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quarta-feira, 4 de abril de 2012

O que fazer com a RTP Informação?

Costuma fazer zapping? E passa pela RTP Informação de vez em quando? E até lhe acontece parar uns segundos no canal? Sem se dar conta que é mais um canal do Porto, digo, do FCPorto, isto é, um canal de apito dourado, i. é, viciado?!

Pois tem maneira de obviar a esse incómodo. Basta colocá-lo de uma vez por todas lá onde nunca vai, junto do Porto Canal, dos canais infantis, dos canais russo, ucraniano, chinês... Como? Assim: 
Pegue no comando, carregue na tecla menu, na barra de cima prima  →, →, → ... até o cursor atingir Ajuda e Configurações.
Seleccione Ajuda e Configurações. Prima ↓, ↓, ... até o cursor chegar a... Configurações.
Seleccione Configurações. Prima ↓, ↓, ... até Ordenar Canais.Seleccione Ordenar Canais.  Prima ↓, ↓, ...  até RTP IN (6).Em RTP IN desloque o cursor para a direita →, até à seta ▼.
Prima ▼, ▼, ▼, ▼, ... as vezes suficientes, até a RTP IN ficar naquelas posições a que nunca vai, as 70ª, ou 90º... Ponha a RTP IN junto dos infantis, dos pornográficos, do Porto Canal (se já tiver feito o mesmo com o Canal do Pinto da Costa...) é lá o seu lugar.
Depois é só Guardar as alterações à Configuração. Tão cedo não volta a tropeçar neste Canal estúpido, que saneou o João Gobern, que tinha o Zona Mista, de infeliz memória. Que Você paga todos os meses na factura da electricidade. 

Começo a pensar que o Relvas estava cheiro de razão quando defendia a extinção, ou a venda ao desbarato, da RTP IN... Um dia chegará a vez da RTP, da RDP... da Contribuição Audio Visual, dos subsídios ao serviço público... para encher a barriga à RTP Porto, à RTP África, à RTP Madeira, à RTP Açores... a todos os luxos, "gorduras", e incompetências... Já lhe basta, dessa não se livra, ter de pagar os desmandos do Alberto João Jardim, mandatário de Passos, amigo do peito do Presidente da República. 



Jornalistas castrados, não!

João Gobern foi "dispensado" pela RTP pelo crime de ser benfiquista e isto para mim é muito aborrecido. Eu via quase sempre o Zona Mista: um programa de futebol inteligente e bem visto, calmo e estimulante. sem papas na língua nem temores reverenciais, cordato e contundente ao mesmo tempo, onde o contraditório funcionava. Na parte que me toca, coincidia geralmente com o João Gobern, discordava o mais das vezes do Bruno Prata. Mas agradecia a ambos os bons momentos que passava.

A RTP ofendeu-se que João Gobern tivesse vibrado com o golo do Benfica ao Braga no minuto 92? Que hipocrisia, que chateza, que falta de vergonha! Em futebol toda a gente tem gostos e emoções, mostrá-los é abrir o jogo, é ser honesto, é não vender gato por lebre. Parafraseando Ary dos Santos: "jornalista castrado, não!"

O que se exige a um profissional sério é que não omita factos, que saiba do que fala, que goste do que trata, que dê o sal, e a cor, e o cheiro do que narra. Que dê a sua opinião sem medo, sempre, desde que nem impeça os outros de exprimirem opiniões diferentes da sua. Gobern, no Zona Mista, não sonegava opiniões diferentes da sua. Era brilhante sem precisar de retirar brilho a ninguém.

Nuno Santos, sim: optou por silenciar, amordaçar, um jornalista brilhante, um profissional inteiro. É um invejoso. Nunca foi senão um invejoso. E um parvo.

Pobre RTP! Trabalhei naquela casa 12 anos e tinha por ela uma afeição que não me largava, apesar de imensas decepções.Deixei de ver o Telejornal desde que o José Alberto de Carvalho foi corrido pela inveja. Já nessa altura nenhum outro programa da RTP conseguia interessar-me.

O Zona Mista, da RTP Informação, era o único programa da RTP que ainda via. Vou deixar de ver. Talvez passe por lá no próximo a ver se fornecem alguma explicação mas será o último.

Hipócritas, medíocres, chatos de morrer, insossos, invejosos, castrados  ─ não me interessam.

