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quarta-feira, 9 de março de 2011

Faltam 1826 dias para o homem se ir embora

Mais 5 anos de Cavaco, que pesadelo! São 60 meses, 1826 dias (que 2012 é bissexto!) de inventonas, (como a das escutas!), de queixas aos media, de lições de moral, de negócios de amigos, de vetos mesquinhos, de leis promulgadas mas descredibilizadas por si mesmo à nascença, de petulância, de política de bota-abaixo, de falta de coragem para demitir o Governo , se pensa o que está a dizer neste seu discurso de posse.

Fala com o rei na barriga, prega como Frei Tomás, olhai para o que eu digo não olheis para o que eu faço, "prioridade ao mérito sobre a filiação partidária", um desaforo total! E vamos ter de aturar isto por mais 1826 dias, e é bem feito, não devíamos ter ficado em casa mais de 53,48% de nós. Por isso 2.231.603 cavaquistas levaram a melhor sobre 9.656.797 eleitores inscritos.

1826 dias é uma eternidade, tenho dúvidas se conseguirei chegar ao fim desta apagada ew vil tristeza. Os meus filhos e netos chegarão, "jovens que não se revêem na forma de fazer política" deste personagem. É a vantagem de vivermos em República, "não há mal que sempre dure", um dia o homem há-de -se ir embora. São as minhas únicas "razões de esperança" neste dia de luto nacional.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Cheira a poder, cheira a dinheiro!

Genéricos, não. A quem interessa o veto de Cavaco? Aos doentes seguramente que não, que não se lhes permite escolher pagar menos por medicamentos cujas propriedades conheçam. Vejam os elogios que não se fizeram esperar. Com a grande medida: que «o Presidente da República devolveu ao Governo, sem promulgação, o diploma que prevê a obrigatoriedade da prescrição de medicamentos mediante a indicação da sua denominação comum internacional (DCI), ou nome genérico, bem como a obrigatoriedade da prescrição electrónica», lê-se num comunicado divulgado na página da Internet da Presidência da República.

Porquê, para quê? Sigam o rasto do dinheiro. Perguntem-se: a quem aproveita? Preparem-se, preparemo-nos todos, para seguir a pista dos negócios, dos novos BPNs, que aí vêm, que já cheira a poder. A luta continua. Cavaco ao serviço dos grandes laboratórios e multinacionais, que assim podem impor "no mercado" os medicamentos mais caros da mesma substância activa, através de algum médico que tenham avençado? Especulem à vontade: desta vez o Presidente reeleito nem quis conversas, vetou e pronto.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Venha de lá um abraço, ó Manel !


Greve na PJ paralisa investigações a BPN e BPP. Está tudo a correr bem, "a luta continua...", a imagem, do braganzas. blogspot , é premonitória. Vai repetir-se muito amanhã à noite, com estas ou outras caras, todas de bons amigos, que fazem os bons negócios, e as boas notícias, como esta da paralisação, por coincidência, daquelas investigações na PJ.

E não estavam já paralisadas? Pois paralisam agora, oficialmente, que os ventos correm de feição e todos juntos, unidos e coordenados, vão ter pelo menos mais cinco anos para solidificar posições. Compare-se com o que se passou nos States com o Caso Madoff. Pois também é verdade que Bernie Maddof não tinha um Presidente como "amigo de infância", não lhe "tratara de tudo" a "compra" da casa, não lhe arranjara acções a pataco, a ele e à família, que recomprara em seguida a bom preço, sempre por negociação particular, não era de nenhum Partido dominante no Ministério Público, nas Polícias, nos media. Madoffs unidos jamais serão vencidos. Em Portugal, claro.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Greves como na Grécia, até lhes ganhamos 5-3 !

Greves como na Grécia, greves nos transportes, que são as que mais doem e mais alarido provocam, greves na função pública, que são as mais fáceis, as de menos riscos para quem as faz, e as mais badaladas, que é só o que importa.

Greves com manifestações, transmitidas em directo em vários canais. Greves gritadas, agitadas, anunciadas, propagandeadas, antes, durante e depois, em programas acéfalos, sem contraditório que valha, que assim se conquistam audiências e se bota abaixo o fraco Governo que insiste em aguentar.

