Mostrar mensagens com a etiqueta Marcelo Rebelo de Sousa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marcelo Rebelo de Sousa. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Forrobodó nos professores: a luta continua

De férias no Norte, leio mais o Jornal de Notícias e arrependo-me sempre de não o fazer mais vezes, o JN é provavelmente o melhor jornal do País. Em dias sucessivos, pôs a nu o descontrolo em que estão as pensões e o pagamento de horas extraordinárias dos professores.

Se era preciso uma prova que este Governo não tem autoridade para governar, como pretendeu Passos Coelho no Pontal, ela aí está. E estou mais de acordo que foi um bom discurso de um líder da Oposição que quer desgastar o Governo, do que um tiro de pólvora seca, como pretendem, a uma só voz, Jerónimo de Sousa e Marcelo de Sousa - serão da mesma família?

Errada, a resposta do Governo: não pode passarf a vida a gritar vem aí lobo, o que o PSD quer é uma crise política. Se estivesse a governar como devia, a resposta que se impunha era desafiar o PSD a apresentar uma moção de censura, uma vez que para tal não lhe faltaria o apoio do PCP e do Bloco, que estão todos os dias na rua a censurar o Governo.

A situação no ensino, desde que Maria de Lurdes Rodrigues foi sacrificada na altar das demagogias, é de desnorte completo. O mesmo se passa na Justiça, onde o ministro diz que está disposto a ouvir o que o Procurador tem a dizer, enquanto o seu secretário de Estado fecha todas as portas e janelas: "o PGR tem os poderes que deve ter" e ponto final.

Em suma: na Justiça como no Ensino manda menos o Governo do que os contrapoderes (Cavaco diria "as forças de bloqueio"!) e assim o País não aguenta, afunda-se de vez. Ao que tudo leva a crer, passado o 9 de Setembro, não teremos poder nenhum durante mais de um ano. Com os sindicatos aos saltos e a Justiça na rua, como está, Sócrates, como seu homónimo na Grécia antiga, vai ser obrigado a beber a cicuta.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Por que sobe Passos Coelho nas sondagens


Nervoso, barómetro que não sobe e desce todas as semanas, ou até todos os dias, de manhã e à tarde, deixa de ter interesse mediático e os membros do painel arriscam-se a ser dispensados. Dito isto, não deixa de ser sensacional a subida da cotação de Passos Coelho, que a Marktest coloca já à beira da maioria absoluta. Não me surpreende.

O novo líder do PSD não irrompeu na cena política com campanhas de ódio e ataques pessoais. Deixou isso para deputados afectos à anterior direcção, como Fernando Negrão e Aguiar-Branco, que persistem em alavancar o juiz de Aveiro ─ que em Espanha já estaria suspenso e a responder por prevaricação ─ na guerra perdida contra o Presidente do Supremo e o Procurador Geral da República.

Ou como Pacheco Pereira e Agostinho Branquinho, ou os seus homólogos do PCP, neste momento adulados pela imprensa de sensação, mas que passarão à História como os homens que para ajudar os procuradores de Aveiro tudo fizeram para que as escutas dos processos entrassem pela porta grande na Assembleia da República.

O novo líder, visivelmente, não sabia das escutas nem de coisas tenebrosas ainda não reveladas, como Pacheco e Ferreira Leite, durante a campanha eleitoral. E se agora sabe, se alguma gravação, mais ou menos manipulada, foi deixada no seu gabinete da São Caetano, facto é que não fez uso dela.

O que fez Passos Coelho foi falar de alternativas, discutíveis, suas, respeitar o adversário e ser respeitado. Deixar para a extrema esquerda (Louçã e Jerónimo) e para a extrema direita (Portas e Jardim) os discursos primários, a venda e promoção dos méritos da banha da cobra na política.

Ainda bem. Desde Marques Mendes, e com um pequeno intervalo quando Luís Filipe Menezes defendeu a aprovação do Tratado de Lisboa sem necessidade de referendo, que o PSD ao mais alto nível parece refém de dois grandes educadores ibéricos: Mariano Rajoy, que não é capaz de dizer meia frase sem insultar alguém, e Marcelo Rebelo de Sousa, que vive de picar os seus líderes e dar espectáculo.