Acabou-se: RTP, para o raio que a parta, não vejo mais.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Bin Laden morreu? Para os americanos foi um 25 de Abril

A morte de Bin Laden, historicamente, o que é que lhe faz lembrar? É a pergunta de um blogue, o Cafferty File, associado à CNN, a decorrer no momento. Respondi de imediato mentalmente duas coisas:
  • a queda do Muro de Berlim?!.
  • não, para mim, como português uma alegria tamanha só a vivida com o 25 de Abril.
Se virmos bem, foi assim que os americanos celebraram a notícia da morte de Bin Laden, uma libertação, um orgulho, uma promessa de futuro... como um 25 de Abril português. Assassinaram-no? É verdade e não achei mal. Foi feita justiça. Justiça sumária? Era o que merecia.

O extremista Bush dizia que ia mandar à caça de Bin Laden, como nos filmes do Oeste: PROCURA-SE, morto ou vivo. Aparentemente, o moderado Obama nem sequer quis que o apanhassem vivo, terá dado ordem que o executassem e se desfizessem do corpo quanto antes. Claro que também já se diz por aí que nada disso: Osama bin Laden já estava morto, quando os americanos lá chegaram.

QUERO LÁ SABER. É em ocasiões como esta que eu vejo como tenho mudado. A pena de morte? A presunção de inocência? A exigência de um processo judicial com todas as garantias? Dou comigo a pensar que no caso de Bin Laden eram formalidades talvez desnecessárias. E muito perigosas.

Lembram-se do processo de Sadham Hussein, que tinha mandado dizimar uma aldeia inteira porque lá tinha ocorrido uma falhada tentativa de atentado contra ele, que tinha mandado gazear os curdos aos milhares, que inventava inimigos e os fazia executar nas próprias reuniões do comité central do seu partido? Pois acabámos, acabaram muitos, cheios de pena do Sadham.

Pior seria um julgamento mediático com Osama Bin Laden como réu. Multiplicavam-se as bombas, as intifadas, os combates de rua, os mortos aos milhares, em todo o Mundo, cada vez que lhe interrompessem os discursos, as proclamações, os apelos ao ódio. Mais dois, três, muitos atentados suicidas com aviões, como o das Torres Gémeas contra as pessoas comuns que lá trabalhavam? Mais dois, três, muitos atentados à bomba em comboios das cercanias de Madrid às horas de ponta? Mais dois, três, muitos atentados em autocarros, no metropolitano, como em Londres? Mais...?

Os americanos acharam que nada os obrigava a correr esse risco. Executaram-no sumariamente. Nem sequer revelaram a foto de Bin Laden morto, que havia de ser uma imagem de adoração. Fizeram bem.

Claro que algumas televisões portuguesas, como a RTP, em lugar de lembrar os crimes de Bin Laden, passaram o dia a exigir as provas da sua morte, que em Marraqueche ninguém acreditava, e o repórter da RTP tinha ouvido uma estranha teoria da conspiração de um muçulmano e meio.

Pois digo eu, que não tenho mandato para defender os americanos, fizeram eles muito bem. Sobretudo não oiçam, não vejam, não leiam os media portugueses. Não interessam para nada.


terça-feira, 8 de março de 2011

Chama-se fascismo...


Invadir uma reunião interna de um partido político, como aconteceu ontem em Viseu, é uma prática introduzida há 90 anos em Itália pelos "fascios" de Mussolini, como contou Bertolucci, e chama-se fascismo, com todas as letras, e o resto são cantigas, mesmo que ganhem festivais, aliás pelo mesmo método de votação, e com o apoio dos mesmos animadores de blogues que fizeram de Salazar "o maior português de sempre" e Álvaro Cunhal "o segundo maior".

Pasma-se, mas não muito, com a cobertura simpática que alguns jornais dedicam à proeza de tais arruaceiros, desculpando-os e promovendo-os : "só queríamos expor a nossa palavra, ter um espaço onde pudéssemos falar, já que ninguém nos ouve" . A canalha de Mussolini que marchou sobre Roma em 1922 tinha um discurso igualzinho.

