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quarta-feira, 23 de março de 2011

A solução para a crise: Criar dois, três, muitos BPN's

Nunca tantos falaram tão mal da gente. Em poucos minutos a notícia deu a volta ao Planeta. Portugal é notícia nos antípodas:

Melbourne AgePortugal struck by new debt turmoil on summit's eve

Causa perplexidade no Yahoo, via AFP:
LISBON (AFP) – Portuguese Prime Minister Jose Socrates resigned Wednesday on the eve of a key EU summit on the eurozone debt crisis after parliament rejected his minority government's latest austerity plan(...)
A nossa fama atinge as Américas, do Canadá...
...ao Brasil
Estado de S. Paulo: Premiê português renuncia após veto à proposta do governo de ajuste fiscal

Belo título, hem, no maior jornal do Brasil, são as potencialidades do acordo ortográfico sobre a língua portuguesa. Aí temos a queda do nosso "Premiê" a ombrear por asim dizer com o desaparecimento da Elisabeth Taylor ou com os incidenbtes dos bombardeamentos da Líbia.


Podem limpar as mãos à parede, os políticos como os media, portugueses. Repararam no chinfrim que a demissão de Sócrates desencadeou nas televisões? Que sentido de equilíbrio, para não dizer outra coisa. Como notou o Valupi é assim a modos que uma asfixia democrática à maneira:

Não há um único comentador ligado ao PS nas televisões a ditar sentenças acerca dos discursos da noite. Já só falta ilegalizar o partido.

Ainda hão-de chegar lá! O slogan de Guevara, que deu no que deu, era Criar dois, três, muitos Vietnames. Ganhando quem sabemos, com os patrocínios que se conhecem, o que ainda vai dar grandes dividendos neste País, as riquezas que se fazem em tempos de crise, vai ser
Criar dois, três, muitos BPN's
You ain't seen nothing yet, como dizia o Ronald Reagan.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Todos grandes educadores

A campanha de Alegre patina, não sai do sítio, que o punho do PS não se levanta. Por este andar, vamos ter Cavaco eleito com mais de 60% à primeira volta, o que tendo em conta o desempenho do personagem é uma vergonha para todos os oponentes. "Os mais próximos companheiros de armas de Manuel Alegre" já começam a alijar as próprias responsabilidades e a apontar para o lado: a culpa, obviamente, é de Sócrates e do seu PS, deles é que não.

Ana Gomes (sem link, que o não merece) foi a primeira a espingardar: "Remodele, JÁ". Sócrates não lhe fez a vontade, pagará por isso. O motim continuou com o próprio MNE Luís Amado a exigir ser remodelado, o que só peca por tardio, devia ter exigido isso mesmo no dia a seguir às eleições, que não é curial um governo minoritário arcar sozinho com a impopularidade das medidas a tomar.

"Motim, Sire? Mas isto é uma revolução". Agora, é Vera Jardim, um bispo do PS, habitual pregador na Renascença, a dedicar a Sócrates uma homilia dominical: "remodele, já". En passant, é porque Sócrates não remodelou, ainda, que o PS assobia para o lado e não há maneira de se empolgar com Alegre e os eleitores também não.

A campanha de Alegre, de facto, não sai da cepa torta. E quem vai pagar as favas é Sócrates e o seu PS. Marcelo Rebelo de Sousa, analista isento (o que a gente se ri...), logo saltou sobre esta oportunidade de matar dois coelhos de uma cajadada: enterrar Alegre e acirrar as intrigas do PS: "Remodelação já, este Governo não vai lá"

Rima, está encontrada a palavra de ordem, a procissão ainda vai no adro. Maria de Belém deve ser a próxima fazer de grande educadora do Primeiro-Ministro.

domingo, 28 de novembro de 2010

Ditosa Pátria


Um amigo mandou-me um poema de Jorge de Sena. Escrito no exílio, na desesperança do ano de 1961, quando Humberto Delgado acabava de ser expulso das Forças Armadas e se refugiara no Brasil, quando Henrique Galvão tomava o Santa Maria, quando o MPLA atacava as cadeias de Luanda e a UPA massacrava no Norte de Angola, quando Goa, Damão e Diu eram ocupadas pela União Indiana, quando a revolta de Beja não dava em nada, quando as cadeias estavam cheias a rebentar de presos políticos, quando Salazar parecia eterno, quando o Dia do Estudante desencadeava uma repressão feroz. Poema datado? Talvez. Vejam bem:

A Portugal

Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
a pouca sorte de ter nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fátua ignorância;
terra de escravos, cu p’ró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol caiada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra − museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:

eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço: mas ser’s minha, não.


Dezembro de 1961

in «Quarenta Anos de Servidão» Lisboa, 1979


Passaram quase 50 anos sobre o poema de Sena. Hoje voltamos talvez a poder dizer "esta é a ditosa Pátria minha amada".
  • A minha Pátria do PS e dos bons empregos para tapar manobras internas (caso Víctor Baptista),
  • a minha Pátria do PS e dos honorários chorudos por coisa nenhuma (Tagus Park e escritório José Miguel Júdice),
  • a minha Pátria do PS e dos salários milionários a pequenos gestores da cultura (Guimarães capital da cultura).
Mas também
  • a minha Pátria de Alberto João Jardim sempre perdoado apesar de reincidente nos insultos a quem lhe dá de comer,
  • a minha Pátria de Pacheco Pereira, sempre na vanguarda dos seus aliados do Ministério Público,
  • a minha Pátria de Belmiro de Azevedo & filhos feitos com a conspiração castelhana na Opa da PT por causa da Vivo,
  • a minha Pátria de Cavaco Silva, sempre bajulado apesar dos seus negócios particulares no BPN, aliás em sintonia total com o PSD, pelo menos na inventona das escutas.


