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quarta-feira, 23 de março de 2011

A solução para a crise: Criar dois, três, muitos BPN's

Nunca tantos falaram tão mal da gente. Em poucos minutos a notícia deu a volta ao Planeta. Portugal é notícia nos antípodas:

Melbourne AgePortugal struck by new debt turmoil on summit's eve

Causa perplexidade no Yahoo, via AFP:
LISBON (AFP) – Portuguese Prime Minister Jose Socrates resigned Wednesday on the eve of a key EU summit on the eurozone debt crisis after parliament rejected his minority government's latest austerity plan(...)
A nossa fama atinge as Américas, do Canadá...
...ao Brasil
Estado de S. Paulo: Premiê português renuncia após veto à proposta do governo de ajuste fiscal

Belo título, hem, no maior jornal do Brasil, são as potencialidades do acordo ortográfico sobre a língua portuguesa. Aí temos a queda do nosso "Premiê" a ombrear por asim dizer com o desaparecimento da Elisabeth Taylor ou com os incidenbtes dos bombardeamentos da Líbia.


Podem limpar as mãos à parede, os políticos como os media, portugueses. Repararam no chinfrim que a demissão de Sócrates desencadeou nas televisões? Que sentido de equilíbrio, para não dizer outra coisa. Como notou o Valupi é assim a modos que uma asfixia democrática à maneira:

Não há um único comentador ligado ao PS nas televisões a ditar sentenças acerca dos discursos da noite. Já só falta ilegalizar o partido.

Ainda hão-de chegar lá! O slogan de Guevara, que deu no que deu, era Criar dois, três, muitos Vietnames. Ganhando quem sabemos, com os patrocínios que se conhecem, o que ainda vai dar grandes dividendos neste País, as riquezas que se fazem em tempos de crise, vai ser
Criar dois, três, muitos BPN's
You ain't seen nothing yet, como dizia o Ronald Reagan.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Isto vai dar para o torto, olá se vai!

As medidas anunciadas por José Sócrates, para o Orçamento de 2011, eram esperadas mas nem por isso são menos violentas, para todos. Segundo o Economist podem atirar o País para uma nova recessão, o que pode alargar a dimensão do défice, em vez de o reduzir, como na Irlanda.

Vem aí agitação e revolta ─ como na Grécia. Ou no Equador ! As televisões, as rádios ─ e os "jornais de referência"! ─ já começaram a mobilizar as tropas. E discordo de Freitas do Amaral: quem está a brincar com o fogo não é o PS e o PSD. É o jornalismo de combate que temos, em queda permanente de audiências, desesperado, mais do que as pessoas, que geralmente detestam demagogias.

O jornalismo de combate que temos, esse, sim, brinca com o fogo. Um fogo que insaciável pode virar-se contra si, como esta manhã os polícias amotinados em Quito, mas que lhes importa, desde que vendam! É o sistema !

Pior do que tudo: o Governo do PS não tem os meios para estas medidas. Desde logo não tem maioria, e o PSD não tem nenhuma obrigação de partilhar uma parte da impopularidade, afectando moderação de circunstância, enquanto os demagogos da extrema direita berram como possessos, enquanto os estalinistas do BE, mais do que os do PCP, incham como sapos.

O circo está montado. O sistema eleitoral foi desenhado para que ninguém tivesse maioria, para termos governos fracos, piões das nicas, toda a primazia às forças de bloqueio, aos poderes soberanos dos tribunais e dos media ─ excepcionalmente, os eleitores é que decidiram ter mais juízo do que os constituintes e quiseram governos de maioria.

Um sistema eleitoral assim não existe em mais nenhum País da Europa do Sul. Em Espanha, a solução foi apostar em círculos eleitorais pequenos, a grande maioria dos quais não tem mais de 5-6 deputados. Por isso, o PCE e os Verdes espanhóis só elegeram um deputado nas últimas legislativas, enquanto a Esquerra Republicana, comparável ao nosso Bloco pelo extremismo das suas propostas, tem 3 deputados.

Com 5 deputados estalinistas e assimilados, um país é governável, uma vez que os partidos regionalistas se revezam a dar a mão ao partido do Governo na aprovação do Orçamento, em troca de algumas vantagens, sem que os media levantem uma onda de indignação. Contrariamente ao que aconteceu em Portugal com o chamado Orçamento do queijo limiano, em que só faltou queimar na praça pública aquele deputado de Ponte de Lima.

Com a extrema esquerda mais poderosa da Europa, acima dos 20% dos votos, temos "revolução permanente" (além da extrema direita mais barulhenta do Mundo - claro que me refiro ao CDS de Paulo Portas !), temos o caldo entornado. Esta austeridade vai dar para o torto, olá se vai!

Sobretudo que vamos ter de viver assim. durante mais de um ano. Com o poder na rua? Pior: o poder real está nas televisões. Que já uma vez decapitaram uma direcção do PS, para desviar as atenções dos problemas pessoais de alguns dirigentes máximos da extrema direita - "Vocês sabem de que é que eu estou a falar", como dizia o Octávio Malvado. Desta vez, se no final da jornada ainda houver eleições, o PS pode baixar abaixo dos 21%, pior do que em 85, após o Governo do Bloco Central.


segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Louçã marca penalty a favor de Cavaco

Que santo! Que democrata! Que dono da bola! Que fazedor e desfazedor de reis! Ouviram o discurso de Louçã em Braga? Eu ouvi e fiquei estarrecido: «o BE é o único partido que se empenha convictamente na derrota de Cavaco Silva nestas eleições». Pois se é estamos lixados!

Cavaco está como o FêQuêPê neste campeonato e pode encomendar as faixas de campeão: quando está à rasca marcam-lhe um penalty a favor. Marca Louçã na própria baliza, no fundo está-se nas tintas para a vitória de Alegre.

