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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Onde está a acta do conselho científico sobre o caso Relvas?

Razão tem o jornal i em levantar a questão da ilegalidade do elenco do conselho científico da Lusófona que a própria Universidade divulgou. Mas há outra questão: houve mesmo uma qualquer reunião do dito conselho, em que foi de facto votado o parecer dos 160 créditos a Miguel Relvas? Se houve, em que data foi, quem esteve mesmo presente, quem votou ou não votou, onde está a acta?

É que não basta que o extraordinário parecer tenha a assinatura de António Fernando Santos Neves, em pessoa, que então se apresentava como  "reitor-fundador" (veja aqui entrevista do próprio) da Universidade Lusófona de Lisboa, em trânsito para Reitor da Universidade Lusófona do Porto, (além de director de departamento e avaliador de Relvas numa disciplina...), e também "apóstolo máximo" da Declaração de Bolonha em Portugal. Falta a prova de uma "formalidade" essencial para a atribuição das equivalências, que é a decisão válida de um conselho científico regularmente constituído.

A tutela, que é o Ministério de Nuno Crato, que foi o Ministério de Mariano Gago, tem uma palavra a dizer. Prof. Nuno Crato, tão rigoroso, não se sente incomodado pelo modo como funciona/funcionava esta Universidade? Prof. Mariano Gago, cientista e intelectual de renome, Ministro responsável pelas universidades quando isto se passou, como pode deixar a sua reputação grudar-se num caso destes?

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Mas afinal quem são os tipos da Lusófona?


A mim o que mais me choca na licenciatura de Relvas é o comportamento da "Universidade" Lusófona e dos seus reitores, aqui a homenagear o Bispo do Porto. Quem foi capaz de subscrever esta bosta que o Público de hoje revela na íntegra? Que domínio da linguagem, da gramática, da lusofonia, justifica uma conclusão como esta:
Três aspectos merecem particular relevância: a longevidade das funções desempenhadas, a natureza das mesmas, maioritariamente de liderança ou grande responsabilidade institucional, e a sua variedade. Estes dois aspectos enunciam um currículo rico em elementos que enquadram um parecer de valorização do mesmo em 160 ECTS, que deverão ser feitos equivaler a diferentes unidades curriculares, preferencialmente em linha com os diferentes pontos enunciados neste parecer.  
Atente-se nos "três aspectos" que afinal são dois. Na "longevidade" de "funções", hem! Nos "elementos" do currículo (quais?), que enquadram (sic) um parecer de valorização do mesmo em 160 ECTS.  Porquê 160, e não 170, ou 120, ou 10? Nenhuma explicação. Assim funciona a Lusófona e o seu 'reitor-fundador nunca deixará de ser, com ou sem diploma e medalha oficiais, vitalício “Reitor Honorário” da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa?' (Sic! Elogio em boca própria!)

Assim se define o primeiro subscritor do "parecer" (alguém o homologou?), Prof. António Fernando dos Santos Neves, "reitor-fundador", com letra pequena, e "Reitor Honorário", com letra grande, em entrevista que ele próprio se faz na Revista Lusófona de Humanidades e Tecnologias. 

Aí se diz que é "doutor em Filosofia e em Ciências Sociais Aplicadas na especialidade de Pensamento Contemporâneo". Mas não se esclarece que Universidade lhe deu o título.

Aí se gaba de ter sido "Professor de Ciências Políticas na Universidade de Paris". Qual delas, para podermos confirmar? Paris I? Paris II? Paris III....Paris XIII? É que há mais de 40 anos que não há uma Universidade de Paris, mas 13, autónomas e independentes. Faut pas épater le bourgeois com essa de que foi "Professor de Ciências Políticas", com letra grande, em Paris, sem dizer quando, a que título e em que universidade. Eu fui aluno (só aluno, não pedi por isso qualquer equivalência em Lisboa) de Paris II, Université de Panthéon-Assas. Nunca o vi por lá.

Também diz o Prof. Doutor Lusófono que "estruturou nas Universidades Portuguesas a disciplina IPC – Introdução ao Pensamento Contemporâneo”. Ah estruturou? O que é isso? E "as Universidades Portuguesas" sabem disso?

O melhor do seu currículo, no entanto, é que "fundou as Semanas Portuguesas de Teologia”. "Fundou". Teologia, hem! Aliás o primeiro dos seus livros chama-se "Estudos Teológicos" E foi publicado nas Actas das Semanas Portuguesas de Teologia, Org., 6 volumes (Lisboa, 1962…, Reedição fotocopiada, Revista Lusófona de Ciência das Religiões.

Está tudo explicado? Ainda não. Teólogo é mas de Bolonha! Ele próprio se diz "apóstolo-mor", na introdução, e apóstolo máximo, de viva voz, nestes termos
Como é sabido, o novo reitor da ULPorto (ele próprio Fernando Santos Neves!) já não se livra da fama (esperemos também que de algum proveito...) de ter sido, em Portugal, o apóstolo máximo da “Declaração de Bolonha” contra os “atrasos de vida e de modernidade” das Universidades Portuguesas (sic).

