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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A orquestra da Ongoing...

...para a conquista da RTP.
Um dos livros que mais me impressionou, quando cheguei a França em 1966, foi a "Orchestre Rouge", do grande Gilles Perrault, que contava como um grupo determinado de militantes comunistas internacionais, liderados pelo intrépido Leopold Trepper,  soube infiltrar-se nas linhas inimigas da informação e conseguiu avisar Moscovo da iminência da "Operação Barbarossa", a invasão nazi da URSS, apesar do Pacto Germano-Soviético.

Claro que Estáline não acreditou. Ou fez de conta e preferiu os nazis à portas de Moscovo e o sacrifício de muitos milhões de soviéticos. E no fim da Guerra apressou-se a mandar executar Trepper e todos os sobreviventes do "réseau" que regressaram à URSS. Mas isso é outra história.


Como o Mundo é pequeno e este nosso País também! Aí temos agora a Orquestra da Ongoing, com artistas sempre em trânsito da Loja Mozart para a bancada do PSD e desta para a direcção da Ongoing, ou para a direcção dos serviços secretos, ou para ambas as entidades, em simultâneo.

E tudo isto porquê? Por causa da privatização da RTP, que lhes está prometida. A eles, ao casal Moniz, ao Crespo, ao Fernando Lima, ao José Manuel Fernandes, ao ministro Relvas, ao António Barreto, ao Alberto João Jardim, ao Diabo, Correio da Manhã, todos juntos, numa televisão só para eles... É uma verdadeira Operação Barbarossa, outra vez. Infelizmente, fuzilaram o Trepper.


Correcção, em tempo: Afinal Trepper não chegou a ser fuzilado. Como relata o citado estudo da Wikipédia, "après la Seconde Guerre mondiale, les autorités soviétiques le font venir en Russie. Mais, au lieu de le récompenser, ils l’enferment dans la Loubianka. Après une vigoureuse défense de sa position, il évite l’exécution en raison d’amis bien placés, mais reste en prison jusqu’en 1955". E depois da publicação do livro de Perrault em 1967 a pressão internacional sobre as autoridades comunistas foi tanta que o deixaram emigrar para Israel onde morreu em 1982.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Escutas na S. Caetano? Foi o News of the World.

Aparentemente, segundo o DN, Passos Coelho aproveitou estar entre amigos para largar uma bojarda capaz de abalar definitivamente a reputação do País junto dos mercados: disse que encontrou um "desvio colossal" nas contas. Respondeu-lhe João Galamba, do PS, como já o tinha feito na Assembleia a uma intervenção parecida do agitador Vítor Gaspar: o que é que o Governo descobriu que tinha escapado aos peritos da tróika?

Ainda não obteve resposta do Governo, que se saiba. O Presidente da República também ainda não disse nada sobre a descoberta de Coelho. Bem sabemos que agora "a ameaça" vem das agências de rating, contrariamente ao que acontecia há um ano, quando a ameaça ao crédito do País vinha do Governo Sócrates e por isso lhe puxou o tapete. Só que, sr. Presidente, a ser verdade essa vilania "colossal", pode ter-se mesmo verificado um "irregular funcionamento das instituições", tem que demitir o Sócrates outra vez, ou então, dissolver... a Oposição!

O Presidente não diz nada, o Governo não diz nada, ficam as perguntas: vale a desculpa, esfarrapada, que não foi o gabinete de Passos Coelho que mandou a noticia ao DN? Então quem foi? O News of the World? A Felícia Cabrita que já começou a fazer das suas? Ou a equipa da Manuela Moura Guedes que não gosta de algum Secretário? Ou o DN que pôs microfones na S. Caetano? 

Seja como for que a notícia foi parar aos jornais, resta a gravidade da afirmação em si. O que eu não gostaria de ouvir é que foi uma boca, entre amigos, assim do género "é carnaval e ninguém leva a mal", como aquela da entrevista ao miúdo numa escola de Vagos nos últimos dias da campanha. Um Primeiro Ministro que se respeita, e nos respeita, não cairia daí abaixo,

Convém saber. Do "desvio colossal nas contas" se o houver. Ou então do colossal despautério do nosso PM.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Hino a Passos Coelho - oiça bem o que eles dizem!


O culto da personalidade, as cadelas apressadas, os excessos de zelo... pregam partidas. O que eles dizem é que "está na hora de mudar Passos Coelho".

quarta-feira, 13 de abril de 2011

"Não há almoços grátis" ─ diz um cavaquista


Aqui há gato. Conta o Diário de Notícias:
Oliveira e Costa, eu conheci-o no Ministério das Finanças, é um homem inteligente, que não dá ponto sem nós. Como é que se predispôs a perder, ou dar a ganhar, assim do pé para a mão, 275 mil euros? Com que fito? Em troca de quê?

