Jacques Chirac, com quem fora obrigado a "cohabitar" penosamente nos últimos anos. Todas as sondagens indicavam o desgaste do líder da direita e a previsível vitória de Jospin na segunda volta, quinze dias depois, a 5 de Maio.

Ao princípio da noite, na contagem dos votos, confirma-se a baixa popularidade de Chirac que não chega aos 20% dos votos validamente expressos: 19,88% é o score do líder da Direita. Mas, surpresa das surpresas, Jospin não é segundo, perde para o candidato da extrema-direita por 0,68%: Le Pen atinge os 16, 86%, Jospin não passa dos 16,18%.

A extrema direita obtinha o seu melhor resultado desde os anos 30; a extrema esquerda conseguia o seu melhor resultado de sempre:
  • Arlette Laguiller, trostsquista, Lutte Ouvrière, fazia 5,72%;
  • Jean Pierre Chevenement, ex-ministro de Jospin, juntava 5,33%,
  • Noel Mamère, dos Verdes, também no Governo, congregava 5,25%;
  • Olivier Besancenot, trotsquista, da mesma tendência que Louçã, subia aos 4,25%;
  • Robert Hue, do Partido Comunista Francês, obtinha 3,45%;
  • Christiane Taubira, do Partido Radical, faz 2,32%.
Isto é, se um só destes candidatos, ou todos em conjunto, tivesse menos 0,70% e Jospin os mesmos 0,70% a mais, a esquerda passava à segunda volta e provavelmente ganhava a Chirac. Não passou. A esquerda perdeu e nunca mais voltou à esfera do Poder. Foi humilhada. Pelaextrema direita. Muitos se declararam em estado de choque.

Porquê ? Como se apurou em seguida, muitos votantes do PS, incluindo militantes na campanha de Jospin, daqueles que andaram a distribuir panfletos e a colar cartazes, deram por garantido o resultado para que apontavam as sondagens, a ida de Jospin à segunda volta, e divertiram-se a votar Besancenot, um carteiro, jovem bonito, bem falante, ou Chevenement, o apóstolo dos movimentos de cidadãos, ou Taubira, uma simpática militante negra moderada, ou Mamère, um antigo jornalista televisivo muito popular, oráculo dos Verdes. E ao votar nos alternativos, deram cabo da única alternativa que a Esquerda tinha.

No dia 27 de Setembro, se Sócrates, porque lhe fugiram os votos, tiver um a menos do que Manuela Ferreira Leite, que é politicamente feia, mesquinha, má pessoa (um Pacheco Pereira de saias! um nojo de política!) temos a direita a governar sem partilha, no Governo e na Presidência, por muitos e muitos anos. Uma democracia, à imagem e semelhança da Madeira de Alberto João Jardim, com Cavaco como guardião.

Então é que vão ver o que a outra senhora queria dizer com a "asfixia democrática", eles bem avisaram. Em França, a direita ganhou em 2002, num bambúrrio de sorte, e nunca mais perdeu, mas mantiveram-se as práticas democráticas. Será assim em Portugal com uma aliança Jardim, Manuela e Cavaco? Não tenho a certeza. Você tem?

E se o PS ganhar mas não tiver maioria vamos ter manifestações permanentes, o cerco a S. Bento, ocupações em série, c'est la lutte finale!, os extremistas andam eufóricos, com as vitórias populistas na América Latina, com a o seu triunfo nas europeias, ninguém os pára, a "revolução permanente" tem uma ocasião única, em Portugal, novamente, como em 75, escapámos por uma unha negra. Pois não ouviram o que disse Miguel Portas sobre a superioridade da "forma de luta" das ocupações em relação à forma de luta, apenas isso, dos votos?

Nada a fazer? Anda toda a gente cega com o charme discreto dos nossos "radicais pequeno-burgueses de fachada socialista", como disse o Alvarinho, e na altura também se referia à minha pessoa? Vem aí um PREC que nem em 74-75?

Pois com o meu voto, não. Eu voto Sócrates. Que tem carácter. Que como Primeiro Ministro foi, e deverá continuar a ser, o melhor que anda aí.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Anda com uma cara o infeliz...

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O problema é : o que é que acontece se eu não votar em quem penso que deve ganhar. Obrigado à Maria Antonieta que me enviou esta banda. Declaração de interesses: Pela minha parte, desta vez, estou absolutamente satisfeito por votar em quem voto.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dize tu direi eu

A queda do homem-sombra de Cavaco


Em Novembro de 2003 Fernando Lima, que fora durante dez anos assessor de Cavaco e dois anos assessor do ministro Martins da Cruz, foi contemplado com o cargo de director do Diário de Notícias. A nomeação foi mal recebida pela redacção do DN, dado que o seu percurso como assessor de imprensa de governos do PSD podia pôr em causa a imagem de independência do jornal. A confirmar esses receios, seria pouco depois acusado internamente do «impedimento da publicação de notícias e de artigos de opinião que, supostamente, poriam em causa a imagem de figuras do PSD», lê-se hoje no insuspeito Público. Desenha-se o retrato de um Lima perito em asfixia, pois...
Copiei do nikadas, onde pode ver a continuação desta prosa, que vale bem a pena. E já agora veja esta no Câmara Corporativa:

Que diferença há entre Nixon e Cavaco?




