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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Barafunda nas eleições britânicas e é bem feito!


Nos jornais, alguns jornais, a campanha foi um verdadeiro culto da personalidade, a promoção do Grande Líder e a demolição dos restantes. No final, repararam na barafunda em que terminaram as eleições britânicas e que já deu a volta ao Mundo?

Em dezenas de localidades centenas e centenas de eleitores depois de terem esperado horas nas bichas, foram impedidos de votar. Nem no Afeganistão, há um sistema que bata com a porta na cara aos eleitores que esperam à hora do fecho das urnas.

A dominação do sistema pelos caciques, "senhores da guerra", donos dos votos, manipuladores sem freio nos tabloides, não impediu esta baralhada monumental no fim da jornada

E são estes "donneurs de lessons" que vêm a Portugal ridicularizar as nossas políticas, fazer de Medina Carreira agora A Boa Fonte, o máxima, a única em que os britânicos devem acreditar, que tem tribuna na SIC Notícias, e a SIC, agora que a Manuela Moura Guedes está de baixa é o que mais parecido temos com a SKy de Murdoch.

A Sky, de Murdoch, como o The Sun, o Daily Mail, o Telegraph, o Times... é difícil encontrar um grupo de imprensa no Mundo mais despudorado numa campanha eleitoral como a que terminou. Todos dedicaram o melhor do seu "espaço noticioso" a arrasar Gordon Brown e Nick Clegg, este com a agravante de ser pró-europeu, casado com uma cidadã espanhola, defender uma amnistia para os emigrantes, alguns dos quais trabalham há décadas no Reino Unido, têm filhos e netos britânicos, mas continuam a ser tratados como marginais todos os dias pela xenófoba imprensa de Murdoch.

Pois morreram na praia. Não conseguiram que o Grande Líder Conservador com pouco mais de um terço dos votos conseguisse os 326 deputados necessários para governar sem controlo. Vão ter de negociar. Com um partido pró-europeu, inteligente, civilizado, que com mais de 23% dos votos obteve menos de 9% dos mandatos. No tal sistema feito à medida dos caciques, "senhores da guerra", donos dos feudos, onde nem uma segunda volta é permitida, e a representação proporcional, mesmo mitigada, é objecto da abominação dos media.

Segui dois dos três debates entre os líderes, uma novidade por lá. Porque gosto de debates: sigo com alguma frequência os debates na nossa Assembleia, regalei-me noites a fio com os debates entre Obama e Hillary Clinton, também apreciei os confrontos entre Zapatero e Rajoy, assim como o de Sarkozy com Ségolène, que deu a volta às eleições presidenciais francesas e valerá sempre a pena lembrar de vez em quando.

Retenho de bom, dos debates ingleses, o papel reservado aos jornalistas que estão lá para fazer falar e não para falar em vez dos protagonistas: limitaram a passar a palavra, fazendo cumprir os tempos das respostas, réplicas e tréplicas, previamente definidas, a introduzir as questões do público, rápidas e objectivas (tb se faz em Espanha com o "Tengo uma pregunta para usted"!). Compare-se um tal comportamento jornalístico com o dos opiniosos/as jornalistas televisivos nacionais.

De resto, com a falta de escrúpulos dos Murdochs, amigos de Balsemão, e uma organização do acto eleitoral digna do Afeganistão, as eleições britânicas foram um espectáculo degradante! Inventores da democracia? Sim, mas não esta. Manipulada, a cair de podre. Com que direito pretendem eles dar-nos lições?


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Declaração de voto: o melhor que anda aí...

21 de Abril de 2002. Em França, Lionel Jospin, o Primeiro Ministro da Esquerda Plural (PS+PCF+Radicais+ Verdes, geralmente considerado um bom governo), era o candidato mais bem colocado para bater o Presidente em exercício Jacques Chirac, com quem fora obrigado a "cohabitar" penosamente nos últimos anos. Todas as sondagens indicavam o desgaste do líder da direita e a previsível vitória de Jospin na segunda volta, quinze dias depois, a 5 de Maio.

Ao princípio da noite, na contagem dos votos, confirma-se a baixa popularidade de Chirac que não chega aos 20% dos votos validamente expressos: 19,88% é o score do líder da Direita. Mas, surpresa das surpresas, Jospin não é segundo, perde para o candidato da extrema-direita por 0,68%: Le Pen atinge os 16, 86%, Jospin não passa dos 16,18%.

A extrema direita obtinha o seu melhor resultado desde os anos 30; a extrema esquerda conseguia o seu melhor resultado de sempre:
  • Arlette Laguiller, trostsquista, Lutte Ouvrière, fazia 5,72%;
  • Jean Pierre Chevenement, ex-ministro de Jospin, juntava 5,33%,
  • Noel Mamère, dos Verdes, também no Governo, congregava 5,25%;
  • Olivier Besancenot, trotsquista, da mesma tendência que Louçã, subia aos 4,25%;
  • Robert Hue, do Partido Comunista Francês, obtinha 3,45%;
  • Christiane Taubira, do Partido Radical, faz 2,32%.
Isto é, se um só destes candidatos, ou todos em conjunto, tivesse menos 0,70% e Jospin os mesmos 0,70% a mais, a esquerda passava à segunda volta e provavelmente ganhava a Chirac. Não passou. A esquerda perdeu e nunca mais voltou à esfera do Poder. Foi humilhada. Pelaextrema direita. Muitos se declararam em estado de choque.