Já fiz a pergunta? Pois continuarei a perguntar. Até que o inferno gele.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Passos sem maioria? Deus não dorme


Passos sem maioria? Para agarrar o Poder todo, de uma vez, e assim poderem, com todas as bênçãos do Céu, "criar dois, três, muitos BPN's", que as grandes fortunas fazem-se em tempos de crise, foram os primeiros a cavalgar a onda levantada por Cavaco na tomada de posse, e para agradar ao chefe empurraram o Governo borda fora, mesmo se com isso atiravam o País às feras. E não vão conseguir?!

Sei que a sondagem é de antes da rendição de Sócrates. Que o PSD e Cavaco tiveram até agora a ajuda militante dos media, das agências de rating, dos professores, dos magistrados, da extrema esquerda mais poderosa da Europa Ocidental, dos especuladores de fora e dos banqueiros de dentro, incluindo o actual Governador do Banco de Portugal. Assim ganharam o PSD e Cavaco as duas primeiras batalhas: derrubar Sócrates e obrigá-lo a pedir o resgate.

Mas se apesar disso tudo não obtivessem a maioria absoluta. Nem com a contribuição do seu apêndice, o CDS/PP?! Nem mesmo com os seus aliados professores, bloquistas, juizes sindicalizados, demagogos, de extrema direita tanto como de extrema esquerda? Demasiado bom para ser verdade. Seria a prova provada que "Deus não dorme". Que o crime não compensa. E para além do mais, ah, meus irmãos, como seria divertido ver o Chefe Cavaco em dificuldades para descalçar essa bota!

quarta-feira, 23 de março de 2011

A solução para a crise: Criar dois, três, muitos BPN's

Nunca tantos falaram tão mal da gente. Em poucos minutos a notícia deu a volta ao Planeta. Portugal é notícia nos antípodas:

Melbourne AgePortugal struck by new debt turmoil on summit's eve

Causa perplexidade no Yahoo, via AFP:
LISBON (AFP) – Portuguese Prime Minister Jose Socrates resigned Wednesday on the eve of a key EU summit on the eurozone debt crisis after parliament rejected his minority government's latest austerity plan(...)
A nossa fama atinge as Américas, do Canadá...
...ao Brasil
Estado de S. Paulo: Premiê português renuncia após veto à proposta do governo de ajuste fiscal

Belo título, hem, no maior jornal do Brasil, são as potencialidades do acordo ortográfico sobre a língua portuguesa. Aí temos a queda do nosso "Premiê" a ombrear por asim dizer com o desaparecimento da Elisabeth Taylor ou com os incidenbtes dos bombardeamentos da Líbia.


Podem limpar as mãos à parede, os políticos como os media, portugueses. Repararam no chinfrim que a demissão de Sócrates desencadeou nas televisões? Que sentido de equilíbrio, para não dizer outra coisa. Como notou o Valupi é assim a modos que uma asfixia democrática à maneira:

Não há um único comentador ligado ao PS nas televisões a ditar sentenças acerca dos discursos da noite. Já só falta ilegalizar o partido.

Ainda hão-de chegar lá! O slogan de Guevara, que deu no que deu, era Criar dois, três, muitos Vietnames. Ganhando quem sabemos, com os patrocínios que se conhecem, o que ainda vai dar grandes dividendos neste País, as riquezas que se fazem em tempos de crise, vai ser
Criar dois, três, muitos BPN's
You ain't seen nothing yet, como dizia o Ronald Reagan.

domingo, 28 de novembro de 2010

Ditosa Pátria


Um amigo mandou-me um poema de Jorge de Sena. Escrito no exílio, na desesperança do ano de 1961, quando Humberto Delgado acabava de ser expulso das Forças Armadas e se refugiara no Brasil, quando Henrique Galvão tomava o Santa Maria, quando o MPLA atacava as cadeias de Luanda e a UPA massacrava no Norte de Angola, quando Goa, Damão e Diu eram ocupadas pela União Indiana, quando a revolta de Beja não dava em nada, quando as cadeias estavam cheias a rebentar de presos políticos, quando Salazar parecia eterno, quando o Dia do Estudante desencadeava uma repressão feroz. Poema datado? Talvez. Vejam bem:

A Portugal

Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
a pouca sorte de ter nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fátua ignorância;
terra de escravos, cu p’ró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol caiada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra − museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:

eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço: mas ser’s minha, não.