Também sou dos que pensam que Cavaco podia ser vencido desta vez. Porque, como diz Louçã, ele é o candidato que «vetou a lei do divórcio, a paridade entre homens e mulheres, o alargamento dos direitos na união civil, que quis manter a criminalização das mulheres que abortaram, que se opôs ao casamento civil e que defendeu o Código de Trabalho e as privatizações e que acha que a austeridade deve governar o país».

E porque, como não diz Louçã, ele promoveu golpes e inventonas, como as primeiras páginas das escutas em Belém na véspera das legislativas, ele recebeu em plena crise do Freeport os agitadores do "pequeno partido" do Ministério Público, a quem aliás o BE dará todo o apoio nas comissões de inquérito estalinistas que liderou na AR em aliança com o que de mais reaccionário tem o PSD. E por aí adiante.

De resto, o líder do "único partido" empenhado na derrota de Cavaco, parecia que estava no PREC a defender o controlo operário na economia, a reforma agrária e as nacionalizações na saúde, o poder dos sovietes, em todos os sectores, só faltou proclamar: "os ricos que paguem a crise", "soldados unidos vencerão". E que responde o PS? Onde é que pára o PS? Falamos disso?

sábado, 31 de julho de 2010

E se a guerra dos touros levasse à independência da Catalunha...

Já aqui prestei, na senda de Orwell, a minha Homenagem à Catalunha por terem repudiado a barbárie da chamada fiesta brava e escolhido alinhar com as nações civilizadas que há muito condenam e proibem as torturas dos animais, ainda por cima como espectáculo de divertimento, seja no circo, seja nos bas-fonds dos combates de galos, de cães, de gladiadores, de leões e cristãos, como nas arenas da Roma antiga.

Aceito, e não acho nada mal, que ao fazê-lo os deputados do Parlament de Barcelona se tenham arrogado, como nota Bruno Sena Martins, uma certa "superioridade moral dos catalães" em relação ao resto dos espanhóis, que continuam hipocritamente a reivindicar as touradas como tradição honorável, quem quer vai e quem não quer fica e viva a liberdade!

Assim, designadamente, Esperanza Aguirre, líder da Comunidade de Madrid, para quem, pasme-se, seria importante que a Unesco reconhecesse "o interesse cultural" dos touradas de morte, ou para José Blanco, ministro do Fomento de Espanha, que sendo contra a proibição manifestou respeito pelo Parlament da Catalunha.

Mas o pior de todos é Mariano Rajoy que promete uma lei das Cortes a declarar o interesse cultural da tortura dos touros na arena com força obrigatória em toda a Espanha, assim fazendo da proibição um verdadeiro casus belli, como nota o El País.

Acho que fazem mal mas é lá com eles. Se persistirem nesta invasão dos bárbaros, que seria arrasar a vontade legitimamente expressa na Catalunha pelos catalães, substituindo-a pelos pontos de vista de Castela, não tenho dúvida que a Europa vai gritar ao escândalo e não deixará de mobilizar-se pelos direitos da Catalunha civilizada contra a tortura e a barbárie sobre os animais, que vigoram no resto da velha Hespanha, incluindo Portugal.

A Catalunha pode assim ganhar perante a comunidade das nações civilizadas uma espécie de direito ao divórcio, de Espanha, por maus tratos. E até pode ser que o exemplo catalão nos inspire a nós portugueses, embora haja poucas esperanças por cá no curto prazo.

Com efeito PCP e BE têm alguns dos seus feudos enterrados, como os pés na lama, no Ribatejo taurino. O CDS/PP é um partido marialva. PS e PSD não se pode contar com eles para abanar o "statu quo". Mas se a guerra dos touros levasse à independência da Catalunha... outro galo nos cantaria.


quinta-feira, 3 de junho de 2010

Alegre "a reboque" do BE? Ou será "boato da reacção"?


Há quem não esqueça o que Alegre fez ao PS nos últimos anos. É o caso de Tomás Vasques, de quem sou admirador confesso e contumaz, há dias, assim, no Hoje Há Conquilhas :
Do golpe militar ao golpe palaciano.

Nesta novela «presidencial», em que o PS se deixou envolver, o mais relevante é o facto de Manuel Alegre, deputado do PS durante 34 anos, se ter disponibilizado para protagonizar a estratégia política do BE, mil vezes confessada: crescer eleitoralmente à custa de uma derrocada do PS.

Neste golpe eu não alinho. Se não aparecer outro candidato, escolho o mal menor: voto Fernando Nobre.

(ler mais no Delito de Opinião).


Dá que pensar, de facto. Menos no PS, aparentemente, onde já quase ninguém se lembra de nada. Por mim, acho que é cedo para se tirar uma conclusão tão definitiva. Por isso lhe disse:
Tomás, se as coisas fossem assim tão claras, eu tb me recusava a votar Alegre desta vez. Não são. Temos tempo de ver se Alegre está mesmo "a reboque" de Louçã ou se isso não passa de "um boato da reacção". Depois não entendo o que é que Nobre tem de melhor. É/foi apoiante, militante, propagandista do Bloco, com um primarismo que fazia dó. Nas últimas eleições. Quando o Alegre, apesar de tudo, apelava ao voto no PS.

sábado, 1 de maio de 2010

Um milhão de despedimentos? Vão ver os protestos !

Cuba debe despedir a un millón

de empleados estatales

Las plantillas infladas pasan factura al Gobierno, incapaz de pagar los sueldos

MAURICIO VICENT - La Habana - 01/05/2010


Um paraíso socialista é mais ou menos assim:
Un trabajador cubano dormita sobre una carretilla... Otro, sentado en un pedrusco, se limpia las uñas con un alambre. Sólo un tercero da unos golpes de cincel en un murete, tampoco demasiados. La escena es de ayer mismo, y esta brigada estatal que trabaja a las afueras de La Habana es representativa de lo que sucede en todo el país; en la Cuba socialista uno puede comer en una cafetería de 10 mesas atendida por 20 empleados, hay empresas con tantos inspectores y vigilantes como obreros y la plantilla nacional de dirigentes supera las 380.000 personas, casi un 9% de los trabajadores estatales.