Que até terá publicado um livro: “Adimplenda est Bolonia! É preciso cumprir. Pois cumpriu Bolonha e de que maneira: 160 créditos, por junto e atacado, à vontade do freguês, sem justificações que se vejam, o homem é um teólogo, a licenciatura de Relvas é uma coisa do Além. Da Universidade Lusófona.

Sabem por acaso como se entra na Lusófona? Por exames de ingresso, claro. Com que provas? Oiçam isto, tirado do site da Lusófona de Lisboa: 
Para a candidatura de 2012 podem ser utilizados como provas de ingresso exames feitos em anos anteriores.
Entenderam?! E a seguir:
Os exames nacionais do ensino secundário podem ser utilizados como provas de ingresso no âmbito da candidatura à matrícula e inscrição no ensino superior no ano da sua realização e nos dois anos seguintes, sem necessidade de repetição no ano em que for concretizada a candidatura ao ensino superior.
Ainda há quem se queixe que alguns souberam que "podiam" sair nos pontos de português certos cantos dos Lusíadas! Na Lusófona "podem sair", eu disse podem, pontos de exames anteriores, ou dos exames do secundário. Querem apostar que geralmente saem mesmo?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O que fazer com a RTP Informação?

Costuma fazer zapping? E passa pela RTP Informação de vez em quando? E até lhe acontece parar uns segundos no canal? Sem se dar conta que é mais um canal do Porto, digo, do FCPorto, isto é, um canal de apito dourado, i. é, viciado?!

Pois tem maneira de obviar a esse incómodo. Basta colocá-lo de uma vez por todas lá onde nunca vai, junto do Porto Canal, dos canais infantis, dos canais russo, ucraniano, chinês... Como? Assim: 
Pegue no comando, carregue na tecla menu, na barra de cima prima  →, →, → ... até o cursor atingir Ajuda e Configurações.
Seleccione Ajuda e Configurações. Prima ↓, ↓, ... até o cursor chegar a... Configurações.
Seleccione Configurações. Prima ↓, ↓, ... até Ordenar Canais.Seleccione Ordenar Canais.  Prima ↓, ↓, ...  até RTP IN (6).Em RTP IN desloque o cursor para a direita →, até à seta ▼.
Prima ▼, ▼, ▼, ▼, ... as vezes suficientes, até a RTP IN ficar naquelas posições a que nunca vai, as 70ª, ou 90º... Ponha a RTP IN junto dos infantis, dos pornográficos, do Porto Canal (se já tiver feito o mesmo com o Canal do Pinto da Costa...) é lá o seu lugar.
Depois é só Guardar as alterações à Configuração. Tão cedo não volta a tropeçar neste Canal estúpido, que saneou o João Gobern, que tinha o Zona Mista, de infeliz memória. Que Você paga todos os meses na factura da electricidade. 

Começo a pensar que o Relvas estava cheiro de razão quando defendia a extinção, ou a venda ao desbarato, da RTP IN... Um dia chegará a vez da RTP, da RDP... da Contribuição Audio Visual, dos subsídios ao serviço público... para encher a barriga à RTP Porto, à RTP África, à RTP Madeira, à RTP Açores... a todos os luxos, "gorduras", e incompetências... Já lhe basta, dessa não se livra, ter de pagar os desmandos do Alberto João Jardim, mandatário de Passos, amigo do peito do Presidente da República. 



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A orquestra da Ongoing...

...para a conquista da RTP.
Um dos livros que mais me impressionou, quando cheguei a França em 1966, foi a "Orchestre Rouge", do grande Gilles Perrault, que contava como um grupo determinado de militantes comunistas internacionais, liderados pelo intrépido Leopold Trepper,  soube infiltrar-se nas linhas inimigas da informação e conseguiu avisar Moscovo da iminência da "Operação Barbarossa", a invasão nazi da URSS, apesar do Pacto Germano-Soviético.

Claro que Estáline não acreditou. Ou fez de conta e preferiu os nazis à portas de Moscovo e o sacrifício de muitos milhões de soviéticos. E no fim da Guerra apressou-se a mandar executar Trepper e todos os sobreviventes do "réseau" que regressaram à URSS. Mas isso é outra história.


Como o Mundo é pequeno e este nosso País também! Aí temos agora a Orquestra da Ongoing, com artistas sempre em trânsito da Loja Mozart para a bancada do PSD e desta para a direcção da Ongoing, ou para a direcção dos serviços secretos, ou para ambas as entidades, em simultâneo.

E tudo isto porquê? Por causa da privatização da RTP, que lhes está prometida. A eles, ao casal Moniz, ao Crespo, ao Fernando Lima, ao José Manuel Fernandes, ao ministro Relvas, ao António Barreto, ao Alberto João Jardim, ao Diabo, Correio da Manhã, todos juntos, numa televisão só para eles... É uma verdadeira Operação Barbarossa, outra vez. Infelizmente, fuzilaram o Trepper.