É verdade que Nixon também começou por despedir os assessores na lógica do "eu não sabia de nada"... mas, como aqui se escreve, “ao menos Nixon teve a coragem de anunciar a demissão e de prestar uma homenagem pessoal aos seus assessores. Fernando Lima foi atirado pela sanita sem direito a uma palavra e nem sequer houve um comunicado, foi uma fonte oficiosa que deu a dica à comunicação social.”






segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Como se faz um título feio: a proeza da Exame

Hoje todo o dia em vários sites a notícia foi que "Sócrates é o pior Primeiro Ministro..." Cartaz do PSD? Palavra de ordem corporativa ou sindical? Boca de campanha de um seu adversário político? Mais uma "encomenda de Belém", a última da era Fernando Lima?

Desengane-se. Se fosse alguma coisa dessas, quem lhe pegaria? Praticamente ninguém, se exceptuarmos José Manuel Fernandes e os seus acólitos, tirando Manuela Moura Guedes e o seu comando guerreiro. Não. Trata-se dos resultados de uma "sondagem", muito a propósito encomendada, e oportunamente divulgada, em cima das eleições, no mais aceso da campanha, pela revista Exame. Grande furo, sim senhor!

No mais aceso da campanha, 27% dos votantes detestam José Sócrates, dizem que ele é "o pior Primeiro-Ministro"? Só 27 %? E os outros 73%? Como explica um politólogo no corpo da notícia, que não no título, um resultado destes é normalíssimo, inevitável, lógico, incontornável. A revista Exame, ou alguém por ela, ao encomendar a sondagem, tinha a certeza de que, mais ponto menos ponto, o resultado só podia dar um título feio para o Primeiro-Ministro.

Atenção: "o pior Primeiro-Ministro desde 1985". Porquê "desde 1985"? Porque a democracia começou em 1985? Porque não "desde 1980", que é número redondo? Ou "desde 1975", que é o ano da entrada em vigor da Constituição, do I Governo de Soares, o do "PS sozinho"?

Ingénuos. Porque nesse ano de 1985 Cavaco Silva iniciou funções depois de três anos de austeridade, acordos com o FMI, com as contas externas em ordem, e sobretudo, sobretudo, com um jackpot de fundos comunitários para gastar como lhe aprouvesse? Como era previsível, Cavaco sai da sondagem como "o mais querido" dos Primeiros-Ministros. Daí 1985.

Então e Sá Carneiro não rivaliza com Cavaco Silva como o "melhor PM" no coração dos leitores da Exame? Então e Pinto Balsemão não rivaliza com José Sócrates na disputa do lugar de "pior PM"? Ficam de fora. Assim como Nobre da Costa. Assim como Mário Soares. Assim como Lurdes Pintasilgo. Que todos tiveram adeptos.

"Poi$, poi$, J. Pimenta": é tudo uma questão de dinheiros. A Exame, que é propriedade do militante nº 1 do PSD, não podia correr o risco de promover uma "sondagem" susceptível de desconsiderar o patrão. Ia tudo raso.

Nem podia lembrar aos fervorosos de Cavaco que Sá Carneiro, ele sim, governou em condições menos favoráveis, soube congregar esforços, resistir a um Presidente desafecto, enfrentar e levar de vencida uma campanha negra negra.

Lembrar Sá Carneiro era fazer o jogo de Sócrates. Esconder Balsemão era a melhor maneira de concentrar sobre Sócrates todos os furores dos homens de negócios, de todos os turiferários de Rendeiro e de Oliveira e Costa, que suportam a Exame.

Assim não se correram riscos. Uma sondagem assim só podia dar aquele título, espécie de boca foleira, panfletário e enganador, era mais do que garantido. Não admira o sucesso que teve.

Auto-estradas solares


Nos Estados Unidos, desde que Obama, à semelhança de Sócrates, decidiu investir nas energias renováveis surgem todos os dias projectos extraordinários. O último é utilizar as auto-estradas, o piso das auto-estradas, para colocar painéis solares, produtores de energia eléctrica barata e não poluente. Já existe uma empresa, a Solar Roadways, uma equipa, subsídio público inicial de 100 mil dólares, o que é raro na América, e resultados prometidos até Fevereiro de 2010.

Pretende-se descobrir a maneira de produzir energia de maneira descentralizada, segura, inteligente, em painéis que se auto-regeneram. Pode ser um ovo de Colombo para os problemas de aprovisionamento de energia, carregamento de baterias, dos automóveis eléctricos, cuja produção em série já começou.

As auto-estradas solares são apenas um dos projectos em curso. Há uma data deles já em fase de execução como se pode constatar aqui, no site da Envision Solar. Veja e divirta-se. O que faz falta é optimismo, espírito de iniciativa, vontade de avançar, "o sonho comanda a vida". Gente desconfiada, maledicente, mesquinha, invejosa, parada no tempo - é que não nos leva a lado nenhum. Salazar foi a prova disso.

domingo, 20 de setembro de 2009

Vem aí o papão do Bloco - diz Ferreira Leite


O PSD já não ganha estas eleições e começou a interiorizar a derrota. Por isso e só por isso é que passou a tentar meter medo com uma eventual coligação de esquerda, em consequência dos resultados que se esperam para daqui a uma semana. Não é o País que tem medo, é o PSD que está aflito, com a hipóteses de o Bloco levar as suas "propostas fracturantes" para o Governo.

