quarta-feira, 3 de março de 2010

A boa e a má fama de Portugal visto do Vietname



Henrique Calisto, um herói português no Vietname, país de heróis, vai ser condecorado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros um dia destes. Achamos bem. Além de grande conhecedor do futebol nacional ─ quem não se lembra da carreira que fez no Boavista, um quarto lugar, no Guimarães e no Rio Ave, em várias promoções à primeira divisão?

E já agora treinou também, e jogou, no clube da minha terra, o Desportivo de Santa Cruz de Alvarenga, que em três anos, com ele, subiu duas vezes de divisão. Calisto tinha 22-25 anos, era estudante de motricidade humana, treinava e jogava.

Invoquei a minha qualidade alvarenguense quando perguntei por ele a um amigo, Afonso Vieira, jovem empresário no Vietname, na China e em Singapura, com a sua TWM, Total Wealth Management. Calisto estava em Saigão, tinha previsto regressar a Hanoi naquela manhã. Adiou o voo para poder almoçar connosco. Gente de Alvarenga no Vietname? Calisto tem todo o prazer em fazer as honras da casa.

No Alvarenga Calisto jogou com, entre outros, os agora médicos eminentes José Abel Teles e José Carlos Noronha, este último é o médico que assiste o Cristiano Ronaldo, que operou o Pepe, e antes dele o Drogba, o Robben, o Essien, e até dois jogadores vietnamitas quando por lá passou há dois anos com a família a convite do seu amigo Calisto.

Continua cidadão activo e interessado no que se passa cá na sua terra: foi presidente de uma junta de freguesia de mais de 40 mil eleitores em Matosinhos, pertenceu à comissão nacional do PS, deu a cara na comissão de honra de Manuel Alegre há 3 anos.

Interessado por Portugal mas desiludido com ele e por isso nem pensa em voltar tão cedo. Quem está longe vê melhor, somos um país com um pessimismo doentio, uma vida política ultra-conflituosa, mesquinha, quezilenta, injusta, maldizente, irritante, todos os dias.

Assim não admira que as agências de rating nos penalizem: basta que citem os nossos próprios máximos responsáveis políticos. Um dia é aquele rapaz dos submarinos a afirmar-se comandante de uma tropa de capacetes azuis que vem promover a paz ─ será que estamos em guerra em Portugal? Outro dia é aquele fortalhaço mal encarado a proclamar em Estrasburgo que a democracia em Portugal, no fundo, no fundo, já acabou. O que temos agora é "uma democracia formal". Depois vem a outra senhora a falar para as agências de rating e a pôr-nos ao nível da Grécia

Pois é, Professor Calisto, e não sabe o meu amigo da missa a metade. A "bufaria" das escutas, a ofensiva do agit prop dos magistrados, de braço dado com os seus jornalistas de estimação, as comissões de inquérito "à liberdade de informação", como se a liberdade fosse algo que se dá e não o que se toma, como homens livres e sem recear as consequências, quando se é justo e verdadeiro.

E tudo porque a agitação e propaganda, com altos patrocínios, antes das eleições de Outubro, as greves e insurreições, na rua e nas televisões, a demagogia sem quartel dos operacionais da extrema esquerda, pagos pelos patrões dos grandes jornais assumidamente de direita, não conseguiram derrubar nas urnas o governo de José Sócrates. Isto, claro, sou eu a falar. Calisto, o político, é muito crítico deste Primeiro-Ministro. Bastante mais do que eu que não sou do PS.

2 comentários:

  1. Meu caro LNT, o Vietname é mais barato do que o Brasil e aposto que no Brasil "já foste feliz" umas seis vezes. É barato, não és assediado, podes andar descansado na rua (por vezes, os passeios estão ocupados!). Não é demasiado policiado, pelo menos não se vê. As ruas estão razoavelmente limpas (a verdadeira poluição vem dos escapes das motos). Podes dar uma saltada ao Camboja (ver os templos agníficos) e/ou os "killing fields" assustadores ainda, 30 anos depois. Podes passar pelo Laos, pobre e afável. Ficas a perceber melhor como é que eles conseguiram vencer os franceses (1954), bater os americanos (1975), libertar o Camboja dos khmers vermelhos (1979), dar uma coça nos chineses (mesmo ano) e fazedr marcha atrás nas colectivizações (1986), criando um comunismo capitalista popular, com muito interesse! Há meia dúzia de precauções... Se quiseres, eu mando-tas por mail. O Calisto? Conhece-lo melhor do que eu, é um tipo com quem vale a pena conversar.

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