Fraco Governo em que o Povo insistiu também, apesar do estado de guerra em que decorreram as campanhas negras de magistrados e jornalistas conluiados, em honra dos quais se promove agora uma comissão de inquérito feroz por assunto banal, um negócio privado que não se fez, que pelos vistos não interessava a ninguém a não ser aos accionistas das empresas nele envolvidas, mas contra o qual o Presidente da República apelou à mobilização geral da Nação, mobilização que continua na Assembleia, contra o PM marchar, marchar!

Quem não se lembra do que dizia Manuela Ferreira Leite, há bem pouco tempo, ela que tem as certezas absolutas que se sabe: Portugal está no caminho da Grécia. Na altura, até o seu amigo e companheiro de armas, Aníbal Cavaco Silva, terá ficado incomodado, pelo menos fez de conta, que não lhe calha mesmo nada que o Governo caia já.

Portugal está no caminho da Grécia, olá se está! Por muito que digam os analistas é óbvio que "os mercados" olham para nós e nem se incomodam a fazer contas: o que lhes salta à vista é o exemplo grego que diariamente lhes damos.

Greves gritadas, ferocidade na vida pública, uma Assembleia que ofende todos os dias "o fraco Governo" - mas não tem a coragem de o fazer cair, um Presidente dissimulado, a fazer render a usura do Governo para não prejudicar a sua reeleição -- como é que não havíamos de ser considerados o próximo alvo a abater, se politicamente estamos muito pior?

Muito pior: o novo Governo grego tem maioria na Parlamento, não tem um Presidente que lhe promova inventonas desestabilizadoras, que esteja todos os dias no terreno a marcar as distâncias.

E sobretudo a Grécia não tem como nós a extrema esquerda mais numerosa e aguerrida da União Europeia, como se vê pela comissão de inquérito, como se vê pelo domínio da rua, como está à vista nos programas de escárnio e mal-dizer que pululam nas rádios, nos jornais e nas televisões.

Como é que havemos de esperar que tenham confiança em nós, se como a Grécia temos greves a dar com um pau, magistrados que em vez de dizer a Justiça dizem mal do Governo, dois partidos comunistas dois, no Grupo das Esquerdas Unidas do Parlamento Europeu? Temos dois partidos comunistas na UE, qual o mais sectário, mas com mais representantes do que os gregos: cinco comunistas e bloquistas de extrema esquerda para as nossas cores, três comunistas e esquerdistas radicais para os gregos.

Ganhámos aos gregos 5-3, em matéria de agitação e propaganda. Governo a ser agredido e nem se pode dar ao respeito que tem a Oposição ao ataque, a agitação permanente nas ruas e nas televisões, os jornais a disparar, o Presidente à escuta, e a berrar que é escutado, como convém na estória do lobo e do cordeiro, que é todo um retrato da política portuguesa.

Esperem-lhe pela volta.


quinta-feira, 22 de abril de 2010

FMI a reboque dos comunistas portugueses



O director do DN fala em sinais contraditórios vindos do principal partido da Oposição. Não estou de acordo. A verdadeira contradição, que existe, não vêm da comparação entre o aparente relacionamento civilizado de Passos Coelho com Sócrates e as propostas do PSD para uma poupança de 1700 milhões de euros. Que estas propostas foram feitas no tom certo, valem o que valem, o que não vale é dizer que o CDS e o PCP já tinham proposto estes cortes antes. O PCP, designadamente, nunca propõe cortes a valer, limita-se a anunciar catástrofes todos os dias, quanto pior melhor: agora até aplaude as conclusões a que chega o FMI alegadamente a reboque dos comunistas portugueses.

Os sinais contraditórios vêm da comparação necessária do posicionamento do novo líder do PSD com o abespinhamento irritante de deputados do mesmo partido, como Pacheco Pereira e Agostinho Branquinho, na comissão de inquérito ao Primeiro-Ministro, que tornam aquelas sessões da Assembleia um espectáculo de escárnio e mal-dizer, que dá vómitos.