Dezembro de 1961

in «Quarenta Anos de Servidão» Lisboa, 1979


Passaram quase 50 anos sobre o poema de Sena. Hoje voltamos talvez a poder dizer "esta é a ditosa Pátria minha amada".
  • A minha Pátria do PS e dos bons empregos para tapar manobras internas (caso Víctor Baptista),
  • a minha Pátria do PS e dos honorários chorudos por coisa nenhuma (Tagus Park e escritório José Miguel Júdice),
  • a minha Pátria do PS e dos salários milionários a pequenos gestores da cultura (Guimarães capital da cultura).
Mas também
  • a minha Pátria de Alberto João Jardim sempre perdoado apesar de reincidente nos insultos a quem lhe dá de comer,
  • a minha Pátria de Pacheco Pereira, sempre na vanguarda dos seus aliados do Ministério Público,
  • a minha Pátria de Belmiro de Azevedo & filhos feitos com a conspiração castelhana na Opa da PT por causa da Vivo,
  • a minha Pátria de Cavaco Silva, sempre bajulado apesar dos seus negócios particulares no BPN, aliás em sintonia total com o PSD, pelo menos na inventona das escutas.


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Isto vai dar para o torto, olá se vai!

As medidas anunciadas por José Sócrates, para o Orçamento de 2011, eram esperadas mas nem por isso são menos violentas, para todos. Segundo o Economist podem atirar o País para uma nova recessão, o que pode alargar a dimensão do défice, em vez de o reduzir, como na Irlanda.

Vem aí agitação e revolta ─ como na Grécia. Ou no Equador ! As televisões, as rádios ─ e os "jornais de referência"! ─ já começaram a mobilizar as tropas. E discordo de Freitas do Amaral: quem está a brincar com o fogo não é o PS e o PSD. É o jornalismo de combate que temos, em queda permanente de audiências, desesperado, mais do que as pessoas, que geralmente detestam demagogias.

O jornalismo de combate que temos, esse, sim, brinca com o fogo. Um fogo que insaciável pode virar-se contra si, como esta manhã os polícias amotinados em Quito, mas que lhes importa, desde que vendam! É o sistema !

Pior do que tudo: o Governo do PS não tem os meios para estas medidas. Desde logo não tem maioria, e o PSD não tem nenhuma obrigação de partilhar uma parte da impopularidade, afectando moderação de circunstância, enquanto os demagogos da extrema direita berram como possessos, enquanto os estalinistas do BE, mais do que os do PCP, incham como sapos.

O circo está montado. O sistema eleitoral foi desenhado para que ninguém tivesse maioria, para termos governos fracos, piões das nicas, toda a primazia às forças de bloqueio, aos poderes soberanos dos tribunais e dos media ─ excepcionalmente, os eleitores é que decidiram ter mais juízo do que os constituintes e quiseram governos de maioria.

Um sistema eleitoral assim não existe em mais nenhum País da Europa do Sul. Em Espanha, a solução foi apostar em círculos eleitorais pequenos, a grande maioria dos quais não tem mais de 5-6 deputados. Por isso, o PCE e os Verdes espanhóis só elegeram um deputado nas últimas legislativas, enquanto a Esquerra Republicana, comparável ao nosso Bloco pelo extremismo das suas propostas, tem 3 deputados.

Com 5 deputados estalinistas e assimilados, um país é governável, uma vez que os partidos regionalistas se revezam a dar a mão ao partido do Governo na aprovação do Orçamento, em troca de algumas vantagens, sem que os media levantem uma onda de indignação. Contrariamente ao que aconteceu em Portugal com o chamado Orçamento do queijo limiano, em que só faltou queimar na praça pública aquele deputado de Ponte de Lima.

Com a extrema esquerda mais poderosa da Europa, acima dos 20% dos votos, temos "revolução permanente" (além da extrema direita mais barulhenta do Mundo - claro que me refiro ao CDS de Paulo Portas !), temos o caldo entornado. Esta austeridade vai dar para o torto, olá se vai!

Sobretudo que vamos ter de viver assim. durante mais de um ano. Com o poder na rua? Pior: o poder real está nas televisões. Que já uma vez decapitaram uma direcção do PS, para desviar as atenções dos problemas pessoais de alguns dirigentes máximos da extrema direita - "Vocês sabem de que é que eu estou a falar", como dizia o Octávio Malvado. Desta vez, se no final da jornada ainda houver eleições, o PS pode baixar abaixo dos 21%, pior do que em 85, após o Governo do Bloco Central.


sábado, 28 de agosto de 2010

Sua Sumidade o Génio da Banalidade.....

Sua sumidade, o génio da banalidade, como dizia o grande Saramago, volta a atacar. Em Ourique, de onde, como D. Afonso Henriques, repartiu em campanha depois das férias (passadas na Capadócia como na imagem?), lançou este domingo duas banalidades de uma assentada: que não há revisão constitucional formalmente em curso e que o OE ainda não foi apresentado.

Alguém que lhe diga que não são as formalidades que contam mas a substância? Ou que esses são temas na agenda política nacional há mais de um mês por muito que lhe custe? Não houve: os jornalistas despachados para seguir o PR são escolhidos a dedo. E a campanha ainda agora começou.

