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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Escutas na S. Caetano? Foi o News of the World.

Aparentemente, segundo o DN, Passos Coelho aproveitou estar entre amigos para largar uma bojarda capaz de abalar definitivamente a reputação do País junto dos mercados: disse que encontrou um "desvio colossal" nas contas. Respondeu-lhe João Galamba, do PS, como já o tinha feito na Assembleia a uma intervenção parecida do agitador Vítor Gaspar: o que é que o Governo descobriu que tinha escapado aos peritos da tróika?

Ainda não obteve resposta do Governo, que se saiba. O Presidente da República também ainda não disse nada sobre a descoberta de Coelho. Bem sabemos que agora "a ameaça" vem das agências de rating, contrariamente ao que acontecia há um ano, quando a ameaça ao crédito do País vinha do Governo Sócrates e por isso lhe puxou o tapete. Só que, sr. Presidente, a ser verdade essa vilania "colossal", pode ter-se mesmo verificado um "irregular funcionamento das instituições", tem que demitir o Sócrates outra vez, ou então, dissolver... a Oposição!

O Presidente não diz nada, o Governo não diz nada, ficam as perguntas: vale a desculpa, esfarrapada, que não foi o gabinete de Passos Coelho que mandou a noticia ao DN? Então quem foi? O News of the World? A Felícia Cabrita que já começou a fazer das suas? Ou a equipa da Manuela Moura Guedes que não gosta de algum Secretário? Ou o DN que pôs microfones na S. Caetano? 

Seja como for que a notícia foi parar aos jornais, resta a gravidade da afirmação em si. O que eu não gostaria de ouvir é que foi uma boca, entre amigos, assim do género "é carnaval e ninguém leva a mal", como aquela da entrevista ao miúdo numa escola de Vagos nos últimos dias da campanha. Um Primeiro Ministro que se respeita, e nos respeita, não cairia daí abaixo,

Convém saber. Do "desvio colossal nas contas" se o houver. Ou então do colossal despautério do nosso PM.

domingo, 3 de julho de 2011

Os caciques que paguem a crise

Claro que tb me irrita o anunciado novo imposto, que me vai levar metade do subsídio de Natal e que implica um intolerável “sacrifício” que o FMI não quis, que o Presidente da República condenou com toda a "virulência anti-socialista" na tomada de posse e contra o qual o PSD/CDS  moveu campanha e por muito menos achou/acharam que era urgente e indispensável derrubar o Governo anterior. Mais: para mim é um roubo que me fazem à descarada, um crime premeditado: ainda andavam a dizer que não aumentavam impostos e já Catroga e Passos andavam a tramar esse imposto extraordinário. Claro que não me conformo. Os políticos (mentirosos) que paguem a crise.

Tanto mais, que se é para reduzir o défice, eu não contribuí para ele, sempre trabalhei no privado e paguei todos as contribuições e impostos. Se querem fazer economias no Estado que cortem nos professores com promoções a eito, nos magistrados com chorudos subsídios de renda de casa isentos de impostos, nos militares superiores, e nas respectivas reformas douradas, a 100%, que pouco lhes custaram a ganhar, só começaram a descontar para elas nos anos 80. Os funcionários (privilegiados) que paguem a crise.

Mas o que mais me irrita é que o roubo descarado que me vão fazer (bem pior do que a retenção no Governo do Bloco Central do 13º mês que então foi pago em títulos do tesouro) não vai servir senão para alimentar as clientelas. Viram a primeira medida concreta do ministro Nuno Crato, aliás pródigo em ideias gerais que até parecem aceitáveis? Suspender o encerramento das 650 escolas que não têm 21 alunos, uma média de 5 alunos por classe, nem uma partida de futebol de salão podem fazer entre eles, além das dificuldades em ter aproveitamento sem colegas de estudo. Conheci casos, de professores que não passavam os alunos para não lhes fecharem a escola, de autarcas que pagavam prémios aos professores para aguentarem essas situações.