Sabemos que os relatórios das agências internacionais, incluindo os do FMI, são elaborados com citações a granel de políticos e comentaristas portugueses, a calcar o Governo, a tratá-lo todos os dias como associação de malfeitores. O Povo gosta?

O Povo é quem mais ordena dentro de ti, ó cidade, 25 de Abril, sempre! Temos a extrema esquerda parlamentar mais numerosa da Europa. Não se pode estranhar que seja o Bloco de Esquerda e o PCP a ditarem as regras. Não é só o FMI que vai a reboque dos comunistas portugueses. Pacheco Pereira, também, está-lhe no sangue.


sábado, 27 de março de 2010

A malta abrupta não gostou? Ainda bem

Pelo menos não tem aquele ar boçal, seboso, luzidio, asfixiado, claustrofóbico, doentio, agressivo, prejudicado, carroceiro, do outro candidato. Pedro Passos Coelho fez um discurso civilizado, fluente, a prometer luta franca, sem ódios, mas também sem cumplicidades. Oxalá!

Penso que fez bem, que pode ter conquistado algum interesse entre gente razoável, foi uma inovação ver um homem tranquilo nesta nossa política abespinhada. A prova é que aquela rapaziada do Público, a malta abrupta ─ das escutas a Belém, do Portugal profundo, do justicialismo desembestado, dos julgamentos na praça pública, à Paulo Portas, um pé no Ministério Público e os dois nas manchetes dos jornais ─, essa malta, não gostou.

Estou a ouvir a RTPN e já passei pela SIC Notícias: a canalha da agitação e propaganda ficou frustradíssima com Passos Coelho. É um bom sinal.

domingo, 14 de março de 2010

As perguntas que não foram feitas e deviam ter sido

Com a devida vénia ao Nik para desvendar o que a esfinge nos esconde:

37 perguntas a Cavaco Silva

(continuação)

Senhor Presidente, a circunstância de o senhor enquanto primeiro ministro ter entregue, em 1992, um canal de televisão ao ex-primeiro ministro e militante n.º 1 do PSD, Francisco Balsemão e ter oferecido, em 1993, um canal à Igreja deve ser interpretada como fazendo parte de um plano para controlar a comunicação social portuguesa tanto do ponto de vista político-ideológico como religioso?

Senhor Presidente, a posterior entrada da Media Capital e da Sonae no capital da televisão da Igreja não lhe causou sobressaltos?

Senhor Presidente, a posterior tomada de controlo da TVI pela Media Capital não lhe causou vertigens?

Senhor Presidente, a posterior OPA do grupo espanhol Prisa sobre a totalidade do capital da Media Capital, em 2006, não lhe causou engulhos?

Senhor Presidente, o senhor acha normal ter afirmado, em Junho de 2009, contra a sua norma de não se pronunciar sobre negócios entre empresas, que os responsáveis da Portugal Telecom, uma empresa privada interessada no negócio das telecomunicações e multimédia, deveriam "explicar aos portugueses que motivos levam esta empresa a querer comprar 30% da Media Capital"?

Senhor Presidente, o senhor teve alguma conversa prévia com Manuela Ferreira Leite ou José Eduardo Moniz quando, em Junho de 2009, acusou de falta de transparência o negócio que se encontrava em preparação entre a PT e Prisa para a compra de parte da Media Capital, de que teria resultado o regresso da titularidade desta empresa a mãos portuguesas?

Senhor Presidente, porque é que não lhe oferecia garantias de "transparência e ética" a entrada da PT no capital da Media Capital, sabendo-se, por exemplo, que a mesma PT tinha detido 40% do capital da SIC Notícias durante oito anos sem que ninguém se tivesse queixado de falta de transparência ou de interferência na informação desse canal?

Senhor Presidente, o senhor pensa que o facto de o Estado deter uma golden share na PT e de, por conseguinte, o governo ter influência na nomeação do presidente e dois membros do conselho de administração, põe em causa a transparência e a ética dos negócios que essa empresa decida realizar?

Senhor Presidente, o facto de o governo ser socialista tem alguma influência no juízo que o senhor faz sobre a transparência ou não transparência dos negócios da PT?

