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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Proteja a cabeça com uma almofada se puder

"Estamos a assistir ao desmoronar total das instituições, ao seu descrédito".

Maldição, é um terramoto que aí vem, se não fizerem a vontade ao PR e não puserem de lado essa ideia maligna de permitir o casamento a pessoas do mesmo sexo.
Que causa "fracturas", diz ele, "desmoronamentos", diz ela. E ainda não viram nada: esperem pelo próximo artigo do Vasco Graça Moura e pelo uso que dele fará o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público.


domingo, 20 de setembro de 2009

Vem aí o papão do Bloco - diz Ferreira Leite


O PSD já não ganha estas eleições e começou a interiorizar a derrota. Por isso e só por isso é que passou a tentar meter medo com uma eventual coligação de esquerda, em consequência dos resultados que se esperam para daqui a uma semana. Não é o País que tem medo, é o PSD que está aflito, com a hipóteses de o Bloco levar as suas "propostas fracturantes" para o Governo.

O País, aparentemente, não tem medo do Bloco, nem das tais propostas fracturantes, desde que no Governo esteja, também, o único partido que foi capaz de erguer-se contra o PREC e que o pode fazer de novo quando e se for preciso. Se o País tivesse medo do Bloco, e/ou do PCP, concentraria os seus votos em Sócrates, como os espanhóis fizeram em Zapatero, reduzindo a extrema esquerda a 5 deputados em 350: 3 para a Esquerra Republicana (espécie de Bloco de Esquerda), 1 para o PCE, outro para os Verdes. Pelo contrário, vamos ter a extrema da extrema esquerda mais numerosa do Mundo Democrático.

Eu sou dos que preferiam de longe a maturidade democrática de um solução à europeia, o rotativismo entre a esquerda democrática e a direita democrática. Acontece que a direita portuguesa está cada vez mais perigosa, e são, aliás, de esperar nestes últimos dias mais manobras e abalos, "com epicentro" em Belém e pés enterrados no corporativismo de antanho.

E acontece também, como se comprova pelo andar das sondagens que os eleitores estão fascinados pelo vanguardismo do Bloco (um pouco como aconteceu com os eleitores da Bolívia, do Equador, da Venezuela, da Argentina ou da Nicarágua!). Vem aí um Maio de 68 eleitoral, "somos todos judeus alemães".

Somos todos pelo casamento civil dos homossexuais - repararam como em Espanha já nem a direita franquista defende que se volte atrás. Contra os paraísos fiscais - temos um na Madeira. Contra as "off-shores". Contra os prémios milionários que os banqueiros se outorgam! Contra as falências fraudulentas! Contra as negociatas chorudas com acções que não estavam no mercado, Vocês sabem do que estou a falar?!

É disto que o PSD tem medo, e não dos dois ou três ministérios que num governo de esquerda haviam de caber ao Professor Louçã, ao Doutor Semedo ou ao Prof. Fernando Rosas. O PSD tem medo que, com o apoio do Bloco e do PCP, o PS deixe de ser obrigado a recuar a cada medida, e que finalmente escolha "avançar", tendo força e apoios para isso, fazendo das tripas coração, contra os vetos de Cavaco e a guerra santa que a direita a bem dizer já lançou.

O PSD fala do papão de um governo de esquerda que aí vem porque sabe que vai perder. E a prova de que o PSD sabe que vai perder foi a aparição de Marcelo Rebelo de Sousa, em defesa da sua dama, agora oficial. O PSD sabe que não tem hipóteses mesmo que "o genial Marcelo" crie meia dúzia de factos políticos para o que resta de campanha.

Por mais tempo de antena que lhe dêem, Marcelo tem pé frio, como dizem os brasileiros. Lembram-se como ele enterrou de vez a campanha do aborto? Quanto mais se agitar, ao lado da outra senhora, pior para ela! Viram a sua prestação em Coimbra? Irrelevante! A mim fez-me lembrar o outro Marcelo, Caetano, quando se precipitou para a clínica onde Salazar estava em coma, depois de cair da cadeira.

Marcelo apareceu brilhando aos militantes, a dizer-lhes "comparem-nos, vejam as diferenças".Onde ela é deprimente, eu sou estimulante. Onde ela é cinzenta, eu sou um Rei-Sol, um manda-chuva, num ápice passo das televisões à direcção do Partido, vou e volto as vezes que me apetecer.

A aparição de Marcelo na campanha é o segundo sinal de que o PSD já perdeu. O primeiro é o apelo ao medo contra o papão de uma coligação PS+PCP+BE. E haverá outra solução de Governo depois do que a D. Manuela disse nos debates?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A opção é entre Sócrates e a outra senhora

Disse João Soares no Algarve e não podia ter dito melhor, que é a verdade nua e crua.