O País, aparentemente, não tem medo do Bloco, nem das tais propostas fracturantes, desde que no Governo esteja, também, o único partido que foi capaz de erguer-se contra o PREC e que o pode fazer de novo quando e se for preciso. Se o País tivesse medo do Bloco, e/ou do PCP, concentraria os seus votos em Sócrates, como os espanhóis fizeram em Zapatero, reduzindo a extrema esquerda a 5 deputados em 350: 3 para a Esquerra Republicana (espécie de Bloco de Esquerda), 1 para o PCE, outro para os Verdes. Pelo contrário, vamos ter a extrema da extrema esquerda mais numerosa do Mundo Democrático.

Eu sou dos que preferiam de longe a maturidade democrática de um solução à europeia, o rotativismo entre a esquerda democrática e a direita democrática. Acontece que a direita portuguesa está cada vez mais perigosa, e são, aliás, de esperar nestes últimos dias mais manobras e abalos, "com epicentro" em Belém e pés enterrados no corporativismo de antanho.

E acontece também, como se comprova pelo andar das sondagens que os eleitores estão fascinados pelo vanguardismo do Bloco (um pouco como aconteceu com os eleitores da Bolívia, do Equador, da Venezuela, da Argentina ou da Nicarágua!). Vem aí um Maio de 68 eleitoral, "somos todos judeus alemães".

Somos todos pelo casamento civil dos homossexuais - repararam como em Espanha já nem a direita franquista defende que se volte atrás. Contra os paraísos fiscais - temos um na Madeira. Contra as "off-shores". Contra os prémios milionários que os banqueiros se outorgam! Contra as falências fraudulentas! Contra as negociatas chorudas com acções que não estavam no mercado, Vocês sabem do que estou a falar?!

É disto que o PSD tem medo, e não dos dois ou três ministérios que num governo de esquerda haviam de caber ao Professor Louçã, ao Doutor Semedo ou ao Prof. Fernando Rosas. O PSD tem medo que, com o apoio do Bloco e do PCP, o PS deixe de ser obrigado a recuar a cada medida, e que finalmente escolha "avançar", tendo força e apoios para isso, fazendo das tripas coração, contra os vetos de Cavaco e a guerra santa que a direita a bem dizer já lançou.

O PSD fala do papão de um governo de esquerda que aí vem porque sabe que vai perder. E a prova de que o PSD sabe que vai perder foi a aparição de Marcelo Rebelo de Sousa, em defesa da sua dama, agora oficial. O PSD sabe que não tem hipóteses mesmo que "o genial Marcelo" crie meia dúzia de factos políticos para o que resta de campanha.

Por mais tempo de antena que lhe dêem, Marcelo tem pé frio, como dizem os brasileiros. Lembram-se como ele enterrou de vez a campanha do aborto? Quanto mais se agitar, ao lado da outra senhora, pior para ela! Viram a sua prestação em Coimbra? Irrelevante! A mim fez-me lembrar o outro Marcelo, Caetano, quando se precipitou para a clínica onde Salazar estava em coma, depois de cair da cadeira.

Marcelo apareceu brilhando aos militantes, a dizer-lhes "comparem-nos, vejam as diferenças".Onde ela é deprimente, eu sou estimulante. Onde ela é cinzenta, eu sou um Rei-Sol, um manda-chuva, num ápice passo das televisões à direcção do Partido, vou e volto as vezes que me apetecer.

A aparição de Marcelo na campanha é o segundo sinal de que o PSD já perdeu. O primeiro é o apelo ao medo contra o papão de uma coligação PS+PCP+BE. E haverá outra solução de Governo depois do que a D. Manuela disse nos debates?

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

PR enterrado até ao pescoço na paranóia em curso

Do Câmara corporativa, as provas que faltavam e que o DN Publica::


SEXTA-FEIRA, SETEMBRO 18, 2009

Afinal, há campanhas negras!

E-mail de Luciano Alvarez, editor de política do Público, para Tolentino de Nóbrega, correspondente do jornal da Sonae no Funchal, para dar cumprimento a um "pedido do presidente da república", transmitido pelo seu porta-voz e braço direito, Fernando Lima:




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A táctica da quadratura segundo S. Nuno Pacheco Pereira

Mais uma vez, mandaram-me de Madrid, este recorte do Inimigo Público com comentário e tudo:

Pacheco Pereira inventou a ‘táctica da quadratura’ para eventualidade de invasão espanhola
17 17e Setembro Por Vítor Elias
Manuela Ferreira Leite não quer cá espanhóis e Pacheco Pereira começou de imediato a gizar um movimento defensivo inspirado na “táctica do quadrado” usada por Nuno Álvares Pereira em Aljubarrota. A “táctica da quadratura” consiste em atrair o inimigo castelhano (com uma mala cheia de notas do António Preto) até um terreno afunilado (as traseiras do LIDL da Marmeleira).
Pacheco Pereira vergastará então os invasores encurralados com explicações enfadonhas sobre os “não-factos políticos” criados pelas agências de comunicação, até que os espanhóis, enfastiados de morte, se rendam. Caso não funcione, Pacheco Pereira vai recorrer a tácticas mais drásticas, inspiradas na resistência palestiniana, fazendo explodir o seu enorme ego bem no meio das fileiras castelhanas.