Pois o que fez Nuno Crato foi ceder ao facilitismo, ele que tantas postas de pescada, de exigência e rigor, arrotou, na discussão do OE. Como na história do encerramento das maternidades, ganha a demagogia do poder local. Vai-nos custar os olhos da cara. É para isso que serve o dinheiro que me tiram? Os caciques que paguem a crise.
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terça-feira, 21 de junho de 2011

"Lições da Argentina" para os nossos "rapazes de Chicago".



Toma posse hoje o Governo de Passos Coelho. Talvez seja a altura de notar que alguma coisa se fez antes, e apesar, da reeleição de Cavaco e da ofensiva que conduziu ao triunfo da direita, que a partir de agora "todo lo quiere y todo lo manda".


Desde os tempos de Salazar que a direita não acumulava tanto poder em Portugal. Tem a Presidência da República, e de que maneira, lembrem-se do discurso da tomada de posse, manda no Governo, a sua vontade é lei na Assembleia, domina as autarquias, consolida-se no ensino (acabaram-se as guerras da avaliação de professores, já tinha sido votado), triunfa na justiça (Paula Teixeira da Cruz esteve com os sindicatos de magistrados e o lógico é que os sindicatos de magistrados estejam agora com ela), faz opinião nos media, que também ganharam no 5 de Junho e é justo que também sejam recompensados, enfim, vai ganhar ainda mais dinheiro nos negócios, incluindo nos "negócios estrangeiros", e é a isto que se chama o relançamento da economia liberal.


Vêm aí "os rapazes de Chicago", em sentido próprio, eu vi a chegada triunfal ao Aeroporto da Portela do Ministro Álvaro Santos Pereira vindo dos States... Eu que sou velho desconfio um bocado destes "rapazes de Chicago". Lembro-me do Chile dos anos 70 em que deram com os burros na água apesar da protecção do ditador Pinochet. E lembro-me ainda mais da Argentina de Carlos Menem, sob a batuta do superministro Cavallo. Uma experiência em tudo semelhante à que se vive em Portugal, com o império do euro e do FMI. Reparem neste relato do New York Times:
  • The Argentine crisis was the consequence of a decade of I.M.F.- and World Bank-sponsored free market economic reforms, which included pegging the peso to the U.S. dollar on a 1 to 1 exchange rate. This all but eliminated the ability to conduct independent monetary policy -- much like the euro arrangement today. All barriers to trade and financial flows were removed, and all state enterprises were privatized. The 1994 privatization of its social security system alone explains Argentina's explosive debt accumulation between 1994 and 2001 and the resulting default.

  • Argentina's policy framework proved too restrictive when a recession set in during the last quarter of 1998. When external sources of funding dried up, Argentina turned to the I.M.F., which recommended the same austerity policies currently being promoted for Greece (and Ireland, Portugal and Spain). The I.M.F.-promoted spending cuts only deepened the Argentine recession, as any introductory macroeconomics student would have predicted. By 2001, the recession had turned into a depression, making accumulated debt impossible to service and resulting in enormous capital flight, a run on deposits and the largest sovereign default in history.
 After the default and the January 2002 devaluation, Argentina's economy continued to contract for only one more quarter. By the second quarter of 2002, Argentina's economy began to grow and did not stop until 2009, when the global financial crisis made its impact felt there. The doom and gloom predictions of what would happen after default never materialized. Furthermore, after defaulting, Argentina no longer needed to access international capital markets, eliminating their stronghold on Argentine economic policy
 
  • Greece (and Ireland, Portugal and Spain) should learn lessons from Argentina's experience. First, the I.M.F. still promotes policies that inevitably make matters worse, demonstrating an inability to learn from past mistakes. Second, default can be a solution, since it can end an unsustainable situation, frees up fiscal resources for more productive use and eliminates the need for access to bond markets. And third, regaining control of the national currency and the ability to conduct independent monetary and fiscal policies are essential for economic recovery.
 Pois aí fica a história de um problema e de uma solução: temos o que aconteceu à Argentina nas mãos dos falcões do liberalismo, sem soberania monetária e à mercê do dólar. E temos a recuperação quando os argentinos deixaram de querer governar com o FMI. "Pensa, Panchito, pensa".

