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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Por que sobe Passos Coelho nas sondagens


Nervoso, barómetro que não sobe e desce todas as semanas, ou até todos os dias, de manhã e à tarde, deixa de ter interesse mediático e os membros do painel arriscam-se a ser dispensados. Dito isto, não deixa de ser sensacional a subida da cotação de Passos Coelho, que a Marktest coloca já à beira da maioria absoluta. Não me surpreende.

O novo líder do PSD não irrompeu na cena política com campanhas de ódio e ataques pessoais. Deixou isso para deputados afectos à anterior direcção, como Fernando Negrão e Aguiar-Branco, que persistem em alavancar o juiz de Aveiro ─ que em Espanha já estaria suspenso e a responder por prevaricação ─ na guerra perdida contra o Presidente do Supremo e o Procurador Geral da República.

Ou como Pacheco Pereira e Agostinho Branquinho, ou os seus homólogos do PCP, neste momento adulados pela imprensa de sensação, mas que passarão à História como os homens que para ajudar os procuradores de Aveiro tudo fizeram para que as escutas dos processos entrassem pela porta grande na Assembleia da República.

O novo líder, visivelmente, não sabia das escutas nem de coisas tenebrosas ainda não reveladas, como Pacheco e Ferreira Leite, durante a campanha eleitoral. E se agora sabe, se alguma gravação, mais ou menos manipulada, foi deixada no seu gabinete da São Caetano, facto é que não fez uso dela.

O que fez Passos Coelho foi falar de alternativas, discutíveis, suas, respeitar o adversário e ser respeitado. Deixar para a extrema esquerda (Louçã e Jerónimo) e para a extrema direita (Portas e Jardim) os discursos primários, a venda e promoção dos méritos da banha da cobra na política.

Ainda bem. Desde Marques Mendes, e com um pequeno intervalo quando Luís Filipe Menezes defendeu a aprovação do Tratado de Lisboa sem necessidade de referendo, que o PSD ao mais alto nível parece refém de dois grandes educadores ibéricos: Mariano Rajoy, que não é capaz de dizer meia frase sem insultar alguém, e Marcelo Rebelo de Sousa, que vive de picar os seus líderes e dar espectáculo.

Por falar de espectáculo: lembram-se de Marcelo, a analisar as campanhas dos candidatos, numa encomenda da SIC, salvo erro, na véspera da votação. Que Passos Coelho fora mais forte nos debates (era o que diziam todas as sondagens) mas a partir daí Rangel ganhara em toda a linha, Passos Coelho tinha acumulado erros. Por isso muito rigorosamente ele podia dizer estava ela por ela, chegava-se às urnas em situação de empate técnico. Palavra de professor sobre aqueles "alunos" em véspera de exame.

Pois bem, viu-se Passos Coelho ultrapassou os 60%, Rangel mal passou dos 35%. Passos Coelho fez bem em não se fiar no Grande Educador. E continuará a fazer bem se desprezar a cantiga que faz do insulto uma arma. Se ignorar os Marcelos, os Pachecos, os Saraivas, as Manuelas, os magistrados prevaricadores, e todo o poder dos sindicatos e dos lóbies.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Prevaricação dos juízes no caso das escutas?

Aqui não! Pode ser ilegal, mesmo inconstitucional, um deputado ouvir as escutas de um rpocesso. Pode ter sido ilegal, mesmo uma abuso, o juiz de Aveiro tê-las mandado. Só que não há por aí ninguém, como em Espanha, que acuse esses senhores de prevaricação.
Vamos por partes:

Diz o conselheiro Eduardo Maia Costa no seu blog sine die:
Tenho como seguro que a ingerência nas comunicações só é admissível em processo penal, tal como diz o nº 4 do art. 34º da Constituição, e que esta norma, pela sua excepcionalidade, é insusceptível de analogia.
Por isso, não sei o que estão a fazer as escutas telefónicas do caso "Face Oculta", que é um processo judicial, num inquérito parlamentar, que não tem a natureza de investigação criminal.
Boa pergunta! Estão lá porque o requereu o PSD de Pacheco Pereira (o dos setas para baixo!) ─ contrariamente ao PSD de Passos Coelho, ao que parece ─ o requereu pediu, porque o PCP, de Jerónimo de Sousa, tem uma curiosidade mórbida por essas coisas, e aparentemente ainda não se conformou com o desaparecimento do KGB.