E por aí adiante, leiam a reportagem do El País. Que dirá a isto o PCP, o Bloco de Esquerda e a CGTP/Intersindical?

terça-feira, 27 de abril de 2010

Greves como na Grécia, até lhes ganhamos 5-3 !

Greves como na Grécia, greves nos transportes, que são as que mais doem e mais alarido provocam, greves na função pública, que são as mais fáceis, as de menos riscos para quem as faz, e as mais badaladas, que é só o que importa.

Greves com manifestações, transmitidas em directo em vários canais. Greves gritadas, agitadas, anunciadas, propagandeadas, antes, durante e depois, em programas acéfalos, sem contraditório que valha, que assim se conquistam audiências e se bota abaixo o fraco Governo que insiste em aguentar.

Fraco Governo em que o Povo insistiu também, apesar do estado de guerra em que decorreram as campanhas negras de magistrados e jornalistas conluiados, em honra dos quais se promove agora uma comissão de inquérito feroz por assunto banal, um negócio privado que não se fez, que pelos vistos não interessava a ninguém a não ser aos accionistas das empresas nele envolvidas, mas contra o qual o Presidente da República apelou à mobilização geral da Nação, mobilização que continua na Assembleia, contra o PM marchar, marchar!

Quem não se lembra do que dizia Manuela Ferreira Leite, há bem pouco tempo, ela que tem as certezas absolutas que se sabe: Portugal está no caminho da Grécia. Na altura, até o seu amigo e companheiro de armas, Aníbal Cavaco Silva, terá ficado incomodado, pelo menos fez de conta, que não lhe calha mesmo nada que o Governo caia já.

Portugal está no caminho da Grécia, olá se está! Por muito que digam os analistas é óbvio que "os mercados" olham para nós e nem se incomodam a fazer contas: o que lhes salta à vista é o exemplo grego que diariamente lhes damos.

Greves gritadas, ferocidade na vida pública, uma Assembleia que ofende todos os dias "o fraco Governo" - mas não tem a coragem de o fazer cair, um Presidente dissimulado, a fazer render a usura do Governo para não prejudicar a sua reeleição -- como é que não havíamos de ser considerados o próximo alvo a abater, se politicamente estamos muito pior?

Muito pior: o novo Governo grego tem maioria na Parlamento, não tem um Presidente que lhe promova inventonas desestabilizadoras, que esteja todos os dias no terreno a marcar as distâncias.

E sobretudo a Grécia não tem como nós a extrema esquerda mais numerosa e aguerrida da União Europeia, como se vê pela comissão de inquérito, como se vê pelo domínio da rua, como está à vista nos programas de escárnio e mal-dizer que pululam nas rádios, nos jornais e nas televisões.

Como é que havemos de esperar que tenham confiança em nós, se como a Grécia temos greves a dar com um pau, magistrados que em vez de dizer a Justiça dizem mal do Governo, dois partidos comunistas dois, no Grupo das Esquerdas Unidas do Parlamento Europeu? Temos dois partidos comunistas na UE, qual o mais sectário, mas com mais representantes do que os gregos: cinco comunistas e bloquistas de extrema esquerda para as nossas cores, três comunistas e esquerdistas radicais para os gregos.

Ganhámos aos gregos 5-3, em matéria de agitação e propaganda. Governo a ser agredido e nem se pode dar ao respeito que tem a Oposição ao ataque, a agitação permanente nas ruas e nas televisões, os jornais a disparar, o Presidente à escuta, e a berrar que é escutado, como convém na estória do lobo e do cordeiro, que é todo um retrato da política portuguesa.

Esperem-lhe pela volta.


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Estalinistas como os do KGB

O direito ao silêncio, de um arguido, numa comissão parlamentar em que, como se tem visto, vale tudo menos tirar olhos, até mesmo chamar a depor magistrados cujas posições foram censuradas pelas instâncias superiores, não significa nada, por muito que isso custe ao editor do Expresso, aqui na sua qualidade de apoiante assumido do senhor deputado João Semedo, comunista renovador, e pelos vistos estalinista, nas horas vagas.

É que nem no tempo da PIDE! Fui uma vez testemunha num tribunal plenário, em defesa de um colega acusado de pertencer ao PCP. Lembro-me de ouvir o Presidente daquele "tribunal" a lembrar no final que não se podia tirar nenhuma conclusão do facto que todos os réus se tinham calado. O problema era só que se dava todo o crédito aos depoimentos dos Pides que diziam tudo o que eles queriam ouvir, mas esse é outro filme, o silêncio não valia para condenar, era um direito, mesmo nos tribunais fascistas.

Aliás quanto ao valor dos depoimentos dos pides nos tribunais plenários, eu só espero que não se dê na comissão de inquérito um valor semelhante aos acusadores de Aveiro! Já basta que a dita comissão de inquérito tenha o relator e promotor principal que se tem visto! Seria o cúmulo que se desse valor e crédito ao depoimento de magistrados que promoveram escutas ilegais e que com base nelas atribuíram ao Primeiro-Ministro um crime potencial, sem cobertura legal bastante, e sem bases que o justificassem.