Por falar de espectáculo: lembram-se de Marcelo, a analisar as campanhas dos candidatos, numa encomenda da SIC, salvo erro, na véspera da votação. Que Passos Coelho fora mais forte nos debates (era o que diziam todas as sondagens) mas a partir daí Rangel ganhara em toda a linha, Passos Coelho tinha acumulado erros. Por isso muito rigorosamente ele podia dizer estava ela por ela, chegava-se às urnas em situação de empate técnico. Palavra de professor sobre aqueles "alunos" em véspera de exame.

Pois bem, viu-se Passos Coelho ultrapassou os 60%, Rangel mal passou dos 35%. Passos Coelho fez bem em não se fiar no Grande Educador. E continuará a fazer bem se desprezar a cantiga que faz do insulto uma arma. Se ignorar os Marcelos, os Pachecos, os Saraivas, as Manuelas, os magistrados prevaricadores, e todo o poder dos sindicatos e dos lóbies.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

MRPP - Marcelo Regressa Pedimos-te Perdão

O Povo quer e nós lançamos, aqui e agora, um movimento para Marcelo, como na foto, ter um lugar activo, e cativo, no estúdio de onde é emitido o Telejornal. Para poder interromper, comentar, telefonar, acrescentar, jogar ao rapa-tira-deixa-põe... sempre que lhe apetecer. Porque, meus irmãos, o que se prepara é o saneamento de Marcelo, sem tirar nem pôr.

Com um pretexto fútil: que Vitorino ao fim de 5 anos cansou-se e vai-se embora. Que é que Marcelo tem com isso? Esteve lá uma data de anos sem ninguém que lhe fizesse sombra. E quer continuar sozinho, pois então. Já começou a fazer queixinhas pelos jornais. Um pouco como Mirabeau nos Estados Gerais de 1789: Estou aqui por vontade do meu povo e só saio daqui pela força das baionetas.

Como diz o Luís Novaes Tito, na Barbearia, a questão é esta: Pode a RTP viver sem Marcelo? Pode mas não é a mesma coisa.

E podemos nós? Não podemos, que parece mal. Por isso nos lançamos de cabeça nesta iniciativa patriótica para o regresso de Marcelo, todos os minutos que quiser, aos écrãs da RTP, o MRPP ─ Marcelo Regressa Pedimos-te Perdão. Precisamos de 92 mil assinaturas. Precisamos de um referendo. Precisamos de uma vaga de fundo. E exigimos que sempre que ele decidir intervir, todos os dias que seja, deve enviar-se SMS a todos os telespectadores, como Rodrigo Guedes de Carvalho sugeriu nos Gato Fedorento.

E sobretudo não me venham dizer que em matéria de entretenimento há quem prefira o Governo Sombra da TSF, com o Carlos Vaz Marques, o Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares. O qual, como já ouvi por aí, é mais divertido, mais credível, e sobretudo mais equilibrado.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Lá vamos cantando e rindo


Homens há, que gostam tanto deles próprios que nunca hão-de encontrar mulher, ou homem, à sua altura. Por isso se agitam, se exibem, se põem em bicos de pés, se desunham, fazem fila nas televisões, com tantos maneirismos, que se torna aflitivo.

Não, não estou a falar de Paulo Portas, esta foi, só, a única foto que arranjei para ilustrar o carnaval que aí anda. Falo de um tipo com muito mau aspecto, alegado militante do PS, que apareceu ontem na RTPN, todo íntimo do apresentador ─ "olá, Hélder!" ─ a falar das 90 mil assinaturas ─ e não são muitas, há mais gente a ir às missas, todos os domingos ─ que "o José Sócrates como é democrata não pode deixar de ter em conta", a exigir um referendo contra as minorias, homossexuais, que querem é conspurcar a instituição do santo sacramento do matrimónio, maioritária entre nós. "O povo é que manda, não é, Hélder?"

O povo pronunciou-se sobre essa matéria há menos de três meses? "Não, senhor. Só um partido, o PS, falou nisso, mas tão pouco, que as pessoas nem se aperceberam disso. Uma deputada do PS, Teresa Venda, à semelhança de muitos militantes socialistas, assinou a nossa petição a exigir o referendo" ─ defendia o tal socialista, de mau aspecto, triunfante.