Mais disse Cavaco ─ e é manchete no Público, quem diria? ─ que o Presidente da República "não espera instabilidade" por causa do OE. Ah, o guardião da estabilidade, nosso santo protector a bem dizer! Acontece apenas que ao dizer isso estava Sua Excelência a responder ipsis verbis ao Deputado Ricardo Rodrigues. A responder-lhe exactamente como o PSD quer.
Dá para entender?

A minha opinião é que tanto o PR como o PSD acham que o PS e o Governo estão a dormir na forma e assim querem que continue pelo menos até ao dia 9 de Setembro. A partir desse dia vale tudo: pode o PR promulgar todos os diplomas que as oposições unidas aprovem contra o Governo, que ninguém repara. Ainda esta semana promulgou um e o Governo que se desenrasque. Antes tinha promulgado o aumento dos ordenados dos Presidente de Junta sem cuidar do pormenor do cabimento orçamental. Segue-se mais um diploma impossível de aplicar sobre os professores, que todas as oposições estão de acordo e Mário Nogueira já deu o mote.

A guerrilha pode continuar. Mesmo uma guerra aberta em todos os azimutes. Cavaco para ser reeleito precisa de um governo fraco, impotente, contestado na rua e nos media, e ele, salvador, impoluto, acima de toda a suspeita, que dá o pau e a cenoura.

Defendo que o PS deve dizer ao País alto e claro que o momento é grave e é preciso um Governo na plenitude das suas funções. Se necessário deponha na Assembleia já esta semana uma moção de confiança e se as oposições unidas deitarem abaixo o Governo que se avenham com eleições em Novembro. Quanto mais tempo deixar passar, pior para o Governo. E sobretudo para o País.

sábado, 31 de julho de 2010

E se a guerra dos touros levasse à independência da Catalunha...

Já aqui prestei, na senda de Orwell, a minha Homenagem à Catalunha por terem repudiado a barbárie da chamada fiesta brava e escolhido alinhar com as nações civilizadas que há muito condenam e proibem as torturas dos animais, ainda por cima como espectáculo de divertimento, seja no circo, seja nos bas-fonds dos combates de galos, de cães, de gladiadores, de leões e cristãos, como nas arenas da Roma antiga.

Aceito, e não acho nada mal, que ao fazê-lo os deputados do Parlament de Barcelona se tenham arrogado, como nota Bruno Sena Martins, uma certa "superioridade moral dos catalães" em relação ao resto dos espanhóis, que continuam hipocritamente a reivindicar as touradas como tradição honorável, quem quer vai e quem não quer fica e viva a liberdade!

Assim, designadamente, Esperanza Aguirre, líder da Comunidade de Madrid, para quem, pasme-se, seria importante que a Unesco reconhecesse "o interesse cultural" dos touradas de morte, ou para José Blanco, ministro do Fomento de Espanha, que sendo contra a proibição manifestou respeito pelo Parlament da Catalunha.

Mas o pior de todos é Mariano Rajoy que promete uma lei das Cortes a declarar o interesse cultural da tortura dos touros na arena com força obrigatória em toda a Espanha, assim fazendo da proibição um verdadeiro casus belli, como nota o El País.

Acho que fazem mal mas é lá com eles. Se persistirem nesta invasão dos bárbaros, que seria arrasar a vontade legitimamente expressa na Catalunha pelos catalães, substituindo-a pelos pontos de vista de Castela, não tenho dúvida que a Europa vai gritar ao escândalo e não deixará de mobilizar-se pelos direitos da Catalunha civilizada contra a tortura e a barbárie sobre os animais, que vigoram no resto da velha Hespanha, incluindo Portugal.

A Catalunha pode assim ganhar perante a comunidade das nações civilizadas uma espécie de direito ao divórcio, de Espanha, por maus tratos. E até pode ser que o exemplo catalão nos inspire a nós portugueses, embora haja poucas esperanças por cá no curto prazo.

Com efeito PCP e BE têm alguns dos seus feudos enterrados, como os pés na lama, no Ribatejo taurino. O CDS/PP é um partido marialva. PS e PSD não se pode contar com eles para abanar o "statu quo". Mas se a guerra dos touros levasse à independência da Catalunha... outro galo nos cantaria.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

Começo a ficar cansado com o PS


As SCUTS, que o engenheiro João Cravinho inventou nos idos de Guterres, custam-nos os olhos da cara. O PS apercebeu-se agora, quer portagens mas quer manter privilégios para alguns que pagamos todos. Por isso e só por isso estamos num impasse. O PSD, e nisso muito bem, diz que não há condições para continuar as conversas. Já não avançam a 1 de Agosto, é evidente, mesmo se o decreto em vigor diz que já começaram a 1 de Julho.