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Hino a Passos Coelho - oiça bem o que eles dizem!


O culto da personalidade, as cadelas apressadas, os excessos de zelo... pregam partidas. O que eles dizem é que "está na hora de mudar Passos Coelho".

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Passos sem maioria? Deus não dorme


Passos sem maioria? Para agarrar o Poder todo, de uma vez, e assim poderem, com todas as bênçãos do Céu, "criar dois, três, muitos BPN's", que as grandes fortunas fazem-se em tempos de crise, foram os primeiros a cavalgar a onda levantada por Cavaco na tomada de posse, e para agradar ao chefe empurraram o Governo borda fora, mesmo se com isso atiravam o País às feras. E não vão conseguir?!

Sei que a sondagem é de antes da rendição de Sócrates. Que o PSD e Cavaco tiveram até agora a ajuda militante dos media, das agências de rating, dos professores, dos magistrados, da extrema esquerda mais poderosa da Europa Ocidental, dos especuladores de fora e dos banqueiros de dentro, incluindo o actual Governador do Banco de Portugal. Assim ganharam o PSD e Cavaco as duas primeiras batalhas: derrubar Sócrates e obrigá-lo a pedir o resgate.

Mas se apesar disso tudo não obtivessem a maioria absoluta. Nem com a contribuição do seu apêndice, o CDS/PP?! Nem mesmo com os seus aliados professores, bloquistas, juizes sindicalizados, demagogos, de extrema direita tanto como de extrema esquerda? Demasiado bom para ser verdade. Seria a prova provada que "Deus não dorme". Que o crime não compensa. E para além do mais, ah, meus irmãos, como seria divertido ver o Chefe Cavaco em dificuldades para descalçar essa bota!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Governador do BdP a arranjar lenha para o Spiegel

Vale a pena seguir o link que o Câmara Corporativa revela no post "Por que no te callas ?" : as declaração do Governador Carlos Costa são uma dádiva para o Spiegel e achas na fogueira ateada pela Srª Merkel, apostada em arranjar negócios cada vez mais chorudos para os seus bancos, que não recebem mais de 2,5% quando subscrevem, com relutância, títulos da dívida alemã.

Há, aliás, outros links da máxima actualidade no mesmo Câmara Corporativa. Por exemplo este com Portugal e Espanha a arder, e alguns pirómanos internos a atiçar o fogo, já começou a ofensiva que há-de queimar também a Itália e a Bélgica e em seguida a França.

Como diz Paul Krugman: estaríamos muito melhor se não estivéssemos prisioneiros do euro.

sábado, 27 de novembro de 2010

FMI nosso que estais no Céu

Passos Coelho já fala de ser Primeiro-Ministro com a bênção do FMI, a quem aparece a rezar hoje na 1ª Página do Expresso, que perspectiva empolgante! Bem sei que os media, em coro, já lhe cantam hossanas, mas, como os franceses costumam dizer, "não se deve vender a pele do urso antes de o ter matado". Balsemão, Belmiro, Cavaco e Portas, por esta ordem, mandam muito, sobretudo na comunicação social. Mas não são, ainda, os donos dos votos todos.

Preocupa-me mais o que se passa aqui ao lado, à oitava economia do mundo, com uma dívida pública que é das mais pequenas da União Europeia, mas nem por isso menos acossada, flagelada, encostada à parede, pelo eixo franco-alemão do capital:
  • ABC. es: "El Rey convoca a Salgado (ministra do Economia) ante lo acoso de los mercados a España"; Zapatero busca el compromiso de los empresarios para crear empleo...
  • Público.es: "Ofensiva para calmar a los mercados. Más transparencia contra la especulación. El Gobierno obliga a la banca a revelar nuevos datos de sus activos imobiliários. Las principales empresas acuden hoy a la llamada de Zapatero.
  • El Pais: "El Gobierno intenta aplacar los mercados com más transparencia". Zapatero se reúne com los empresarios en plena tormenta de los mercados.
Tormenta, acosso, o Rei que convoca uma ministra à Zarzuela (fá-lo uma vez todos os dez anos), Rajoy e Pons , do PP, que falam da ruína de Espanha, Almunia, o comissário espanhol em Bruxelas, que tem duvidas sobre o Governo do seu camarada Zapatero.