Fascismo em bicos de pés. Não admira que Alberto João Jardim esteja com eles.



domingo, 14 de março de 2010

As perguntas que não foram feitas e deviam ter sido

Com a devida vénia ao Nik para desvendar o que a esfinge nos esconde:

37 perguntas a Cavaco Silva

(continuação)

Senhor Presidente, a circunstância de o senhor enquanto primeiro ministro ter entregue, em 1992, um canal de televisão ao ex-primeiro ministro e militante n.º 1 do PSD, Francisco Balsemão e ter oferecido, em 1993, um canal à Igreja deve ser interpretada como fazendo parte de um plano para controlar a comunicação social portuguesa tanto do ponto de vista político-ideológico como religioso?

Senhor Presidente, a posterior entrada da Media Capital e da Sonae no capital da televisão da Igreja não lhe causou sobressaltos?

Senhor Presidente, a posterior tomada de controlo da TVI pela Media Capital não lhe causou vertigens?

Senhor Presidente, a posterior OPA do grupo espanhol Prisa sobre a totalidade do capital da Media Capital, em 2006, não lhe causou engulhos?

Senhor Presidente, o senhor acha normal ter afirmado, em Junho de 2009, contra a sua norma de não se pronunciar sobre negócios entre empresas, que os responsáveis da Portugal Telecom, uma empresa privada interessada no negócio das telecomunicações e multimédia, deveriam "explicar aos portugueses que motivos levam esta empresa a querer comprar 30% da Media Capital"?

Senhor Presidente, o senhor teve alguma conversa prévia com Manuela Ferreira Leite ou José Eduardo Moniz quando, em Junho de 2009, acusou de falta de transparência o negócio que se encontrava em preparação entre a PT e Prisa para a compra de parte da Media Capital, de que teria resultado o regresso da titularidade desta empresa a mãos portuguesas?

Senhor Presidente, porque é que não lhe oferecia garantias de "transparência e ética" a entrada da PT no capital da Media Capital, sabendo-se, por exemplo, que a mesma PT tinha detido 40% do capital da SIC Notícias durante oito anos sem que ninguém se tivesse queixado de falta de transparência ou de interferência na informação desse canal?

Senhor Presidente, o senhor pensa que o facto de o Estado deter uma golden share na PT e de, por conseguinte, o governo ter influência na nomeação do presidente e dois membros do conselho de administração, põe em causa a transparência e a ética dos negócios que essa empresa decida realizar?

Senhor Presidente, o facto de o governo ser socialista tem alguma influência no juízo que o senhor faz sobre a transparência ou não transparência dos negócios da PT?

Senhor Presidente, se o governo fosse do PSD, o senhor também acharia que o negócio entre a PT e a Prisa era questionável em termos de transparência e ética?

Senhor Presidente, se José Eduardo Moniz ficasse na TVI, como o presidente da PT aliás propôs ao dito Moniz, o senhor já acharia que o negócio entre a PT e a Prisa era transparente e ético?

Senhor Presidente, se em Junho de 2009 não se estivesse em período pré-eleitoral, o senhor também duvidaria da transparência do negócio?

Senhor Presidente, tem consciência de que com as suas declarações de Junho de 2009 sobre o negócio PT/Prisa pressionou o governo para que o negócio não se fizesse?

Senhor Presidente, depois das dúvidas que o negócio PT/Prisa lhe suscitaram, porque lhe ofereceu garantias de transparência e ética a compra de 35% da Media Capital à Prisa pela Ongoing, grupo que na altura era, e ainda hoje é, detentor de 23% do capital do grupo concorrente, a Impresa?

Senhor Presidente, não sente vontade de se pronunciar, contra a sua norma de não se pronunciar sobre negócios entre empresas, sobre a transparência do negócio recentemente celebrado entre a PT e o grupo Impresa para a criação de um novo canal de televisão para o Meo?

sábado, 13 de março de 2010

Perguntas que Judite de Sousa não fez e devia ter feito



Penso que foi uma vergonha a entrevista de Judite de Sousa a Cavaco Silva, pejada de risinhos cúmplices, com as olheiras postas nas alegadas falhas do PM e toda a abertura para desculpar à partida ─ "a paciência que um Presidente tem de ter, coitadinho!" ─ quando, a medo e de forma desajeitada, levantou a única questão que podia incomodar Sua Excelência, a das escutas.