O Parlamento arvora-se em tribunal de instrução criminal, no que suponho estar a cometer um abuso, a lei que lho permite é seguramente inconstitucional porque viola o princípio da separação dos poderes. Não pode, ainda por cima, funcionar como instância de recurso de magistrados desautorizados ou de jornalistas tablóides sem escrúpulos.


domingo, 7 de fevereiro de 2010

O que faz Jardim com o nosso dinheiro? (6) Limpezas de terrenos

Os terraços lá atrás ─ informa a guia ─ antigamente eram cultivados, em condições muito duras, agora deixaram de ser, o Governo paga aos agricultores para manterem os terrenos limpos. A imagem é de Porto Moniz, na Madeira, um concelho com um número de eleitores sensívelmente igual ao da minha aldeia numa encosta de um afluente do Rio Douro. Uma terra com quelhos assim que vêm sendo abandonados e se enchem de silvas. Volto à comparação da Região Autónoma da Madeira com o distrito de Vila Real de Trás-os-Montes, que também tem uma maioria do PSD e elege o mesmo nº de deputados. Em que é que Trás-os-Montes e Alto Douro é menos do que a Madeira? Por que razão tem que ser desapossado de uma parte do IVA que paga em favor da Madeira? Por que carga de água, PCP e BE, PSD e CDS, favorecem a Madeira rica com os impostos cobrados aos pobres de Trás-os-Montes? E da Beira Interior? E do Alentejo? E da Área Metropolitana de Lisboa que tb temos por aí uma data de silvas para limpar em terrenos abandonados. Ou há moralidade...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O que Jardim faz com o nosso dinheiro? (2) Palhotas

Palhotas, casas de bonecas, alegadas casas antigas, mas feitas hoje, como se vê na foto, no centro da vila de Santana. Há uma que é propriedade particular, mas as duas mais bonitas ao lado da Câmara "são do Governo" ─ avisou a nossa guia. Fomos lá: qual duas?! Há mais em construção, contámos onze operários. "Até a palha é importada" ─ informam-nos. Pagamos tudo, os de cá. Os turistas gostam? Pelo menos riem de nós: um casal no banco da frente soltava gargalhadas cada vez que a guia repetia: "financiado pelo nosso Governo", o deles, claro. Uma dúzia de vezes. Há partidos que gostam de um sociedade em que tudo é subsidiado. Achei perfeitamente normal, as votações do PCP e do BE. Cubanos como nós.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Não pagamos, não pagamos, não pagamos

Acabo de regressar da Madeira. A minha opinião é que devemos pegar o boi pelos cornos. Ter o incómodo de dizer a Sua Excelência que não podemos pagar tudo. É um incómodo muito grande: os jornais, que ele comprou, a RTP e a RDP, cujos directores dependem dele, e todos os subsidiados, que são legião, vão dizer de nós cobras e lagartos mas não há outra solução. A Madeira está rica, nós é que somos pobres. Não pagamos. As propinas do Jardim, não pagamos. Não pagamos.

Vou contar-vos a coisa por miúdos. Mas para já o que vos proponho é muito simples: organize-se uma excursão de autarcas de Trás-os-Montes à Ilha da Madeira. De autarcas das juntas de freguesia, não de vereadores, ou presidentes de câmara, esses querem é Brasil, países nórdicos, viagens caras, chorudas despesas de representação.

A Região Autónoma da Madeira tem sensivelmente o mesmo número de habitantes que o distrito de Vila Real de Trás-os-Montes.
  • Vila Real de Trás-os-Montes que não recebeu ao longo destes anos milhares de milhões.
  • Vila Real de Trás-os-Montes que não pode permitir-se uma dívida (avalizada pelo Estado?) de cinco mil milhões de Euros. Que não pode subsidiar os agricultores para manterem os terraços do Rio Douro a parecer bem aos turistas.
  • Vila Real de Trás-os-Montes que não pode financiar a construção hoje de antigas casas, tradicionais (não é gralha, tenho fotografias!), ridículas casas de bonecas.
  • Nem dezenas de "arrastadores" de carrinhos de cestos, que não têm clientes, e andam ao alto (contei 72, a jogar cartas, e nenhum cliente, um dia inteiro)
  • Nem dezenas de jardineiros, por canteiro, a cavar e recavar, os jardins do Palácio Presidencial.
  • Nem comprar quintas atrás de quintas.
  • Nem deixar de cobrar IVA.
  • Nem pôr a gasolina mais barata.
  • Nem esburacar as montanhas em todas as direcções com 164 túneis, com um total de 73 quilómetros, todos gratuitos, que já começam a precisar de elevadas despesas de manutenção.
  • Nem meter ao bolso as receitas das fugas aos impostos numa escandalosa zona franca.
  • Nem e nem e nem.
Temos de confrontar os eleitos de Vila Real de Trás-os-Montes à Assembleia da República (aliás maioritariamente do mesmo partido que Sua Excelência o Dr Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim - um nome que está em toda a parte na Madeira) com as suas decisões de mandar mais dinheiro, sempre mais dinheiro, para os luxos da autonomia e da irresponsabilidade. Só porque assim querem o PSD, o CDS, o PCP e o Bloco de Esquerda. Faz cá falta. O Governo da Madeira não merece mais.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

E se fosse na RDA a rejeição chegava aos 99,9%

A facilidade com que os gajos do PCP e do BE fazem seus os votos do PSD e do CDS.! Vejam aqui e pasmem:

Infelizmente para o autor do post, o Muro caiu, faz agora vinte anos, e deixou de ser possível juntar os votos todos no mesmo saco.


terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Democracia tem regras

Não vejo como o Parlamento pode impor numa suspensão da avaliação dos professores. Trata-se de uma medida governativa em curso. A Assembleia não governa, legisla, controla o Governo (pode fazê-lo cair, pode mesmo impedir que entre em pleno funcionamento, basta-lhe rejeitar o programa), pode chumbar o Orçamento de Estado (o que seguramente vai fazer em Janeiro) mas não pode suspender ou anular actos avulsos do Governo. ´

Por isso se diz que não temos um "governo de Assembleia", como no tempo de Robespierre, nem "um governo dos sovietes", como na época de Lenine, de Trotsky e de Estaline.