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Isto vai dar para o torto, olá se vai!

As medidas anunciadas por José Sócrates, para o Orçamento de 2011, eram esperadas mas nem por isso são menos violentas, para todos. Segundo o Economist podem atirar o País para uma nova recessão, o que pode alargar a dimensão do défice, em vez de o reduzir, como na Irlanda.

Vem aí agitação e revolta ─ como na Grécia. Ou no Equador ! As televisões, as rádios ─ e os "jornais de referência"! ─ já começaram a mobilizar as tropas. E discordo de Freitas do Amaral: quem está a brincar com o fogo não é o PS e o PSD. É o jornalismo de combate que temos, em queda permanente de audiências, desesperado, mais do que as pessoas, que geralmente detestam demagogias.

O jornalismo de combate que temos, esse, sim, brinca com o fogo. Um fogo que insaciável pode virar-se contra si, como esta manhã os polícias amotinados em Quito, mas que lhes importa, desde que vendam! É o sistema !

Pior do que tudo: o Governo do PS não tem os meios para estas medidas. Desde logo não tem maioria, e o PSD não tem nenhuma obrigação de partilhar uma parte da impopularidade, afectando moderação de circunstância, enquanto os demagogos da extrema direita berram como possessos, enquanto os estalinistas do BE, mais do que os do PCP, incham como sapos.

O circo está montado. O sistema eleitoral foi desenhado para que ninguém tivesse maioria, para termos governos fracos, piões das nicas, toda a primazia às forças de bloqueio, aos poderes soberanos dos tribunais e dos media ─ excepcionalmente, os eleitores é que decidiram ter mais juízo do que os constituintes e quiseram governos de maioria.

Um sistema eleitoral assim não existe em mais nenhum País da Europa do Sul. Em Espanha, a solução foi apostar em círculos eleitorais pequenos, a grande maioria dos quais não tem mais de 5-6 deputados. Por isso, o PCE e os Verdes espanhóis só elegeram um deputado nas últimas legislativas, enquanto a Esquerra Republicana, comparável ao nosso Bloco pelo extremismo das suas propostas, tem 3 deputados.

Com 5 deputados estalinistas e assimilados, um país é governável, uma vez que os partidos regionalistas se revezam a dar a mão ao partido do Governo na aprovação do Orçamento, em troca de algumas vantagens, sem que os media levantem uma onda de indignação. Contrariamente ao que aconteceu em Portugal com o chamado Orçamento do queijo limiano, em que só faltou queimar na praça pública aquele deputado de Ponte de Lima.

Com a extrema esquerda mais poderosa da Europa, acima dos 20% dos votos, temos "revolução permanente" (além da extrema direita mais barulhenta do Mundo - claro que me refiro ao CDS de Paulo Portas !), temos o caldo entornado. Esta austeridade vai dar para o torto, olá se vai!

Sobretudo que vamos ter de viver assim. durante mais de um ano. Com o poder na rua? Pior: o poder real está nas televisões. Que já uma vez decapitaram uma direcção do PS, para desviar as atenções dos problemas pessoais de alguns dirigentes máximos da extrema direita - "Vocês sabem de que é que eu estou a falar", como dizia o Octávio Malvado. Desta vez, se no final da jornada ainda houver eleições, o PS pode baixar abaixo dos 21%, pior do que em 85, após o Governo do Bloco Central.


sábado, 28 de agosto de 2010

Sua Sumidade o Génio da Banalidade.....

Sua sumidade, o génio da banalidade, como dizia o grande Saramago, volta a atacar. Em Ourique, de onde, como D. Afonso Henriques, repartiu em campanha depois das férias (passadas na Capadócia como na imagem?), lançou este domingo duas banalidades de uma assentada: que não há revisão constitucional formalmente em curso e que o OE ainda não foi apresentado.

Alguém que lhe diga que não são as formalidades que contam mas a substância? Ou que esses são temas na agenda política nacional há mais de um mês por muito que lhe custe? Não houve: os jornalistas despachados para seguir o PR são escolhidos a dedo. E a campanha ainda agora começou.

Mais disse Cavaco ─ e é manchete no Público, quem diria? ─ que o Presidente da República "não espera instabilidade" por causa do OE. Ah, o guardião da estabilidade, nosso santo protector a bem dizer! Acontece apenas que ao dizer isso estava Sua Excelência a responder ipsis verbis ao Deputado Ricardo Rodrigues. A responder-lhe exactamente como o PSD quer.
Dá para entender?

A minha opinião é que tanto o PR como o PSD acham que o PS e o Governo estão a dormir na forma e assim querem que continue pelo menos até ao dia 9 de Setembro. A partir desse dia vale tudo: pode o PR promulgar todos os diplomas que as oposições unidas aprovem contra o Governo, que ninguém repara. Ainda esta semana promulgou um e o Governo que se desenrasque. Antes tinha promulgado o aumento dos ordenados dos Presidente de Junta sem cuidar do pormenor do cabimento orçamental. Segue-se mais um diploma impossível de aplicar sobre os professores, que todas as oposições estão de acordo e Mário Nogueira já deu o mote.

A guerrilha pode continuar. Mesmo uma guerra aberta em todos os azimutes. Cavaco para ser reeleito precisa de um governo fraco, impotente, contestado na rua e nos media, e ele, salvador, impoluto, acima de toda a suspeita, que dá o pau e a cenoura.