Senhor Presidente, se o governo fosse do PSD, o senhor também acharia que o negócio entre a PT e a Prisa era questionável em termos de transparência e ética?

Senhor Presidente, se José Eduardo Moniz ficasse na TVI, como o presidente da PT aliás propôs ao dito Moniz, o senhor já acharia que o negócio entre a PT e a Prisa era transparente e ético?

Senhor Presidente, se em Junho de 2009 não se estivesse em período pré-eleitoral, o senhor também duvidaria da transparência do negócio?

Senhor Presidente, tem consciência de que com as suas declarações de Junho de 2009 sobre o negócio PT/Prisa pressionou o governo para que o negócio não se fizesse?

Senhor Presidente, depois das dúvidas que o negócio PT/Prisa lhe suscitaram, porque lhe ofereceu garantias de transparência e ética a compra de 35% da Media Capital à Prisa pela Ongoing, grupo que na altura era, e ainda hoje é, detentor de 23% do capital do grupo concorrente, a Impresa?

Senhor Presidente, não sente vontade de se pronunciar, contra a sua norma de não se pronunciar sobre negócios entre empresas, sobre a transparência do negócio recentemente celebrado entre a PT e o grupo Impresa para a criação de um novo canal de televisão para o Meo?

sábado, 13 de março de 2010

Perguntas que Judite de Sousa não fez e devia ter feito



Penso que foi uma vergonha a entrevista de Judite de Sousa a Cavaco Silva, pejada de risinhos cúmplices, com as olheiras postas nas alegadas falhas do PM e toda a abertura para desculpar à partida ─ "a paciência que um Presidente tem de ter, coitadinho!" ─ quando, a medo e de forma desajeitada, levantou a única questão que podia incomodar Sua Excelência, a das escutas.

Disse que a senhora devia ter começado por lembrar os compromissos do Presidente há quatro anos de ajudar o Governo e o País. Que não podia ignorar os rabos de palha (para usar um eufemismo!) do Presidente, amigos e contribuintes, no caso BPN. Não desci aos pormenores. O nikadas deu-se a esse trabalho. Faltaram 37 perguntas, diz ele. Assino por baixo, estas e outras:

Pois eu teria 37 perguntas para Cavaco de que a Judite não se alembrou. A mais antiga profissional da RTP tem uma memória muito selectiva, determinada pelo pequeno mundo das suas ânsias políticas. O pequeno mundo sectário que faz dela uma gaja ordinária, que há tempos se permitiu dizer ao Expresso: "Sou levada a crer que Sócrates emprenha pelos ouvidos". Uma desbocada que acrescentou: "Sócrates é agressivo comigo por causa do meu marido". Esta obsessão por Sócrates é mais que suspeita. Seara, põe-te a pau, que a Judite já só vê um homem à frente dela, acordada ou a dormir!

Então aqui vão as minhas perguntas para Cavaco:

Senhor Presidente, tem até hoje algum indício de que a Presidência possa ter estado a ser escutada por agentes do governo?

Senhor Presidente, que pensa do facto real de o Primeiro Ministro ter sido alvo de escutas ilegais cujas transcrições passaram depois ilegalmente para os jornais?

Senhor Presidente, o senhor já sabia que o Primeiro Ministro estava realmente a ser alvo de escutas ilegais quando os assessores do senhor Presidente lançaram o boato de que Belém estaria a ser alvo de espionagem e escutas a mando do Governo?

Senhor Presidente, se perdeu a confiança em Fernando Lima porque é que não o afastou da Presidência?

Senhor Presidente, se não perdeu a confiança em Fernando Lima porque é que o afastou das suas antigas funções?

Senhor Presidente, ainda mantém que "nunca recebeu qualquer remuneração do BPN ou de qualquer das suas empresas", como afirmou em 2008?

Senhor Presidente, se em lugar de BPN eu disser SLN, é capaz de dizer que "nunca recebeu qualquer remuneração do SLN ou de qualquer das suas empresas"?