Ora bem, estamos no mesmo barco de Espanha, somos a Ibéria Unida, e não só para o Campeonato do Mundo, para o bem e para o mal, queiramos ou não. Passos a rezar ao FMI é como ao outro. Rajoy é um caso mais sério. Que se trata de um político de direita que foi capaz de ler mais de página e meia de um livro de Saramago e, presumivelmente, até sabe quantos cantos têm os Lusíadas.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

SCUTS: Vem aí uma senhora Maria da Fonte!


O Câmara Corporativa, um dos meus blogues de referência, farto-me de o dizer, goza com Passos Coelho pretender um "sistema simples" de cobrança em todas as SCUTS enquanto alguns autarcas do PSD, p.ex. Macário Correia e Rui Rio, em Faro e no Porto, não querem que os seus munícipes paguem. Honra a Passos Coelho, que põe os interesses do Estado acima das conveniências, ou dos compromissos eleitoralistas, dos eleitos do seu partido!

Fizesse o Primeiro-Ministro o mesmo em relação aos seus próprios compromissos eleitoralistas (aos seus eleitores de Castelo Branco, que lhe deram aliás o pior resultado do PS desde 1991) e em relação à sua corte ! Repito aqui o que disse ao Miguel Abrantes:
O "sistema simples" é, como ouvi na televisão a um deputado eleito pelo PS (João Galamba?), que todos deviam pagar. As isenções são uma injustiça e uma trapalhada: por que carga de água os residentes em Santa Maria da Feira, com duas autoestradas ali à mão, hão-de ter descontos e os de Arouca, ao lado, com acessos sinuosos, demorados, perigosos à autoestrada, não têm?
De resto, como venho afirmando, desde 22 de Julho:
As SCUTS, que o engenheiro João Cravinho inventou nos idos de Guterres, custam-nos os olhos da cara. O PS apercebeu-se agora, quer portagens mas quer manter privilégios para alguns que pagamos todos. Por isso e só por isso estamos num impasse. O PSD, e nisso muito bem, diz que não há condições para continuar as conversas. Já não avançam a 1 de Agosto, é evidente, mesmo se o decreto em vigor diz que já começaram a 1 de Julho.

Eu não entendo o assanhamento do PS na discriminação positiva, que é o contrário da universalidade. Discriminação positiva com que critérios? Entre Douro e Vouga, por exemplo, há um município que beneficia da isenção: Santa Maria da Feira. Arouca, que é a minha terra, não beneficia. Por isso como diz o eng José Artur Neves, eleito pelo PS, o meu Presidente, no site da Câmara:

O Município de Arouca sente, assim, mais uma vez, o peso da interioridade e da ausência de um acesso rodoviário condigno, seja ele portajado ou isento, vendo-se, com esta medida injusta, ainda mais limitado e onerado nas deslocações efectuadas pelos seus munícipes.

A título de exemplo, um arouquense que deseje deslocar-se ao Porto por um acesso minimamente condigno, terá de fazer um percurso sinuoso até Santa Maria da Feira, pagando os custos de portagem daí em diante, ao passo que aqueles que têm a auto-estrada «à porta» estão isentos de pagamento.
É uma injustiça, uma dupla injustiça, de facto. Há uma data de municípios que estão na mesma situação. Nós, por exemplo, na Região Metropolitana de Lisboa, que pagamos as pontes, a CREL, a A2, a A5, sejamos ricos, pobres ou remediados, pagamos sempre. Tudo. Para que os privilegiados do Porto, de Aveiro, de Castelo Branco, continuem a eleger o eng. Sócrates, ou o dr. Rui Rio (ou o eng. Malato Correia, acrescento!)

Não há moralidade nas discriminações que o PS (e alguns autarcas do PSD!) querem manter para alguns à custa de todos. Depois não se queixem.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Forrobodó nos professores: a luta continua

De férias no Norte, leio mais o Jornal de Notícias e arrependo-me sempre de não o fazer mais vezes, o JN é provavelmente o melhor jornal do País. Em dias sucessivos, pôs a nu o descontrolo em que estão as pensões e o pagamento de horas extraordinárias dos professores.