Estão lá porque o BE e o CDS não se opuseram ao requerido pelo PSD de Pacheco Pereira, revelando agora alguma hipocrisia ao dizer que não querem "tomar conhecimento" das escutas que aceitaram mandar vir.

Mas sobretudo estão lá porque dois magistrados, o juiz António Gomes da Costa e o procurador João Marques Vidal, vencidos na questão das escutas ao Primeiro Ministro, saltaram sobre esta boa oportunidade de anunciar aos quatro ventos que... "a luta continua!".

É inconstitucional? Vão dizer isso ao constituinte e jurisconsulto Costa Andrade, deputado do PSD durante mais de 20 anos, incondicional dos magistrados de Aveiro (e de Pinto da Costa!).

E não há uma acusação de prevaricação, como aconteceu em Espanha contra o juiz Garzón, por mais esta eventual ilegalidade, abuso de poder, dos magistrados de Aveiro? Não há. Não há porque a disseminação das escutas pelos deputados só pode ter como objectivo baralhar ligeiramente as pistas das fontes quando tudo aparecer escarrapachado nos jornais com acesso privilegiado às tais fontes judiciais e políticas.

A ironia desta estória é que desta vez vai ser muito difícil a um qualquer Enes da TVI ir à Assembleia da República insinuar que foram dois deputados "do PS" que lhe deram a informação. Pacheco Pereira, Jerónimo, os magistrados das escutas, os sindicalistas de serviço vão ter de assumir as culpas que têm.

Culpas perante a opinião pública, apenas e só. Ninguém acredita que algum dia a Justiça corporativa que temos possa consentir que os homens das escutas, a qualquer nível, sejam chamados à pedra. Que não há Justiça, só um arremedo dela, e controlada pelos sindicatos de magistrados! Esta é a razão primeira da crise que vivemos.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

"O povo é sereno", a "fumaça" não leva a nada


Afinal, um Paulo Portas, em permanentes bicos de pés, começa a cansar: o CDS esvaziou-se nas sondagens com a afirmação de um Pedro Passos Coelho, sereno e sem complexos, capaz de telefonar ao Primeiro Ministro a pôr-se "ao lado do País" no actual momento de aperto. Foi um gesto, o de Passos Coelho, largamente celebrado e dado em exemplo, designadamente em Espanha, em todos os canais de televisão e comentários nos jornais. Portugal, a ser notícia pela positiva, num momento de ataques desalmados, internos e externos.

"Sangue frio e nervos de aço" - disse o Primeiro-Ministro no debate quinzenal. E é tb o que faz o novo líder do PSD, cuja coragem política não se limitou a passar o Rubicão e a dispor-se a ajudar o Governo com algumas boas intenções. Foi mais longe: não se coibiu de avançar com esta medida antipopular manifesta: a hipótese de os funcionários públicos (e porque não os outros?) terem de receber este ano o 13º e o 14º mês em certificados de aforro, como forma de reduzir a despesa e ao mesmo tempo financiar o Estado.

Por isso o PSD de Passos Coelho sobe para uns miríficos 40% no barómetro da Marktest. Ultrapassando o Governo, como é normal, num tempo de crise. E afundando tanto o CDS como o Bloco de Esquerda, do Paulo e do Miguel, mas também dos Pachecos e dos Semedos, caceteiros e miguelistas, vanguardas iluminadas, inquisidores, que falam, falam e... mal deixam falar os inquiridos. Como ainda ontem se viu naquela comissão de inquérito no interrogatório de Zeinal Bava.

40% para o partido de Passos Coelho, acho bem. Sobretudo que só 27,9%% querem eleições para já, 60,6% não querem. Eu sou dos que querem, dos que acham que Portugal não conseguirá sair da crise com um Governo fraco, batido e desconsiderado todos os dias, em inquéritos ad-odium, que nunca mais acabam.