Senhor Presidente, ainda mantém que a sua aplicação pessoal de mais de 100.000 € de "poupanças" em acções da SLN foi decidida pelo seu "banco gestor", sem o seu conhecimento prévio?

Senhor Presidente, confirma ou desmente que, com a venda à SLN de acções da SLN e compradas à SLN, o senhor ganhou, em dois anos, perto de 150.000 €?

Senhor Presidente, tem ideia de quem fixou o preço de compra e o preço de venda das acções da SLN não cotadas na bolsa em que o senhor aplicou as suas poupanças?

Senhor Presidente, esses 150.000 € de ganho que lhe foram creditados pela SLN, mais os 200.00 € que a sua filha na mesma data embolsou em transacção em tudo idêntica, devem ser interpretados como uma remuneração normal de uma aplicação normal de capital, decidida pelo "banco gestor" e sem prévio conhecimento dos "aforradores"?

Senhor Presidente, porque resolveram o senhor e a sua filha solicitar pessoalmente a venda dessas acçõe, por carta ao presidente da SLN, Oliveira e Costa, e não confiaram a sua venda, como disse ter confiado a compra, ao seu "banco gestor", aliás também presidido pelo mesmo Oliveira e Costa?

Senhor Presidente, o facto de a sua candidatura à Presidência ter recebido mais de 100.000 € de donativos de grandes accionistas e administradores do BPN/SLN poderá ser interpretado com um expediente para contornar a disposição legal que proíbe os donativos de pessoas colectivas ?

Senhor Presidente, porque é que o senhor Presidente fez aquele fincapé escandaloso por causa de duas cláusulas praticamente irrelevantes do Estatuto Autonómico do Açores e nunca disse uma palavra sobre o projecto separatista de "revisão constitucional" apresentado pelo PSD-Madeira?

(continua)

Boas perguntas, de facto. Sem agressividades inúteis e sem temores reverenciais, como aquela senhora devia ter feito. Pois aguardo com curiosidade a continuação.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Uma vergonha de entrevista


É verdade: eu também vi a entrevista de Cavaco Silva àquela senhora, também achei que o homem estava irritadiço, indisposto, mesquinho, previsível, nas ferroadas ao Governo, a quem deve alguma solidariedade institucional que não tem. Mas decidi não dizer nada a quente.

Digo-o agora: foi uma entrevista aflitiva, por ele e pela entrevistadora, que passou a vida a pôr-lhe as respostas na boca e a meter os pés pelas mãos: desculpe se lhe perguntei isso, um Presidente tem de ter muita paciência, não tem?

Paciência, minha senhora, tivemos de ter nós a ouvi-la. Que não compreendemos porque não lhe perguntou pelo BPN, que estamos todos a pagar, pelos negócios, chorudos, que ele próprio fez com o BPN, em proveito próprio e da família. Quem tem amigos? Ah não: o mínimo que temos o direito de saber é se aquelas acções foram mesmo obtidas por negócio particular ou se lhe foram oferecidas. E sendo que "não há almoços grátis" que vantagens, em sua opinião, pretendiam obter em troca os amigos Dias Loureiro, Joaquim Coimbra, Oliveira e Costa pelos favores que lhe fizeram?

Também se estranha que aquela senhora se tenha deixado intimidar na questão das escutas. Porque é perfeitamente irrelevante que ele se tenha ofendido com as dúvidas levantadas por dois deputados socialistas com base numa notícia do então Semanário, transcrita no site do PSD, sobre a eventual participação de assessores do PR na elaboração do Programa do Governo do PSD.

O que importava esclarecer, tornar bem "transparente", porque se trata da actuação do mais alto poder do Estado, é por que razão um seu homem de mão, com o seu conhecimento, quis "plantar" no Público duas manchetes falsas, a poucos dias das eleições, tendentes a denegrir o Governo e influenciar as eleições, como se viu.

O Público mentiu, como Fernando Lima veio dizer seis meses depois? Então por que razão o Senhor Presidente não o disse logo, ou pelo menos na sua intervenção de finais de Setembro, preferindo justificar-se com os alegados ataques dos tais deputados socialistas? Era o que uma jornalista a sério não podia ter deixado de perguntar. Sem agressividade. Mas também sem risinhos cúmplices.