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Pois, Sintra - 17.09.2009 23h39


Parece que também vai atirar aos espanhóis este extracto do programa eleitoral do PSD: "No investimento ferroviário, suspenderemos imediatamente os processos de adjudicação em curso para a alta velocidade e procederemos a uma reanálise do projecto nas suas diversas vertentes, considerando as possibilidades do seu redimensionamento para uma escala mais razoável e realista”. O objectivo é pôr os espanhóis a tentar perceber: “Pero que coño quieren los Pachequistas ?”. “ Quiren el TGV o no quieren?” Na verdade não dizem se querem ou não, se deve ser redimensionado ou não, prometem apenas que “vão considerar a possibilidade do seu redimensionamento”. É assim no resto do programa. Ah, já me esquecia, eles são patriotas e os outros não. São beatos de S. Nuno, ou de S. Nunca à Tarde.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Compra de votos?! Chapeladas?! Que dizem a isto o TC, o MP e o PR?

A notícia da Sábado e o depoimento de uma alegada militante do PSD de nome Irene Lopes levanta questões que não podem ser ignoradas.

Não tenho aqui à mão a lei dos partidos. Mas lembro-me que ela obrigou o PCP ao voto secreto nas eleições de pessoas, proibindo expressamente as votações por braço no ar. Lembro-me que por força de tal lei o Tribunal Constitucional obrigou o PCP a reunir o seu comité central quando foi da expulsão de Edgar Correia.

Que é que vai agora fazer o Tribunal Constitucional quanto às eleições no PSD em que votos foram comprados, subsidiados, "25-30 € conforme as pessoas", em que houve "chapeladas" (como resulta da dúzia de inscritos com a morada de Irene Lopes que ela não conhecia de lado nenhum), dos militantes convencidos através de empregos em juntas de freguesia do PSD.

A ser verdade, esta é uma denúncia gravíssima, existe crime contra o funcionamento do Estado de Direito, não é um questão interna, embora escabrosa, que só ao PSD diz respeito. O MP não diz nada? E "o garante do regular funcionamento das instituições" assobia para o lado, faz como no escândalo das escutas em Belém denunciadas nos jornais por Fernando Lima, sedu porta-voz autorizado?

Lembram-se como o PRD foi penalizado em 1986 por ter inventado umas assinaturas na pressa de se candidatar a algumas autarquias onde não tinha militantes suficientes? Assinaturas de conveniência, braços no ar, processos disciplinares - os poderes públicos aplicam sem pestanejar a dura lex. E agora que está em causa a compra de votos o que fazem os poderes públicos?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Contra Cavaco e quem o apoiar

O problema não é o Presidente ter-se envolvido de forma "ostensiva" nesta campanha, como defende o Carlos Esperança, no Ponte Europa. Outros Presidentes, em França por exemplo, tomam partido, defendem a coincidência de posições entre Governo e Presidente para uma maior eficácia da governação, que a política não é um jogo, como tende a ser em Portugal.

Oxalá que o envolvimento do Presidente nesta campanha eleitoral para o Parlamento fosse ostensiva: suponho que se matavam, não o pai e a mãe, como diz a senhora, mas dois coelhos de uma cajadada. O Presidente era arrastado na queda, que apesar de tudo vem aí, mais dia menos dia, haja Deus.

Juntamente com a "outra senhora", inimiga figadal dos espanhóis, adepta incondicional da democracia à moda da Madeira, que só fala em verdade para dar credibilidade às calúnias que alguns dos seus amigos bolsaram ao longo dos últimos dois anos sobre a pessoa do Primeiro Ministro em exercício. Como bem explicou Miguel Sousa Tavares no seu notável artigo no Expresso Com a verdade me asfixias

O problema é que o Presidente se envolve na campanha com os recados e as confidências, e as manchetes nos jornais, que alegadamente não são suas mas sim dos seus mais próximos companheiros e colaboradores. Como Fernando Lima, que não dá um espirro sem antes pedir licença ao chefe.

Estou a dizer que notícias com base em fontes de Belém são jogadas pessoais queridas e pensadas, embora disfarçadas, pelo próprio Presidente da República? Estou sim senhor.

Nem no tempo do Doutor Soares, que era um bonacheirão, havia no Palácio alguém com autonomia para jogadas próprias, quanto mais com este rígido, autoritário e convencido Presidente, que nunca se engana e raramente tem dúvidas. As primeiras páginas do Sol (lembram-se?) e do Público, a intriga das escutas ou a da má moeda, todos os choradinhos pela Moura Guedes e as pazadas de terra sobre o Governo, a ver se o enterram vivo, o que parece é, fazendo tábua rasa da sua obrigação de solidariedade institucional, enquanto não tem a coragem, nem quer assumir o ónus, de o demitir às claras - pois tudo isso é uma tentativa de abalo geral, "com epicentro", para usar a expressão de José Manuel Fernandes, no próprio Presidente da República.

Em minha opinião não é só Fernando Lima que faz o que o Presidente manda e dá ao diabo o que sabe, Manuela Ferreira Leite também. O problema é que o Grande Comandante entrou nesta guerra de forma encapotada, capciosa, porque não tem a certeza que apesar de todas as ajudas as suas tropas vençam esta batalha. E qualquer que seja o resultado de 27 de Setembro quer continuar a ser ele a ditar as regras.

Esse é que é o grande problema que temos pela frente. Seja qual for o resultado no 27 de Setembro, nada se decide, o pântano continua, nas autárquicas, nas presidenciais, nos artigos dos politólogos, nos sermões dominicais dos professores da política, nas cartas anónimas - que chegam aos (ou partem dos?) jornalistas antes de dar entrada nas polícias.