Porquê ? Como se apurou em seguida, muitos votantes do PS, incluindo militantes na campanha de Jospin, daqueles que andaram a distribuir panfletos e a colar cartazes, deram por garantido o resultado para que apontavam as sondagens, a ida de Jospin à segunda volta, e divertiram-se a votar Besancenot, um carteiro, jovem bonito, bem falante, ou Chevenement, o apóstolo dos movimentos de cidadãos, ou Taubira, uma simpática militante negra moderada, ou Mamère, um antigo jornalista televisivo muito popular, oráculo dos Verdes. E ao votar nos alternativos, deram cabo da única alternativa que a Esquerda tinha.

No dia 27 de Setembro, se Sócrates, porque lhe fugiram os votos, tiver um a menos do que Manuela Ferreira Leite, que é politicamente feia, mesquinha, má pessoa (um Pacheco Pereira de saias! um nojo de política!) temos a direita a governar sem partilha, no Governo e na Presidência, por muitos e muitos anos. Uma democracia, à imagem e semelhança da Madeira de Alberto João Jardim, com Cavaco como guardião.

Então é que vão ver o que a outra senhora queria dizer com a "asfixia democrática", eles bem avisaram. Em França, a direita ganhou em 2002, num bambúrrio de sorte, e nunca mais perdeu, mas mantiveram-se as práticas democráticas. Será assim em Portugal com uma aliança Jardim, Manuela e Cavaco? Não tenho a certeza. Você tem?

E se o PS ganhar mas não tiver maioria vamos ter manifestações permanentes, o cerco a S. Bento, ocupações em série, c'est la lutte finale!, os extremistas andam eufóricos, com as vitórias populistas na América Latina, com a o seu triunfo nas europeias, ninguém os pára, a "revolução permanente" tem uma ocasião única, em Portugal, novamente, como em 75, escapámos por uma unha negra. Pois não ouviram o que disse Miguel Portas sobre a superioridade da "forma de luta" das ocupações em relação à forma de luta, apenas isso, dos votos?

Nada a fazer? Anda toda a gente cega com o charme discreto dos nossos "radicais pequeno-burgueses de fachada socialista", como disse o Alvarinho, e na altura também se referia à minha pessoa? Vem aí um PREC que nem em 74-75?

Pois com o meu voto, não. Eu voto Sócrates. Que tem carácter. Que como Primeiro Ministro foi, e deverá continuar a ser, o melhor que anda aí.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Anda com uma cara o infeliz...

Clique na imagem para aumentar.
O problema é : o que é que acontece se eu não votar em quem penso que deve ganhar. Obrigado à Maria Antonieta que me enviou esta banda. Declaração de interesses: Pela minha parte, desta vez, estou absolutamente satisfeito por votar em quem voto.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Como se faz um título feio: a proeza da Exame

Hoje todo o dia em vários sites a notícia foi que "Sócrates é o pior Primeiro Ministro..." Cartaz do PSD? Palavra de ordem corporativa ou sindical? Boca de campanha de um seu adversário político? Mais uma "encomenda de Belém", a última da era Fernando Lima?

Desengane-se. Se fosse alguma coisa dessas, quem lhe pegaria? Praticamente ninguém, se exceptuarmos José Manuel Fernandes e os seus acólitos, tirando Manuela Moura Guedes e o seu comando guerreiro. Não. Trata-se dos resultados de uma "sondagem", muito a propósito encomendada, e oportunamente divulgada, em cima das eleições, no mais aceso da campanha, pela revista Exame. Grande furo, sim senhor!

No mais aceso da campanha, 27% dos votantes detestam José Sócrates, dizem que ele é "o pior Primeiro-Ministro"? Só 27 %? E os outros 73%? Como explica um politólogo no corpo da notícia, que não no título, um resultado destes é normalíssimo, inevitável, lógico, incontornável. A revista Exame, ou alguém por ela, ao encomendar a sondagem, tinha a certeza de que, mais ponto menos ponto, o resultado só podia dar um título feio para o Primeiro-Ministro.

Atenção: "o pior Primeiro-Ministro desde 1985". Porquê "desde 1985"? Porque a democracia começou em 1985? Porque não "desde 1980", que é número redondo? Ou "desde 1975", que é o ano da entrada em vigor da Constituição, do I Governo de Soares, o do "PS sozinho"?

Ingénuos. Porque nesse ano de 1985 Cavaco Silva iniciou funções depois de três anos de austeridade, acordos com o FMI, com as contas externas em ordem, e sobretudo, sobretudo, com um jackpot de fundos comunitários para gastar como lhe aprouvesse? Como era previsível, Cavaco sai da sondagem como "o mais querido" dos Primeiros-Ministros. Daí 1985.

Então e Sá Carneiro não rivaliza com Cavaco Silva como o "melhor PM" no coração dos leitores da Exame? Então e Pinto Balsemão não rivaliza com José Sócrates na disputa do lugar de "pior PM"? Ficam de fora. Assim como Nobre da Costa. Assim como Mário Soares. Assim como Lurdes Pintasilgo. Que todos tiveram adeptos.

"Poi$, poi$, J. Pimenta": é tudo uma questão de dinheiros. A Exame, que é propriedade do militante nº 1 do PSD, não podia correr o risco de promover uma "sondagem" susceptível de desconsiderar o patrão. Ia tudo raso.

Nem podia lembrar aos fervorosos de Cavaco que Sá Carneiro, ele sim, governou em condições menos favoráveis, soube congregar esforços, resistir a um Presidente desafecto, enfrentar e levar de vencida uma campanha negra negra.