Eu não entendo o assanhamento do PS na discriminação positiva, que é o contrário da universalidade. Discriminação positiva com que critérios? Entre Douro e Vouga, por exemplo, há um município que beneficia da isenção: Santa Maria da Feira. Arouca, que é a minha terra, não beneficia. Por isso diz o meu Presidente no site da Câmara:

O Município de Arouca sente, assim, mais uma vez, o peso da interioridade e da ausência de um acesso rodoviário condigno, seja ele portajado ou isento, vendo-se, com esta medida injusta, ainda mais limitado e onerado nas deslocações efectuadas pelos seus munícipes.

A título de exemplo, um arouquense que deseje deslocar-se ao Porto por um acesso minimamente condigno, terá de fazer um percurso sinuoso até Santa Maria da Feira, pagando os custos de portagem daí em diante, ao passo que aqueles que têm a auto-estrada «à porta» estão isentos de pagamento.
É uma injustiça, uma dupla injustiça, de facto. Diz muito bem o eng. José Artur Neves, meu amigo. Há uma data de municípios que estão na mesma situação. Nós, por exemplo, na Região Metropolitana de Lisboa, que pagamos as pontes, a CREL, a A2, a A5, sejamos ricos, pobres ou remediados, pagamos sempre. Tudo. Para que os privilegiados do Porto, de Aveiro, de Castelo Branco, continuem a eleger o eng. Sócrates ou o dr. Rui Rio.

Não há moralidade nas discriminações que o PS (e alguns autarcas do PSD!) querem manter para alguns à custa de todos. Depois não se queixem.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Scuts: quem tem telhados de vidro?

Achei o máximo a "boca" do deputado do PS João Galamba, insignificante, naquele programa da RTPN com Carlos Abreu Amorim e João Adelino Faria, de um lado, Joana Amaral Dias, do outro, de que o PSD demonstrava duplicidade na questão das Scuts? Porque os autarcas do PSD defendiam a continuação dos privilégios do não pagamento das portagens enquanto a direcção do Partido insiste na universalidade, ou pagam todos ou não paga ninguém.

Duplicidade do PSD? E então a duplicidade de Sócrates que aceita o princípio da universalidade para logo a seguir fazer ponto de honra da isenção dos seus eleitores de Castelo Branco? Exactamente como Rui Rio pretende a isenção dos seus eleitores da Área Metropolitana do Porto.

É diferente porque Rui Rio apelou à sublevação popular, de facto convocou motins, acção directa, actos terroristas, pelo menos com dolo eventual, contra a implementação das portagens no seu quintal. E os autarcas do PS em geral? E aquele deputado municipal do PS em Aveiro, em particular, vedeta por um dia, que já tinha trazido a moto-serra para destruir as portagens instaladas e não se coibiu de apresentar uma moção que é nitidamente apologia e incitação à prática de um crime de dano, pelo menos?

Sejamos claros: para este efeito não há, não pode haver, concelhos ricos e concelhos pobres. Há pessoas que vão de carro para todo o lado, e mesmo para os empregos, e pessoas que vão de transportes públicos. Por que carga de água é que as pessoas que vão de transportes públicos hão-de pagar as viagens dos que vão de carro.

Isenções por concelhos? E porque não pelos níveis de rendimento das pessoas? Lá porque as empresas e os residentes na Área Metropolitana de Lisboa pagam aqui os seus impostos, e os do Porto fogem a eles, pagámos nós e não pagam eles? Porque os ricos do Porto, do Algarve ou de Castelo Branco, e quem os apoia, hão-de viver à pala da classe média de Lisboa e do resto do País, que paga e não bufa?

Ou há moralidade ou... pagam todos. E se querem voltar à época da Maria da Fonte, vamos a isso. Processos em cima. Quantos forem precisos. Enterros nas igrejas, nunca mais. Privilégios dos poderosos e de quem os apoia? Não podem continuar.


sexta-feira, 28 de maio de 2010

Por que sobe Passos Coelho nas sondagens


Nervoso, barómetro que não sobe e desce todas as semanas, ou até todos os dias, de manhã e à tarde, deixa de ter interesse mediático e os membros do painel arriscam-se a ser dispensados. Dito isto, não deixa de ser sensacional a subida da cotação de Passos Coelho, que a Marktest coloca já à beira da maioria absoluta. Não me surpreende.

O novo líder do PSD não irrompeu na cena política com campanhas de ódio e ataques pessoais. Deixou isso para deputados afectos à anterior direcção, como Fernando Negrão e Aguiar-Branco, que persistem em alavancar o juiz de Aveiro ─ que em Espanha já estaria suspenso e a responder por prevaricação ─ na guerra perdida contra o Presidente do Supremo e o Procurador Geral da República.

