Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Alegre. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Alegre. Mostrar todas as mensagens

sábado, 8 de janeiro de 2011

Cavaco emprestou prestígio e foi pago por isso

Os cavaquistas estão a perder discernimento: tentam confundir milhares com milhares de milhões (os 1.500 Euros de Alegre com os mais de 2.000 milhões do BPN), a compra e venda do trabalho de um escritor com a compra e venda da notoriedade e prestígio de um antigo Primeiro-Ministro, que tb meteu a família ao barulho.

Os cavaquistas estão a branquear-se, a eles próprios, a desvalorizar, a tentar apagar, os que se aproveitaram da fraude, em créditos fraudulentos a accionistas, hoje mal parados, oferecimento de acções por baixo da mesa ou abaixo do preço para pouco tempo depois aceitar a recompra das acções com lucros escandalosos.

Muitas personalidades, jornalistas, escritores, escreveram para a célebre campanha do BPP que teve como mote o valor do dinheiro. Clara Ferreira Alves contou ontem no Eixo do Mal como foi contactado, discutiu o preço, escreveu o texto, e foi paga por isso, aliás mal paga, considera, os escritores neste País não têm a consideração que merecem.

A única diferença com Manuel Alegre é que este mais tarde se apercebeu do uso do texto e se arrependeu de ter recebido o dinheiro, tentando devolvê-lo, só que o BPP de Rendeiro não aceitou a devolução, e isso serviu hoje para fazer a primeira página do i, é a ocasião esperada para um tal Manuel Rendeiro, aqui no ionline, tentar enterrar Alegre. Faz sentido.

Mas por muito que estiquem os 1500 € e as confusões, e escrúpulos, de Alegre com o caso, não conseguem fazer deles 1500 milhões. E foram bastante mais os créditos a fundo perdido, as falsas mais valias, o fartar vilanagem que vigorou no BPN. A que Cavaco Silva e família deram o nome, emprestaram prestígio e credibilidade. E foram por isso principescamente pagos.

E isso é politicamente relevante, em qualquer parte do Mundo, não serve de nada gritar que vem aí lobo, o lobo está dentro do redil e vai querer comer todas as ovelhas que puder. Basta ver como os membros da sua comissão de honra defendem desesperadamente o chefe. Que a vitória do chefe é a oportunidade esperada de voltarem a comer da gamela. Do BPN e do Orçamento de Estado.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Todos grandes educadores

A campanha de Alegre patina, não sai do sítio, que o punho do PS não se levanta. Por este andar, vamos ter Cavaco eleito com mais de 60% à primeira volta, o que tendo em conta o desempenho do personagem é uma vergonha para todos os oponentes. "Os mais próximos companheiros de armas de Manuel Alegre" já começam a alijar as próprias responsabilidades e a apontar para o lado: a culpa, obviamente, é de Sócrates e do seu PS, deles é que não.

Ana Gomes (sem link, que o não merece) foi a primeira a espingardar: "Remodele, JÁ". Sócrates não lhe fez a vontade, pagará por isso. O motim continuou com o próprio MNE Luís Amado a exigir ser remodelado, o que só peca por tardio, devia ter exigido isso mesmo no dia a seguir às eleições, que não é curial um governo minoritário arcar sozinho com a impopularidade das medidas a tomar.

"Motim, Sire? Mas isto é uma revolução". Agora, é Vera Jardim, um bispo do PS, habitual pregador na Renascença, a dedicar a Sócrates uma homilia dominical: "remodele, já". En passant, é porque Sócrates não remodelou, ainda, que o PS assobia para o lado e não há maneira de se empolgar com Alegre e os eleitores também não.

A campanha de Alegre, de facto, não sai da cepa torta. E quem vai pagar as favas é Sócrates e o seu PS. Marcelo Rebelo de Sousa, analista isento (o que a gente se ri...), logo saltou sobre esta oportunidade de matar dois coelhos de uma cajadada: enterrar Alegre e acirrar as intrigas do PS: "Remodelação já, este Governo não vai lá"

Rima, está encontrada a palavra de ordem, a procissão ainda vai no adro. Maria de Belém deve ser a próxima fazer de grande educadora do Primeiro-Ministro.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Alegre "a reboque" do BE? Ou será "boato da reacção"?