A Oposição tem maioria, é verdade. E entende-se com facilidade, está unida. Mota Soares, do CDS, diz exactamente o mesmo que Helena Pinto, do BE, a qual dá o mote para o que vai dizer Aguiar-Branco, do PSD, apenas Bernardino Soares, na forma, diverge ligeiramente dos demais. Ouviram as reacções ao programa do Governo?

Entende-se com facilidade, a Oposição está unida, "e jamais será vencida", na condenação da avaliação dos professores, que entra na segunda fase se o Programa do Governo não for rejeitado. Pois rejeitem o Programa do Governo. Isso a Oposição pode fazer. Não pode é governar e continuar a ser Oposição.

Há regras. A Oposição, mesmo estando unida no Parlamento, não pode, como se fez uma vez no tempo de Salazar, aprovar uma lei a anular uma sentença de um tribunal. O Salazar também não podia, e era ditador. Lembro-me como, quando comecei os meus estudos de Direito, antes do 25 de Abril, na Faculdade de Direito de Lisboa ─ na qual os professores eram todos "salazaristas", com a excepção do Palma Carlos e do Olavo, "especialistas" convidados ─ como a grande (única?) crítica ao Governo em várias cadeiras era aquela decisão judicial que tinha sido anulada por decreto!

Que Paulo Portas, mau aluno de Direito, já esteja a publicitar o decreto que tem em mente para resolver a avaliação ─ não me admira nada. Portas não tem escrúpulos.

Que o Bloco de Esquerda também ache que a coisa se resolve por decreto - está-lhes no sangue. Ainda recentemente apoiaram o Manuel Zelaia, das Honduras, que pretendia levar a referendo, e não podia, a possibilidade de se recandidatar ao lugar de Presidente. O Bloco aceita a Constituição enquanto não puder acabar com ela. Do que ele gosta mesmo é de um "governo dos sovietes", da "revolução permanente". O voto é apenas "uma forma de luta", como disse Miguel Portas, na "luta" que o levou a Bruxelas.

Agora que o PSD alinhe nisso é que causa impressão. Os governos de Assembleia acabam geralmente mal.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Vamos contar espingardas/manifestantes como deve ser!

Citações.

«As notícias chegam de Espanha, de uma manifestação (por acaso de direita, mas com a esquerda seria o mesmo) contra o aborto. Estimaram os organizadores: 2 milhões. A Comunidad de Madrid (do PP, próxima dos organizadores): 1,2 milhões. A polícia: 250 mil. Extraordinária diferença! Mas ainda não viram nada. A empresa Lynce, especialista do assunto, pôs um zepelim no ar, com quatro câmaras de alta resolução e dois vídeos de alta definição. E não estimaram, contaram: 55 316 cabeças! A ciência lá nos deu cabo de mais uma ilusão.»

Ferreira Fernandes, DN, 29.10.09


Ah se a moda pega, se um olho de Lynce começa a contar manifestantes por cá. Lembram-se das manifestações contra a União Europeia, no dia da assinatura do Tratado de Lisboa, que congregaram 200 mil pessoas em Lisboa e 100 mil no Porto? Ou dos ajuntamentos patrióticos de professores contra os propósitos fascistas de sujeitarem as progressões na carreira a avaliações de desempenho? Pois são sempre 200 mil em Lisboa e 100 mil no Porto! E os jornais confirmam.


Nada de extraordinário, já era assim no PREC. Estive a reler há dias Álvaro Cunhal, "A Revolução Portuguesa - O Passado e o Futuro", edições Avante, 1976. Pois as "grandiosas concentrações de massas" de apoio a Vasco Gonçalves, ou, se se preferir, "as grandes mobilizações populares" de "contenção da ofensiva da reacção", convocadas pela Cintura Industrial de Lisboa, reúne, em 16-11-75, "no Terreiro do Paço cerca de 200 mil pessoas" e quatro dias depois "100 mil, em Belém" (pág. 167).


Também foram de 200 mil em Lisboa e de 100 mil no Porto, as manifestações que "partiram os dentes à reacção" no 28 de Setembro, e de 200 e 100 mil as celebrações da vitória sobre a intentona do 11 de Março, que, lembremos, conduz à nacionalização da banca pelo Conselho da Revolução a 13 de Março, no dia em que "o cérebro e a mão de ferro do capitalismo monopolista sofreram um golpe mortal" - Cunhal dixit.


Uma excepção, a manifestação de 14 de Janeiro de 1975 pela unicidade sindical reuniu "300 mil trabalhadores" (Cunhal, obra citada, pág. 89). Só para esmagar a concentração do PS, contra a mesma unicidade, que dois dias depois pôs o Pavilhão Carlos Lopes a deitar para fora!


Em suma, há 35 anos que é assim: são sempre 200 mil em Lisboa, excepcionalmente 300 mil, os comunistas do Bloco e do PCP só sabem contar em múltiplos de 100 mil, com as televisões, as rádios e os jornais (mais agora do que em 75, aliás) a contar e fazer crescer os múltiplos de cem mil. A falta que nos faz o exemplo de Espanha!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Uma campanha alegre

Todos os partidos da Oposição ganharam as eleições de Setembro, não se podiam agora ir aliar à Situação, que foi punida, vendo bem só ela é que perdeu, em sufrágios e números de deputados, que importa isso de, apesar de tudo, ter tido mais votos, desde quando é que "ter mais do que os outros" é virtude, em Portugal?

A Situação não tem virtude e não é de fiar. Portou-se mal no passado, portar-se-á mal no futuro. Como é que ousa pedir namoro à gente, e para governar o quê?

─ Eu já te digo o que é governar!

