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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Aquela parasita da Judite de Sousa...levou para almoçar!

Defensor de Moura entrevistado por Judite de Sousa

PUBLICADO POR PORFIRIO SILVA ON 3.1.11

Judite de Sousa fez tudo para evitar que Defensor de Moura dissesse ao que vem. Só faltou perguntar-lhe se dormia de barriga para cima ou virado para o lado esquerdo. Defensor de Moura, demasiado educado com jornalistas manhosas, optou por não atirar Judite de Sousa da cadeira abaixo. Foi pena. É que, nas oportunidades que conseguiu agarrar apesar do parasitismo da entrevistadora, Defensor de Moura mostrou-se muito estruturado, consistente, sereno e seguro, sem cartas na manga mas com a coluna bem vertebrada. A seguir com atenção.

O Porfírio tem razão. Gostaria de acrescentar que apesar do "parti-pris" da entrevistadora, sempre sempre ao lado de Cavaco Silva, célebre pelas perguntas que não lhe fez quando o teve à mão, em Março passado, qdo os seus negócios particulares com o BPN foram conhecidos, Defensor Moura conseguiu revelar-se o grande homem que é, que sempre foi, na oposição à Ditadura, nos hospitais, no Parlamento, na Câmara de Viana do Castelo, quando se opõe à crueldade com os animais, nos circos e nas touradas, quando defende a regionalização do Continente como instrumento de progresso. Quero lá saber que não ganhe: eu voto nele , à primeira.

domingo, 14 de março de 2010

As perguntas que não foram feitas e deviam ter sido

Com a devida vénia ao Nik para desvendar o que a esfinge nos esconde:

37 perguntas a Cavaco Silva

(continuação)

Senhor Presidente, a circunstância de o senhor enquanto primeiro ministro ter entregue, em 1992, um canal de televisão ao ex-primeiro ministro e militante n.º 1 do PSD, Francisco Balsemão e ter oferecido, em 1993, um canal à Igreja deve ser interpretada como fazendo parte de um plano para controlar a comunicação social portuguesa tanto do ponto de vista político-ideológico como religioso?

Senhor Presidente, a posterior entrada da Media Capital e da Sonae no capital da televisão da Igreja não lhe causou sobressaltos?

Senhor Presidente, a posterior tomada de controlo da TVI pela Media Capital não lhe causou vertigens?

Senhor Presidente, a posterior OPA do grupo espanhol Prisa sobre a totalidade do capital da Media Capital, em 2006, não lhe causou engulhos?

Senhor Presidente, o senhor acha normal ter afirmado, em Junho de 2009, contra a sua norma de não se pronunciar sobre negócios entre empresas, que os responsáveis da Portugal Telecom, uma empresa privada interessada no negócio das telecomunicações e multimédia, deveriam "explicar aos portugueses que motivos levam esta empresa a querer comprar 30% da Media Capital"?

Senhor Presidente, o senhor teve alguma conversa prévia com Manuela Ferreira Leite ou José Eduardo Moniz quando, em Junho de 2009, acusou de falta de transparência o negócio que se encontrava em preparação entre a PT e Prisa para a compra de parte da Media Capital, de que teria resultado o regresso da titularidade desta empresa a mãos portuguesas?

Senhor Presidente, porque é que não lhe oferecia garantias de "transparência e ética" a entrada da PT no capital da Media Capital, sabendo-se, por exemplo, que a mesma PT tinha detido 40% do capital da SIC Notícias durante oito anos sem que ninguém se tivesse queixado de falta de transparência ou de interferência na informação desse canal?

Senhor Presidente, o senhor pensa que o facto de o Estado deter uma golden share na PT e de, por conseguinte, o governo ter influência na nomeação do presidente e dois membros do conselho de administração, põe em causa a transparência e a ética dos negócios que essa empresa decida realizar?

Senhor Presidente, o facto de o governo ser socialista tem alguma influência no juízo que o senhor faz sobre a transparência ou não transparência dos negócios da PT?

Senhor Presidente, se o governo fosse do PSD, o senhor também acharia que o negócio entre a PT e a Prisa era questionável em termos de transparência e ética?

Senhor Presidente, se José Eduardo Moniz ficasse na TVI, como o presidente da PT aliás propôs ao dito Moniz, o senhor já acharia que o negócio entre a PT e a Prisa era transparente e ético?

Senhor Presidente, se em Junho de 2009 não se estivesse em período pré-eleitoral, o senhor também duvidaria da transparência do negócio?

Senhor Presidente, tem consciência de que com as suas declarações de Junho de 2009 sobre o negócio PT/Prisa pressionou o governo para que o negócio não se fizesse?

Senhor Presidente, depois das dúvidas que o negócio PT/Prisa lhe suscitaram, porque lhe ofereceu garantias de transparência e ética a compra de 35% da Media Capital à Prisa pela Ongoing, grupo que na altura era, e ainda hoje é, detentor de 23% do capital do grupo concorrente, a Impresa?