Se era preciso uma prova que este Governo não tem autoridade para governar, como pretendeu Passos Coelho no Pontal, ela aí está. E estou mais de acordo que foi um bom discurso de um líder da Oposição que quer desgastar o Governo, do que um tiro de pólvora seca, como pretendem, a uma só voz, Jerónimo de Sousa e Marcelo de Sousa - serão da mesma família?

Errada, a resposta do Governo: não pode passarf a vida a gritar vem aí lobo, o que o PSD quer é uma crise política. Se estivesse a governar como devia, a resposta que se impunha era desafiar o PSD a apresentar uma moção de censura, uma vez que para tal não lhe faltaria o apoio do PCP e do Bloco, que estão todos os dias na rua a censurar o Governo.

A situação no ensino, desde que Maria de Lurdes Rodrigues foi sacrificada na altar das demagogias, é de desnorte completo. O mesmo se passa na Justiça, onde o ministro diz que está disposto a ouvir o que o Procurador tem a dizer, enquanto o seu secretário de Estado fecha todas as portas e janelas: "o PGR tem os poderes que deve ter" e ponto final.

Em suma: na Justiça como no Ensino manda menos o Governo do que os contrapoderes (Cavaco diria "as forças de bloqueio"!) e assim o País não aguenta, afunda-se de vez. Ao que tudo leva a crer, passado o 9 de Setembro, não teremos poder nenhum durante mais de um ano. Com os sindicatos aos saltos e a Justiça na rua, como está, Sócrates, como seu homónimo na Grécia antiga, vai ser obrigado a beber a cicuta.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Barroso, Cavaco, Passos, UE ─ e não se pode exterminá-los?

Começo pelo fim: o nosso casamento com a União Europeia admite divórcio. É cada dia mais evidente que a UE, ultra-capitalista, ultra-doutrinária, ultra-directório, se permite contra o pequeno País que somos todas as exacções. Que a UE tem os tribunais e os juízes que lhe convém e nada podemos contra eles, nem com eles. Pois, amor com amor se paga: puta que os pariu, salazaristas nunca mais, devemos encarar a partir de agora a possibilidade de sair da UE.

E passo a explicar: o tribunal europeu de justiça (com letra pequena!) considerou ilegal a golden share que o Estado português detém na PT. E porquê? O que diz o tribunal é que não são justificadas as restrições que através da golden share o Estado pode impor às decisões da empresa e dos seus accionistas.

Como "não justificadas"? Se há empresa em que o Estado tem ou pode ter interesse estratégico fundamental, aqui ou na China, é uma empresa de telecomunicações, sobretudo que a ela tem de recorrer em caso de catástrofe, de estado de sítio, como último recurso, no exercício da soberania. Diria o mesmo se estivesse em causa a França, o Reino Unido ou a Alemanha? Obviamente que não.

Porém, o mais chocante na decisão daquele tribunal com letra pequena nem é a ligeireza com que trata o Estado português. É a ternura que revela para com a liberdade e a autonomia das decisões da empresa e dos seus accionistas. Só que não foi a empresa PT nem os seus accionistas que pediram a protecção do tribunal contra os abusos soberanistas do Estado português. Foi a Comissão.

De facto, foi a Comissão Europeia que levou o caso a tribunal em 31 de Janeiro de 2008, alegando que “os direitos especiais detidos pelo Estado Português na PT desincentivam os investimentos de outros Estados-membros, violando as regras do Tratado da UE". E disse isso sem rir. Nestes 20/30 anos, em que a golden share vigorou, não faltaram interessados em comprar acções da PT. Nem dinheiro para investimentos avultados, designadamente no Brasil.