O bom do Hélder ouvia enlevado. Não lhe ocorreu dizer que a tal Teresa Venda não é do PS, faz parte de aquele grupito de mulheres muito cristãs, que o António Guterres trouxe para as listas do PS, e aparecem sempre que o PS está em dificuldades a dizer mal do PS, e só para isso é que servem. Foi assim na votação final do Estatuto dos Açores, nas decisões do aborto, na campanha do respectivo referendo, em que foram vedetas e bandeira das correntes mais caceteiras a combater o PS.

São duas senhoras, afectas à extrema direita religiosa ─ Deus, Pátria e Família ─ espécie de 5ª coluna, no grupo parlamentar do PS, em que participam. O tal "amigo íntimo" do Hélder não se lembrou disso, como não terá ocorrido ao tal sujeito mal encarado, e mal informado, sobre a "sua camarada", a deputada Venda, que lástima!

Era um homem de várias caras, todas feias, a agitar-se, exibir-se, fazer o pino, desunhar-se, para os seu 12 a 14 minutos de fama, que a RTP é generosa com os vendedores da banha da cobra, Marcelo Rebelo de Sousa, que o diga.

Não têm vergonha na cara. Preparem-se para o que aí vem. Vão lendo o que dizia dos homossexuais a Santa Inquisição, para justificar algumas condenações à morte. Lá vamos cantando e rindo,/ levados, levados, sim,/ pela voz do som tremendo,/ das turbas, clangor sem fim".

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Todos os caminhos vão dar a Marcelo

A Marcelo estendem-lhe a passadeira. Desta vez nem é preciso que Deus desça à Terra, a ele, Marcelo, ergue-se-lhe um caminho semeado de flores, serpenteando por cima dos mares, até ao Céu. Em verdade em verdade vos digo: Ele é o caminho, a verdade e a vida, do PSD.

No mesmo dia, praticamente à mesma hora, Paulo Rangel e José Luís Arnaut, finalmente, lançaram nas televisões a candidatura de Marcelo ao trono do PSD. Com oito dias de atraso, a bem dizer. Logo no primeiro dos seus sermões de domingo a seguir às autárquicas, Marcelo fizera-se lembrado bem ao seu estilo: Oferecia "cimeiras" a cada uma das personalidades, maneira de preparar a procissão que o viesse buscar num andor.

Não vieram logo e Marcelo zangou-se: "Se querem transformar isto num ringue (leia-se, se houver luta pela liderança), não contem comigo, assim não vou". Ninguém tinha reparado que houvesse luta, apenas vagas intenções, para depois, se a D. Manuela abandonar o barco.

Mas Marcelo tinha pressa e resolveu dramatizar. Não vou, não vou ─ disse no Gato Fedorento. Não vou, não vou, não vou ─ insistiu com Flor Pedroso. Genial! A birra de Marcelo desatou as línguas. Esta noite caíram sobre ele uma torrente de elogios.

"Marcelo é o maior, ele foi o melhor líder de Oposição que jamais houve neste País" ─ proclamou Paulo Rangel e não foi contrariado pela sua amável interlocutora, que bem lhe podia ter dito que a bondade de uma oposição se mede pela capacidade do líder ganhar as eleições seguintes, como fez Guterres, como fez Durão, como fez José Sócrates. Claro que ninguém na RTP pode contrariar Marcelo, ele é o padre-cura daquela paróquia, e se não lhe dão tudo o que quer, ele vai queixar-se à concorrência.

Ainda mais edificante foi a oração de Arnaut: "Só ele pode unir o Partido!". Mas o PSD está desunido? Onde, quando? O próprio Arnaut se desmentiu logo a seguir: "O PSD está tão unido que Aguiar-Branco foi eleito com 77 votos".

Os dados estão lançados. Marcelo quer união, que ninguém se lhe oponha, não gosta de contraditório. Por isso não quis ser eleito deputado, que se deu mal com a função quando por lá passou na Constituinte. Já então preferia, ele próprio confessou, "a criação de factos políticos", no Expresso, "tão amigos que nós éramos", não é verdade, Dr Balsemão?