Disse que a senhora devia ter começado por lembrar os compromissos do Presidente há quatro anos de ajudar o Governo e o País. Que não podia ignorar os rabos de palha (para usar um eufemismo!) do Presidente, amigos e contribuintes, no caso BPN. Não desci aos pormenores. O nikadas deu-se a esse trabalho. Faltaram 37 perguntas, diz ele. Assino por baixo, estas e outras:

Pois eu teria 37 perguntas para Cavaco de que a Judite não se alembrou. A mais antiga profissional da RTP tem uma memória muito selectiva, determinada pelo pequeno mundo das suas ânsias políticas. O pequeno mundo sectário que faz dela uma gaja ordinária, que há tempos se permitiu dizer ao Expresso: "Sou levada a crer que Sócrates emprenha pelos ouvidos". Uma desbocada que acrescentou: "Sócrates é agressivo comigo por causa do meu marido". Esta obsessão por Sócrates é mais que suspeita. Seara, põe-te a pau, que a Judite já só vê um homem à frente dela, acordada ou a dormir!

Então aqui vão as minhas perguntas para Cavaco:

Senhor Presidente, tem até hoje algum indício de que a Presidência possa ter estado a ser escutada por agentes do governo?

Senhor Presidente, que pensa do facto real de o Primeiro Ministro ter sido alvo de escutas ilegais cujas transcrições passaram depois ilegalmente para os jornais?

Senhor Presidente, o senhor já sabia que o Primeiro Ministro estava realmente a ser alvo de escutas ilegais quando os assessores do senhor Presidente lançaram o boato de que Belém estaria a ser alvo de espionagem e escutas a mando do Governo?

Senhor Presidente, se perdeu a confiança em Fernando Lima porque é que não o afastou da Presidência?

Senhor Presidente, se não perdeu a confiança em Fernando Lima porque é que o afastou das suas antigas funções?

Senhor Presidente, ainda mantém que "nunca recebeu qualquer remuneração do BPN ou de qualquer das suas empresas", como afirmou em 2008?

Senhor Presidente, se em lugar de BPN eu disser SLN, é capaz de dizer que "nunca recebeu qualquer remuneração do SLN ou de qualquer das suas empresas"?

Senhor Presidente, ainda mantém que a sua aplicação pessoal de mais de 100.000 € de "poupanças" em acções da SLN foi decidida pelo seu "banco gestor", sem o seu conhecimento prévio?

Senhor Presidente, confirma ou desmente que, com a venda à SLN de acções da SLN e compradas à SLN, o senhor ganhou, em dois anos, perto de 150.000 €?

Senhor Presidente, tem ideia de quem fixou o preço de compra e o preço de venda das acções da SLN não cotadas na bolsa em que o senhor aplicou as suas poupanças?

Senhor Presidente, esses 150.000 € de ganho que lhe foram creditados pela SLN, mais os 200.00 € que a sua filha na mesma data embolsou em transacção em tudo idêntica, devem ser interpretados como uma remuneração normal de uma aplicação normal de capital, decidida pelo "banco gestor" e sem prévio conhecimento dos "aforradores"?

Senhor Presidente, porque resolveram o senhor e a sua filha solicitar pessoalmente a venda dessas acçõe, por carta ao presidente da SLN, Oliveira e Costa, e não confiaram a sua venda, como disse ter confiado a compra, ao seu "banco gestor", aliás também presidido pelo mesmo Oliveira e Costa?

Senhor Presidente, o facto de a sua candidatura à Presidência ter recebido mais de 100.000 € de donativos de grandes accionistas e administradores do BPN/SLN poderá ser interpretado com um expediente para contornar a disposição legal que proíbe os donativos de pessoas colectivas ?

Senhor Presidente, porque é que o senhor Presidente fez aquele fincapé escandaloso por causa de duas cláusulas praticamente irrelevantes do Estatuto Autonómico do Açores e nunca disse uma palavra sobre o projecto separatista de "revisão constitucional" apresentado pelo PSD-Madeira?

(continua)

Boas perguntas, de facto. Sem agressividades inúteis e sem temores reverenciais, como aquela senhora devia ter feito. Pois aguardo com curiosidade a continuação.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Uma vergonha de entrevista


É verdade: eu também vi a entrevista de Cavaco Silva àquela senhora, também achei que o homem estava irritadiço, indisposto, mesquinho, previsível, nas ferroadas ao Governo, a quem deve alguma solidariedade institucional que não tem. Mas decidi não dizer nada a quente.