Lembrar Sá Carneiro era fazer o jogo de Sócrates. Esconder Balsemão era a melhor maneira de concentrar sobre Sócrates todos os furores dos homens de negócios, de todos os turiferários de Rendeiro e de Oliveira e Costa, que suportam a Exame.

Assim não se correram riscos. Uma sondagem assim só podia dar aquele título, espécie de boca foleira, panfletário e enganador, era mais do que garantido. Não admira o sucesso que teve.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Contra Cavaco e quem o apoiar

O problema não é o Presidente ter-se envolvido de forma "ostensiva" nesta campanha, como defende o Carlos Esperança, no Ponte Europa. Outros Presidentes, em França por exemplo, tomam partido, defendem a coincidência de posições entre Governo e Presidente para uma maior eficácia da governação, que a política não é um jogo, como tende a ser em Portugal.

Oxalá que o envolvimento do Presidente nesta campanha eleitoral para o Parlamento fosse ostensiva: suponho que se matavam, não o pai e a mãe, como diz a senhora, mas dois coelhos de uma cajadada. O Presidente era arrastado na queda, que apesar de tudo vem aí, mais dia menos dia, haja Deus.

Juntamente com a "outra senhora", inimiga figadal dos espanhóis, adepta incondicional da democracia à moda da Madeira, que só fala em verdade para dar credibilidade às calúnias que alguns dos seus amigos bolsaram ao longo dos últimos dois anos sobre a pessoa do Primeiro Ministro em exercício. Como bem explicou Miguel Sousa Tavares no seu notável artigo no Expresso Com a verdade me asfixias

O problema é que o Presidente se envolve na campanha com os recados e as confidências, e as manchetes nos jornais, que alegadamente não são suas mas sim dos seus mais próximos companheiros e colaboradores. Como Fernando Lima, que não dá um espirro sem antes pedir licença ao chefe.

Estou a dizer que notícias com base em fontes de Belém são jogadas pessoais queridas e pensadas, embora disfarçadas, pelo próprio Presidente da República? Estou sim senhor.

Nem no tempo do Doutor Soares, que era um bonacheirão, havia no Palácio alguém com autonomia para jogadas próprias, quanto mais com este rígido, autoritário e convencido Presidente, que nunca se engana e raramente tem dúvidas. As primeiras páginas do Sol (lembram-se?) e do Público, a intriga das escutas ou a da má moeda, todos os choradinhos pela Moura Guedes e as pazadas de terra sobre o Governo, a ver se o enterram vivo, o que parece é, fazendo tábua rasa da sua obrigação de solidariedade institucional, enquanto não tem a coragem, nem quer assumir o ónus, de o demitir às claras - pois tudo isso é uma tentativa de abalo geral, "com epicentro", para usar a expressão de José Manuel Fernandes, no próprio Presidente da República.

Em minha opinião não é só Fernando Lima que faz o que o Presidente manda e dá ao diabo o que sabe, Manuela Ferreira Leite também. O problema é que o Grande Comandante entrou nesta guerra de forma encapotada, capciosa, porque não tem a certeza que apesar de todas as ajudas as suas tropas vençam esta batalha. E qualquer que seja o resultado de 27 de Setembro quer continuar a ser ele a ditar as regras.

Esse é que é o grande problema que temos pela frente. Seja qual for o resultado no 27 de Setembro, nada se decide, o pântano continua, nas autárquicas, nas presidenciais, nos artigos dos politólogos, nos sermões dominicais dos professores da política, nas cartas anónimas - que chegam aos (ou partem dos?) jornalistas antes de dar entrada nas polícias.

A menos que... A menos que se erga uma onda gigante? Uma coligação PS, PCP, Bloco de Esquerda? Com base de apoio alargada e determinada a desmontar a reacção e a secar o pântano? Tendo como programa comum o combate à direita, a toda a direita, dos negócios privados e das públicas virtudes? Uma coligação de governo, decidida a não fazer caso da reacção em ordem unida que de imediato se proclamaria em guerra santa contra o regime de esquerda?

E depois? Já não temos o Alberto João a dizer isto todos os dias? Ora, ora: Costa Cabral e a Rainha também foram vencidos, a Regeneração acabou por vingar. O que faz falta é encontrar um Obama, um senhor X, capaz de derrotar Cavaco Silva.

Até lá, ganhe quem ganhar, nada adianta nada. O povo já intuiu isso mesmo e por isso vai deixar tudo empatado. Uma maioria para governar? Com Cavaco em Belém? Give me a break - é o que se diz por aí.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A opção é entre Sócrates e a outra senhora

Disse João Soares no Algarve e não podia ter dito melhor, que é a verdade nua e crua.

A outra senhora que era fã do orgulhosamente sós, da padeira de Aljubarrota, último baluarte da civilização ocidental e cristã, contra todas as modernices, na altura encabeçadas pelos inimigos da pátria, os comunistas e os seus aliados nas Nações Unidas, que eram toda a gente.

A outra senhora para quem as finanças do Estado deviam ser geridas como as de uma dona de casa e por isso acumulámos 50 anos de atraso.