De facto, foi a Comissão Europeia, presidida por Durão Barroso, a autora do impulso para a presente sentença. Durão Barroso que foi Primeiro-Ministro, com a golden share em vigor, que com Cavaco Silva fez parte do Governo que instituiu a dita golden share. Durão Barroso, que já veio a público felicitar-se pela compreensão manifestada aos pontos de vista "castigadores" da Comissão pelo tribunal amigo, que agradou a Bruxelas condenando Portugal. Durão Barroso ─ que patriota!

Que patriota, Cavaco Silva que fugiu a molhar-se nesta polémica, e que corajoso, quando se recusou mesmo a apoiar a legitimidade da decisão do Governo português para accionar os direitos que tinha. Cavaco Silva ─ que patriota!

E que patriotas aqueles 74% de accionistas da PT, a fina-flor do entulho do capitalismo nacional (cuja prioridade é o dinheiro fácil, da facada nas costas nos nossos e da venda aos espanhóis, e o iberista sou eu?!). BES, Ongoing e quejandos ─ que patriotas!

Que patriotas os actuais dirigentes do PSD, que até eram contra o negócio, mas se opuseram tenazmente ao uso do único instrumento de que o Governo dispunha para inviabilizá-lo, e até foram a Espanha gabar-se desta sua posição corajosa. E que, mal o tribunal se pronunciou, correram a bater palmas e a celebrar o espírito dos Tratados contra nós. Dirigentes do PSD, todos ─ que patriotas!


sexta-feira, 28 de maio de 2010

Por que sobe Passos Coelho nas sondagens


Nervoso, barómetro que não sobe e desce todas as semanas, ou até todos os dias, de manhã e à tarde, deixa de ter interesse mediático e os membros do painel arriscam-se a ser dispensados. Dito isto, não deixa de ser sensacional a subida da cotação de Passos Coelho, que a Marktest coloca já à beira da maioria absoluta. Não me surpreende.

O novo líder do PSD não irrompeu na cena política com campanhas de ódio e ataques pessoais. Deixou isso para deputados afectos à anterior direcção, como Fernando Negrão e Aguiar-Branco, que persistem em alavancar o juiz de Aveiro ─ que em Espanha já estaria suspenso e a responder por prevaricação ─ na guerra perdida contra o Presidente do Supremo e o Procurador Geral da República.

Ou como Pacheco Pereira e Agostinho Branquinho, ou os seus homólogos do PCP, neste momento adulados pela imprensa de sensação, mas que passarão à História como os homens que para ajudar os procuradores de Aveiro tudo fizeram para que as escutas dos processos entrassem pela porta grande na Assembleia da República.

O novo líder, visivelmente, não sabia das escutas nem de coisas tenebrosas ainda não reveladas, como Pacheco e Ferreira Leite, durante a campanha eleitoral. E se agora sabe, se alguma gravação, mais ou menos manipulada, foi deixada no seu gabinete da São Caetano, facto é que não fez uso dela.

O que fez Passos Coelho foi falar de alternativas, discutíveis, suas, respeitar o adversário e ser respeitado. Deixar para a extrema esquerda (Louçã e Jerónimo) e para a extrema direita (Portas e Jardim) os discursos primários, a venda e promoção dos méritos da banha da cobra na política.

Ainda bem. Desde Marques Mendes, e com um pequeno intervalo quando Luís Filipe Menezes defendeu a aprovação do Tratado de Lisboa sem necessidade de referendo, que o PSD ao mais alto nível parece refém de dois grandes educadores ibéricos: Mariano Rajoy, que não é capaz de dizer meia frase sem insultar alguém, e Marcelo Rebelo de Sousa, que vive de picar os seus líderes e dar espectáculo.

Por falar de espectáculo: lembram-se de Marcelo, a analisar as campanhas dos candidatos, numa encomenda da SIC, salvo erro, na véspera da votação. Que Passos Coelho fora mais forte nos debates (era o que diziam todas as sondagens) mas a partir daí Rangel ganhara em toda a linha, Passos Coelho tinha acumulado erros. Por isso muito rigorosamente ele podia dizer estava ela por ela, chegava-se às urnas em situação de empate técnico. Palavra de professor sobre aqueles "alunos" em véspera de exame.