Defendo que o PS deve dizer ao País alto e claro que o momento é grave e é preciso um Governo na plenitude das suas funções. Se necessário deponha na Assembleia já esta semana uma moção de confiança e se as oposições unidas deitarem abaixo o Governo que se avenham com eleições em Novembro. Quanto mais tempo deixar passar, pior para o Governo. E sobretudo para o País.

sábado, 31 de julho de 2010

E se a guerra dos touros levasse à independência da Catalunha...

Já aqui prestei, na senda de Orwell, a minha Homenagem à Catalunha por terem repudiado a barbárie da chamada fiesta brava e escolhido alinhar com as nações civilizadas que há muito condenam e proibem as torturas dos animais, ainda por cima como espectáculo de divertimento, seja no circo, seja nos bas-fonds dos combates de galos, de cães, de gladiadores, de leões e cristãos, como nas arenas da Roma antiga.

Aceito, e não acho nada mal, que ao fazê-lo os deputados do Parlament de Barcelona se tenham arrogado, como nota Bruno Sena Martins, uma certa "superioridade moral dos catalães" em relação ao resto dos espanhóis, que continuam hipocritamente a reivindicar as touradas como tradição honorável, quem quer vai e quem não quer fica e viva a liberdade!

Assim, designadamente, Esperanza Aguirre, líder da Comunidade de Madrid, para quem, pasme-se, seria importante que a Unesco reconhecesse "o interesse cultural" dos touradas de morte, ou para José Blanco, ministro do Fomento de Espanha, que sendo contra a proibição manifestou respeito pelo Parlament da Catalunha.

Mas o pior de todos é Mariano Rajoy que promete uma lei das Cortes a declarar o interesse cultural da tortura dos touros na arena com força obrigatória em toda a Espanha, assim fazendo da proibição um verdadeiro casus belli, como nota o El País.

Acho que fazem mal mas é lá com eles. Se persistirem nesta invasão dos bárbaros, que seria arrasar a vontade legitimamente expressa na Catalunha pelos catalães, substituindo-a pelos pontos de vista de Castela, não tenho dúvida que a Europa vai gritar ao escândalo e não deixará de mobilizar-se pelos direitos da Catalunha civilizada contra a tortura e a barbárie sobre os animais, que vigoram no resto da velha Hespanha, incluindo Portugal.

A Catalunha pode assim ganhar perante a comunidade das nações civilizadas uma espécie de direito ao divórcio, de Espanha, por maus tratos. E até pode ser que o exemplo catalão nos inspire a nós portugueses, embora haja poucas esperanças por cá no curto prazo.

Com efeito PCP e BE têm alguns dos seus feudos enterrados, como os pés na lama, no Ribatejo taurino. O CDS/PP é um partido marialva. PS e PSD não se pode contar com eles para abanar o "statu quo". Mas se a guerra dos touros levasse à independência da Catalunha... outro galo nos cantaria.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

Começo a ficar cansado com o PS


As SCUTS, que o engenheiro João Cravinho inventou nos idos de Guterres, custam-nos os olhos da cara. O PS apercebeu-se agora, quer portagens mas quer manter privilégios para alguns que pagamos todos. Por isso e só por isso estamos num impasse. O PSD, e nisso muito bem, diz que não há condições para continuar as conversas. Já não avançam a 1 de Agosto, é evidente, mesmo se o decreto em vigor diz que já começaram a 1 de Julho.

Eu não entendo o assanhamento do PS na discriminação positiva, que é o contrário da universalidade. Discriminação positiva com que critérios? Entre Douro e Vouga, por exemplo, há um município que beneficia da isenção: Santa Maria da Feira. Arouca, que é a minha terra, não beneficia. Por isso diz o meu Presidente no site da Câmara:

O Município de Arouca sente, assim, mais uma vez, o peso da interioridade e da ausência de um acesso rodoviário condigno, seja ele portajado ou isento, vendo-se, com esta medida injusta, ainda mais limitado e onerado nas deslocações efectuadas pelos seus munícipes.

A título de exemplo, um arouquense que deseje deslocar-se ao Porto por um acesso minimamente condigno, terá de fazer um percurso sinuoso até Santa Maria da Feira, pagando os custos de portagem daí em diante, ao passo que aqueles que têm a auto-estrada «à porta» estão isentos de pagamento.
É uma injustiça, uma dupla injustiça, de facto. Diz muito bem o eng. José Artur Neves, meu amigo. Há uma data de municípios que estão na mesma situação. Nós, por exemplo, na Região Metropolitana de Lisboa, que pagamos as pontes, a CREL, a A2, a A5, sejamos ricos, pobres ou remediados, pagamos sempre. Tudo. Para que os privilegiados do Porto, de Aveiro, de Castelo Branco, continuem a eleger o eng. Sócrates ou o dr. Rui Rio.

Não há moralidade nas discriminações que o PS (e alguns autarcas do PSD!) querem manter para alguns à custa de todos. Depois não se queixem.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Scuts: quem tem telhados de vidro?

Achei o máximo a "boca" do deputado do PS João Galamba, insignificante, naquele programa da RTPN com Carlos Abreu Amorim e João Adelino Faria, de um lado, Joana Amaral Dias, do outro, de que o PSD demonstrava duplicidade na questão das Scuts? Porque os autarcas do PSD defendiam a continuação dos privilégios do não pagamento das portagens enquanto a direcção do Partido insiste na universalidade, ou pagam todos ou não paga ninguém.