Lembras-te como foi quando tinhas maioria no Parlamento mas minoria na rua, minoria nas televisões, minoria nas rádios e nos jornais? Agora vais ter minoria também no Parlamento. E ainda tens a lata de nos dizer: vamos dialogar?

─ Eu já te digo o que é dialogar!

Ainda o Governo não saiu da casca e já tem pela frente um campo de minas. A primeira delas: o PCP logo apresentou uma resolução para parar com a avaliação dos professores: "para testar a vontade de diálogo" ─ diz Bernardino a sério . O BE uma resolução para parar apresentou já: "para o diálogo provar" ─ ameaça Pureza a rir.

Aliás uma coisa dessas nem é preciso o PS votar a favor. Basta que as iniciativas do PCP e do BE tenham o acordo do PSD e do CDS, que o que mais querem da vida é... parar com a avaliação. Na tropa, no meu tempo, dizia-se: "ordinário, marche!" Aqui é mais: "ordinário, pare!

E tem contrapartidas, fáceis e deliciosas: na actual composição do Parlamento, para fazer avançar uma iniciativa do PSD e do CDS, e assim humilhar o Governo, o que dá gozo a todos, basta apenas que o PCP e o BE se abstenham. Amor com amor se paga.

Isto é: ninguém na Oposição quer governar com o PS, mas todos podem... fazer parar o que o PS governar. A morte deste Governo é uma questão anunciada.

Que nos partidos da Oposição são todos homens honoráveis e todos vão querer dar a sua facada a César no Senado. Para já, onde divergem um pouco, é no tempo e no modo de o fazer. Assim como naquele debate que contava o Eça na Campanha Alegre:
(...) tratava-se de decidir, a sangue frio, com argumentos e boa gramática ─ se os maridos deviam matar suas mulheres. O Sr. Dumas tinha dito com o charuto na boca, folheando a Bíblia ─ mata-a! Outros, fechando a navalha no bolso (que a tinham!) diziam generosamente: não a mates! Alguns vaudevillistas, entre uma bock e uma pilhéria ─ vai-a matando sempre! E outros acrescentavam, expondo que era necessário estudar mais a questão e consultar dicionários: por ora não a mates!
Nesta parábola, é evidente que a mulher adúltera é o Governo. O sr. Dumas é o Portas, está na cara. Os vaudevillistas são os do Bloco, uns artistas. Os outros, os outros... por ora não a mates, vamos estudar?! Só se for o Pacheco Pereira! E os que para já preferem guardar a faquinha no bolso? Gente generosa! Só mesmo o PCP.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O que eu mais gostei nestas autárquicas

Do resultado do Bloco de Esquerda:
166.741 votos, isto é, 3,02% para as câmaras municipais. Concorreu a 133, ganhou 1. Cuja presidente já o era, quando aderiu ao Bloco de Esquerda.
Lembram-se dos 16-18% nas sondagens? ─ Foi há um mês!
Lembram-se dos quase 10%, quase 600 mil votos? ─ Foi há quinze dias!
E vão lembrar-se destes 3,02%, e 166.741 votos? ─ Foi ontem.

O PRD demorou dois anos a desinchar. O Bloco está a bater todos os recordes mundiais de rapidez de desinchamento.

Que tudo começou no debate Sócrates-Louçã. Foi há cinco semanas.
Melhor é impossível.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O PCP não é totalitário, outros podem ser

Vai por aí uma grande consfusão sobre o que diz a proposta de revisão constitucional que AJ Jardim defendeu sobretudo na parte em que propõe que actual proibição de "organizações de ideologia fascista" passe a referir "organizações de ideologia totalitária" Diz Ana Paula Fitas, do Simplex e de A Nossa Candeia, em resposta a um comentário meu, que
..a proibição constitucional explícita de organizações fascistas justifica-se por se referir ao incentivo público à violência e à legitimação de meios cruéis (perseguição ideológica, violência física e psicológica nomeadamente sobre grupos étnicos, culturais ou sociais que facilmente) que reeditariam, se ascendessem ao poder, a pena de morte, as prisões políticas, a participação em guerras e invasões territoriais no plano internacional (mais Iraques, não, obrigado!) ou as práticas de tortura que tão facilmente fazem emergir os dramas dos "desaparecidos", entre outros.

Já lhe tinha respondido, por antecipação, aqui. Mas suponbho dever acrescentar algumas precisões.

Primeiro, os Iraques não tiveram nada a ver com fascismos, a menos que a autora se queira referir ao regime de Sadam Hussein. Nem os Estados Unidos têm o monopólio das "invasões territoriais no plano internacional": basta lembrar os tanques soviéticos a esmagarem a Primavera de Praga em 1968, a invasão e os massacres da Hungria em 1955, e antes e depois disso violentíssimas intervenções e ocupações na Polónia e na ex-RDA, sempre em apoio de regimes totalitários.

Quanto a "violência, legitimação de meios cruéis, perseguição ideológica", também aqui os fascismos, designadamente o português, não passavam de meninos de coro quando comparados com as sucessivas purgas e limpezas étnicas de Joseph Estaline. Leiam, só, "O arquipélago de Gulag" de Alexandre Soljenitsyne e "A Confissão", autobiografia de Arthur London, internacionalista em Espanha em 36-38, resistente em França em 39-45, dirigente comunista e ministro em Praga no pós-guerra até cair em desgraça em 1953. O livro deu um filme, que Costa-Gavras, Jorge Semprun, Yves Montand e Simone Signoret, todos devotados comunistas nos anos 50, ergueram e representaram. Os mesmos que fizeram o Z, a retratar o comportamento das organização fascistas que levaram à ditadura dos coronéis gregos. E que também denunciaram o imperialismo na América Latina no "Estado de Sítio".