Também sou dos que se as eleições fossem hoje teria grande dificuldade em votar no partido de Passos Coelho, que é também o partido das inventonas das escutas em Belém, das perseguições do Freeport, que durou seis anos e não levou a lado nenhum, da Face Oculta, da compra da TVI pela PT, e o mais que vai vir, logo que seja evidente que "era só fumaça, o Povo é sereno", senhores bloquistas e cavaquistas inventem outra coisa.

Mas aplaudo Passos Coelho, olá se aplaudo. Porque furou os pneus do Pacheco, que os tem, imensos, porque pelo menos até à data não alinhou nas demagogias fáceis do Bloco e do CDS. Honra lhe seja!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

FMI a reboque dos comunistas portugueses



O director do DN fala em sinais contraditórios vindos do principal partido da Oposição. Não estou de acordo. A verdadeira contradição, que existe, não vêm da comparação entre o aparente relacionamento civilizado de Passos Coelho com Sócrates e as propostas do PSD para uma poupança de 1700 milhões de euros. Que estas propostas foram feitas no tom certo, valem o que valem, o que não vale é dizer que o CDS e o PCP já tinham proposto estes cortes antes. O PCP, designadamente, nunca propõe cortes a valer, limita-se a anunciar catástrofes todos os dias, quanto pior melhor: agora até aplaude as conclusões a que chega o FMI alegadamente a reboque dos comunistas portugueses.

Os sinais contraditórios vêm da comparação necessária do posicionamento do novo líder do PSD com o abespinhamento irritante de deputados do mesmo partido, como Pacheco Pereira e Agostinho Branquinho, na comissão de inquérito ao Primeiro-Ministro, que tornam aquelas sessões da Assembleia um espectáculo de escárnio e mal-dizer, que dá vómitos.

Sabemos que os relatórios das agências internacionais, incluindo os do FMI, são elaborados com citações a granel de políticos e comentaristas portugueses, a calcar o Governo, a tratá-lo todos os dias como associação de malfeitores. O Povo gosta?

O Povo é quem mais ordena dentro de ti, ó cidade, 25 de Abril, sempre! Temos a extrema esquerda parlamentar mais numerosa da Europa. Não se pode estranhar que seja o Bloco de Esquerda e o PCP a ditarem as regras. Não é só o FMI que vai a reboque dos comunistas portugueses. Pacheco Pereira, também, está-lhe no sangue.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pacheco Pereira ─ diz-me com quem andas!

Estes são os livros que Pacheco Pereira anda a estudar: panfletos da Democracia Nacional, associação da extrema-direita espanhola, contra a União Europeia.
Como se vê, no seu blog .

Leva o caminho de Jacques Doriot, que começou radical de extrema-esquerda, nas juventudes comunistas francesas no princípio dos anos 20, e acabou fascista e colaboracionista no final dos anos 30, no chamado Partido Popular francês? Veja-se esta apreciação, muito a propósito, de João Pinto e Castro, assinalada pela Câmara Corporativa:

SEXTA-FEIRA, NOVEMBRO 06, 2009

Da série "Frases que impõem respeito" [377]

    Pacheco Pereira promete ser a voz do Jornal do Crime na Assembleia da República.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Uma campanha alegre

Todos os partidos da Oposição ganharam as eleições de Setembro, não se podiam agora ir aliar à Situação, que foi punida, vendo bem só ela é que perdeu, em sufrágios e números de deputados, que importa isso de, apesar de tudo, ter tido mais votos, desde quando é que "ter mais do que os outros" é virtude, em Portugal?

A Situação não tem virtude e não é de fiar. Portou-se mal no passado, portar-se-á mal no futuro. Como é que ousa pedir namoro à gente, e para governar o quê?

─ Eu já te digo o que é governar!

Lembras-te como foi quando tinhas maioria no Parlamento mas minoria na rua, minoria nas televisões, minoria nas rádios e nos jornais? Agora vais ter minoria também no Parlamento. E ainda tens a lata de nos dizer: vamos dialogar?

─ Eu já te digo o que é dialogar!