A outra senhora, ela sim, que bem sabia como asfixiar democratas com a verdade única a que o POvo tinha direito, como ainda hoje o são na Madeira, onde um Presidente da República, por exigência do caudilho. não põe os pés no Parlamento e que é exemplo e modelo de democracia para esta senhora.


domingo, 13 de setembro de 2009

Sócrates ganhou e o resto são cantigas

Como revela o Correio da Manhã e contrariamente ao que dizem os comentadores interessados, o público não se engana, este foi o resultado e o resto são cantigas. Assim, sic:

13 Setembro 2009 - 00h54

Sondagem Aximage/CM

Sócrates vence debate

Sócrates venceu o debate com Ferreira Leite, de acordo com uma sondagem realizada pela Aximage para o CM junto dos eleitores logo após o frente-a-frente entre o primeiro-ministro e a líder da Oposição. A sondagem foi realizada através de entrevistas telefónicas.

À questão ‘quem ganhou o debate’, 45,6 por cento afirmou que foi Sócrates. Ferreira Leite colheu a opinião favorável de 30,2 por cento dos eleitores. Para 24,2 por cento dos inquiridos registou-se um empate. Um outro elemento parece seguro: este debate foi, ao que tudo indica, o mais visto da série de dez confrontos televisivos que colocaram frente a frente os líderes dos partidos com assento parlamentar, superando até as expectativas. Hoje são conhecidos os valores. Um elemento tanto mais relevante quanto é certo que os debates tiveram sempre audiências consideráveis, mais de um milhão de telespectadores.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Um "Mantorras trotsquista", sem ofensa para o Mantorras

O que lá vai lá vai, o debate Sócrates e Louçã foi há mais de três quinze dias, bem sei, mas foi o último que vi. E depois mandaram-me o link de Madrid, que é o sinal de que o caso ultrapassou fronteiras, vai dar a volta ao Mundo como a gripita A. Dá para rir. Aqui vai do inimigo público com a devida vénia:

Louçã tinha pubalgia e foi ao debate em esforço
09 9e Setembro Por Mário Botequilha
A opinião é unânime: José Sócrates cilindrou Francisco Louçã, no debate de terça-feira, por KO técnico (para os nossos leitores do Correio da Manhã: porrada de meia-noite). O que não se sabe é que Francisco Louçã está lesionado e debateu infiltrado. O querido líder do Bloco teve de levar umas injecções valentes para dominar a pubalgia/mialgia de esforço/entorse da nádega de que padece, e que já lhe valeu a alcunha de “Mantorras Trotskista”.
(...)

Estou de acordo. Este blog que pratica uma política de verdade sente-se na obrigação de acrescentar que o Sócrates se portou, no debate, como o Adlai Stevenson, no Conselho de Segurança, em 1962, quando revelou as fotografias dos mísseis soviéticos em Cuba. Parecia que tinha comido leão, disse um jornal. De Stevenson, na América. Em Portugal, sobre uma vitória de Sócrates, os jornais têm vergonha de falar.

Foi patético, porque Louçã visivelmente não esperava que alguém lhe tivesse lido o programa e muito menos um tipo com mais que fazer como o PM. E muito menos que tendo-o o lido falasse dele - as pessoas bem formadas portam-se com decoro. E muito menos que lesse no debate passagens inteiras. A D. Judite ainda tentou "passar adiante", uma interrupção técnica, como no boxe, para "proteger" o revolucionário combatente em perigo.

Mas Sócrates, que tinha engolido o tal leão, não havia maneira de largar a presa tenrinha. Foi uma asfixia. Vai-se a ver e a explicação é que Sócrates mandou tirar as escutas de Belém, denunciadas por Fernando Lima, porta-voz de Cavaco Silva, e... mandou plantá-las na sede do Bloco. Foi assim que ele soube.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Gripe A imita Sucupira e nunca mais se inaugura o cemitério

Povo de Sucupira, aquilo é que era política, o improviso bem preparado era de fazer chorar as pedras da calçada: "o vosso Prefeito, amado povo, valentemente prometeu e consistentemente cumpriu. "Habemus cemiterium e para a felicidade ser completa venha daí uma mortezinha de nada que é a única coisa que nos falta para a inauguração do dito... Pois não é que de repente as pessoas, todas as pessoas, em Sucupira, só para contrariar o Prefeito, começaram a esquecer-se de morrer?

Passa-se o mesmo em Portugal com a gripe A. Quatro mil novecentas e cinquenta e cinco notícias de televisão, um milhão e novecentos e trinta e sete mil spots na rádio, todos jornais à espera e ninguém morre de gripe A em Portugal? Repararam no ar enfastiado com que o José Rodrigues dos Santos dá aquelas notícias que afinal aquela senhora em perigo de vida durante tantos dias no Santo António no Porto já deixou os cuidados intensivos? Ou aquele obeso mórbido do Algarve, de resto uma pessoa saudável, como referiu a SIC, que não há maneira de morrer de gripe A por mais manchetes que lhe ofereçam?

Na América há meses que a Janet Napolitano, secretária no governo de Obama para a segurança interna, veio dizer que a gripe A não passava de uma gripita. Propagava-se como o vento mas não abatia ninguém ou quase. Que muito mais gente morria e ia continuar a morrer de simples constipação, a qual mata que se farta, para morrer basta estar vivo.

Em Portugal a notícia de que a gripe A não passava de uma gripita foi ignorada. E não havendo epidemia de gripe A pelo menos haveria uma "epidemia de medo", como aquela que denunciaram os médicos espanhóis que não os portugueses. Os telejornais continuam insuflar o balão da gripe, a luta continua, o Sócrates para a rua.

E nunca mais morre um para amostra? Nem por asfixia? Aqui ou na Madeira?! Para Alberto João Jardim, Manuela Ferreira Leite, Cavaco Silva, poderem dizer alguma coisa de horrível? Também já é má vontade deste Governo, que por isso deve responder.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Verdade, verdadinha: Manuela Ferreira Leite mentiu!