Senhor Presidente, não sente vontade de se pronunciar, contra a sua norma de não se pronunciar sobre negócios entre empresas, sobre a transparência do negócio recentemente celebrado entre a PT e o grupo Impresa para a criação de um novo canal de televisão para o Meo?

quinta-feira, 11 de março de 2010

Uma vergonha de entrevista


É verdade: eu também vi a entrevista de Cavaco Silva àquela senhora, também achei que o homem estava irritadiço, indisposto, mesquinho, previsível, nas ferroadas ao Governo, a quem deve alguma solidariedade institucional que não tem. Mas decidi não dizer nada a quente.

Digo-o agora: foi uma entrevista aflitiva, por ele e pela entrevistadora, que passou a vida a pôr-lhe as respostas na boca e a meter os pés pelas mãos: desculpe se lhe perguntei isso, um Presidente tem de ter muita paciência, não tem?

Paciência, minha senhora, tivemos de ter nós a ouvi-la. Que não compreendemos porque não lhe perguntou pelo BPN, que estamos todos a pagar, pelos negócios, chorudos, que ele próprio fez com o BPN, em proveito próprio e da família. Quem tem amigos? Ah não: o mínimo que temos o direito de saber é se aquelas acções foram mesmo obtidas por negócio particular ou se lhe foram oferecidas. E sendo que "não há almoços grátis" que vantagens, em sua opinião, pretendiam obter em troca os amigos Dias Loureiro, Joaquim Coimbra, Oliveira e Costa pelos favores que lhe fizeram?

Também se estranha que aquela senhora se tenha deixado intimidar na questão das escutas. Porque é perfeitamente irrelevante que ele se tenha ofendido com as dúvidas levantadas por dois deputados socialistas com base numa notícia do então Semanário, transcrita no site do PSD, sobre a eventual participação de assessores do PR na elaboração do Programa do Governo do PSD.

O que importava esclarecer, tornar bem "transparente", porque se trata da actuação do mais alto poder do Estado, é por que razão um seu homem de mão, com o seu conhecimento, quis "plantar" no Público duas manchetes falsas, a poucos dias das eleições, tendentes a denegrir o Governo e influenciar as eleições, como se viu.

O Público mentiu, como Fernando Lima veio dizer seis meses depois? Então por que razão o Senhor Presidente não o disse logo, ou pelo menos na sua intervenção de finais de Setembro, preferindo justificar-se com os alegados ataques dos tais deputados socialistas? Era o que uma jornalista a sério não podia ter deixado de perguntar. Sem agressividade. Mas também sem risinhos cúmplices.

A jornalista portou-se mal, e é sempre assim com entrevistados de direita, às vezes também, quando tem medo deles, de outros entrevistados. Mas o pior é o que Cavaco Silva disse e não devia dizer.

Não devia dizer que não pode demitir o Governo por falta de confiança política, ficando no ar que se pudesse era já, o que é uma vilania da sua parte. Porque é mentira.: pode isso e muito mais. Basta-lha alegar (e não precisa de provar) que está em causa o regular funcionamento das instituições.

Foi aliás o que fez quando se recusou a dizer se estava esclarecido sobre o negócio falhado da compra de uma parte minoritária da TVI pela PT. E razão tem o Público desta vez para pôr em manchete que o Presidente não acredita que o Primeiro Ministro não tenha tido conhecimento do negócio.

Sei que não foi isso que ele disse, só insinuou, valorizando o que a jornalista lhe propunha que dissesse: que no seu tempo, como bom Primeiro-Ministro que era, uma coisa dessas era inconcebível. Nas entrelinhas: este PM nem respeito lhe têm. Mas disse mais: como é que se há-de ter estar esclarecido se o Parlamento acaba de decidir uma comissão de inquérito?

Ei-lo mais uma vez ao serviço da guerrilha em curso, fazendo tábua rasa das declarações de Zeinal Bava e de Henrique Granadeiro, aliás nº 2 da lista de João Salgueiro, que se lhe opôs na Figueira da Foz, já lá vão 25 anos.

Penso que um Presidente da República devia afirmar-se como um homem bom, de ideias generosas, capaz de desarmadilhar agressividades inúteis, de ajudar o País a andar para a frente, como aliás ele próprio prometeu há quatro anos. Foi todo o contrário. Para vergonha nossa, a tal grande dama do jornalismo (ia dizer do PSD) foi incapaz de o confrontar com as promessas de há quatro anos. Deixou-o dizer. O que ele queria. E não o que é verdade
e ele não quereria dizer.

Foi uma vergonha de entrevista. Para tempo de antena, para lançamento da sua recandidatura a Belém, melhor era impossível.