Duplicidade do PSD? E então a duplicidade de Sócrates que aceita o princípio da universalidade para logo a seguir fazer ponto de honra da isenção dos seus eleitores de Castelo Branco? Exactamente como Rui Rio pretende a isenção dos seus eleitores da Área Metropolitana do Porto.

É diferente porque Rui Rio apelou à sublevação popular, de facto convocou motins, acção directa, actos terroristas, pelo menos com dolo eventual, contra a implementação das portagens no seu quintal. E os autarcas do PS em geral? E aquele deputado municipal do PS em Aveiro, em particular, vedeta por um dia, que já tinha trazido a moto-serra para destruir as portagens instaladas e não se coibiu de apresentar uma moção que é nitidamente apologia e incitação à prática de um crime de dano, pelo menos?

Sejamos claros: para este efeito não há, não pode haver, concelhos ricos e concelhos pobres. Há pessoas que vão de carro para todo o lado, e mesmo para os empregos, e pessoas que vão de transportes públicos. Por que carga de água é que as pessoas que vão de transportes públicos hão-de pagar as viagens dos que vão de carro.

Isenções por concelhos? E porque não pelos níveis de rendimento das pessoas? Lá porque as empresas e os residentes na Área Metropolitana de Lisboa pagam aqui os seus impostos, e os do Porto fogem a eles, pagámos nós e não pagam eles? Porque os ricos do Porto, do Algarve ou de Castelo Branco, e quem os apoia, hão-de viver à pala da classe média de Lisboa e do resto do País, que paga e não bufa?

Ou há moralidade ou... pagam todos. E se querem voltar à época da Maria da Fonte, vamos a isso. Processos em cima. Quantos forem precisos. Enterros nas igrejas, nunca mais. Privilégios dos poderosos e de quem os apoia? Não podem continuar.


quinta-feira, 3 de junho de 2010

Alegre "a reboque" do BE? Ou será "boato da reacção"?


Há quem não esqueça o que Alegre fez ao PS nos últimos anos. É o caso de Tomás Vasques, de quem sou admirador confesso e contumaz, há dias, assim, no Hoje Há Conquilhas :
Do golpe militar ao golpe palaciano.

Nesta novela «presidencial», em que o PS se deixou envolver, o mais relevante é o facto de Manuel Alegre, deputado do PS durante 34 anos, se ter disponibilizado para protagonizar a estratégia política do BE, mil vezes confessada: crescer eleitoralmente à custa de uma derrocada do PS.

Neste golpe eu não alinho. Se não aparecer outro candidato, escolho o mal menor: voto Fernando Nobre.

(ler mais no Delito de Opinião).


Dá que pensar, de facto. Menos no PS, aparentemente, onde já quase ninguém se lembra de nada. Por mim, acho que é cedo para se tirar uma conclusão tão definitiva. Por isso lhe disse:
Tomás, se as coisas fossem assim tão claras, eu tb me recusava a votar Alegre desta vez. Não são. Temos tempo de ver se Alegre está mesmo "a reboque" de Louçã ou se isso não passa de "um boato da reacção". Depois não entendo o que é que Nobre tem de melhor. É/foi apoiante, militante, propagandista do Bloco, com um primarismo que fazia dó. Nas últimas eleições. Quando o Alegre, apesar de tudo, apelava ao voto no PS.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Cubanos como nós

Chegámos a Madeira com as finanças regionais, e Guilherme Silva, em todos os noticiários: hipocrisia, vingança, perseguição… pelos cubanos do Continente

cubanos como nós!

e qual é a grande manchete que nos atiram desde o Aeroporto? Duas linhas a toda a largura da primeira página por cima do cabeçalho do Jornal da Madeira:
Líder histórico do Partido Socialista
vem à Madeira elogiar Jardim

A foto é de Almeida Santos, que quanto a ser "líder histórico" também é um exagero. Só aderiu ao PS em 78 ou 79, depois de duas ou três eleições gerais, quando foi manifesto que o PS era um partido de Poder. Lembro-me de Mário Soares a chamar por ele no Congresso da Reitoria em Dezembro de 1974: "o nosso amigo Almeida Santos!... "que deve estar por aí" (sic). Não estava. Era um risco ser do PS naqueles dias em que a grande notícia era, mais do que o 1º Congresso do PS em liberdade, a prisão dos "capitalistas sabotadores da economia nacional", por mandato directo de Vasco Gonçalves dizia –se com o MDP/CDE a promover na rua a caça aos fugitivos.

Almeida Santos não é bem "um líder histórico" do PS nacional, embora seja de facto o seu Presidente honorário. Mas sobretudo o título do Jornal da Madeira peca por defeito: é que o homem não foi só "elogiar Jardim", foi "pregar mais um prego" no caixão do PS/Madeira, que já tinha baixado de três para um deputado (ao "Parlamento nacional"!) desde que Jaime Gama passou por cá a elogiar o Grande Político Alberto João.

Agora mais do que Grande Político e ele atinge o invejável estatuto de "economicamente sério", exactamente o título que lhe faltava, quando volta a ser notícia o regabofe, o destempero, a mania das grandezas, os gastos sumptuários desta espécie de Rei-Sol, que sustentam os parvos dos cubanos do Continente,

cubanos como nós.

Já explicaremos isso tudo, ainda estamos no primeiro dia.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Contra a Unicidade Sindical - foi há 35 anos!