Ainda o Governo não saiu da casca e já tem pela frente um campo de minas. A primeira delas: o PCP logo apresentou uma resolução para parar com a avaliação dos professores: "para testar a vontade de diálogo" ─ diz Bernardino a sério . O BE uma resolução para parar apresentou já: "para o diálogo provar" ─ ameaça Pureza a rir.

Aliás uma coisa dessas nem é preciso o PS votar a favor. Basta que as iniciativas do PCP e do BE tenham o acordo do PSD e do CDS, que o que mais querem da vida é... parar com a avaliação. Na tropa, no meu tempo, dizia-se: "ordinário, marche!" Aqui é mais: "ordinário, pare!

E tem contrapartidas, fáceis e deliciosas: na actual composição do Parlamento, para fazer avançar uma iniciativa do PSD e do CDS, e assim humilhar o Governo, o que dá gozo a todos, basta apenas que o PCP e o BE se abstenham. Amor com amor se paga.

Isto é: ninguém na Oposição quer governar com o PS, mas todos podem... fazer parar o que o PS governar. A morte deste Governo é uma questão anunciada.

Que nos partidos da Oposição são todos homens honoráveis e todos vão querer dar a sua facada a César no Senado. Para já, onde divergem um pouco, é no tempo e no modo de o fazer. Assim como naquele debate que contava o Eça na Campanha Alegre:
(...) tratava-se de decidir, a sangue frio, com argumentos e boa gramática ─ se os maridos deviam matar suas mulheres. O Sr. Dumas tinha dito com o charuto na boca, folheando a Bíblia ─ mata-a! Outros, fechando a navalha no bolso (que a tinham!) diziam generosamente: não a mates! Alguns vaudevillistas, entre uma bock e uma pilhéria ─ vai-a matando sempre! E outros acrescentavam, expondo que era necessário estudar mais a questão e consultar dicionários: por ora não a mates!
Nesta parábola, é evidente que a mulher adúltera é o Governo. O sr. Dumas é o Portas, está na cara. Os vaudevillistas são os do Bloco, uns artistas. Os outros, os outros... por ora não a mates, vamos estudar?! Só se for o Pacheco Pereira! E os que para já preferem guardar a faquinha no bolso? Gente generosa! Só mesmo o PCP.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Apoiado, Eduardo Pitta, é exactamente como diz.

Justíssima esta análise de Eduardo Pitta, no blog Da Literatura, em especial a comparação que faz de Karl Rove, guru dos neocons americanos, com José Pacheco Pereira e Paulo Mota Pinto. O mesmo Karl Rove que continua praticamente todos os dias, na Fox News, a agitar as águas turvas do reaccionarismo americano, como Pacheco Pereira entre nós, a pregar contra o apocalipse que Barack Obama vai desencadear. A única diferença, apesar de tudo, é que Karl Rove conseguiu duas vitórias de George W Bush, Pacheco e Mota Pinto só enterraram o PSD. De resto, estou totalmente de acordo, estão bem uns para os outros. E enquanto forem os mesmos a mexer os cordelinhos no PSD, Sócrates pode dormir descansado. E começar a preparar as próximas eleições, daqui a seis meses, que nem Cavaco nem as Oposições o vão deixar governar. Uma síntese perfeita, este texto que aqui transcrevo, na íntegra e por extenso, com a devida vénia:

Terça-feira, Outubro 13, 2009

MUDAR DE KARL ROVE


Desde que foi eleito secretário-geral do Partido Socialista, em 24 de Setembro de 2004, José Sócrates tem sido acusado de tudo. Isso não o impediu de ganhar as legislativas de 2005 com maioria absoluta e as de 2009 com maioria relativa. Sublinhar que a vitória de há quinze dias foi obtida contra uma coligação negativa de sete corporações: sindicatos, magistrados, jornalistas, professores, médicos, farmacêuticos e militares. Anteontem, o PS ganhou as autárquicas, obtendo mais votos, mais mandatos e mais presidências de câmara do que nas autárquicas de 2005. Contra os 22,95% do PSD, o PS obteve 37,66%.