A menos que... A menos que se erga uma onda gigante? Uma coligação PS, PCP, Bloco de Esquerda? Com base de apoio alargada e determinada a desmontar a reacção e a secar o pântano? Tendo como programa comum o combate à direita, a toda a direita, dos negócios privados e das públicas virtudes? Uma coligação de governo, decidida a não fazer caso da reacção em ordem unida que de imediato se proclamaria em guerra santa contra o regime de esquerda?

E depois? Já não temos o Alberto João a dizer isto todos os dias? Ora, ora: Costa Cabral e a Rainha também foram vencidos, a Regeneração acabou por vingar. O que faz falta é encontrar um Obama, um senhor X, capaz de derrotar Cavaco Silva.

Até lá, ganhe quem ganhar, nada adianta nada. O povo já intuiu isso mesmo e por isso vai deixar tudo empatado. Uma maioria para governar? Com Cavaco em Belém? Give me a break - é o que se diz por aí.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A opção é entre Sócrates e a outra senhora

Disse João Soares no Algarve e não podia ter dito melhor, que é a verdade nua e crua.

A outra senhora que era fã do orgulhosamente sós, da padeira de Aljubarrota, último baluarte da civilização ocidental e cristã, contra todas as modernices, na altura encabeçadas pelos inimigos da pátria, os comunistas e os seus aliados nas Nações Unidas, que eram toda a gente.

A outra senhora para quem as finanças do Estado deviam ser geridas como as de uma dona de casa e por isso acumulámos 50 anos de atraso.

A outra senhora, ela sim, que bem sabia como asfixiar democratas com a verdade única a que o POvo tinha direito, como ainda hoje o são na Madeira, onde um Presidente da República, por exigência do caudilho. não põe os pés no Parlamento e que é exemplo e modelo de democracia para esta senhora.


domingo, 13 de setembro de 2009

Sócrates ganhou e o resto são cantigas

Como revela o Correio da Manhã e contrariamente ao que dizem os comentadores interessados, o público não se engana, este foi o resultado e o resto são cantigas. Assim, sic:

13 Setembro 2009 - 00h54

Sondagem Aximage/CM

Sócrates vence debate

Sócrates venceu o debate com Ferreira Leite, de acordo com uma sondagem realizada pela Aximage para o CM junto dos eleitores logo após o frente-a-frente entre o primeiro-ministro e a líder da Oposição. A sondagem foi realizada através de entrevistas telefónicas.

À questão ‘quem ganhou o debate’, 45,6 por cento afirmou que foi Sócrates. Ferreira Leite colheu a opinião favorável de 30,2 por cento dos eleitores. Para 24,2 por cento dos inquiridos registou-se um empate. Um outro elemento parece seguro: este debate foi, ao que tudo indica, o mais visto da série de dez confrontos televisivos que colocaram frente a frente os líderes dos partidos com assento parlamentar, superando até as expectativas. Hoje são conhecidos os valores. Um elemento tanto mais relevante quanto é certo que os debates tiveram sempre audiências consideráveis, mais de um milhão de telespectadores.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Dizes tu direi eu

... tal e qual. É como diz o Jumento, sem tirar nem pôr:

JUMENTO DO DIA

Judite Sousa

O papel de Judite Sousa no debate entre Paulo Portas e Manuela Ferreira Leite não foi o de entrevistadora, ao longo do debate comportou-se como uma assessora de imprensa da líder do PSD. Apercebendo-se do cansaço da líder do PSD Judite Sousa veio várias vezes em socorro de Manuela Ferreira Leite, interrompia-a com perguntas que serviam para a ajudar a organizar o discurso, sintetizava-lhe as conclusões quando lhe parecia que as ideias estavam baralhadas, completava-lhes as frase quando faltavam as palavras.


E passe os olhos pelas Leituras recomendadas na Câmara Corporativa:

Leituras

• Ferreira Fernandes, Votos úteis e outros menos:
    Ontem, Portas foi claro: quer esse negócio com o PSD. Já o BE não foi por aí, não incita o PS a acordos futuros. A razão é simples: o campeonato de Francisco Louçã não é esta campanha, é ser o maior da esquerda, um dia. Portas é razoável, Louçã não é. É tão simples quanto isso.
• Paul Krugman, Os défices salvaram o mundo:
    Ou seja, repito, os défices salvaram o mundo. Aliás, ficaríamos em melhor situação se os governos estivessem dispostos a ter défices durante mais um ano ou dois.