Digo-o agora: foi uma entrevista aflitiva, por ele e pela entrevistadora, que passou a vida a pôr-lhe as respostas na boca e a meter os pés pelas mãos: desculpe se lhe perguntei isso, um Presidente tem de ter muita paciência, não tem?

Paciência, minha senhora, tivemos de ter nós a ouvi-la. Que não compreendemos porque não lhe perguntou pelo BPN, que estamos todos a pagar, pelos negócios, chorudos, que ele próprio fez com o BPN, em proveito próprio e da família. Quem tem amigos? Ah não: o mínimo que temos o direito de saber é se aquelas acções foram mesmo obtidas por negócio particular ou se lhe foram oferecidas. E sendo que "não há almoços grátis" que vantagens, em sua opinião, pretendiam obter em troca os amigos Dias Loureiro, Joaquim Coimbra, Oliveira e Costa pelos favores que lhe fizeram?

Também se estranha que aquela senhora se tenha deixado intimidar na questão das escutas. Porque é perfeitamente irrelevante que ele se tenha ofendido com as dúvidas levantadas por dois deputados socialistas com base numa notícia do então Semanário, transcrita no site do PSD, sobre a eventual participação de assessores do PR na elaboração do Programa do Governo do PSD.

O que importava esclarecer, tornar bem "transparente", porque se trata da actuação do mais alto poder do Estado, é por que razão um seu homem de mão, com o seu conhecimento, quis "plantar" no Público duas manchetes falsas, a poucos dias das eleições, tendentes a denegrir o Governo e influenciar as eleições, como se viu.

O Público mentiu, como Fernando Lima veio dizer seis meses depois? Então por que razão o Senhor Presidente não o disse logo, ou pelo menos na sua intervenção de finais de Setembro, preferindo justificar-se com os alegados ataques dos tais deputados socialistas? Era o que uma jornalista a sério não podia ter deixado de perguntar. Sem agressividade. Mas também sem risinhos cúmplices.

A jornalista portou-se mal, e é sempre assim com entrevistados de direita, às vezes também, quando tem medo deles, de outros entrevistados. Mas o pior é o que Cavaco Silva disse e não devia dizer.

Não devia dizer que não pode demitir o Governo por falta de confiança política, ficando no ar que se pudesse era já, o que é uma vilania da sua parte. Porque é mentira.: pode isso e muito mais. Basta-lha alegar (e não precisa de provar) que está em causa o regular funcionamento das instituições.

Foi aliás o que fez quando se recusou a dizer se estava esclarecido sobre o negócio falhado da compra de uma parte minoritária da TVI pela PT. E razão tem o Público desta vez para pôr em manchete que o Presidente não acredita que o Primeiro Ministro não tenha tido conhecimento do negócio.

Sei que não foi isso que ele disse, só insinuou, valorizando o que a jornalista lhe propunha que dissesse: que no seu tempo, como bom Primeiro-Ministro que era, uma coisa dessas era inconcebível. Nas entrelinhas: este PM nem respeito lhe têm. Mas disse mais: como é que se há-de ter estar esclarecido se o Parlamento acaba de decidir uma comissão de inquérito?

Ei-lo mais uma vez ao serviço da guerrilha em curso, fazendo tábua rasa das declarações de Zeinal Bava e de Henrique Granadeiro, aliás nº 2 da lista de João Salgueiro, que se lhe opôs na Figueira da Foz, já lá vão 25 anos.

Penso que um Presidente da República devia afirmar-se como um homem bom, de ideias generosas, capaz de desarmadilhar agressividades inúteis, de ajudar o País a andar para a frente, como aliás ele próprio prometeu há quatro anos. Foi todo o contrário. Para vergonha nossa, a tal grande dama do jornalismo (ia dizer do PSD) foi incapaz de o confrontar com as promessas de há quatro anos. Deixou-o dizer. O que ele queria. E não o que é verdade
e ele não quereria dizer.

Foi uma vergonha de entrevista. Para tempo de antena, para lançamento da sua recandidatura a Belém, melhor era impossível.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

MRPP - Marcelo Regressa Pedimos-te Perdão

O Povo quer e nós lançamos, aqui e agora, um movimento para Marcelo, como na foto, ter um lugar activo, e cativo, no estúdio de onde é emitido o Telejornal. Para poder interromper, comentar, telefonar, acrescentar, jogar ao rapa-tira-deixa-põe... sempre que lhe apetecer. Porque, meus irmãos, o que se prepara é o saneamento de Marcelo, sem tirar nem pôr.