Lembrar aos distraídos que 28 câmaras do PSD foram conquistadas pelo PS: Leiria, Figueira da Foz, Trofa, Ourém, Castelo de Paiva, Barcelos, Terras de Bouro, Vieira do Minho, Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Oliveira do Hospital, Penacova, Tavira, Vila do Bispo, Manteigas, Mêda, Mesão Frio, Castro Daire, Mangualde, Moimenta da Beira, Tabuaço, Vila Nova de Paiva, Valença, Povoação, St.ª Cruz da Graciosa, Velas, Vila Franca do Campo e Lajes do Pico (as últimas quatro nos Açores). E outras seis conquistadas ao PCP: Beja, Viana do Alentejo, Vila Viçosa, Marinha Grande, Monforte e Aljustrel.

Imaginem o que seria sem a rua em brasa, desemprego, Freeport, férias dos juízes, ASAE, novo aeroporto de Lisboa, avaliação de professores, affaire Independente, IVG, Cova da Beira, Estatuto dos Açores, leis fracturantes, TVI, projectos de maisons, pré-dissidência de Manuel Alegre, reforma da Segurança Social, Código do Trabalho contra a esquerda, processos a jornalistas, Belémgate, crise económica internacional, endividamento da população, Quimondas, fronda anti-TGV, axfixia democrática, etc. Ou muito me engano, ou o PSD vai ter de substituir os seus Karl Rove
.

sábado, 10 de outubro de 2009

Ratificações(3): As palhaçadas do Senhor Klaus

O gesto é tudo. Este é Vaclav Klaus, presidente da República Checa, que há mais de dois anos goza com a União Europeia, inventando novos pretextos, praticamente todas as semanas, para não assinar o Tratado de Lisboa.

Apesar de todas as pantominices da triste figura, como quando foi ao Parlamento Europeu acusá-lo de ser uma espécie de assembleia da antiga União Soviética e de estar sempre de acordo com o "Governo" da União Eurpeia.

Apesar das asneiras jurídicas que tem debitado sobre o Tratado. Designadamente estas:
The democratically established authorities of our state will be deprived of the right to decide on many areas of public life and this administration will be turned over to the EU authorities, which are not subjected to sufficient democratic control. In addition, the European Union authorities will be allowed to expand their own competencies over life in our country and its citizens at their will, even without our consent.
Que Pacheco Pereira, admirador de Klaus, logo transcreveu para o seu blog. Ora acontece que, para começar, o novo Tratado, contrariamente ao que está, admite e prevê a possibilidade de um Estado membro sair da União Europeia. Eis o que, desde logo, devia tranquilizar os checos sobre a possibilidade de "os estrangeiros" lhes imporem algo que ofenda os seus princípios democráticos internos.

E sobretudo ninguém priva os checos de rejeitarem decisões não previstas no Tratado: têm de ser tomadas por unanimidade.

Nem de reagir ao processo simplificado de revisão, previsto no novo artigo 48º, o qual segundo Klaus "allows the establishing treaties of the EU to be changed and thus - immediately - also by a decision of the Council of the European Union". Precisamente porque o parágrafo 6º do mesmo artigo 48º dispõe que quaisquer alterações assim decididas só entram em vigor se e quando forem ratificadas por todos os Estados membros.

Todas as objecções de Klaus foram rebatidas em devido tempo, na República checa e por toda a Europa. Não evitaram que as duas Câmaras do Parlamento do seu país ratificassem o Tratado de Lisboa com maiorias claras:
  • a Câmara dos Deputados checos, a 18 de Fevereiro de 2009, com 125 votos a favor, 61 contra e 11 abstenções;
  • o Senado, a 6 de Maio de 2009, por 54 a favor, 20 contra e 5 abstenções.

Prova evidente do seu mau perder é o discurso que fez no próprio dia em que o Senado votou a ratificação do Tratado. Acusou os senadores que votaram a favor de terem "renunciado à sua integridade cívica e política". E logo incentivou os senadores derrotados a recorrerem, de novo, ao Tribunal Constitucional.