Ou como Pacheco Pereira e Agostinho Branquinho, ou os seus homólogos do PCP, neste momento adulados pela imprensa de sensação, mas que passarão à História como os homens que para ajudar os procuradores de Aveiro tudo fizeram para que as escutas dos processos entrassem pela porta grande na Assembleia da República.

O novo líder, visivelmente, não sabia das escutas nem de coisas tenebrosas ainda não reveladas, como Pacheco e Ferreira Leite, durante a campanha eleitoral. E se agora sabe, se alguma gravação, mais ou menos manipulada, foi deixada no seu gabinete da São Caetano, facto é que não fez uso dela.

O que fez Passos Coelho foi falar de alternativas, discutíveis, suas, respeitar o adversário e ser respeitado. Deixar para a extrema esquerda (Louçã e Jerónimo) e para a extrema direita (Portas e Jardim) os discursos primários, a venda e promoção dos méritos da banha da cobra na política.

Ainda bem. Desde Marques Mendes, e com um pequeno intervalo quando Luís Filipe Menezes defendeu a aprovação do Tratado de Lisboa sem necessidade de referendo, que o PSD ao mais alto nível parece refém de dois grandes educadores ibéricos: Mariano Rajoy, que não é capaz de dizer meia frase sem insultar alguém, e Marcelo Rebelo de Sousa, que vive de picar os seus líderes e dar espectáculo.

Por falar de espectáculo: lembram-se de Marcelo, a analisar as campanhas dos candidatos, numa encomenda da SIC, salvo erro, na véspera da votação. Que Passos Coelho fora mais forte nos debates (era o que diziam todas as sondagens) mas a partir daí Rangel ganhara em toda a linha, Passos Coelho tinha acumulado erros. Por isso muito rigorosamente ele podia dizer estava ela por ela, chegava-se às urnas em situação de empate técnico. Palavra de professor sobre aqueles "alunos" em véspera de exame.

Pois bem, viu-se Passos Coelho ultrapassou os 60%, Rangel mal passou dos 35%. Passos Coelho fez bem em não se fiar no Grande Educador. E continuará a fazer bem se desprezar a cantiga que faz do insulto uma arma. Se ignorar os Marcelos, os Pachecos, os Saraivas, as Manuelas, os magistrados prevaricadores, e todo o poder dos sindicatos e dos lóbies.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Greves como na Grécia, até lhes ganhamos 5-3 !

Greves como na Grécia, greves nos transportes, que são as que mais doem e mais alarido provocam, greves na função pública, que são as mais fáceis, as de menos riscos para quem as faz, e as mais badaladas, que é só o que importa.

Greves com manifestações, transmitidas em directo em vários canais. Greves gritadas, agitadas, anunciadas, propagandeadas, antes, durante e depois, em programas acéfalos, sem contraditório que valha, que assim se conquistam audiências e se bota abaixo o fraco Governo que insiste em aguentar.

Fraco Governo em que o Povo insistiu também, apesar do estado de guerra em que decorreram as campanhas negras de magistrados e jornalistas conluiados, em honra dos quais se promove agora uma comissão de inquérito feroz por assunto banal, um negócio privado que não se fez, que pelos vistos não interessava a ninguém a não ser aos accionistas das empresas nele envolvidas, mas contra o qual o Presidente da República apelou à mobilização geral da Nação, mobilização que continua na Assembleia, contra o PM marchar, marchar!

Quem não se lembra do que dizia Manuela Ferreira Leite, há bem pouco tempo, ela que tem as certezas absolutas que se sabe: Portugal está no caminho da Grécia. Na altura, até o seu amigo e companheiro de armas, Aníbal Cavaco Silva, terá ficado incomodado, pelo menos fez de conta, que não lhe calha mesmo nada que o Governo caia já.

Portugal está no caminho da Grécia, olá se está! Por muito que digam os analistas é óbvio que "os mercados" olham para nós e nem se incomodam a fazer contas: o que lhes salta à vista é o exemplo grego que diariamente lhes damos.

Greves gritadas, ferocidade na vida pública, uma Assembleia que ofende todos os dias "o fraco Governo" - mas não tem a coragem de o fazer cair, um Presidente dissimulado, a fazer render a usura do Governo para não prejudicar a sua reeleição -- como é que não havíamos de ser considerados o próximo alvo a abater, se politicamente estamos muito pior?

Muito pior: o novo Governo grego tem maioria na Parlamento, não tem um Presidente que lhe promova inventonas desestabilizadoras, que esteja todos os dias no terreno a marcar as distâncias.

E sobretudo a Grécia não tem como nós a extrema esquerda mais numerosa e aguerrida da União Europeia, como se vê pela comissão de inquérito, como se vê pelo domínio da rua, como está à vista nos programas de escárnio e mal-dizer que pululam nas rádios, nos jornais e nas televisões.