A outra senhora que era fã do orgulhosamente sós, da padeira de Aljubarrota, último baluarte da civilização ocidental e cristã, contra todas as modernices, na altura encabeçadas pelos inimigos da pátria, os comunistas e os seus aliados nas Nações Unidas, que eram toda a gente.

A outra senhora para quem as finanças do Estado deviam ser geridas como as de uma dona de casa e por isso acumulámos 50 anos de atraso.

A outra senhora, ela sim, que bem sabia como asfixiar democratas com a verdade única a que o POvo tinha direito, como ainda hoje o são na Madeira, onde um Presidente da República, por exigência do caudilho. não põe os pés no Parlamento e que é exemplo e modelo de democracia para esta senhora.


domingo, 13 de setembro de 2009

Sócrates ganhou e o resto são cantigas

Como revela o Correio da Manhã e contrariamente ao que dizem os comentadores interessados, o público não se engana, este foi o resultado e o resto são cantigas. Assim, sic:

13 Setembro 2009 - 00h54

Sondagem Aximage/CM

Sócrates vence debate

Sócrates venceu o debate com Ferreira Leite, de acordo com uma sondagem realizada pela Aximage para o CM junto dos eleitores logo após o frente-a-frente entre o primeiro-ministro e a líder da Oposição. A sondagem foi realizada através de entrevistas telefónicas.

À questão ‘quem ganhou o debate’, 45,6 por cento afirmou que foi Sócrates. Ferreira Leite colheu a opinião favorável de 30,2 por cento dos eleitores. Para 24,2 por cento dos inquiridos registou-se um empate. Um outro elemento parece seguro: este debate foi, ao que tudo indica, o mais visto da série de dez confrontos televisivos que colocaram frente a frente os líderes dos partidos com assento parlamentar, superando até as expectativas. Hoje são conhecidos os valores. Um elemento tanto mais relevante quanto é certo que os debates tiveram sempre audiências consideráveis, mais de um milhão de telespectadores.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Gripe A imita Sucupira e nunca mais se inaugura o cemitério

Povo de Sucupira, aquilo é que era política, o improviso bem preparado era de fazer chorar as pedras da calçada: "o vosso Prefeito, amado povo, valentemente prometeu e consistentemente cumpriu. "Habemus cemiterium e para a felicidade ser completa venha daí uma mortezinha de nada que é a única coisa que nos falta para a inauguração do dito... Pois não é que de repente as pessoas, todas as pessoas, em Sucupira, só para contrariar o Prefeito, começaram a esquecer-se de morrer?

Passa-se o mesmo em Portugal com a gripe A. Quatro mil novecentas e cinquenta e cinco notícias de televisão, um milhão e novecentos e trinta e sete mil spots na rádio, todos jornais à espera e ninguém morre de gripe A em Portugal? Repararam no ar enfastiado com que o José Rodrigues dos Santos dá aquelas notícias que afinal aquela senhora em perigo de vida durante tantos dias no Santo António no Porto já deixou os cuidados intensivos? Ou aquele obeso mórbido do Algarve, de resto uma pessoa saudável, como referiu a SIC, que não há maneira de morrer de gripe A por mais manchetes que lhe ofereçam?

Na América há meses que a Janet Napolitano, secretária no governo de Obama para a segurança interna, veio dizer que a gripe A não passava de uma gripita. Propagava-se como o vento mas não abatia ninguém ou quase. Que muito mais gente morria e ia continuar a morrer de simples constipação, a qual mata que se farta, para morrer basta estar vivo.

Em Portugal a notícia de que a gripe A não passava de uma gripita foi ignorada. E não havendo epidemia de gripe A pelo menos haveria uma "epidemia de medo", como aquela que denunciaram os médicos espanhóis que não os portugueses. Os telejornais continuam insuflar o balão da gripe, a luta continua, o Sócrates para a rua.

E nunca mais morre um para amostra? Nem por asfixia? Aqui ou na Madeira?! Para Alberto João Jardim, Manuela Ferreira Leite, Cavaco Silva, poderem dizer alguma coisa de horrível? Também já é má vontade deste Governo, que por isso deve responder.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Verdade, verdadinha: Manuela Ferreira Leite mentiu!

Louçã contra Manuela Ferreira Leite e vice versa: deu gosto ver. Tenho que dar a mão à palmatória: se pusermos de parte os debates em que intervém Paulo Portas, um vendedor de banha da cobra, hiper activo, inspirado no BNP britânico, todos os outros, os que vi, têm sido correctos e esclarecedores.