Há quem não esqueça o que Alegre fez ao PS nos últimos anos. É o caso de Tomás Vasques, de quem sou admirador confesso e contumaz, há dias, assim, no Hoje Há Conquilhas :
Do golpe militar ao golpe palaciano.

Nesta novela «presidencial», em que o PS se deixou envolver, o mais relevante é o facto de Manuel Alegre, deputado do PS durante 34 anos, se ter disponibilizado para protagonizar a estratégia política do BE, mil vezes confessada: crescer eleitoralmente à custa de uma derrocada do PS.

Neste golpe eu não alinho. Se não aparecer outro candidato, escolho o mal menor: voto Fernando Nobre.

(ler mais no Delito de Opinião).


Dá que pensar, de facto. Menos no PS, aparentemente, onde já quase ninguém se lembra de nada. Por mim, acho que é cedo para se tirar uma conclusão tão definitiva. Por isso lhe disse:
Tomás, se as coisas fossem assim tão claras, eu tb me recusava a votar Alegre desta vez. Não são. Temos tempo de ver se Alegre está mesmo "a reboque" de Louçã ou se isso não passa de "um boato da reacção". Depois não entendo o que é que Nobre tem de melhor. É/foi apoiante, militante, propagandista do Bloco, com um primarismo que fazia dó. Nas últimas eleições. Quando o Alegre, apesar de tudo, apelava ao voto no PS.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Manuel Alegre passou o Rubicão

Os dados estão lançados: Alegre lançou a sua candidatura a PR esta noite em Portimão. Cedo? Tarde? Bem? Mal? Vamos a ver o que dá. Para já o que se pode dizer é que foi um discurso interessante. Que vale a pena ser lido na íntegra aqui. Ou se preferir aqui. Para ler devagar e ponderar com tempo. Voltaremos ao assunto, olá se voltaremos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Contra a Unicidade Sindical - foi há 35 anos!


Acho extraordinário o que vai para aí nos blogues e nos jornais sobre uma manifestação feminista há 35 anos no Parque Eduardo VII, onde sem pingo de originalidade se terão queimado alguns soutiens. Não dei por ela. É que precisamente há 35 anos, naquele 13 de Janeiro, no Parque Eduardo VII, havia "electricidade no ar ", como constatava Francisco Salgado Zenha e por isso começou o melhor discurso da sua vida em tom contido: "eu vou-vos falar com toda a serenidade".

Dois dias antes a Intersindical promovera uma manifestação avassaladora a celebrar a vitória da unicidade sindical - ficava proibida a existência de mais de um sindicato por profissão e/ou por sector de actividade, o qual inevitavelmente seria controlado pelo PCP, como acabava de acontecer em todos os plenários da Cintura Industrial de Lisboa, de braço no ar, em que as posições contrárias nem aos microfones conseguiam chegar.

E, naquela mesma noite, três porta-vozes autorizados do MFA, liderados por Vasco Lourenço, tinham comparecido na RTP, a ameaçar o PS, que a unicidade tinha sido aprovada pelo MFA, e não ia voltar atrás, combatê-la era fazer o jogo da reacção. Manuel Alegre, que aderira ao PS um mês antes na Reitoria, ele não é fundador, fez o segundo melhor discurso da noite: "O PS não tem medo de sobrolhos carregados, sejam eles civis ou militares".

Parece-vos banal hoje? Pois foi histórico. Nos dias anteriores o DN, então dirigido por um velho republicano (José Ribeiro dos Santos) tinha consentido em publicar uma troca de artigos sobtre a questão sindical, em que se digladiaram Carlos Carvalhas, secretário de Estado do Trabalho, que na altura dizia não ser do PCP (!), e Salgado Zenha, então ministro da Justiça !

A publicação desses artigos de Zenha no DN fora uma lança em África - os jornalistas, os tipógrafos, e demais "classe operária", foram apanhados desprevenidos. Não tinham tido tempo para correr com o director "socialista", fizeram-no depois.

Como foi uma lança em África a convocação daquela manifestação do PS ─ a primeira contra uma decisão política do MFA, com respaldo de milhares de plenários sindicais, contra a chamada União POVO - MFA, que compreendia PCP/MDP/FSP/MES. É/foi uma data fundamental na marcha para a democracia, numa altura em que nem as eleições para a Constituinte estavam garantidas.