Como é que havemos de esperar que tenham confiança em nós, se como a Grécia temos greves a dar com um pau, magistrados que em vez de dizer a Justiça dizem mal do Governo, dois partidos comunistas dois, no Grupo das Esquerdas Unidas do Parlamento Europeu? Temos dois partidos comunistas na UE, qual o mais sectário, mas com mais representantes do que os gregos: cinco comunistas e bloquistas de extrema esquerda para as nossas cores, três comunistas e esquerdistas radicais para os gregos.

Ganhámos aos gregos 5-3, em matéria de agitação e propaganda. Governo a ser agredido e nem se pode dar ao respeito que tem a Oposição ao ataque, a agitação permanente nas ruas e nas televisões, os jornais a disparar, o Presidente à escuta, e a berrar que é escutado, como convém na estória do lobo e do cordeiro, que é todo um retrato da política portuguesa.

Esperem-lhe pela volta.


sábado, 27 de março de 2010

A malta abrupta não gostou? Ainda bem

Pelo menos não tem aquele ar boçal, seboso, luzidio, asfixiado, claustrofóbico, doentio, agressivo, prejudicado, carroceiro, do outro candidato. Pedro Passos Coelho fez um discurso civilizado, fluente, a prometer luta franca, sem ódios, mas também sem cumplicidades. Oxalá!

Penso que fez bem, que pode ter conquistado algum interesse entre gente razoável, foi uma inovação ver um homem tranquilo nesta nossa política abespinhada. A prova é que aquela rapaziada do Público, a malta abrupta ─ das escutas a Belém, do Portugal profundo, do justicialismo desembestado, dos julgamentos na praça pública, à Paulo Portas, um pé no Ministério Público e os dois nas manchetes dos jornais ─, essa malta, não gostou.

Estou a ouvir a RTPN e já passei pela SIC Notícias: a canalha da agitação e propaganda ficou frustradíssima com Passos Coelho. É um bom sinal.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Há sinceridade nisto? Não há, não há

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Lei da rolha? Ora toma! Em minha opinião, a alteração estatutária votada pelos congressistas do PSD é uma coisa de nada comparada com o que se passa na Madeira desde 1977. Como diz Tolentino de Nóbrega no Público com base em grande número de casos concretos:

Leia devagar, puxe pela memória, e no final pergunte a Paulo Rangel o que ele acha de uma verdadeira "lei da Rolha", como a que vigora há tantos anos na Madeira. Como naquela canção do tempo dos nossos avós: Há sinceridade nisto (no que diz um candidato do PSD muito atreito a claustrofobia democráticas?) Não há, não há!

Isto é que é grave e o resto são cantigas.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Pacto Germano Soviético na Madeira


Jardim ainda há seis meses propunha a proibição do comunismo na Constituição e agora defende um compromisso histórico com o PCP e o BE para "libertar o País do PS"? E depois? Que ninguém diga desta água não beberei. Os nazis diziam de Estaline o piorio seis meses antes da assinatura do Pacto Germano Soviético em 1938. O mesmo que os comunistas diziam de Hitler. E o Pacto fez-se. Para libertar o Mundo das democracias burguesas. Que é o que o PS personifica em Portugal na presente conjuntura.
Os dois juntos assinarão o Pacto. Jardim propôs. O compenetrado Padre comunista já aceitou o repto. Como fizeram Ribbentrop e Molotov, na presença de Estaline, com a benção de Hitler, naquele ano de 1938, para pôr cobro à ameaça polaca, apoiada pelas "agressivas democracias burguesas" (como lhes chamou o jovem Cunhal na altura) de França e de Inglaterra. Para Alberto João Jardim é um triunfo total.
Um triunfo total para Alberto João Jardim, que como Hitler sempre soube levar a água ao seu moinho. A aprovação da Lei das Finanças Locais pelo PSD Nacional e demais partidos do compromisso histórico, depois de todas as ocupações e abusos ao longo dos anos, é assim como uma espécie de Acordos de Munique.

Jardim vence em toda a linha. Os líderes nacionais do PSD têm medo dele. Fazem de conta que acreditam que ele se contentará com os 50 milhões, ele que já vai nos 1200 de dívida directa - sem contar com a dívida das empresas públicas madeirenses, com as dívidas astronómicas das autarquias madeirenses, das dívidas das parcerias publico-privadas que promoveu para disfarçar a dívida.