Estávamos a 6 de Maio. Mas só em 29 de Setembro quando se tornou público que o Povo irlandês aprovava o Tratado, e por maioria qualificada de dois terços, é que 17 senadores amigos do Presidente, quase todos os que tinham sido derrotados na votação de Maio, recorreram ao TC. Klaus logo declarou que só assinava quando o TC se pronunciasse. De novo. Pela enésima vez.

Agora inventou outra dificuldade. Que o novo Tratado permite aos herdeiros e descendentes dos alemães dos Sudetas, 3 milhões, que no fim da Guerra foram colectivamente responsabilizados pelos crimes de Hitler, colectivamente expulsos das terras onde viviam há centenas de anos, e vítimas do confisco generalizado de todos os seus bens, recorressem agora ao Tribunal Europeu, passando por cima dos tribunais checos, para obterem indemnizações.

As perseguições às minorias alemãs, e aos sobreviventes do Holocausto, para lá da cortina de ferro no pós-guerra foram de facto abjectas. E basta ler "a 25ª hora" de Virgil Georghiu ou as obras da recem premiada Herta Müller, uma alemã romena, dos Cárpatos. Mas o Tratado de Lisboa só prevê a possibilidade de recurso directo dos cidadãos aos Tribunais Europeus para situações derivadas da aplicação de novas leis europeias.

Vaclav Klaus enganou-se mais uma vez. E o que é pior revelou a sua verdadeira face: cúmplice dos crimes estalinistas praticados no seu país há mais de 60 anos. Klaus é uma vergonha. Não admira que seja tão adulado pela extrema esquerda e extrema direita portuguesas.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ratificações do Tratado de Lisboa (2) ─ como é, como foi

Dissemos que de uma maneira geral, as votações a favor do Tratado de Lisboa foram esmagadoras. E que, comparativamente, a aprovação do Tratado de Lisboa, em Portugal, onde Lisboa se situa (208 a 22), foi pouco entusiasta, a pior dos "países da coesão".

Hoje seria ainda pior com a subida em flecha do Bloco, que quer "bloquear" a União da Europa e entende-se muito bem porquê, com a consolidação da CDU, contra desde a primeira hora, nunca enganou ninguém, e com o regresso ao poder no PSD dos soberanistas, como Pacheco Pereira, amigo e seguidor de Vaclav Klaus, da República Checa, Lech Kaczynski, da Polónia, e David Cameron, do Reino Unido.

Com Manuela Ferreira Leite e Pacheco Pereira, nos lugares de Luís Filipe Menezes e Pedro Santana Lopes, é pouco provável que escapássemos ao referendo. E com a demagogia e as ideias curtas, que são timbre dos políticos anti-europeus, estaríamos agora a sair da crise, como a Irlanda, se entretanto Pacheco Pereira, o grande ideólogo do PSD, não tivesse convencido Cavaco a seguir os exemplos de Kaczynski, Klaus e Cameron.

De todos Cameron é o mais perigoso. Porque foi no Reino que a ratificação do Tratado de Lisboa obteve o seu pior (346 a 206 e 81 abstenções na Câmara dos Comuns, nos Lordes não houve contagem dos votos). E porque o Partido Conservador é declaradamente eurofóbico, neste momento tenta pressionar Kaczynsky e Klaus para que não assinem a ratificação, de maneira a que os conservadores consigam chegar ao poder antes de terminado o processo de ratificação dos 27.

David Cameron já anunciou que se isso acontecer pedirá a devolução dos instrumentos de ratificação depositados pelo Governo de Gordon Brown e promoverá um referendo. Para enterrar de vez o Tratado. Que os conservadores rejeitam com argumentos delirantes: "mil anos da História de Inglaterra que vão pelo cano abaixo". Leia o artigo todo, dê uma olhada pelo Daily Mail, pelo Daily Telegraph, pelo The Times, se pensa que estamos a exagerar. E tudo isto apesar de que tudo o que criticam não lhes ser aplicável porque foram objecto de cláusulas de exclusão.

Mesmo que o regresso ao poder dos conservadores já não vá a tempo de impedir a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, vários conservadores, entre os quais Boris Johnson, presidente da Câmara de Londres, defendeu ainda há dois dias, na Convenção Anual dos no Conservadores reunida em Manchester, que os Conservadores promoveriam uma consulta popular sobre o Tratado de Lisboa, quando chegarem ao Poder e qualquer que seja o estado do processo.