Entendamo-nos: o fascismo português foi violento, legitimou-se por meios cruéis, praticou a perseguição ideológica, sobretudo contra os comunistas, que lideraram a resistência no terreno. Aceito perfeitamente a argumentação de Vital Moreira, segundo o qual o que se condena na Constituição de 1976 é precisamente o fascismo que tivemos de 1926 a 1974. Não em geral os fascismos mas o nosso fascismo.

Onde Vital Moreira deixa de ter razão é na afirmação que o pretende Jardim é proibir o comunismo. Não é isso que está na proposta de revisão que subscreve. E penso que é mesmo uma injúria ao PCP pretender que seria atingido pela proibição das organizações totalitárias. O PCP tem um projecto e um comportamento democráticos, pelo menos desde o 25 de Novembro, e isso mesmo fixou como meta no seu Congresso de 76-77: "uma democracia avançada no limiar do século XXI". É verdade que dessa "democracia avançada" fazia parte "o controlo operário, a reforma agrária e a irreversibilidade das nacionalizações". Mas não andou a pôr bombas nos anos 80, quando algumas das suas bandeiras caíram, antes condenou e combateu o terrorismo. Por que carga de água havia de sentir-se atingido pela proibição de organizações totalitárias, autoritárias e contrárias ao Estado de Direito.

Nem todos podem dizer o mesmo. Houve quem pusesse bombas e quem os tenha apoiado. Houve quem apoiasse a ETA, aqui ao lado, sob pretexto que mais não faz do que responder ao "terrorismo de Estado" do Governo de Espanha. Quem diga que o voto só interessa como "uma forma de luta". Quem defenda as ocupações (e greves insurreccionais?). Como maneira de conquistar o Poder ?

Suponho que se deveria aproveitar a proibição das organizações fascistas para mandar um aviso nessas direcções. A proposta de Jardim só peca por vir de quem vem.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Prós & Contras - Um relatório e contas

Ontem passei pelo Prós & Contras duas ou três vezes mas não consegui aguentar: deu para ver que tínhamos pela frente mais uma sessão de escárnio e maldizer, desesperante, destrutiva, caceteira, cinco contra um, e o que importava era a quantidade de murros e dentadas desferidas. Entendi que ali não tinha notícia, era mais do mesmo, a continuação da campanha violentíssima das europeias, que as oposições ganharam por dez a zero, apesar de algumas jogadas vistosas de Vital Moreira, bem contrariadas pela generalidade da imprensa, nos últimos dias do tempo regulamentar.

Pois bem, vejo por alguns relatos que desta vez o 5 a 1 (com Fátima Campos Ferreira, como sempre, na baliza das oposições unidas que, assim, jamais serão vencidas) poderá não ter dado os resultados esperados. Que Augusto Santos Silva, afinal, poderá ter saído vivo da refrega, ou mesmo ter levado de vencida o inimigo superior em número, agora que o exemplo edificante do Santo Condestável em Aljubarrota voltou ao catecismo, como na religião oficial do Estado Novo. Que, no cômputo final, a notícia pode ter sido, afinal, o homem que mordeu o cão, um clássico exemplo de uma grande notícia. Só por isso não resisto à tentação de vos citar aqui a síntese do debate, segundo Valupi, no Aspirina B:

Santos Silva esmagador é a norma. Ele tem as informações, a boa-fé e a literacia. Não precisa de mais para anular opositores que não comungam destes mínimos. Num Prós & Contras em que estava só contra 4, acabou fresco e a malhar forte e feio em adversários reduzidos à impotência. Desconcertante.

Morais Sarmento é aflitivo. Não faz a menor ideia da imagem de fragilidade e confusão que passa à audiência ao tentar raciocinar em directo. Representa muito bem o PSD pós-Cavaco, e por isso tem feito parte do núcleo duro do partido desde Barroso. É também por comparação com ele, e figuras como Aguiar-Branco, que se louvam as qualidades de Paulo Rangel; ou seja, a sua suposta excelência nasce, afinal, de não ser politicamente indigente como os colegas de partido.

Luís Fazenda é um tractor ideológico. Inútil conversar com este mecanismo, o seu rumo está traçado e há uma batalha da produção demagógica para vencer. Deve deitar-se todas as noites com o sentimento do dever cumprido. Coloca a cassete com cuidado na mesinha de cabeceira e adormece em paz.

Carlos Carvalhas chocou-me pela sua caducidade. Desconheço se há algum quadro clínico que a explique, ou se é fenómeno natural. Seja como for, o PCP ficou muito mal representado.

Nuno Melo é um bronco. O bronco queque, beto, cagão, armado ao pingarelho, rebentando de vaidade e acinte. Fiel sucessor de Portas, é mais um coveiro do CDS.

Pelo que vi, menos de metade, também me pareceu mas não tenho a certeza. Adoro em especial o retrato de Nuno Mello, o justiceiro dos Ferraris, que no CDS o Povo adora carros topo de gama, quem não gostaria, só lhes falta o candidato Vieira a prometer um Ferrari a cada português se o CDS ganhar as próximas eleições! De resto tenho muitas dúvidas que os telespectadores distraídos, que são o público habitual, queiram mesmo saber de quem teve ou não teve razão. A política, à portuguesa (à espanhola também, segundo o António Vitorino) é um espectáculo de porrada e ponto final. Ganha quem der mais. Um contra cinco? Só nos filmes americanos é que Santos Silva podia ter ganho.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Assim não vai lá: Sócrates não pode recuar mais

Em política quando se põe uma pistola em cima da mesa é para se usar, não se pode fazer bluff. Ouvi esta máxima, nestes termos exactos, se bem me lembro, do ministro José Sócrates quando toda a Oposição, incluindo alguns dos seus camaradas e amigos, como Manuel Alegre e Vital Moreira, diziam o piorio da coincineração. Sócrates enfrentou manifestações, providências cautelares, insultos e campanhas visando abatê-lo. Aguentou-se, não vacilou. É verdade que perdeu o primeiro assalto, quando Ferro Rodrigues perdeu para Durão Barroso, e ele foi substituído no Ambiente por Isaltino de Morais. Mas cimentou a sua reputação de homem determinado, contra o facilitismo, e o populismo, e a demagogia.