Esteva na sede do PS naquele dia 11 de Janeiro, quando apareceu Lopes Cardoso a dizer: "Vamos convocar uma manifestação contra a unicidade, é o momento de sabermos o que valemos como Partido". Anda naquele dia 11, na sede da FAUL, interinamente dirigida pelo António Guterres (a FSP de Manuel Serra, vencida, por pouco, no Congresso da Reitoria um mês antes acabava de abandonar o PS com enorme estardalhaço mediático).

Fizeram-se os cartazes no próprio dia e foi mesmo possível arranjar uma tipografia que os imprimisse. E numa única noite, o PS mobilizou-se para cobrir todas as ruas de Lisboa: "Contra a Unicidade Sindical, Pela Unidade e Liberdade dos Trabalhadores".

No dia 13, no Pavilhão dos Desportos, o único apoio exterior ao PS era o dos anarquistas que distribuíam "A Batalha". Pois, mesmo assim, naquela noite histórica, tiveram que se retirar todas as cadeiras do Pavilhão para caberem mais pessoas. Nem assim, não cabia uma agulha lá dentro, transpirava-se à farta, arranjaram altifalantes para que o comício pudesse ser ouvido cá fora. Como um dos organizadores, achei que me devia sacrificar: saí para dar lugar a outros.

Havia ajuntamento cá fora, nunca tinha visto tanta gente num comício nocturno, a meio de uma semana de trabalho. Claro que apareceram meia dúzia de provocadores: "aquilo eram os fascistas a levantar cabelo", "aquilo não podia ser o PS que não tinha tanta gente", "O PS aliava-se à reacção, era uma traição aos trabalhadores", "Fascismo, nunca mais!". Aguentámos a pé firme.

Naquele dia o PS começou a marcar as suas diferenças da restante esquerda. Como é que alguns só se lembram de uma manifestação atípica de meia dúzia de feministas, que naquele dia de "electricidade no ar" queimaram uns soutiens? Tiveram uns contratempos?! O PS também, por toda a cidade!

O 13 de Janeiro de 1975 é uma data que o PS e todos os democratas deviam celebrar.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O candidato que faz falta para bater Cavaco

“A candidatura de Alegre é imparável” e quem lhe lança a candidatura é o Sol esta sexta-feira. É mau: que Alegre se ponha assim em bicos-de-pés disposto a forçar a nota e evitar que alguém apareça a ocupar o terreno e que para “avisar a malta” recorra ao Sol, que nos últimos anos mais não tem feito do que combater o PS.

Por várias razões. Antes de mais e acima de tudo, porque as próximas presidenciais vai fazer-se sentir a necessidade premente de bater Cavaco Silva, que a cada dia que passa se torna mais intriguista e dissimulado.

Dissimulado Cavaco: Viram-no hoje a proclamar que não está interessado nos casamentos homossexuais porque não está interessado em assuntos que dividam os portugueses. É um argumento rasteiro: tudo o que mexe com o statu quo provoca resistências.

Sobretudo quando logo a seguir vem o golpe baixo: “Eu procuro empenhar-me fortemente na união dos portugueses e nada fazer que provoque fracturas na sociedade portuguesa”.

Com um Presidente assim empenhado na “união dos portugueses” ainda estaríamos hoje na “União Nacional”, o que nos teria evitado a maior fractura que já atingiu a sociedade portuguesa: o 25 de Abril.

Intriguista Cavaco: O que ele insinua é que quem não pensa como ele, e como os seus, o que quer é dividir, o que se propõe é fracturar. E não liga ao que é importante, diz ele: o desemprego, o endividamento, o desequilíbrio das contas públicas, a falta de produtividade e de competitividade.

O que é que o cu tem a ver com as calças? Em que é que a proibição destes casamentos civis (que nem são verdadeiros casamentos, segundo os católicos) ajuda a reduzir os males do desemprego, do endividamento, da falta de produtividade…?

Cavaco Silva é um dissimulado, um intriguista, um manipulador, um arrogante, um bota-de-elástico, e tem de ser corrido nas próximas eleições que tem feito tudo para merecê-lo. Mas para o vencer precisa-se de um candidato empenhado na boa governação do País, com provas dadas no activo, sem teias de aranha ideológicas, que saiba falar mas também fazer, avesso a guerras de alecrim e manjerona, que nos momentos difíceis tenha estado com o PS e não contra ele.