Acho extraordinário o que vai para aí nos blogues e nos jornais sobre uma manifestação feminista há 35 anos no Parque Eduardo VII, onde sem pingo de originalidade se terão queimado alguns soutiens. Não dei por ela. É que precisamente há 35 anos, naquele 13 de Janeiro, no Parque Eduardo VII, havia "electricidade no ar ", como constatava Francisco Salgado Zenha e por isso começou o melhor discurso da sua vida em tom contido: "eu vou-vos falar com toda a serenidade".

Dois dias antes a Intersindical promovera uma manifestação avassaladora a celebrar a vitória da unicidade sindical - ficava proibida a existência de mais de um sindicato por profissão e/ou por sector de actividade, o qual inevitavelmente seria controlado pelo PCP, como acabava de acontecer em todos os plenários da Cintura Industrial de Lisboa, de braço no ar, em que as posições contrárias nem aos microfones conseguiam chegar.

E, naquela mesma noite, três porta-vozes autorizados do MFA, liderados por Vasco Lourenço, tinham comparecido na RTP, a ameaçar o PS, que a unicidade tinha sido aprovada pelo MFA, e não ia voltar atrás, combatê-la era fazer o jogo da reacção. Manuel Alegre, que aderira ao PS um mês antes na Reitoria, ele não é fundador, fez o segundo melhor discurso da noite: "O PS não tem medo de sobrolhos carregados, sejam eles civis ou militares".

Parece-vos banal hoje? Pois foi histórico. Nos dias anteriores o DN, então dirigido por um velho republicano (José Ribeiro dos Santos) tinha consentido em publicar uma troca de artigos sobtre a questão sindical, em que se digladiaram Carlos Carvalhas, secretário de Estado do Trabalho, que na altura dizia não ser do PCP (!), e Salgado Zenha, então ministro da Justiça !

A publicação desses artigos de Zenha no DN fora uma lança em África - os jornalistas, os tipógrafos, e demais "classe operária", foram apanhados desprevenidos. Não tinham tido tempo para correr com o director "socialista", fizeram-no depois.

Como foi uma lança em África a convocação daquela manifestação do PS ─ a primeira contra uma decisão política do MFA, com respaldo de milhares de plenários sindicais, contra a chamada União POVO - MFA, que compreendia PCP/MDP/FSP/MES. É/foi uma data fundamental na marcha para a democracia, numa altura em que nem as eleições para a Constituinte estavam garantidas.

Esteva na sede do PS naquele dia 11 de Janeiro, quando apareceu Lopes Cardoso a dizer: "Vamos convocar uma manifestação contra a unicidade, é o momento de sabermos o que valemos como Partido". Anda naquele dia 11, na sede da FAUL, interinamente dirigida pelo António Guterres (a FSP de Manuel Serra, vencida, por pouco, no Congresso da Reitoria um mês antes acabava de abandonar o PS com enorme estardalhaço mediático).

Fizeram-se os cartazes no próprio dia e foi mesmo possível arranjar uma tipografia que os imprimisse. E numa única noite, o PS mobilizou-se para cobrir todas as ruas de Lisboa: "Contra a Unicidade Sindical, Pela Unidade e Liberdade dos Trabalhadores".

No dia 13, no Pavilhão dos Desportos, o único apoio exterior ao PS era o dos anarquistas que distribuíam "A Batalha". Pois, mesmo assim, naquela noite histórica, tiveram que se retirar todas as cadeiras do Pavilhão para caberem mais pessoas. Nem assim, não cabia uma agulha lá dentro, transpirava-se à farta, arranjaram altifalantes para que o comício pudesse ser ouvido cá fora. Como um dos organizadores, achei que me devia sacrificar: saí para dar lugar a outros.

Havia ajuntamento cá fora, nunca tinha visto tanta gente num comício nocturno, a meio de uma semana de trabalho. Claro que apareceram meia dúzia de provocadores: "aquilo eram os fascistas a levantar cabelo", "aquilo não podia ser o PS que não tinha tanta gente", "O PS aliava-se à reacção, era uma traição aos trabalhadores", "Fascismo, nunca mais!". Aguentámos a pé firme.

Naquele dia o PS começou a marcar as suas diferenças da restante esquerda. Como é que alguns só se lembram de uma manifestação atípica de meia dúzia de feministas, que naquele dia de "electricidade no ar" queimaram uns soutiens? Tiveram uns contratempos?! O PS também, por toda a cidade!

O 13 de Janeiro de 1975 é uma data que o PS e todos os democratas deviam celebrar.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O candidato que faz falta para bater Cavaco

“A candidatura de Alegre é imparável” e quem lhe lança a candidatura é o Sol esta sexta-feira. É mau: que Alegre se ponha assim em bicos-de-pés disposto a forçar a nota e evitar que alguém apareça a ocupar o terreno e que para “avisar a malta” recorra ao Sol, que nos últimos anos mais não tem feito do que combater o PS.

Por várias razões. Antes de mais e acima de tudo, porque as próximas presidenciais vai fazer-se sentir a necessidade premente de bater Cavaco Silva, que a cada dia que passa se torna mais intriguista e dissimulado.

Dissimulado Cavaco: Viram-no hoje a proclamar que não está interessado nos casamentos homossexuais porque não está interessado em assuntos que dividam os portugueses. É um argumento rasteiro: tudo o que mexe com o statu quo provoca resistências.

Sobretudo quando logo a seguir vem o golpe baixo: “Eu procuro empenhar-me fortemente na união dos portugueses e nada fazer que provoque fracturas na sociedade portuguesa”.