Pode agradecer à guerra sem quartel que lhe fizeram na coincineração (e aos apoios que teve dos cientistas independentes e da opinião não escrita) as vitórias que dois anos e meio depois teve no PS, e em seguida no País, quando à campanha da coincineração se seguiram contra ele as primeiras campanhas negras, do Freeport à sua vida privada.

Sócrates, quando resistiu e contra-atacou, devolvendo os golpes recebidos na mesma moeda, ganhou força e respeito, populares. Perdeu as europeias? Acontece: lembram-se dos resultados de Cavaco Silva nas europeias de 1987? No mesmo dia em que averbou a primeira maioria absoluta de um só partido, com 2.850.784 e 50,22% dos votos, registou nas europeias 2.111.828 e 37,45% dos votos: menos 740 mil votos, no mesmo dia e com a mesma baixa abstenção, 27,5%.

As europeias não servem como barómetro do estado do País. Devia saber disso o CDS que naquele mesmo dia de 1987 fez o mais brilhante resultado a nível europeu, 4 em 25 deputados, e ficou reduzido à dimensão interna do "partido do táxi". Sócrates fez mal em deixar-se intimidar.

Sócrates está a "descaracterizar-se" - Luís Filipe Menezes tem razão nesse ponto - a olhos vistos. É verdade que as forças que se movem contra o PS são poderosas: vão de Belém à S. Caetano, e vice-versa, assentaram arraiais nas televisões e nos jornais, vetam, puxam para trás, param, bloqueiam, são reaccionárias até ao tutano.

Por isso mesmo. Sócrates devia pôr a pistola em cima da mesa e dispor-se a usá-la, se for preciso. Dizer, como Cavaco Silva em 1991, que "o País não pode parar". Que se não ganhar as eleições, se lhe faltar um deputado que seja para a maioria parlamentar, não poderá continuar a fazer frente a um Presidente da República adverso, mancomunado com uma líder "deprimente" da Oposição, a braços com os extremistas de esquerda, para quem o voto é apenas uma forma de luta e nem sequer a mais importante.

Sócrates deve dizer que ou ganha ou vai-se embora. Fica o País à mercê de Manuela Ferreira Leite ou de Francisco Louçã - o Povo que decida.





terça-feira, 2 de junho de 2009

O Grupo do PCP e do BE no Parlamento Europeu



Estalinistas de sempre, como o PCP, gente para quem o voto é apenas uma arma do Povo, como o BE, saudosistas da Stasi e do Muro de Berlim, como o Die Linke (que reune os comunistas da ex-RDA), os que chamaram os tanques soviéticos para repor a legalidade socialista e esmagar a Primavera de Praga, como os comunistas checos, fundamentalistas italianos, como a Refundazione Comunista, o braço político dos bombistas do IRA, como SInn Fein da Irlanda do Norte, o dinamarquês Movimento do Povo contra a União Europeia, o sueco Movimento pelo Não à Europa, o brejnevista PCF, uma espécie em vias de extinção, todos combatem o Tratado de Lisboa, todos fazem parte do mesmo grupo político no Parlamento Europeu.


Chama-se Esquerda Europeia Unitária/ Esquerda Verde Nórdica e, repete-se, dele fazem parte, sem divergência que se tenha visto no passado, os eleitos do PCP tanto como os do Bloco de Esquerda, 3 representantes, aqui.


O grupo é liderado por Francis Wurtz, do Partido Comunista Francês, que já foi o maior partido de França, tem uma posição dúbia sobre a Europa, é contra o Tratado de Lisboa como foi contra todos os tratados europeus anteriores (não contando com o Pacto de Varsóvia!), e tem vindo a afundar-se eleição após eleição: em 2004 elegeu 3 deputados dos 78 franceses.

 

As maiores representações nacionais na Esquerda Unitária Europeia são os antigos comunistas da ex-RDA (Die Linke, 7 eleitos), a par dos comunistas checos, tão anti-europeus como o seu Presidente, que são 6, seguidos  pelos comunistas portugueses, 3 deputados, do PCP e do BE, que podem passar a 4 no domingo, e fazer de nós, proporcionalmente, a representação nacional com mais vozes contra o Tratado de Lisboa na Europa do Sul.  

 

Aliás a palavra de ordem do grupo não é nada do género “contra a Europa, marchar, marchar”  é só que se vive “uma crise de legitimidade do actual modelo europeu” – disse-o Francis Wurtz, do PCF, no seu último discurso no plenário esta legislatura e já ouvi fórmula idêntica na boca de Miguel Portas, do BE.

 

Menos dissimulados, honra lhes seja, são os aliados do PCP e do BE da chamada “Esquerda Verde Nórdica”: o deputado dinamarquês Soendergaard é do Movimento Popular contra a UE (um célebre partido na Dinamarca que só existe para as eleições europeias e já teve melhores resultados), a deputada  sueca Eva-Britt Svensson é a secretária-geral do Movimento pelo Não à Europa, o deputado-jornalista finlandês Esko Seppänen é de um partido indecifrável no site do PE mas vê-se bem que move campanha contra apoios da comissão a organizações não governamentais de jovens, que defendam o voto nas eleições para o PE.


Facto é que todos estes partidos e movimentos anti-europeus entraram em recessão acelerada nos últimos dez ou vinte anos. A excepção é Portugal, onde um Partido terceiro-mundista, como o BE, deverá duplicar o seu número de deputados. Não é por isso que vamos passar a ser um país atrasado. Limitar-nos-emos a continuar a sê-lo cada vez com mais suporte popular.

 

Diz-me com quem andas...