Com um pretexto fútil: que Vitorino ao fim de 5 anos cansou-se e vai-se embora. Que é que Marcelo tem com isso? Esteve lá uma data de anos sem ninguém que lhe fizesse sombra. E quer continuar sozinho, pois então. Já começou a fazer queixinhas pelos jornais. Um pouco como Mirabeau nos Estados Gerais de 1789: Estou aqui por vontade do meu povo e só saio daqui pela força das baionetas.

Como diz o Luís Novaes Tito, na Barbearia, a questão é esta: Pode a RTP viver sem Marcelo? Pode mas não é a mesma coisa.

E podemos nós? Não podemos, que parece mal. Por isso nos lançamos de cabeça nesta iniciativa patriótica para o regresso de Marcelo, todos os minutos que quiser, aos écrãs da RTP, o MRPP ─ Marcelo Regressa Pedimos-te Perdão. Precisamos de 92 mil assinaturas. Precisamos de um referendo. Precisamos de uma vaga de fundo. E exigimos que sempre que ele decidir intervir, todos os dias que seja, deve enviar-se SMS a todos os telespectadores, como Rodrigo Guedes de Carvalho sugeriu nos Gato Fedorento.

E sobretudo não me venham dizer que em matéria de entretenimento há quem prefira o Governo Sombra da TSF, com o Carlos Vaz Marques, o Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares. O qual, como já ouvi por aí, é mais divertido, mais credível, e sobretudo mais equilibrado.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Lá vamos cantando e rindo


Homens há, que gostam tanto deles próprios que nunca hão-de encontrar mulher, ou homem, à sua altura. Por isso se agitam, se exibem, se põem em bicos de pés, se desunham, fazem fila nas televisões, com tantos maneirismos, que se torna aflitivo.

Não, não estou a falar de Paulo Portas, esta foi, só, a única foto que arranjei para ilustrar o carnaval que aí anda. Falo de um tipo com muito mau aspecto, alegado militante do PS, que apareceu ontem na RTPN, todo íntimo do apresentador ─ "olá, Hélder!" ─ a falar das 90 mil assinaturas ─ e não são muitas, há mais gente a ir às missas, todos os domingos ─ que "o José Sócrates como é democrata não pode deixar de ter em conta", a exigir um referendo contra as minorias, homossexuais, que querem é conspurcar a instituição do santo sacramento do matrimónio, maioritária entre nós. "O povo é que manda, não é, Hélder?"

O povo pronunciou-se sobre essa matéria há menos de três meses? "Não, senhor. Só um partido, o PS, falou nisso, mas tão pouco, que as pessoas nem se aperceberam disso. Uma deputada do PS, Teresa Venda, à semelhança de muitos militantes socialistas, assinou a nossa petição a exigir o referendo" ─ defendia o tal socialista, de mau aspecto, triunfante.

O bom do Hélder ouvia enlevado. Não lhe ocorreu dizer que a tal Teresa Venda não é do PS, faz parte de aquele grupito de mulheres muito cristãs, que o António Guterres trouxe para as listas do PS, e aparecem sempre que o PS está em dificuldades a dizer mal do PS, e só para isso é que servem. Foi assim na votação final do Estatuto dos Açores, nas decisões do aborto, na campanha do respectivo referendo, em que foram vedetas e bandeira das correntes mais caceteiras a combater o PS.

São duas senhoras, afectas à extrema direita religiosa ─ Deus, Pátria e Família ─ espécie de 5ª coluna, no grupo parlamentar do PS, em que participam. O tal "amigo íntimo" do Hélder não se lembrou disso, como não terá ocorrido ao tal sujeito mal encarado, e mal informado, sobre a "sua camarada", a deputada Venda, que lástima!

Era um homem de várias caras, todas feias, a agitar-se, exibir-se, fazer o pino, desunhar-se, para os seu 12 a 14 minutos de fama, que a RTP é generosa com os vendedores da banha da cobra, Marcelo Rebelo de Sousa, que o diga.

Não têm vergonha na cara. Preparem-se para o que aí vem. Vão lendo o que dizia dos homossexuais a Santa Inquisição, para justificar algumas condenações à morte. Lá vamos cantando e rindo,/ levados, levados, sim,/ pela voz do som tremendo,/ das turbas, clangor sem fim".