Pois bem, viu-se Passos Coelho ultrapassou os 60%, Rangel mal passou dos 35%. Passos Coelho fez bem em não se fiar no Grande Educador. E continuará a fazer bem se desprezar a cantiga que faz do insulto uma arma. Se ignorar os Marcelos, os Pachecos, os Saraivas, as Manuelas, os magistrados prevaricadores, e todo o poder dos sindicatos e dos lóbies.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

"O povo é sereno", a "fumaça" não leva a nada


Afinal, um Paulo Portas, em permanentes bicos de pés, começa a cansar: o CDS esvaziou-se nas sondagens com a afirmação de um Pedro Passos Coelho, sereno e sem complexos, capaz de telefonar ao Primeiro Ministro a pôr-se "ao lado do País" no actual momento de aperto. Foi um gesto, o de Passos Coelho, largamente celebrado e dado em exemplo, designadamente em Espanha, em todos os canais de televisão e comentários nos jornais. Portugal, a ser notícia pela positiva, num momento de ataques desalmados, internos e externos.

"Sangue frio e nervos de aço" - disse o Primeiro-Ministro no debate quinzenal. E é tb o que faz o novo líder do PSD, cuja coragem política não se limitou a passar o Rubicão e a dispor-se a ajudar o Governo com algumas boas intenções. Foi mais longe: não se coibiu de avançar com esta medida antipopular manifesta: a hipótese de os funcionários públicos (e porque não os outros?) terem de receber este ano o 13º e o 14º mês em certificados de aforro, como forma de reduzir a despesa e ao mesmo tempo financiar o Estado.

Por isso o PSD de Passos Coelho sobe para uns miríficos 40% no barómetro da Marktest. Ultrapassando o Governo, como é normal, num tempo de crise. E afundando tanto o CDS como o Bloco de Esquerda, do Paulo e do Miguel, mas também dos Pachecos e dos Semedos, caceteiros e miguelistas, vanguardas iluminadas, inquisidores, que falam, falam e... mal deixam falar os inquiridos. Como ainda ontem se viu naquela comissão de inquérito no interrogatório de Zeinal Bava.

40% para o partido de Passos Coelho, acho bem. Sobretudo que só 27,9%% querem eleições para já, 60,6% não querem. Eu sou dos que querem, dos que acham que Portugal não conseguirá sair da crise com um Governo fraco, batido e desconsiderado todos os dias, em inquéritos ad-odium, que nunca mais acabam.

Também sou dos que se as eleições fossem hoje teria grande dificuldade em votar no partido de Passos Coelho, que é também o partido das inventonas das escutas em Belém, das perseguições do Freeport, que durou seis anos e não levou a lado nenhum, da Face Oculta, da compra da TVI pela PT, e o mais que vai vir, logo que seja evidente que "era só fumaça, o Povo é sereno", senhores bloquistas e cavaquistas inventem outra coisa.

Mas aplaudo Passos Coelho, olá se aplaudo. Porque furou os pneus do Pacheco, que os tem, imensos, porque pelo menos até à data não alinhou nas demagogias fáceis do Bloco e do CDS. Honra lhe seja!

sábado, 27 de março de 2010

A malta abrupta não gostou? Ainda bem

Pelo menos não tem aquele ar boçal, seboso, luzidio, asfixiado, claustrofóbico, doentio, agressivo, prejudicado, carroceiro, do outro candidato. Pedro Passos Coelho fez um discurso civilizado, fluente, a prometer luta franca, sem ódios, mas também sem cumplicidades. Oxalá!

Penso que fez bem, que pode ter conquistado algum interesse entre gente razoável, foi uma inovação ver um homem tranquilo nesta nossa política abespinhada. A prova é que aquela rapaziada do Público, a malta abrupta ─ das escutas a Belém, do Portugal profundo, do justicialismo desembestado, dos julgamentos na praça pública, à Paulo Portas, um pé no Ministério Público e os dois nas manchetes dos jornais ─, essa malta, não gostou.

Estou a ouvir a RTPN e já passei pela SIC Notícias: a canalha da agitação e propaganda ficou frustradíssima com Passos Coelho. É um bom sinal.