    (…)

    E não há razão para que a dívida adicional não seja gerível. Se estamos perante um problema potencial, não é por a economia não conseguir lidar com a dívida adicional. É por causa da política, o que é estúpido.
• Pedro Adão e Silva, Vamos assustá-los:
    A POLÍTICA é a continuação da guerra por outros meios e os debates entre candidatos um desporto de combate. Contra todas as expectativas, Louçã perdeu o debate com Sócrates por KO técnico. As razões da derrota são simples: Sócrates usou as armas que Louçã costuma utilizar - um caso concreto para desmontar um argumento genérico -, enquanto Louçã não soube pôr-se no papel de primeiro-ministro - que tem de oferecer princípios genéricos para justificar políticas concretas. O líder do BE só pode viver mal com essa dificuldade. Afinal o seu objectivo é liderar a esquerda e ser primeiro-ministro. Acontece que o BE vive uma crise de crescimento: mobiliza o voto de protesto, desde que não exponha aquele que é, de facto, o seu programa eleitoral. Se é revelado o que o BE pretende fazer (do programa de nacionalizações ao fim das deduções fiscais, passando pelo antieuropeísmo), logo se percebe que não há ali nada de novo e o que há de velho é assustador.
... tal e qual, sem tirar nem pôr, dizes tu direi eu.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Um "Mantorras trotsquista", sem ofensa para o Mantorras

O que lá vai lá vai, o debate Sócrates e Louçã foi há mais de três quinze dias, bem sei, mas foi o último que vi. E depois mandaram-me o link de Madrid, que é o sinal de que o caso ultrapassou fronteiras, vai dar a volta ao Mundo como a gripita A. Dá para rir. Aqui vai do inimigo público com a devida vénia:

Louçã tinha pubalgia e foi ao debate em esforço
09 9e Setembro Por Mário Botequilha
A opinião é unânime: José Sócrates cilindrou Francisco Louçã, no debate de terça-feira, por KO técnico (para os nossos leitores do Correio da Manhã: porrada de meia-noite). O que não se sabe é que Francisco Louçã está lesionado e debateu infiltrado. O querido líder do Bloco teve de levar umas injecções valentes para dominar a pubalgia/mialgia de esforço/entorse da nádega de que padece, e que já lhe valeu a alcunha de “Mantorras Trotskista”.
(...)

Estou de acordo. Este blog que pratica uma política de verdade sente-se na obrigação de acrescentar que o Sócrates se portou, no debate, como o Adlai Stevenson, no Conselho de Segurança, em 1962, quando revelou as fotografias dos mísseis soviéticos em Cuba. Parecia que tinha comido leão, disse um jornal. De Stevenson, na América. Em Portugal, sobre uma vitória de Sócrates, os jornais têm vergonha de falar.

Foi patético, porque Louçã visivelmente não esperava que alguém lhe tivesse lido o programa e muito menos um tipo com mais que fazer como o PM. E muito menos que tendo-o o lido falasse dele - as pessoas bem formadas portam-se com decoro. E muito menos que lesse no debate passagens inteiras. A D. Judite ainda tentou "passar adiante", uma interrupção técnica, como no boxe, para "proteger" o revolucionário combatente em perigo.

Mas Sócrates, que tinha engolido o tal leão, não havia maneira de largar a presa tenrinha. Foi uma asfixia. Vai-se a ver e a explicação é que Sócrates mandou tirar as escutas de Belém, denunciadas por Fernando Lima, porta-voz de Cavaco Silva, e... mandou plantá-las na sede do Bloco. Foi assim que ele soube.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Gripe A imita Sucupira e nunca mais se inaugura o cemitério

Povo de Sucupira, aquilo é que era política, o improviso bem preparado era de fazer chorar as pedras da calçada: "o vosso Prefeito, amado povo, valentemente prometeu e consistentemente cumpriu. "Habemus cemiterium e para a felicidade ser completa venha daí uma mortezinha de nada que é a única coisa que nos falta para a inauguração do dito... Pois não é que de repente as pessoas, todas as pessoas, em Sucupira, só para contrariar o Prefeito, começaram a esquecer-se de morrer?

Passa-se o mesmo em Portugal com a gripe A. Quatro mil novecentas e cinquenta e cinco notícias de televisão, um milhão e novecentos e trinta e sete mil spots na rádio, todos jornais à espera e ninguém morre de gripe A em Portugal? Repararam no ar enfastiado com que o José Rodrigues dos Santos dá aquelas notícias que afinal aquela senhora em perigo de vida durante tantos dias no Santo António no Porto já deixou os cuidados intensivos? Ou aquele obeso mórbido do Algarve, de resto uma pessoa saudável, como referiu a SIC, que não há maneira de morrer de gripe A por mais manchetes que lhe ofereçam?

Na América há meses que a Janet Napolitano, secretária no governo de Obama para a segurança interna, veio dizer que a gripe A não passava de uma gripita. Propagava-se como o vento mas não abatia ninguém ou quase. Que muito mais gente morria e ia continuar a morrer de simples constipação, a qual mata que se farta, para morrer basta estar vivo.

Em Portugal a notícia de que a gripe A não passava de uma gripita foi ignorada. E não havendo epidemia de gripe A pelo menos haveria uma "epidemia de medo", como aquela que denunciaram os médicos espanhóis que não os portugueses. Os telejornais continuam insuflar o balão da gripe, a luta continua, o Sócrates para a rua.

E nunca mais morre um para amostra? Nem por asfixia? Aqui ou na Madeira?! Para Alberto João Jardim, Manuela Ferreira Leite, Cavaco Silva, poderem dizer alguma coisa de horrível? Também já é má vontade deste Governo, que por isso deve responder.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Verdade, verdadinha: Manuela Ferreira Leite mentiu!

Louçã contra Manuela Ferreira Leite e vice versa: deu gosto ver. Tenho que dar a mão à palmatória: se pusermos de parte os debates em que intervém Paulo Portas, um vendedor de banha da cobra, hiper activo, inspirado no BNP britânico, todos os outros, os que vi, têm sido correctos e esclarecedores.

