Os islamistas triunfam na Tunísia, contra "a pesada herança" laica do regime anterior, culpado designadamente de ter despenalizado o aborto, enquanto na Líbia é proclamada "a sharia" e o primeiro exemplo que o líder dos rebeldes dá dos crimes de Kadafi é a passada limitação à poligamia, que readquire de novo todo o esplendor em nome do Corão.
Eu não sei se os aviões da NATO bombardearam hospitais e populações civis para derrotar Kadafi, se o ditador apalhaçado foi morto com requintes de crueldade semelhantes aos infligidos ao ditador Mussolini em 1945. O que não tenho dúvidas, porque salta à vista, é que "os aliados" jogaram à roleta russa com a Primavera líbia e se pretendiam abrir caminho a uma democracia mais respeitadora dos direitos fundamentais do que os regimes que ajudaram a derrubar o objectivo saiu-lhes furado.
Como no Afeganistão quando apoiaram os talibãs, de todas as maneiras e feitios, contra o regime progressista, laico, que se seguira à ocupação soviética. Os talibãs fizeram do Afeganistão um refúgio, e uma base, Al Qaeda, para os terroristas islâmicos? Pois chamem-lhes "moderados", convençam-se disso, e esperem-lhe pelo Inverno, "do nosso descontentamento", pela queda da Argélia e Marrocos, também, nas mãos dos fundamentalistas islâmicos.
"Os aliados" de hoje ─ Obama, Cameron, Sarkozy ─ estão a ser tão ingénuos com os rebeldes muçulmanos como Churchill e Roosevelt a lidar com Estaline. Será que ainda há volta a dar-lhe? Esperemos sentados.
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
Bin Laden morreu? Para os americanos foi um 25 de Abril
A morte de Bin Laden, historicamente, o que é que lhe faz lembrar? É a pergunta de um blogue, o Cafferty File, associado à CNN, a decorrer no momento. Respondi de imediato mentalmente duas coisas:- a queda do Muro de Berlim?!.
- não, para mim, como português uma alegria tamanha só a vivida com o 25 de Abril.
Se virmos bem, foi assim que os americanos celebraram a notícia da morte de Bin Laden, uma libertação, um orgulho, uma promessa de futuro... como um 25 de Abril português. Assassinaram-no? É verdade e não achei mal. Foi feita justiça. Justiça sumária? Era o que merecia.
O extremista Bush dizia que ia mandar à caça de Bin Laden, como nos filmes do Oeste: PROCURA-SE, morto ou vivo. Aparentemente, o moderado Obama nem sequer quis que o apanhassem vivo, terá dado ordem que o executassem e se desfizessem do corpo quanto antes. Claro que também já se diz por aí que nada disso: Osama bin Laden já estava morto, quando os americanos lá chegaram.
QUERO LÁ SABER. É em ocasiões como esta que eu vejo como tenho mudado. A pena de morte? A presunção de inocência? A exigência de um processo judicial com todas as garantias? Dou comigo a pensar que no caso de Bin Laden eram formalidades talvez desnecessárias. E muito perigosas.
Lembram-se do processo de Sadham Hussein, que tinha mandado dizimar uma aldeia inteira porque lá tinha ocorrido uma falhada tentativa de atentado contra ele, que tinha mandado gazear os curdos aos milhares, que inventava inimigos e os fazia executar nas próprias reuniões do comité central do seu partido? Pois acabámos, acabaram muitos, cheios de pena do Sadham.
Pior seria um julgamento mediático com Osama Bin Laden como réu. Multiplicavam-se as bombas, as intifadas, os combates de rua, os mortos aos milhares, em todo o Mundo, cada vez que lhe interrompessem os discursos, as proclamações, os apelos ao ódio. Mais dois, três, muitos atentados suicidas com aviões, como o das Torres Gémeas contra as pessoas comuns que lá trabalhavam? Mais dois, três, muitos atentados à bomba em comboios das cercanias de Madrid às horas de ponta? Mais dois, três, muitos atentados em autocarros, no metropolitano, como em Londres? Mais...?
Os americanos acharam que nada os obrigava a correr esse risco. Executaram-no sumariamente. Nem sequer revelaram a foto de Bin Laden morto, que havia de ser uma imagem de adoração. Fizeram bem.
Claro que algumas televisões portuguesas, como a RTP, em lugar de lembrar os crimes de Bin Laden, passaram o dia a exigir as provas da sua morte, que em Marraqueche ninguém acreditava, e o repórter da RTP tinha ouvido uma estranha teoria da conspiração de um muçulmano e meio.
Pois digo eu, que não tenho mandato para defender os americanos, fizeram eles muito bem. Sobretudo não oiçam, não vejam, não leiam os media portugueses. Não interessam para nada.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Auto-estradas solares
Nos Estados Unidos, desde que Obama, à semelhança de Sócrates, decidiu investir nas energias renováveis surgem todos os dias projectos extraordinários. O último é utilizar as auto-estradas, o piso das auto-estradas, para colocar painéis solares, produtores de energia eléctrica barata e não poluente. Já existe uma empresa, a Solar Roadways, uma equipa, subsídio público inicial de 100 mil dólares, o que é raro na América, e resultados prometidos até Fevereiro de 2010.
Pretende-se descobrir a maneira de produzir energia de maneira descentralizada, segura, inteligente, em painéis que se auto-regeneram. Pode ser um ovo de Colombo para os problemas de aprovisionamento de energia, carregamento de baterias, dos automóveis eléctricos, cuja produção em série já começou.
As auto-estradas solares são apenas um dos projectos em curso. Há uma data deles já em fase de execução como se pode constatar aqui, no site da Envision Solar. Veja e divirta-se. O que faz falta é optimismo, espírito de iniciativa, vontade de avançar, "o sonho comanda a vida". Gente desconfiada, maledicente, mesquinha, invejosa, parada no tempo - é que não nos leva a lado nenhum. Salazar foi a prova disso.
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