Louçã contra Manuela Ferreira Leite e vice versa: deu gosto ver. Tenho que dar a mão à palmatória: se pusermos de parte os debates em que intervém Paulo Portas, um vendedor de banha da cobra, hiper activo, inspirado no BNP britânico, todos os outros, os que vi, têm sido correctos e esclarecedores.

É verdade - manda que se diga uma boa "política de verdade", e não a do manifesto do partido nazi - que a D. Manuela meteu os pés pelas mãos, designadamente quando afirmou: "Nunca falei em privatização da Segurança Social". Claro que falou, toda a gente se lembra. E o Carlos Santos, do Valor das Ideias, logo encontrou a prova escarrapachada num jornal da TVI, um dos muitos jornais da TVI, todos tão zelosos em promover a senhora. Vejam só o que ela disse nas Jornadas Parlamentares do PSD em Vilamoura:
«Não existe margem de redução de receita para conseguir colmatar qualquer tipo de aumento [de despesa]», alegou, apontando a eventualidade, por exemplo, de um crescimento das despesas com desemprego face ao valor previsto.
Redução da receita e aumento da despesa ? A baixa da contribuição das empresas para a segurança social é o quê? E o pagamento da diferença pelo Orçamento de Estado é ou não aumento da despesa? Diga-nos a verdade, não minta, apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo, como se vê pelo seguimento da notícia da TVI no seu "diário" digital:

«Questionada depois pelos deputados do PSD sobre as funções do Estado, Manuela Ferreira Leite respondeu que começaria por privatizar «aqueles sectores em que os privados já estão, como a saúde a educação».

«São dois sectores em que não vejo porque é que o Estado não se retira», disse, referindo que «antes pelo contrário, [o Estado] cada vez está a entrar mais».

Começaria por privatizar. Agora diz que quer "diferenciar", Como sublinhou "o Francisco Louçã", tão familiar que ela estava, "a Manuela Ferreira Leite" fugia do seu programa, de generalidades, como o diabo da cruz.

Mas, valha a verdade, a tal verdade, iria agarrar-se à cruz, contra o diabo, quando veio à baila aquela "modernice" do casamento de homossexuais. Francisco Louçã, até estranhei, pôs a questão em termos correctos: a quem é que isso incomoda? que direito "temos nós" de impor aos outros as nossas próprias concepções do que é bom e mau? quem se arroga o direito de interferir no "direito à felicidade" de quem quer que seja?

Esteve bem, Louçã, nesta matéria, porque não falou do "direito à adopção" por casais homossexuais. Que aqui, eventualmente, "o direito à felicidade" das crianças, no mundo em que vivemos, recomenda em nosso entender prudência, muita prudência.

Globalmente, à vista de todos, ganhou Louçã, o que não quer dizer nada: também ganhou a Cavaco Silva, 10-0, no debate das Presidenciais, e Cavaco foi eleito, e todos os dias revela os seus tiques de dono da verdade, de todas as verdades. Mas o estranho é... o verdadeiro "excesso de zelo" que parece ter atingido alguns dos seus amigos e eventuais aliados. E já não falo de Alexandre Relvas, de António Borges, de Pacheco Pereira, ou de qualquer "assessor" do Presidente da República.

Falo de Teresa Caeiro, do CDS, que no mesmo artigo do Sol Online dá a vitória no debate a Ferreira Leite sobre Louçã por 39 a 26 - ah a vontade de voltar ao Governo a quanto obrigas! E falo de António Filipe, que entre os dois aparentemente também preferiria Ferreira Leite: dá-lhe a vitória por 27 a 25 - ah como o medo, de perder para o Bloco, está a perturbar o raciocínio dos dirigentes do PCP!

domingo, 6 de setembro de 2009

Os jornalistas é que são mornos

Falaram. Cada qual disse o que tinha a dizer. Não houve berros, insultos, histerias, os velhos truques, só possíveis em Portugal, de falar em cima do adversário para ninguém oiça o que ele diz. Sócrates e Jerónimo tiveram um debate civilizado. E muito interessante.

Foi assim possível ouvir e entender alguns factos que andam esquecidos nesta campanha. Por exemplo, a afirmação de Sócrates que a reforma da educação começou no primário, com as aulas de substituição, a introdução do inglês, a ocupação das crianças na escola pública em actividades diversas até às cinco da tarde, e mais tarde a distribuição de computadores.

Foi bom, foi mau? Alguns sindicatos moveram a estas medidas uma guerra danada, que foi até à greve aos exames? E os partidos da oposição, todos, preferiram alinhar com os adeptos do statu quo contra os que queriam abanar o conformismo reinante? Tudo não passou de manobras do Governo para poder prolongar os horários de trabalho dos pais das crianças, como disse Jerónimo de Sousa? Ou esta é uma desculpa de mau pagador?

Esta foi uma das primeiras “refregas” do debate e logo ali, como se vê, havia um punhado de curiosidades e interrogações que ficavam no ar, pano para mangas, uma história para contar, para um jornalista que tivesse unhas para tocar essa guitarra.

Falaram disso os jornais? Não. Foi um debate morno – repisaram cronistas ensonados, "désabusés", no Público, na TSF, em todos os serviços da TVI (sem link, que o não merecem), e na generalidade da imprensa. Ainda por cima, que falta de originalidade! Não sabem dizer mais nada?