O que é que os súbditos de Sua Majestade fazem na União Europeia – é o que não se entende. Felizmente que no Tratado fica agora prevista e regulamentada a saída da União. Será quando o Reino Unido quiser e não deixa saudades.

Em suma estamos todos neste momento à espera do que fará Kaczynski, da Polónia, mais papista do que o Papa, e Klaus, da República Checa, cuja campanha contra o Tratado conhece todos os dias novas peripécias. A ver se se decidem. A tempo de evitar a bomba atómica com que os britânicos nos ameaçam a todos. Com o perigo aqui tão perto, ainda há quem se preocupe com o poder nuclear do Irão.

sábado, 3 de outubro de 2009

Os irlandeses são uns pândegos



À segunda foi de vez: 67,1 % a favor do Tratado de Lisboa e assim aumentaram as suas perspectivas europeias. Para quem tinha tantas dúvidas há cerca de ano e meio, este resultado é obra! E não me digam que agora lhes foram dadas garantias que antes não estavam no Tratado ─ é mentira.
Os irlandeses são uns pândegos:
deram um contributo de todo o tamanho para a crise que rebentou na Europa e no Mundo.
Agora com as próprias barbas a arder dão à reforma das instituições e à nova carta de direitos fundamentais europeus uma maioria de dois terços.
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Ainda falta a República Checa, de Vaclav Klaus, guia espiritual do Dr Pacheco Pereira,
que também queria em Portugal um referendo como na Irlanda
que até inverteu as setas do PSD quando Luis Filipe Menezes foi contra o referendo
que como na Irlanda nos teria feito passar a vergonha de arrastar na lama um Tratado
que até tem Lisboa no nome
que aqui foi acertado sendo José Sócrates presidente do Conselho de Ministros da UE
e sendo José Manuel Barroso presidente da Comissão
em dia de manifestação anti-europeia e anti-governamental do PCP e do Bloco de Esquerda.
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Para que conste.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A táctica da quadratura segundo S. Nuno Pacheco Pereira

Mais uma vez, mandaram-me de Madrid, este recorte do Inimigo Público com comentário e tudo:

Pacheco Pereira inventou a ‘táctica da quadratura’ para eventualidade de invasão espanhola
17 17e Setembro Por Vítor Elias
Manuela Ferreira Leite não quer cá espanhóis e Pacheco Pereira começou de imediato a gizar um movimento defensivo inspirado na “táctica do quadrado” usada por Nuno Álvares Pereira em Aljubarrota. A “táctica da quadratura” consiste em atrair o inimigo castelhano (com uma mala cheia de notas do António Preto) até um terreno afunilado (as traseiras do LIDL da Marmeleira).
Pacheco Pereira vergastará então os invasores encurralados com explicações enfadonhas sobre os “não-factos políticos” criados pelas agências de comunicação, até que os espanhóis, enfastiados de morte, se rendam. Caso não funcione, Pacheco Pereira vai recorrer a tácticas mais drásticas, inspiradas na resistência palestiniana, fazendo explodir o seu enorme ego bem no meio das fileiras castelhanas.













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Pois, Sintra - 17.09.2009 23h39


Parece que também vai atirar aos espanhóis este extracto do programa eleitoral do PSD: "No investimento ferroviário, suspenderemos imediatamente os processos de adjudicação em curso para a alta velocidade e procederemos a uma reanálise do projecto nas suas diversas vertentes, considerando as possibilidades do seu redimensionamento para uma escala mais razoável e realista”. O objectivo é pôr os espanhóis a tentar perceber: “Pero que coño quieren los Pachequistas ?”. “ Quiren el TGV o no quieren?” Na verdade não dizem se querem ou não, se deve ser redimensionado ou não, prometem apenas que “vão considerar a possibilidade do seu redimensionamento”. É assim no resto do programa. Ah, já me esquecia, eles são patriotas e os outros não. São beatos de S. Nuno, ou de S. Nunca à Tarde.