Continua na mesma. Enquanto esperava que o carteiro passasse outra vez, para quê a tribuna de S. Bento se tinha um púlpito na RTP? Marcelo, grande Marcelo, o trabalho que lhe deu esta segunda oportunidade!

Chegou a hora/chegou chegou/ A hora é boa/ E o samba começou!

sábado, 24 de outubro de 2009

Marcelo telefonou a Flor Pedroso

Esta noite, às cinco da manhã. Diz Marcelo:
─ Flor, amanhã, à 19H45, hem, além da perguntas que já combinámos, hem, assim lá para o fim, faça-me assim uma pergunta do género: viu o Gato Fedorento de sexta-feira?
─ Muito bem, professor, obrigada de me ter acordado.

E amanhã, às 19H45, adivinham o diálogo do genial comentarista com a sua entrevistadora de estimação?
Flor Pedroso: Professor, viu o Gato Fedorento de sexta-feira?
Professor: Não. Porque pergunta?
Flor Pedroso: Falaram de si, Professor.
Professor: Ah falaram? Não soube de nada.

O Professor é assim. O leitor se por acaso também não soube de nada, vá por mim, informe-se, aqui. Há três vídeos do último episódio, veja os três. É o melhor que alguma vez foi dito de Marcelo depois do vídeo do aborto.

domingo, 18 de outubro de 2009

O Marcelo é um chico-esperto

Repararam na maneira como ele chamou estúpidos a todos os líderes da Oposição, menos a Portas, que tem medo dele, por terem falado com José Sócrates? Fácil. Bastou alterar um pouco os factos, dizer que Sócrates propôs a todos que se coligassem com ele, aos que são pelas nacionalizações e aos que são contra, grande aldrabão, esse Sócrates! E a Manuela, e o Jerónimo, e o Francisco, e em certa medida também o Paulo, "caíram na esparrela, a falta que eu faço à frente do PSD, para denunciar estas manigâncias!".

Pequeno pormenor: Sócrates, que se saiba, pelo menos ninguém o disse, não propôs coligações a ninguém". Perguntou a cada um se estava disponível a iniciar um diálogo, sem condições prévias, com vista a assegurar uma solução governativa estável para o País. Iniciar o diálogo, hem? Sem condições prévias? Género o que é que cada um acha importante que o PS transija? E o que é que acha pôr de seu? Com vista à estabilidade do País?

Logo alguns responderam que a estabilidade não interessava nada, pelo contrário. Deixando à vista que... a luta continua, o Sócrates para a rua, política é espectáculo e estamos aqui para isso.
E foram francos. Marcelo, não: para se fazer passar por inteligente, o único, o bom, o da Bayer, chamou burro a toda a gente.

Marcelo sempre foi assim, quando está sozinho em cena, sem contraditório, como naquelas pretensas entrevistas, na RTP. Lembro-me dele na Constituinte, foi discreto e reservado, absolutamente insignificante. Foi ministro dos Assuntos Parlamentares de Balsemão, passava a vida a convidar os jornalistas para o seu gabinete, fugia a sete pés de dizer o que pensava no plenário, podiam cair-lhe em cima e ele tem horror de apanhar.

Marcelo, para brilhar na sentença, já idealizada antes do julgamento, ajeita os factos provados às suas conveniências prévias. Conheci juízes assim. Brilhantes. E tenebrosos. Porque... "ajeitam os factos", e dos factos provados só excepcionalmente cabe recurso. É por isso que foge do contraditório como o diabo da cruz. Deus nos livre de nos calhar um juiz assim!

Com Marcelo não se pode falar a sério. Só pode ser desmascarado se se usar o mesmo método, simplista, sem se incomodar com a realidade dos factos, caricatural, a rir. O único que chegou para ele foi Ricardo Araújo Pereira, com aquelas palermices gloriosas, no debate sobre o aborto. Porque se recusou a falar a sério com ele. Vendo bem, até lhe respondeu na mesma moeda, que aquilo que Marcelo dizia não tinha ponta por onde se lhe pegasse.
Então como agora, Marcelo não se pode levar a sério, é um chico-esperto e não passa disso.

domingo, 20 de setembro de 2009

Vem aí o papão do Bloco - diz Ferreira Leite


O PSD já não ganha estas eleições e começou a interiorizar a derrota. Por isso e só por isso é que passou a tentar meter medo com uma eventual coligação de esquerda, em consequência dos resultados que se esperam para daqui a uma semana. Não é o País que tem medo, é o PSD que está aflito, com a hipóteses de o Bloco levar as suas "propostas fracturantes" para o Governo.