Não sabem contar como foi porque isso iria “prolongar” os seus horários de trabalho e o director do jornal já explicou que não lhe interessam notícias sérias, umas “bocas” bastam? Depois não se admirem que a audiência dos jornais se afunde todos os dias. São ignorantes, não têm memória, nem cultura, a política não lhes interessa, não gostam do que fazem, não sabem contar.

Obviamente, a culpa, para começar, é dos directores que preferem assim: umas banalidades, desde que desconsiderem os líderes, são bem mais apetecíveis e fazem furor, junto dos amigos e colegas de profissão.

Não sabem contar e aparentemente é isso que também agrada aos patrões, tão ignorantes e mesquinhos como os seus empregados. E quando alguém sai da mediocridade que temos, alguém com algum espírito crítico, equilíbrio e sentido de Estado – digamos um homem honrado como Pais do Amaral, um dos maiores jornalistas da Península nos últimos 40 anos como Juan Luis Cebrian, ou alguém no lugar dele, quando gente deste nível proclama que
a rainha, a Manuela, vai nua, e não é bonita de ver,
mobilizam-se contra ele todos as trevas da Inquisição.

Este jornalismo que temos é um atraso de vida.


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Uma campanha suja

Os dados estão lançados: esta vai ser a campanha mais suja da história da democracia portuguesa. A campanha contra Sá Carneiro? Uma brincadeira de crianças mal comportadas, gizada à pressa, sem apoio institucional. Para começar, não tinha mais do que um jornal e um partido por detrás.

Esta tem jornais, rádios e televisões. Tem líderes partidários, experimentados nestas andanças. Como Paulo Portas, que logo afirmou, sem se atrapalhar com a verdade ou a verosimilhança do que diz, que O Primeiro Ministro dera a "ordem socialista" para retirar do écrã a sua amiga e antiga deputada do seu Partido, Manuela Moura Guedes.

Tem apoios institucionais: algumas das manchetes dos jornais da campanha nascem de um agit prop que tem voz no processo e ouvidos (escutas?) em Belém. E neste domínio pouco importa que no fim da jornada um tribunal decida que não tinham qualquer fundamento. Em política, e sobretudo numa campanha eleitoral como esta, o que parece é, já dizia o Botas.

Pois não viram o sucesso daquele rapaz que inventou aquela genial da "claustrofobia democrática". Num programa, como nunca existiu em Portugal, em que um representante de uma maioria parlamentar tinha de se defender dos ataques conjugados de cinco adversários, incluindo a jornalista, e não dispunha, para o fazer, de mais de 15-20% do tempo. Ele, sim, é que devia queixar-se de estar a ser asfixiado.

Pelo andar da carruagem vamos alegremente a caminho do populismo, do justicialismo, do PREC permanente. Como na Venezuela, na Bolívia, no Equador, nas Honduras. Se não for pior: lembro-me, eu era uma criança mas já lia jornais, da campanha miserável que a direita e a extrema esquerda, conjugadas, fizeram no Brasil ao Presidente João Goulart e a Leonel Brizola. Acabou por varrer da cena ídolos da direita como Carlos Lacerda. E desencadeou a repressão mais sanguinária contra a extrema-esquerda de que há memória .

Alguns dos pirómanos que andam por aí fariam bem em parar, respirar fundo, e pensar no que aí pode vir. E já nem falo das"fontes próximas" da Presidência, ou do processo. Essas não têm emenda.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Debates destes não interessam ao menino Jesus



Não vi o debate entre o Sócrates e o Portas. Primeiro porque era na TVI e eu não vejo a TVI, a não ser à quinta-feira, que tem o Miguel Sousa Tavares. Segundo porque em matéria de espectáculo tinha melhor: uma sessão de homenagem ao Bénard da Costa, na Cinemateca, com o último filme de Manoel Oliveira, as "Singularidades de Uma Rapariga Loura" (nada mau!) com a presença do realizador, do Pedro Mexia (muito formal, com um texto lido, e mal lido) e do Pinto Ribeiro, com um improviso lindo, perfeito!

Disse "espectáculo"? Pois disse. Foi um membro do gabinete Blair que explicou uma vez à SkyNews que estava muito ocupado em governar, não tinha tempo para "entreter" as plateias televisivas. Entendamo-nos: os membros do Governo britânico, que não deixam de ser, são obrigatoriamente, membros do Parlamento, e respondem frequentemente nele a toda a espécie de perguntas. Como em Portugal, isso faz parte da função de governar, em democracia, que tem a sua parte de espectáculo, nasceu na "agora" de Atenas.

O que não vejo em lado nenhum são debates do PM, em igualdade de armas, com todos e cada um dos líderes dos quatro partidos da Oposição. Algum dia viram em Espanha um debate televisivo de Zapatero com o líder da Esquerra Republicana? No Parlamento, sim. Com todos e o tempo que for preciso. Não há por lá um Jaime Gama, feito carraça, a mandar calar as pessoas quando começam finalmente a dizer coisas interessantes.

Disse "em igualdade de armas". Pois disse. Bem sei que com um artista do gabarito de Paulo Portas nunca há "igualdade de armas" possível. Ele é assim como aquele "compère" das revistas que tem sempre um trejeito final para concentrar em si os holofotes. Um mau colega.