Eu sei de um nome capaz de fazer frente a Cavaco Silva e batê-lo no seu terreno e não é Manuel Alegre de maneira nenhuma.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A propósito de Alegre e Palma, Freeport e Face Oculta

A propósito de Manuel Alegre ter os dois pés dentro do PS. Tem, mas, por muito que se desculpe com os outros, que assumiram, não é ao mesmo tempo. E sobretudo não é em todas as ocasiões: quando o PS precisou dele na AR para barrar o caminho à demagogia, ele assobiou para o lado, preferiu a companhia dos demagogos. Suponho que o PS não vai esquecer essa falta de solidariedade. Seria falta de respeito por si mesmo.
A propósito de um especial apoiante de Alegre que se chama João Palma. Esteve nos jantares de apoio à recandidatura? Que tenha estado ou não, o PS não pode esquecer a especial relação de Alegre com o Procurador João Palma, actual líder do Sindicato do Ministério Público e da ofensiva justicialista contra o mesmo PS sem o mínimo de respeito pela verdade e pelas regras do Direito.

A propósito do pseudo-jornalismo de investigação nos casos Freeport e Face Oculta. Não existe, Fernanda Câncio teve razão quando disse na TV, e continua a ser notícia, que as notícias dos casos eram/são plantadas nos jornais. De facto, toda a gente sabe (ou, pelo menos, muita gente sabe!) que há um grupo de agit-prop, composto sobretudo por ex-magistrados e actuais sindicalistas, que municia os jornalistas escolhidos com vídeos, escutas, despachos e depoimentos parciais.
A propósito daquela bosta de decisão do plenário da Comissão da Carteira Profissional validando os ataques soezes, e pessoais, feitas à jornalista, que continua de actualidade seis meses depois. Quando, daqui a alguns anos, se fizer a história desta vergonha, convém não esquecer os nomes das pessoas que compõem a Comissão da Carteira, com destaque para os seus efectivos: Desembargador Pedro Maria Cardoso Gonsalves Mourão, Albérico Coelho Fernandes, José Pedro Leal Gonçalves, Mário Manuel Duarte Moura, Henrique Manuel Castela e Pires Teixeira, Daniel Caldas Gomes Ricardo, Rosário Perpétua Duro Rato, Maria Flor de Azevedo e Silva Pedroso, Paulo Jorge Santos Martins.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Alegre devia ter presente o exemplo de Otelo


Disse Alegre ontem em Braga, num almoço de apoiantes da sua candidatura a Belém: "não sou refém de ninguém". Ainda bem, por ele, que ser-se refém, além de não quadrar nada com a personagem, deve ser uma situação muito dolorosa.

E disseram alguns dos jornalistas, também convidados para o almoço, que tinha sido "o tiro de partida para Belém". Ainda mal, para ele: cadelas apressadas parem cachorrinhos cegos.

Votei Alegre da última vez, até pode ser que acabe por votar nele na próxima, mas não penso, para já, que ele seja "o candidato melhor colocado para bater Cavaco Silva", o qual está a tornar-se a cada dia mais detestável, impossível de aturar, força de bloqueio, a qualquer esforço sério de governar este País.

Cavaco, é verdade, está como quer, no centro da refrega: com a Oposição Parlamentar Unida a votar baixas/eliminação de impostos e a Oposição Extra-Parlamentar a usar e abusar da bufaria, ilegal, como nunca se viu nem no tempo da PIDE, a ingovernabilidade absoluta segue dentro de semanas. Quando aparecer o Orçamento de Estado para o próximo ano e se descobrir que o Governo prefere mesmo a espada à parede, recusando-se a governar em nome e por conta de todas as Oposições.

Nessa altura, até Março o mais tardar, Cavaco demite o Governo e, na impossibilidade de um governo PSD+CDS+Bloco, se houver vergonha, vai ter de empossar um Governo seu, como Eanes. Adivinhem o chinfrim que aí vem, com o PS a declarar "guerra santa" aos governos presidencialistas e a descer à rua. Como no PREC.