O compromisso histórico, como o famoso Pacto Germano Soviético, avança a todo o vapor. Vêm aí os amanhãs que cantam. Também foi assim depois do Pacto contra as democracias. Salvaguardadas as devidas distâncias, a grande aliança faz todo o sentido.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O que faz Jardim com o nosso dinheiro? (6) Limpezas de terrenos

Os terraços lá atrás ─ informa a guia ─ antigamente eram cultivados, em condições muito duras, agora deixaram de ser, o Governo paga aos agricultores para manterem os terrenos limpos. A imagem é de Porto Moniz, na Madeira, um concelho com um número de eleitores sensívelmente igual ao da minha aldeia numa encosta de um afluente do Rio Douro. Uma terra com quelhos assim que vêm sendo abandonados e se enchem de silvas. Volto à comparação da Região Autónoma da Madeira com o distrito de Vila Real de Trás-os-Montes, que também tem uma maioria do PSD e elege o mesmo nº de deputados. Em que é que Trás-os-Montes e Alto Douro é menos do que a Madeira? Por que razão tem que ser desapossado de uma parte do IVA que paga em favor da Madeira? Por que carga de água, PCP e BE, PSD e CDS, favorecem a Madeira rica com os impostos cobrados aos pobres de Trás-os-Montes? E da Beira Interior? E do Alentejo? E da Área Metropolitana de Lisboa que tb temos por aí uma data de silvas para limpar em terrenos abandonados. Ou há moralidade...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O que Jardim faz com o nosso dinheiro? (2) Palhotas

Palhotas, casas de bonecas, alegadas casas antigas, mas feitas hoje, como se vê na foto, no centro da vila de Santana. Há uma que é propriedade particular, mas as duas mais bonitas ao lado da Câmara "são do Governo" ─ avisou a nossa guia. Fomos lá: qual duas?! Há mais em construção, contámos onze operários. "Até a palha é importada" ─ informam-nos. Pagamos tudo, os de cá. Os turistas gostam? Pelo menos riem de nós: um casal no banco da frente soltava gargalhadas cada vez que a guia repetia: "financiado pelo nosso Governo", o deles, claro. Uma dúzia de vezes. Há partidos que gostam de um sociedade em que tudo é subsidiado. Achei perfeitamente normal, as votações do PCP e do BE. Cubanos como nós.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Não pagamos, não pagamos, não pagamos

Acabo de regressar da Madeira. A minha opinião é que devemos pegar o boi pelos cornos. Ter o incómodo de dizer a Sua Excelência que não podemos pagar tudo. É um incómodo muito grande: os jornais, que ele comprou, a RTP e a RDP, cujos directores dependem dele, e todos os subsidiados, que são legião, vão dizer de nós cobras e lagartos mas não há outra solução. A Madeira está rica, nós é que somos pobres. Não pagamos. As propinas do Jardim, não pagamos. Não pagamos.

Vou contar-vos a coisa por miúdos. Mas para já o que vos proponho é muito simples: organize-se uma excursão de autarcas de Trás-os-Montes à Ilha da Madeira. De autarcas das juntas de freguesia, não de vereadores, ou presidentes de câmara, esses querem é Brasil, países nórdicos, viagens caras, chorudas despesas de representação.

A Região Autónoma da Madeira tem sensivelmente o mesmo número de habitantes que o distrito de Vila Real de Trás-os-Montes.
  • Vila Real de Trás-os-Montes que não recebeu ao longo destes anos milhares de milhões.
  • Vila Real de Trás-os-Montes que não pode permitir-se uma dívida (avalizada pelo Estado?) de cinco mil milhões de Euros. Que não pode subsidiar os agricultores para manterem os terraços do Rio Douro a parecer bem aos turistas.
  • Vila Real de Trás-os-Montes que não pode financiar a construção hoje de antigas casas, tradicionais (não é gralha, tenho fotografias!), ridículas casas de bonecas.
  • Nem dezenas de "arrastadores" de carrinhos de cestos, que não têm clientes, e andam ao alto (contei 72, a jogar cartas, e nenhum cliente, um dia inteiro)
  • Nem dezenas de jardineiros, por canteiro, a cavar e recavar, os jardins do Palácio Presidencial.
  • Nem comprar quintas atrás de quintas.
  • Nem deixar de cobrar IVA.
  • Nem pôr a gasolina mais barata.
  • Nem esburacar as montanhas em todas as direcções com 164 túneis, com um total de 73 quilómetros, todos gratuitos, que já começam a precisar de elevadas despesas de manutenção.
  • Nem meter ao bolso as receitas das fugas aos impostos numa escandalosa zona franca.
  • Nem e nem e nem.
Temos de confrontar os eleitos de Vila Real de Trás-os-Montes à Assembleia da República (aliás maioritariamente do mesmo partido que Sua Excelência o Dr Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim - um nome que está em toda a parte na Madeira) com as suas decisões de mandar mais dinheiro, sempre mais dinheiro, para os luxos da autonomia e da irresponsabilidade. Só porque assim querem o PSD, o CDS, o PCP e o Bloco de Esquerda. Faz cá falta. O Governo da Madeira não merece mais.