Não vi, não li, mas ouvi... dizer. Portas fartou-se de interromper, de "fazer caretas", de fazer piscadelas de olho às câmaras. Não me admira nada: vive disso. E é bem feita: quem é que manda a Sócrates prestar-se a um papel de artista de feira, para "entreter" as plateias da TVI ?
Os jornalistas? Ora os jornalistas! Amam o Paulinho de paixão, ele é um deles, o mais talentoso, um modelo (não é verdade, Manuela Moura Guedes?)!

Se os políticos se prestam... problema deles!


terça-feira, 1 de setembro de 2009

O que Manuela oferece ao PSD é um papel de calço

Diz Bertrand Russel que Aristóteles, enquanto tutor do jovem príncipe Alexandre da Macedónia, só pode ter sido visto por ele como um um “velho pedante e enfadonho” e por isso não se conhece qualquer referência de Alexandre Magno aos ensinamentos recebidos, nem Aristóteles se refere em qualquer das suas obras ao seu ilustre discípulo.

Ser-se “pedante e enfadonho” sempre foi um mau cartão de visita para um jovem, que mesmo quando já não “quer mudar o mundo”, pelo menos não desiste de “querer fazer coisas”. Calculo, por isso, a decepção dos jovens sociais democratas na sua Universidade de Verão quando lhes aparece pela frente uma “líder”, que tem como ponto principal do seu programa “travar” o eng. Sócrates. Que programa tão mobilizador!

Nas metáforas da política há os que querem ser “a locomotiva do progresso”, “o motor do desenvolvimento”, a via directa e necessária para os amanhãs que cantam. Dizem os manuais que o fundamental das mensagens que mobilizam as vontades e conquistam votos é aquilo que os americanos chamam “a televisão do futuro”, as generalidades que aquecem os corações, do género “pelo menos estamos a fazer tudo para que os nossos filhos amanhã possam ser tudo o que sonharem”.

Com Manuela Ferreira Leite, não. O mais empolgante que encontrou, para vender aos jovens, foi um papel de calço. Um calço às quatro rodas para “travar” a vontade de “avançar” que os adversários afixam nos cartazes.

Felizmente que os jovens do PSD, Manuela dixit, “não são como os jovens do PS” e não estão de acordo com tudo o que lhes diz a líder do Partido. Ainda bem que não se satisfazem com a política oficial do Não.

Com o “Não” ao TGV (que ela multiplicava por quatro quando era ministra de Barroso), com o “Não” à nova travessia do Tejo e o Novo Aeroporto, com o “Não” generalizado aos investimentos públicos ou avalizados pelo Estado, como nos Estados Unidos de Obama, tão vilipendiados pelos conservadores e homens de negócios que levaram à crise.

Suponho que os jovens do PSD, como os outros, gostariam mais de ser “aceleradores” de alguma coisa do que “travões”. “Não” aceitam que a avaliação dos professores seja travada para ser cometida de novo e em exclusivo aos camaradas sindicais . “Não” aceitam servir de travões aos pagamentos especiais por conta, no pequeno comércio e profissões liberais que fogem aos impostos, em tempo erigidos em lei pela própria Ferreira Leite.

Uf! Ainda bem. Teria sido "deprimente" se se conformassem com tanta ausência de perspectivas. Haja esperança!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O meu programa reivindicativo: a reforma eleitoral

Defendi que um sistema eleitoral que conduz à sub-representação do Interior em relação ao Litoral é desproporcionado e não pode continuar. Acrescento agora que os povos de Vila Real e Bragança, da Guarda e Castelo Branco, de Portalegre, Évora e Beja, que não beneficiaram dos milhares de milhões da regionalização, dos nossos impostos, que ao longo destes 35 anos escorreram para os luxos, até futebolísticos, de Alberto João Jardim (e que continuarão a fluir sem controlo se Manuela Ferreira Leite ganhar as próximas eleições), merecem, os povos do Interior, pelo menos a consideração de uma reforma eleitoral que não os prejudique mais.

Uma reforma como a que proponho a seguir já uma vez chegou ao Parlamento, da iniciativa salvo erro de Fernando Nogueira, ministro da Presidência. Esbarrou, então, nos gritos de desespero do "partido do táxi", que era o CDS, nas ameaças de insurreição permanente do PCP (como a que praticou com sucesso nesta legislatura em defesa dos camaradas professores, dos camaradas médicos, dos camaradas juízes e demais camaradas nas mais altas posições do aparelho de Estado).

Sem razão alguma: o PCP já esteve à beira de eleger um deputado por Castelo Branco (chamava-se João Amaral), o CDS já teve um deputado por lá (era Carlos Robalo). Ora a partir do momento em que os círculos da Beira Interior, de Trás-os-Montes, do Alentejo, tenham 9 ou 10 deputados a eleger todos os partidos têm hipóteses de eleger os seus representantes lá.

Se se mantiverem as tendências actuais, até mesmo o Bloco de Esquerda pode alargar a sua representação aos lugares mais recônditos do território nacional. Claro que seria uma tragédia para a democracia portuguesa e nos colocará ao nível do País Basco quando deixam concorrer a Herri Batasuna amiga do Bloco. Mas "o Povo é quem mais ordena", em Portugal como na Venezuela, nas Honduras, na Bolívia, no Equador, na Líbia ou no Irão...

Ninguém manda nos votos. O que nos ocupa é que sendo o sistema proporcional (defendemos que melhor, mais responsabilizador e mais governável, seria um sistema que assentasse na eleição dos deputados em círculos uninominais, a duas voltas) não deve comportar batotas como as dos deputados da emigração, nem desequilíbrios, como os actuais.