Com um Presidente assim empenhado na “união dos portugueses” ainda estaríamos hoje na “União Nacional”, o que nos teria evitado a maior fractura que já atingiu a sociedade portuguesa: o 25 de Abril.

Intriguista Cavaco: O que ele insinua é que quem não pensa como ele, e como os seus, o que quer é dividir, o que se propõe é fracturar. E não liga ao que é importante, diz ele: o desemprego, o endividamento, o desequilíbrio das contas públicas, a falta de produtividade e de competitividade.

O que é que o cu tem a ver com as calças? Em que é que a proibição destes casamentos civis (que nem são verdadeiros casamentos, segundo os católicos) ajuda a reduzir os males do desemprego, do endividamento, da falta de produtividade…?

Cavaco Silva é um dissimulado, um intriguista, um manipulador, um arrogante, um bota-de-elástico, e tem de ser corrido nas próximas eleições que tem feito tudo para merecê-lo. Mas para o vencer precisa-se de um candidato empenhado na boa governação do País, com provas dadas no activo, sem teias de aranha ideológicas, que saiba falar mas também fazer, avesso a guerras de alecrim e manjerona, que nos momentos difíceis tenha estado com o PS e não contra ele.

Eu sei de um nome capaz de fazer frente a Cavaco Silva e batê-lo no seu terreno e não é Manuel Alegre de maneira nenhuma.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Deve estar a gozar com o pagode


Afastem de mim esse cálice - diz o esfíngico Cavaco Silva, a propósito da prevista, esperada, evidente ingovernabilidade que aí vem. E dá-se em exemplo: governei dois anos em minoria, sei do que falo, o PS que se desenrasque, não conte comigo, eu sou um faraó.

É meia verdade. Lembro-me perfeitamente, na altura eu andava pela Assembleia, praticamente todos os dias, ao serviço da RTP ou do Semanário. O Governo minoritário de Cavaco, enquanto durou, não teve problema nenhum. O PRD, de Eanes, que com ele fazia maioria, pôs-lhe a mão por baixo, deixou passar tudo o que Cavaco queria. Tudo num ambiente de dinheiro a rodos que começava a jorrar de Bruxelas!

E quando uma Lei, sobre os bombeiros, levou mais tempo a ser discutida, logo Cavaco Silva aproveitou um incêndio em que morreram vários para responsabilizar pelas mortes os deputados que lhe atrasaram o diploma. Lembra-se, sr deputado Queiró?

Depois quando o PRD resolveu deitar abaixo o Governo do PSD sozinho (com menos de 30% dos votos!) apostando numa maioria PS+PRD, que podia contar com o apoio do PCP, sabem qual foi a reacção do PSD: se o PR não convocar novas eleições, como pretendemos, fazemos-lhe "uma guerra santa"ao PR.

Só espero que Sócrates não esqueça o "bom exemplo" de Cavaco. Tanto mais que temos agora, na Assembleia e na rua, a maior e mais caceteira extrema-esquerda da Europa Ocidental. Não se pode contar com eles para nada. São todos adeptos do "O que faz falta é alegrar a malta, quanto mais ingovernável mais divertido", são a esquerda folclórica. Ou como dizia V. Exª: "Forças de bloqueio", sabe do que estou a falar, senhor Presidente!

E para ajudar à festa temos as corporações, os jornalistas de combate, os magistrados auto-mobilizados. Alguém que explique ao PR o que é o regular funcionamento das instituições. Antes de qualquer nova inventona. O país agradece.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

E ela: “porque os contei – um, dois"

Cavaco confuso

September 30th, 2009

Estava eu sentadinho na minha casa do Algarve, já com as pantufinhas calçadas e uma mantinha sobre os joelhos, a estudar os decretos-lei que o malvado do Sócrates me obrigou a levar para férias, quando apareceu a minha Maria, a dizer:

- Estão lá fora duas pessoas importantes do PS a dizer que tu estás a ajudar o PSD a elaborar o programa do Governo.

- E como sabes tu que elas são duas pessoas importantes do PS? – perguntei.

E ela: “porque os contei – um, dois -, porque são altos e porque trazem rosas ao peito.

Percebi automaticamente que o PS me queria manipular, encostando-me ao PSD, para disso tirar dividendos eleitorais.

Regressei a correr a Lisboa e, mal entrei no meu gabinete da Presidência da República achei que alguém me tinha mexido no computador porque o naperon que a Maria tinha posto por cima da impressora, por causa do pó, estava um bocadinho desviado.

Liguei o computador e fui ver os mails e achei-os um pouco vulneráveis. De tal maneira, que hoje mesmo liguei para a Zon e já cá veio um brasileiro que me configurou o meu programa de mails, de modo a só receber mails de pessoas decentes.

Por isso, portugueses, sou forçado – repito: sou forçado – a tornar pública a minha indignação e repetir que ninguém está autorizado a falar em meu nome, nem mesmo a minha mulher.

Se algum dia ela vier a público dizer que eu estou desmemoriado ou confuso, ou baralhado, ou confuso outra vez, podem ter a certeza que falará em seu nome pessoal porque, em meu nome, ninguém fala, a não ser o chefe da Casa Civil e o chefe da Casa Militar e, talvez, eu próprio, embora não tenha bem a certeza disso.