Alegre viveu por dentro situações como essa, sabe muito bem do que estou a falar. Sabe muito bem que uma crise dessas muda tudo. Teve um milhão de votos nas presidenciais? Também Otelo, uma vez, quando se opôs a um candidato eleito à partida e polarizou em si os votos folclóricos e de protesto. À segunda, se não me falha a memória, Otelo não foi além dos 2%.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Goodbye, Manuel Alegre

Meu amigo partiu. Meu amigo não volta.
Meu amigo dizia (estou a ouvi-lo)
vou procurar a minha estrela. Foi
e não voltou. Meu amigo (dizem)
tem agora o tamanho duma estrela.

Pois tenho estado a folhear os livros de Manuel Alegre, a reler os seus poemas dos primórdios, desde "As Rosas Vermelhas - Nasci em Maio, o mês das rosas, diz-se". E desculpem o mau gosto de reproduzir aqui aqueles versos seus ao amigo perdido em Nambuangongo. Alegre, o meu amigo, não morreu, nem vai morrer tão cedo, que já esteve do outro lado e voltou.

Lembro-me de lhe ter telefonado para Águeda, estava ele em convalescença, depois do Fausto Correia ter verificado que ele já podia falar com jornalistas: "Manuel, pois que estiveste morto uma data de horas e a morte não quis nada contigo e mandou-te de volta, conta-nos como é o outro lado!".

"Pois também eu gostava de saber, não me lembro de nada". E contou-me que se lembrava perfeitamente de ter começado a sentir-se mal no funeral de um amigo e de ter acordado muitas horas depois no Hospital com uma data de tipos aos berros. De mais nada.

Concordámos que deve ter sido uma situação parecida com a do Warren Beatty n'O Céu Pode Esperar. Calculo o escarcéu que Alegre terá feito por lá com o funcionário do Além a tentar metê-lo no avião com destino desconhecido e ele a resistir: "A mim ninguém me leva, a mim ninguém me cala". Os tipos que andam em cima das nuvens a arrebanhar as pessoas não tiveram outro remédio se não -lo de novo no sítio onde o tinham apanhado, que era a sua "Coimbra Nunca Vista".

Eis a razão por que Alegre é eterno, fica por cá o tempo que quiser. Na política é que não: Alegre acabou! Ao ter saído do Parlamento, não entrou para a "reserva da República", como Malraux disse de Pompidou, despedido por De Gaulle em Julho de 1968, e que menos de um ano depois, em Junho de 1969, reentrava na política pela porta grande, novo Presidente da República eleito, contra ventos e marés.

A grande diferença entre Pompidou e Alegre é, antes de mais, que o primeiro gostava do poder e que Alegre é um diletante. Todo o sistema em Portugal está feito para que não haja nunca nenhum poder que possa fazer o que quer e responder por isso (com a excepção do poder de Cavaco nos seus 10 anos como PM porque queria muito e tinha pela frente um Presidente bonacheirão). Em Portugal os poderes anulam-se todos, bloqueiam-se uns a outros, os portugueses não gostam de quem acelere mas de quem trave, a modorra permanente é que é a arte de ser português?

Talvez. Mas mesmo assim a vez de Alegre passou e não vai voltar. Primeiro porque o próximo Primeiro Ministro de facto vai ser o próprio Cavaco Silva por pessoa interposta. Que ninguém vai ter maioria, Alegre fez por isso, e o PS profundo, não falo dos líderes, não lhe vai perdoar.

Vamos entrar numa fase em que ninguém governa nem deixa governar. Cavaco Silva alinhou com os activistas do Ministério Público contra Sócrates, com os interesses instalados dos médicos contra Correia de Campos, com as arruaças dos professores, com a contestação dos seus amigos nos negócios, na imprensa e sobretudo nas televisões, com os reaccionários de todos os quadrantes que motivaram os seus vetos e irritações. Ganhou a primeira batalha.

Mas o que vem aí é uma guerra. Cavaco semeou ventos e vai recolher tempestades. Para combater Cavaco a esquerda precisa de um líder sólido. Que quando caírem os resultados em 27 de Setembro deixará de ser José Sócrates. Mas também não será Manuel Alegre, nem tão pouco Francisco Louçã, nem muito menos Jerónimo de Sousa. Não estamos na América Latina, nem na antiga Europa de Leste.

Não será Manuel Alegre o próximo candidato do PS às presidenciais. Por isso eu digo que o meu amigo partiu, o meu amigo não volta. Mas este post já vai longo amanhã voltarei ao assunto.