A jornalista portou-se mal, e é sempre assim com entrevistados de direita, às vezes também, quando tem medo deles, de outros entrevistados. Mas o pior é o que Cavaco Silva disse e não devia dizer.

Não devia dizer que não pode demitir o Governo por falta de confiança política, ficando no ar que se pudesse era já, o que é uma vilania da sua parte. Porque é mentira.: pode isso e muito mais. Basta-lha alegar (e não precisa de provar) que está em causa o regular funcionamento das instituições.

Foi aliás o que fez quando se recusou a dizer se estava esclarecido sobre o negócio falhado da compra de uma parte minoritária da TVI pela PT. E razão tem o Público desta vez para pôr em manchete que o Presidente não acredita que o Primeiro Ministro não tenha tido conhecimento do negócio.

Sei que não foi isso que ele disse, só insinuou, valorizando o que a jornalista lhe propunha que dissesse: que no seu tempo, como bom Primeiro-Ministro que era, uma coisa dessas era inconcebível. Nas entrelinhas: este PM nem respeito lhe têm. Mas disse mais: como é que se há-de ter estar esclarecido se o Parlamento acaba de decidir uma comissão de inquérito?

Ei-lo mais uma vez ao serviço da guerrilha em curso, fazendo tábua rasa das declarações de Zeinal Bava e de Henrique Granadeiro, aliás nº 2 da lista de João Salgueiro, que se lhe opôs na Figueira da Foz, já lá vão 25 anos.

Penso que um Presidente da República devia afirmar-se como um homem bom, de ideias generosas, capaz de desarmadilhar agressividades inúteis, de ajudar o País a andar para a frente, como aliás ele próprio prometeu há quatro anos. Foi todo o contrário. Para vergonha nossa, a tal grande dama do jornalismo (ia dizer do PSD) foi incapaz de o confrontar com as promessas de há quatro anos. Deixou-o dizer. O que ele queria. E não o que é verdade
e ele não quereria dizer.

Foi uma vergonha de entrevista. Para tempo de antena, para lançamento da sua recandidatura a Belém, melhor era impossível.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Governo de juizes com "jornalistas" por dentro

Ao que isto chegou! Um "governo de juízes" é isto mesmo: Não se pode escutar, sem mais nem menos, as três mais altas figuras da hierarquia do Estado, incluindo o Primeiro-Ministro legítimo e legitimado? Por isso não seja a dúvida: arranja-se um processo de primeira instância em que seja suspeito um amigo do PM, coloca-se sob escuta, e há-de encontrar-se um juiz que valide essas escutas. E um corpo de agit-prop, com antenas privilegiadas junto do processo, bem experimentado, que inunde os jornais de confiança com carradas de especulações.

Não tardará haverá jornalistas e deputados, em uníssono, a sugerir/exigir ao Primeiro-Ministro, a este e a todos os que hão-de vir, mas quando vierem já ninguém se lembra, que dê um prémio aos prevaricadores revelando a ele próprio o teor das conversas, ilegalmente gravadas. Que estará em causa, dirá um qualquer jornalista, de preferência já condenado e bem condenado por violação do segredo de justiça, que "o regime joga a sua própria cara e dignidade". O regime, nem Alberto João Jardim diria mais.

Tudo porque juizes e procuradores, e alguns jornalistas, puseram a pata na poça e não sabem como esconder esta estranha ideia que neste governo de coligação juizes-jornalistas vale tudo, e quando a violação da Lei não for suficiente, exige-se das vítimas que estendam o pescoço à degola, invertendo alegremente, jornalistas e deputados, o ónus da prova.

Há que dramatizar, está dado o mote, ao director-ajunto do Correio da Manha (disse manha, sim senhor), aliam-se dois vice-presidentes do PSD, Aguiar-Branco e Mota Pinto, a própria Manuela Ferreira Leite, enfim. Nada de mais: que o PM se imole no altar dos sacrifícios, que a Justiça está à rasca e os jornalistas também com a campanha que lançaram e caiu num impasse.