Boa noite e agora vou para dentro, pensar como raio é que vou arranjar uma maneira de não indigitar Sócrates como primeiro-ministro

(in o coiso, via coices do Jumento que levanta a ponta do véu)

sábado, 15 de agosto de 2009

O que me chateia no PS

Vou afixar aqui, à medida que me for lembrando, coisas que me chateiam em cada um dos concorrentes às eleições de 27 de Setembro. Depois, lá mais para a frente, falarei do que me agrada em alguns deles (também os há que não me agradam nada e de quem nem vou falar). No final da campanha talvez vos diga mesmo em quem vou votar. Talvez. O voto é secreto. Direi se quiser, ninguém tem nada com isso.

Começo pelo PS que é a Partido em quem votei em 53 das 57 eleições que tivemos depois do 25 de Abril (contando que uma vez não votei, estava fora do País, outra votei para a Junta de Freguesia no meu padeiro, que era do CDS, outra votei no Cavaco, e dessa não me arrependo, e uma outra votei no Capucho, aqui em Cascais). Também votei uma vez no Manuel Alegre, suponho que essa também deve ser inscrita na coluna do PS.

Isto é, 53 vezes votei PS, e isso é uma coisa que os PS's que conheço não me agradecem mesmo nada. Porque sou um crítico e o PS oficial detesta-me. Digo o que penso, correndo o risco às vezes de ser injusto, mas faço, sempre, o que me parece justo e mais interessa ao País: voto sempre a pensar que o meu voto pode fazer toda a diferença, dar uma maioria absoluta (coisa de que eu gosto!) ou não, enterrar-nos no marasmo ou fazer o País andar para a frente. Isto é que muitas vezes, à última hora, porque feitas as contas são os menos maus ou os de quem me sinto solidário, porque merecem ou porque os outros não prestam mesmo, acabo quase sempre, 53/57 vezes, contei-as, por votar no PS.

Ia ser assim desta vez, há um mês, considerando que o Sócrates se portou como um estadista dos quatro costados e não teve medo de enfrentar os obscurantistas que foram contra a co-incineração, os incompetentes dos professores (que os há, e são sindicalizados!), os negocistas dos médicos, os interesseiros dos juízes, os militantistas do Ministério Público, os facilitistas em geral e os demagogos em particular, além do pouco caso que fez, honra lhe seja, à cultura "engagée", que é uma coisa obscena, ao delírio "tremens" da TVI e do Público (sem contar com o abrupto, a Sic Notícias e o 31 da Armada), e à hipocrisia sabotadora do PR, que é o que mais me dói. Foi vítima da mais miserável, e orquestrada, das campanhas de ódio desde Sá Carneiro, que morreu num acidente, quero crer, e/ou desde o Rei D. Carlos, que foi assassinado. Sócrates sobreviveu a tudo isso e ia ter o meu voto.

Ia ser assim mas agora tenho dúvidas. E esta é a primeira coisa que chateia no PS: a santa ingenuidade com que abriram as suas listas ao militantismo gay. Entendamo-nos que os homosexuais casem ou descasem não me aquenta nem me arrefenta, não vejo por que a Lei há-de proibir, se fazem questão. Eu é que não me tinha apercebido que isso tivesse alguma importância para eles e conheci, conheço, uma data de homossexuais. E pelo menos até há algum tempo nenhum deles me parecia particularmente infeliz por não poder casar. Pelo contrário. Mas enfim...

O que me irrita no "entrismo" dos gays, a esse título, nas listas do PS é que o fazem com uma motivação exclusiva: "foutre la pagaille" nas listas do PS. Basta ver o manifesto que publicou Miguel Vale de Almeida a pedir desculpa aos seus correlegionários de ter aceite o convite de Sócrates, e a campanha absolutamente heterofóbica que tem movido o Jugular. Incomoda-me: sou heterossexual, adoro mulheres, em especial a minha, actual. Reivindico, e assumo, o meu direito à diferença. Comovi-me à brava com o filme "Cenas de Caça na Baviera"! Mas acho mal quando os homossexuais lá porque foram perseguidos, e de que maneira, passem a comportar-se como perseguidores. Assim como os bolcheviques, antes e depois, da Revolução de Outubro.

A inclusão de Vale de Almeida e de outros será um bico-de-obra para o PS se tiver de contar com o seu voto em alguma votação importante. Bem pior do que a deslealdade de Manuel Alegre (e amigas) e a sabotagem de Cavaco Silva. Sei que querem legalizar o casamento homossexual e não tenho quanto a isso nenhuma objecção (quanto ao direito de adopção, sou contra). Agora a inclusão de velhos militantes homossexuais carentes de protagonismo, junto dos jovens, é que me parece uma grande imprudência.

E é uma das coisas que me chateia na campanha eleitoral em curso.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Prós & Contras - Um relatório e contas

Ontem passei pelo Prós & Contras duas ou três vezes mas não consegui aguentar: deu para ver que tínhamos pela frente mais uma sessão de escárnio e maldizer, desesperante, destrutiva, caceteira, cinco contra um, e o que importava era a quantidade de murros e dentadas desferidas. Entendi que ali não tinha notícia, era mais do mesmo, a continuação da campanha violentíssima das europeias, que as oposições ganharam por dez a zero, apesar de algumas jogadas vistosas de Vital Moreira, bem contrariadas pela generalidade da imprensa, nos últimos dias do tempo regulamentar.