Por isso propomos uma divisão em círculos, como a que se segue, que defende círculos com continuidade territorial, respeitando os limites dos concelhos, comportando todos mais de 200-250 mil eleitores e menos de 400 mil, com a excepção da cidade de Lisboa.

Círculos Eleitorais para proporcionalidade

Círculos cf. novas regras

Eleitores* e deputados

Concelhos abrangidos

Lisboa Cidade

532 587

13/14 dep**

Lisboa

Lisboa Amadora Sintra

431 119

11 dep

Amadora, Sintra

Lisboa Oeiras Cascais

303 435

8 dep

Cascais, Oeiras

Lisboa Torres

Oeste

297 575

8 dep

Alenquer, Cadaval, Azambuja, Lourinhã, Mafra, Odivelas, Torres Vedras, Sobral de Monte Agraço

Lisboa Loures

Vila Franca

280 048

7 dep

Arruda dos Vinhos, Loures, Vila Franca de Xira

Porto Matosinhos

379 081

10 dep

Porto, Matosinhos

Porto Gaia

390 375

10 dep

Vila Nova de Gaia, Gondomar

Porto Maia Norte

403 310

10 dep

Maia, Póvoa de Varzim, Trofa, Santo Tirso, Valongo, Vila do Conde

Porto Penafiel Interior

367 646

9 dep

Paredes, Amarante, Baião, Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira, Penafiel, Marco de Canavezes

Braga Barcelos Litoral

404 487

10 dep

Barcelos, Braga, Esposende, Vila Nova de Famalicão

Braga Guimarães Interior

367 646

9 dep

Amares, Cabeceira de Basto, Celorico de Basto, Fafe, Guimarães, Póvoa de Lanhoso, Torres de Bouro, Vieira do Minho, Vila Verde e Vizela

Setúbal Almada Norte

382 518 9 dep.

Almada, Barreiro, Seixal, Sesimbra.

Setúbal Cidade Interior Sul

319 276

7 dep

Setúbal, Alcácer do Sal, Alcochete, Grândola, Moita, Montijo, Palmela, Santiago do Cacém, Sines

Aveiro Norte Stª Maria da Feira

344 728

8 dep.

Sta Maria da Feira, Arouca, Castelo de Paiva, Espinho, Oliveira de Azeméis, Ovar, S. João da Madeira e Vale de Cambra.

Aveiro Cidade Sul

306 595

7 dep

Aveiro, Águeda, Albergaria-a-Velha, Anadia, Estarreja, Ílhavo, Mealhada, Vagos, Murtosa, Oliveira do Bairro, Sever do Vouga

Leiria

425 958 10/11 dep*

Os concelhos do actual distrito e círculo eleitoral

Santarém

407 740

10 dep

Os concelhos do actual distrito e círculo eleitoral

Coimbra

398 038

10 dep

Os concelhos do actual distrito e círculo eleitoral

Trás-os-Montes

400 482

10 dep

Todos os concelhos dos actuais distritos de Vila Real e de Bragança

Alentejo

397 375

10 dep

Os concelhos dos actuais distritos de Beja, Évora e Portalegre

Viseu

391 528 9/10 dep*

Todos os concelhos do actual distrito e círculo eleitoral

Beira Interior

379 482

9 dep

Todos os concelhos dos actuais distritos de Castelo Branco e da Guarda

Faro

350 804

8 dep

Todos os concelhos do actual distrito e círculo eleitoral

Viana do Castelo

262 912

6 dep

Os concelhos do actual distrito e círculo eleitoral

Madeira

258 582

6 dep

Os concelhos da actual região autónoma e círculo eleitoral

Açores

223 784

5 dep

Os concelhos da actual região autónoma e círculo eleitoral


*Baseámos os cálculos na Mapa do Recenseamento Eleitoral publicado no DR em 4/03/2009, que tem os recenseados em cada concelho, e não nos dados comunicados à CNE em 29 de Julho, após limpeza dos cadernos, porque apenas contêm os números globais de cada distrito. De facto, após limpeza, os números reais revelam uma baixa generalizada dos inscritos em 1-2%. De qualquer maneira o cálculo do número de deputados a atribuir a cada círculo eleitoral sempre depende da CNE dois meses antes da votação.

**Conforme se mantenham ou não “os deputados pela emigração”. Defendemos que não se justificam, porque são infiscalizáveis na eleição e inúteis na acção: não servem, nem interessam, aos emigrantes, além de que o seu número, a maneira como são eleitos e a participação residual dos votantes em alguns, poucos, locais da emigração descredibilizam o sistema e ofendem vários princípios constitucionais. Aliás não existem em mais nenhum país do mundo. O que todos os Estados aceitam e promovem é o voto dos emigrantes no seu círculo de origem, verificado nos consulados e validado nas mesas eleitorais de que são originários, antes da abertura das urnas. Como se faz na América, e em todos os países da Europa, excepto em Portugal. Somos o único que permite e se conforma com a possibilidade de “chapeladas”.

Os cálculos fi-los com dados do Mapa de recenseamento eleitoral publicado em Março. Houve uma limpeza dos cadernos a seguir com reduções marginais e generalizadas do número de inscritos. Suponho que ainda não foram publicados no Diário da República os números finais dos inscritos por concelho, e penso que a limpeza dos cadernos irá continuar. Pelo que no final pode acontecer uma ou outra "disparidade" de pequena monta com o que aqui se descreve. Não altera o fundamental.

Vou "estar de olho" nas reformas eleitorais que propõem, vão propor, uns e outros.