O País, aparentemente, não tem medo do Bloco, nem das tais propostas fracturantes, desde que no Governo esteja, também, o único partido que foi capaz de erguer-se contra o PREC e que o pode fazer de novo quando e se for preciso. Se o País tivesse medo do Bloco, e/ou do PCP, concentraria os seus votos em Sócrates, como os espanhóis fizeram em Zapatero, reduzindo a extrema esquerda a 5 deputados em 350: 3 para a Esquerra Republicana (espécie de Bloco de Esquerda), 1 para o PCE, outro para os Verdes. Pelo contrário, vamos ter a extrema da extrema esquerda mais numerosa do Mundo Democrático.

Eu sou dos que preferiam de longe a maturidade democrática de um solução à europeia, o rotativismo entre a esquerda democrática e a direita democrática. Acontece que a direita portuguesa está cada vez mais perigosa, e são, aliás, de esperar nestes últimos dias mais manobras e abalos, "com epicentro" em Belém e pés enterrados no corporativismo de antanho.

E acontece também, como se comprova pelo andar das sondagens que os eleitores estão fascinados pelo vanguardismo do Bloco (um pouco como aconteceu com os eleitores da Bolívia, do Equador, da Venezuela, da Argentina ou da Nicarágua!). Vem aí um Maio de 68 eleitoral, "somos todos judeus alemães".

Somos todos pelo casamento civil dos homossexuais - repararam como em Espanha já nem a direita franquista defende que se volte atrás. Contra os paraísos fiscais - temos um na Madeira. Contra as "off-shores". Contra os prémios milionários que os banqueiros se outorgam! Contra as falências fraudulentas! Contra as negociatas chorudas com acções que não estavam no mercado, Vocês sabem do que estou a falar?!

É disto que o PSD tem medo, e não dos dois ou três ministérios que num governo de esquerda haviam de caber ao Professor Louçã, ao Doutor Semedo ou ao Prof. Fernando Rosas. O PSD tem medo que, com o apoio do Bloco e do PCP, o PS deixe de ser obrigado a recuar a cada medida, e que finalmente escolha "avançar", tendo força e apoios para isso, fazendo das tripas coração, contra os vetos de Cavaco e a guerra santa que a direita a bem dizer já lançou.

O PSD fala do papão de um governo de esquerda que aí vem porque sabe que vai perder. E a prova de que o PSD sabe que vai perder foi a aparição de Marcelo Rebelo de Sousa, em defesa da sua dama, agora oficial. O PSD sabe que não tem hipóteses mesmo que "o genial Marcelo" crie meia dúzia de factos políticos para o que resta de campanha.

Por mais tempo de antena que lhe dêem, Marcelo tem pé frio, como dizem os brasileiros. Lembram-se como ele enterrou de vez a campanha do aborto? Quanto mais se agitar, ao lado da outra senhora, pior para ela! Viram a sua prestação em Coimbra? Irrelevante! A mim fez-me lembrar o outro Marcelo, Caetano, quando se precipitou para a clínica onde Salazar estava em coma, depois de cair da cadeira.

Marcelo apareceu brilhando aos militantes, a dizer-lhes "comparem-nos, vejam as diferenças".Onde ela é deprimente, eu sou estimulante. Onde ela é cinzenta, eu sou um Rei-Sol, um manda-chuva, num ápice passo das televisões à direcção do Partido, vou e volto as vezes que me apetecer.

A aparição de Marcelo na campanha é o segundo sinal de que o PSD já perdeu. O primeiro é o apelo ao medo contra o papão de uma coligação PS+PCP+BE. E haverá outra solução de Governo depois do que a D. Manuela disse nos debates?