É verdade - manda que se diga uma boa "política de verdade", e não a do manifesto do partido nazi - que a D. Manuela meteu os pés pelas mãos, designadamente quando afirmou: "Nunca falei em privatização da Segurança Social". Claro que falou, toda a gente se lembra. E o Carlos Santos, do Valor das Ideias, logo encontrou a prova escarrapachada num jornal da TVI, um dos muitos jornais da TVI, todos tão zelosos em promover a senhora. Vejam só o que ela disse nas Jornadas Parlamentares do PSD em Vilamoura:
«Não existe margem de redução de receita para conseguir colmatar qualquer tipo de aumento [de despesa]», alegou, apontando a eventualidade, por exemplo, de um crescimento das despesas com desemprego face ao valor previsto.
Redução da receita e aumento da despesa ? A baixa da contribuição das empresas para a segurança social é o quê? E o pagamento da diferença pelo Orçamento de Estado é ou não aumento da despesa? Diga-nos a verdade, não minta, apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo, como se vê pelo seguimento da notícia da TVI no seu "diário" digital:

«Questionada depois pelos deputados do PSD sobre as funções do Estado, Manuela Ferreira Leite respondeu que começaria por privatizar «aqueles sectores em que os privados já estão, como a saúde a educação».

«São dois sectores em que não vejo porque é que o Estado não se retira», disse, referindo que «antes pelo contrário, [o Estado] cada vez está a entrar mais».

Começaria por privatizar. Agora diz que quer "diferenciar", Como sublinhou "o Francisco Louçã", tão familiar que ela estava, "a Manuela Ferreira Leite" fugia do seu programa, de generalidades, como o diabo da cruz.

Mas, valha a verdade, a tal verdade, iria agarrar-se à cruz, contra o diabo, quando veio à baila aquela "modernice" do casamento de homossexuais. Francisco Louçã, até estranhei, pôs a questão em termos correctos: a quem é que isso incomoda? que direito "temos nós" de impor aos outros as nossas próprias concepções do que é bom e mau? quem se arroga o direito de interferir no "direito à felicidade" de quem quer que seja?

Esteve bem, Louçã, nesta matéria, porque não falou do "direito à adopção" por casais homossexuais. Que aqui, eventualmente, "o direito à felicidade" das crianças, no mundo em que vivemos, recomenda em nosso entender prudência, muita prudência.

Globalmente, à vista de todos, ganhou Louçã, o que não quer dizer nada: também ganhou a Cavaco Silva, 10-0, no debate das Presidenciais, e Cavaco foi eleito, e todos os dias revela os seus tiques de dono da verdade, de todas as verdades. Mas o estranho é... o verdadeiro "excesso de zelo" que parece ter atingido alguns dos seus amigos e eventuais aliados. E já não falo de Alexandre Relvas, de António Borges, de Pacheco Pereira, ou de qualquer "assessor" do Presidente da República.

Falo de Teresa Caeiro, do CDS, que no mesmo artigo do Sol Online dá a vitória no debate a Ferreira Leite sobre Louçã por 39 a 26 - ah a vontade de voltar ao Governo a quanto obrigas! E falo de António Filipe, que entre os dois aparentemente também preferiria Ferreira Leite: dá-lhe a vitória por 27 a 25 - ah como o medo, de perder para o Bloco, está a perturbar o raciocínio dos dirigentes do PCP!

domingo, 6 de setembro de 2009

Os jornalistas é que são mornos

Falaram. Cada qual disse o que tinha a dizer. Não houve berros, insultos, histerias, os velhos truques, só possíveis em Portugal, de falar em cima do adversário para ninguém oiça o que ele diz. Sócrates e Jerónimo tiveram um debate civilizado. E muito interessante.

Foi assim possível ouvir e entender alguns factos que andam esquecidos nesta campanha. Por exemplo, a afirmação de Sócrates que a reforma da educação começou no primário, com as aulas de substituição, a introdução do inglês, a ocupação das crianças na escola pública em actividades diversas até às cinco da tarde, e mais tarde a distribuição de computadores.

Foi bom, foi mau? Alguns sindicatos moveram a estas medidas uma guerra danada, que foi até à greve aos exames? E os partidos da oposição, todos, preferiram alinhar com os adeptos do statu quo contra os que queriam abanar o conformismo reinante? Tudo não passou de manobras do Governo para poder prolongar os horários de trabalho dos pais das crianças, como disse Jerónimo de Sousa? Ou esta é uma desculpa de mau pagador?

Esta foi uma das primeiras “refregas” do debate e logo ali, como se vê, havia um punhado de curiosidades e interrogações que ficavam no ar, pano para mangas, uma história para contar, para um jornalista que tivesse unhas para tocar essa guitarra.

Falaram disso os jornais? Não. Foi um debate morno – repisaram cronistas ensonados, "désabusés", no Público, na TSF, em todos os serviços da TVI (sem link, que o não merecem), e na generalidade da imprensa. Ainda por cima, que falta de originalidade! Não sabem dizer mais nada?

Não sabem contar como foi porque isso iria “prolongar” os seus horários de trabalho e o director do jornal já explicou que não lhe interessam notícias sérias, umas “bocas” bastam? Depois não se admirem que a audiência dos jornais se afunde todos os dias. São ignorantes, não têm memória, nem cultura, a política não lhes interessa, não gostam do que fazem, não sabem contar.