Pois bem, vejo por alguns relatos que desta vez o 5 a 1 (com Fátima Campos Ferreira, como sempre, na baliza das oposições unidas que, assim, jamais serão vencidas) poderá não ter dado os resultados esperados. Que Augusto Santos Silva, afinal, poderá ter saído vivo da refrega, ou mesmo ter levado de vencida o inimigo superior em número, agora que o exemplo edificante do Santo Condestável em Aljubarrota voltou ao catecismo, como na religião oficial do Estado Novo. Que, no cômputo final, a notícia pode ter sido, afinal, o homem que mordeu o cão, um clássico exemplo de uma grande notícia. Só por isso não resisto à tentação de vos citar aqui a síntese do debate, segundo Valupi, no Aspirina B:

Santos Silva esmagador é a norma. Ele tem as informações, a boa-fé e a literacia. Não precisa de mais para anular opositores que não comungam destes mínimos. Num Prós & Contras em que estava só contra 4, acabou fresco e a malhar forte e feio em adversários reduzidos à impotência. Desconcertante.

Morais Sarmento é aflitivo. Não faz a menor ideia da imagem de fragilidade e confusão que passa à audiência ao tentar raciocinar em directo. Representa muito bem o PSD pós-Cavaco, e por isso tem feito parte do núcleo duro do partido desde Barroso. É também por comparação com ele, e figuras como Aguiar-Branco, que se louvam as qualidades de Paulo Rangel; ou seja, a sua suposta excelência nasce, afinal, de não ser politicamente indigente como os colegas de partido.

Luís Fazenda é um tractor ideológico. Inútil conversar com este mecanismo, o seu rumo está traçado e há uma batalha da produção demagógica para vencer. Deve deitar-se todas as noites com o sentimento do dever cumprido. Coloca a cassete com cuidado na mesinha de cabeceira e adormece em paz.

Carlos Carvalhas chocou-me pela sua caducidade. Desconheço se há algum quadro clínico que a explique, ou se é fenómeno natural. Seja como for, o PCP ficou muito mal representado.

Nuno Melo é um bronco. O bronco queque, beto, cagão, armado ao pingarelho, rebentando de vaidade e acinte. Fiel sucessor de Portas, é mais um coveiro do CDS.

Pelo que vi, menos de metade, também me pareceu mas não tenho a certeza. Adoro em especial o retrato de Nuno Mello, o justiceiro dos Ferraris, que no CDS o Povo adora carros topo de gama, quem não gostaria, só lhes falta o candidato Vieira a prometer um Ferrari a cada português se o CDS ganhar as próximas eleições! De resto tenho muitas dúvidas que os telespectadores distraídos, que são o público habitual, queiram mesmo saber de quem teve ou não teve razão. A política, à portuguesa (à espanhola também, segundo o António Vitorino) é um espectáculo de porrada e ponto final. Ganha quem der mais. Um contra cinco? Só nos filmes americanos é que Santos Silva podia ter ganho.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Assim não vai lá: Sócrates não pode recuar mais

Em política quando se põe uma pistola em cima da mesa é para se usar, não se pode fazer bluff. Ouvi esta máxima, nestes termos exactos, se bem me lembro, do ministro José Sócrates quando toda a Oposição, incluindo alguns dos seus camaradas e amigos, como Manuel Alegre e Vital Moreira, diziam o piorio da coincineração. Sócrates enfrentou manifestações, providências cautelares, insultos e campanhas visando abatê-lo. Aguentou-se, não vacilou. É verdade que perdeu o primeiro assalto, quando Ferro Rodrigues perdeu para Durão Barroso, e ele foi substituído no Ambiente por Isaltino de Morais. Mas cimentou a sua reputação de homem determinado, contra o facilitismo, e o populismo, e a demagogia.

Pode agradecer à guerra sem quartel que lhe fizeram na coincineração (e aos apoios que teve dos cientistas independentes e da opinião não escrita) as vitórias que dois anos e meio depois teve no PS, e em seguida no País, quando à campanha da coincineração se seguiram contra ele as primeiras campanhas negras, do Freeport à sua vida privada.

Sócrates, quando resistiu e contra-atacou, devolvendo os golpes recebidos na mesma moeda, ganhou força e respeito, populares. Perdeu as europeias? Acontece: lembram-se dos resultados de Cavaco Silva nas europeias de 1987? No mesmo dia em que averbou a primeira maioria absoluta de um só partido, com 2.850.784 e 50,22% dos votos, registou nas europeias 2.111.828 e 37,45% dos votos: menos 740 mil votos, no mesmo dia e com a mesma baixa abstenção, 27,5%.

As europeias não servem como barómetro do estado do País. Devia saber disso o CDS que naquele mesmo dia de 1987 fez o mais brilhante resultado a nível europeu, 4 em 25 deputados, e ficou reduzido à dimensão interna do "partido do táxi". Sócrates fez mal em deixar-se intimidar.

Sócrates está a "descaracterizar-se" - Luís Filipe Menezes tem razão nesse ponto - a olhos vistos. É verdade que as forças que se movem contra o PS são poderosas: vão de Belém à S. Caetano, e vice-versa, assentaram arraiais nas televisões e nos jornais, vetam, puxam para trás, param, bloqueiam, são reaccionárias até ao tutano.

Por isso mesmo. Sócrates devia pôr a pistola em cima da mesa e dispor-se a usá-la, se for preciso. Dizer, como Cavaco Silva em 1991, que "o País não pode parar". Que se não ganhar as eleições, se lhe faltar um deputado que seja para a maioria parlamentar, não poderá continuar a fazer frente a um Presidente da República adverso, mancomunado com uma líder "deprimente" da Oposição, a braços com os extremistas de esquerda, para quem o voto é apenas uma forma de luta e nem sequer a mais importante.

Sócrates deve dizer que ou ganha ou vai-se embora. Fica o País à mercê de Manuela Ferreira Leite ou de Francisco Louçã - o Povo que decida.