É verdade - manda que se diga uma boa "política de verdade", e não a do manifesto do partido nazi - que a D. Manuela meteu os pés pelas mãos, designadamente quando afirmou: "Nunca falei em privatização da Segurança Social". Claro que falou, toda a gente se lembra. E o Carlos Santos, do Valor das Ideias, logo encontrou a prova escarrapachada num jornal da TVI, um dos muitos jornais da TVI, todos tão zelosos em promover a senhora. Vejam só o que ela disse nas Jornadas Parlamentares do PSD em Vilamoura:
«Não existe margem de redução de receita para conseguir colmatar qualquer tipo de aumento [de despesa]», alegou, apontando a eventualidade, por exemplo, de um crescimento das despesas com desemprego face ao valor previsto.
Redução da receita e aumento da despesa ? A baixa da contribuição das empresas para a segurança social é o quê? E o pagamento da diferença pelo Orçamento de Estado é ou não aumento da despesa? Diga-nos a verdade, não minta, apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo, como se vê pelo seguimento da notícia da TVI no seu "diário" digital:

«Questionada depois pelos deputados do PSD sobre as funções do Estado, Manuela Ferreira Leite respondeu que começaria por privatizar «aqueles sectores em que os privados já estão, como a saúde a educação».

«São dois sectores em que não vejo porque é que o Estado não se retira», disse, referindo que «antes pelo contrário, [o Estado] cada vez está a entrar mais».

Começaria por privatizar. Agora diz que quer "diferenciar", Como sublinhou "o Francisco Louçã", tão familiar que ela estava, "a Manuela Ferreira Leite" fugia do seu programa, de generalidades, como o diabo da cruz.

Mas, valha a verdade, a tal verdade, iria agarrar-se à cruz, contra o diabo, quando veio à baila aquela "modernice" do casamento de homossexuais. Francisco Louçã, até estranhei, pôs a questão em termos correctos: a quem é que isso incomoda? que direito "temos nós" de impor aos outros as nossas próprias concepções do que é bom e mau? quem se arroga o direito de interferir no "direito à felicidade" de quem quer que seja?

Esteve bem, Louçã, nesta matéria, porque não falou do "direito à adopção" por casais homossexuais. Que aqui, eventualmente, "o direito à felicidade" das crianças, no mundo em que vivemos, recomenda em nosso entender prudência, muita prudência.

Globalmente, à vista de todos, ganhou Louçã, o que não quer dizer nada: também ganhou a Cavaco Silva, 10-0, no debate das Presidenciais, e Cavaco foi eleito, e todos os dias revela os seus tiques de dono da verdade, de todas as verdades. Mas o estranho é... o verdadeiro "excesso de zelo" que parece ter atingido alguns dos seus amigos e eventuais aliados. E já não falo de Alexandre Relvas, de António Borges, de Pacheco Pereira, ou de qualquer "assessor" do Presidente da República.

Falo de Teresa Caeiro, do CDS, que no mesmo artigo do Sol Online dá a vitória no debate a Ferreira Leite sobre Louçã por 39 a 26 - ah a vontade de voltar ao Governo a quanto obrigas! E falo de António Filipe, que entre os dois aparentemente também preferiria Ferreira Leite: dá-lhe a vitória por 27 a 25 - ah como o medo, de perder para o Bloco, está a perturbar o raciocínio dos dirigentes do PCP!

domingo, 16 de agosto de 2009

O que me chateia no PSD (2)

Chateia-me que um partido possa ter a duplicidade do PSD no caso do Estatuto dos Açores. Mas não só.

Estou de acordo com o Moita Flores: chateia-me uma senhora que faz do investimento público uma espécie de "inimigo público nº1". Nem no Partido Republicano que combate o pacote de três mil milhões, que Obama fez aprovar para estimular a economia, e que já começou a inverter tendências e a dar alguns resultados.

Também me chateia, como a Moita Flores, uma senhora que separa no PSD "os corruptos bons dos corruptos maus". Que condena uns, votando-os ao ostracismo. Mas apoia outros como António Preto e Helena Sá da Costa, já com julgamento marcado. O Berlusconi não faria melhor.

Que moralidade tem o Aguiar-Branco de vociferar contra Sócrates, que não foi acusado de nada, quando apadrinha no seu Partido candidaturas de cidadãos acusados?

"Mendacity", cheiro a falsidade. E também "claustrofobia democrática", quando defende a suspensão por seis meses da democracia para fazer as reformas. Tomo muito a sério aquela sua afirmação, que ela tem Cavaco consigo, não seria quem é no PSD sem o apoio dele.