Obviamente, a culpa, para começar, é dos directores que preferem assim: umas banalidades, desde que desconsiderem os líderes, são bem mais apetecíveis e fazem furor, junto dos amigos e colegas de profissão.

Não sabem contar e aparentemente é isso que também agrada aos patrões, tão ignorantes e mesquinhos como os seus empregados. E quando alguém sai da mediocridade que temos, alguém com algum espírito crítico, equilíbrio e sentido de Estado – digamos um homem honrado como Pais do Amaral, um dos maiores jornalistas da Península nos últimos 40 anos como Juan Luis Cebrian, ou alguém no lugar dele, quando gente deste nível proclama que
a rainha, a Manuela, vai nua, e não é bonita de ver,
mobilizam-se contra ele todos as trevas da Inquisição.

Este jornalismo que temos é um atraso de vida.


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Uma campanha suja

Os dados estão lançados: esta vai ser a campanha mais suja da história da democracia portuguesa. A campanha contra Sá Carneiro? Uma brincadeira de crianças mal comportadas, gizada à pressa, sem apoio institucional. Para começar, não tinha mais do que um jornal e um partido por detrás.

Esta tem jornais, rádios e televisões. Tem líderes partidários, experimentados nestas andanças. Como Paulo Portas, que logo afirmou, sem se atrapalhar com a verdade ou a verosimilhança do que diz, que O Primeiro Ministro dera a "ordem socialista" para retirar do écrã a sua amiga e antiga deputada do seu Partido, Manuela Moura Guedes.

Tem apoios institucionais: algumas das manchetes dos jornais da campanha nascem de um agit prop que tem voz no processo e ouvidos (escutas?) em Belém. E neste domínio pouco importa que no fim da jornada um tribunal decida que não tinham qualquer fundamento. Em política, e sobretudo numa campanha eleitoral como esta, o que parece é, já dizia o Botas.

Pois não viram o sucesso daquele rapaz que inventou aquela genial da "claustrofobia democrática". Num programa, como nunca existiu em Portugal, em que um representante de uma maioria parlamentar tinha de se defender dos ataques conjugados de cinco adversários, incluindo a jornalista, e não dispunha, para o fazer, de mais de 15-20% do tempo. Ele, sim, é que devia queixar-se de estar a ser asfixiado.

Pelo andar da carruagem vamos alegremente a caminho do populismo, do justicialismo, do PREC permanente. Como na Venezuela, na Bolívia, no Equador, nas Honduras. Se não for pior: lembro-me, eu era uma criança mas já lia jornais, da campanha miserável que a direita e a extrema esquerda, conjugadas, fizeram no Brasil ao Presidente João Goulart e a Leonel Brizola. Acabou por varrer da cena ídolos da direita como Carlos Lacerda. E desencadeou a repressão mais sanguinária contra a extrema-esquerda de que há memória .

Alguns dos pirómanos que andam por aí fariam bem em parar, respirar fundo, e pensar no que aí pode vir. E já nem falo das"fontes próximas" da Presidência, ou do processo. Essas não têm emenda.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Debates destes não interessam ao menino Jesus



Não vi o debate entre o Sócrates e o Portas. Primeiro porque era na TVI e eu não vejo a TVI, a não ser à quinta-feira, que tem o Miguel Sousa Tavares. Segundo porque em matéria de espectáculo tinha melhor: uma sessão de homenagem ao Bénard da Costa, na Cinemateca, com o último filme de Manoel Oliveira, as "Singularidades de Uma Rapariga Loura" (nada mau!) com a presença do realizador, do Pedro Mexia (muito formal, com um texto lido, e mal lido) e do Pinto Ribeiro, com um improviso lindo, perfeito!

Disse "espectáculo"? Pois disse. Foi um membro do gabinete Blair que explicou uma vez à SkyNews que estava muito ocupado em governar, não tinha tempo para "entreter" as plateias televisivas. Entendamo-nos: os membros do Governo britânico, que não deixam de ser, são obrigatoriamente, membros do Parlamento, e respondem frequentemente nele a toda a espécie de perguntas. Como em Portugal, isso faz parte da função de governar, em democracia, que tem a sua parte de espectáculo, nasceu na "agora" de Atenas.

O que não vejo em lado nenhum são debates do PM, em igualdade de armas, com todos e cada um dos líderes dos quatro partidos da Oposição. Algum dia viram em Espanha um debate televisivo de Zapatero com o líder da Esquerra Republicana? No Parlamento, sim. Com todos e o tempo que for preciso. Não há por lá um Jaime Gama, feito carraça, a mandar calar as pessoas quando começam finalmente a dizer coisas interessantes.

Disse "em igualdade de armas". Pois disse. Bem sei que com um artista do gabarito de Paulo Portas nunca há "igualdade de armas" possível. Ele é assim como aquele "compère" das revistas que tem sempre um trejeito final para concentrar em si os holofotes. Um mau colega.

Não vi, não li, mas ouvi... dizer. Portas fartou-se de interromper, de "fazer caretas", de fazer piscadelas de olho às câmaras. Não me admira nada: vive disso. E é bem feita: quem é que manda a Sócrates prestar-se a um papel de artista de feira, para "entreter" as plateias da TVI ?
Os jornalistas? Ora os jornalistas! Amam o Paulinho de paixão, ele é um deles, o mais talentoso, um modelo (não é verdade, Manuela Moura Guedes?)!

Se os políticos se prestam... problema deles!