Correcção, em tempo: Afinal Trepper não chegou a ser fuzilado. Como relata o citado estudo da Wikipédia, "après la Seconde Guerre mondiale, les autorités soviétiques le font venir en Russie. Mais, au lieu de le récompenser, ils l’enferment dans la Loubianka. Après une vigoureuse défense de sa position, il évite l’exécution en raison d’amis bien placés, mais reste en prison jusqu’en 1955". E depois da publicação do livro de Perrault em 1967 a pressão internacional sobre as autoridades comunistas foi tanta que o deixaram emigrar para Israel onde morreu em 1982.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

PSD adia redução do número de municípios

Todos os dias se adia alguma coisa: primeiro foi o TGV, depois o Aeroporto, a seguir as escolas do primeiro ciclo, e também os estaleiros de Viana, agora os municípios. Só não adiou o corte do 13º mês. De facto, ainda só leva duas semanas e este Governo
  • já adiou o TGV para Madrid ─ apesar de ser “um projecto europeu, com financiamento europeu e integrado numa rede transeuropeia prioritária” como assinalou o ministro espanhol do Fomento José Blanco; 
  • já adiou a reestruturação dos estaleiros de Viana ─ apesar do respectivo plano ter sido da iniciativa da empresa, discutido desde Fevereiro e aprovado em Junho nos últimos dias do anterior Governo que não quis fugir às suas responsabilidades; 
  • já adiou o plano de encerramento de 654 escolas do 1º ciclo com menos de 21 alunos ─ duramente negociado com os autarcas ao longo dos últimos anos; 
  • e acaba agora de adiar a redução do número de municípios  ─ que essa é a notícia do artigo da jornalista Sónia Cerveira no i e não a possível mexida em 1500 freguesias que fazem a manchete e que não levantam qualquer problema.

O que diz Sónia Cerdeira, no artigo que originou a manchete de hoje no i. Que "o governo pretende cortar entre mil e 1500 freguesias no país na reestruturação da administração local que vai levar a cabo, apurou o i. Porém, o PSD deve evitar mexer no número de municípios, um ponto mais sensível e que ficou em cima da mesa depois da passagem da troika por Portugal".E que "o Memorando de entendimento entre Portugal, Bruxelas e o FMI prevê a redução significativa do número de câmara municipais e juntas de freguesia até Julho de 2012".

"Redução significativa do número de câmara municipais". Sabia que na ilha das Flores, com 2429 votantes (o que interessa é o nº de votantes, que o nº de inscritos não é de fiar) nas últimas autárquicas, tem duas câmaras municipais  ─ Santa Cruz das Flores e Lages das Flores   ─ , e uma média de 200 votantes por vereador em exercício?
Que na Ilha de S. Jorge, 6.174 votantes, também há duas câmaras municipais  ─  Velas e Calheta?
Que no Pico, 9.277 votantes em 2009, há três câmaras e 15 vereadores  ─ na Madalena, em S. Roque e nas Lages do Pico?
Que Porto Moniz, na Madeira, é uma câmara com  2.255 votantes e continuidade territorial com o concelho de S. Vicente, que não teve mais de 3.782 eleitores? Ou com a Calheta, que não passou dos 7.210 mas elegeu 7 vereadores?
Que em Barrancos, no Alentejo, os votantes, para os cinco vereadores da câmra, não ultrapassaram os 1.218? Que Mourão teve 1.872? 
Que se juntássemos Barrancos com Moura, Mourão com Reguengos, Redondo com Alandroal, Borba com Vila Viçosa, Campo Maior com Arronches, Marvão com Castelo de Vide, teríamos ainda concelhos com menos de 10 mil votantes ─  que é o nº mínimo, de inscritos, para a criação de um novo concelho, para além da obrigação de ter pelo menos uma farmácia, uma agência bancária, uma casa de espectáculos, além de "um posto de assistência médica com serviço de permanência"?
Que no rol dos concelhos minúsculos  ─  em que, se descontarmos o FEF, "as receitas não são suficientes para a prossecução das atribuições de uma câmara municipal"  ─  está Boticas, Ribeira da Pena, Sabrosa, Mesão Frio, Vimioso, Vila Flor, Freixo de Espada à Cinta, Santa Marta de Penaguião, Penela, Figueiró dos Vinhos, Pedrógão Grande, Penamacor, Avis e Sousel, Góis e Oliveira de Frades, entre muitos outros?
Só que, meus meninos, mais de 90% destes concelhos são governados pelo PSD. E, por isso, mesmo quando as autárquicas lhe corriam mal sempre o PSD assegurava a maioria dos concelhos, do Continente e Ilhas, e o domínio do poder local?

"Redução significativa do número de câmaras municipais"? A troika não sabe onde se meteu. Se soubesse bem podia ter pedido mais um imposto sobre os rendimentos das pessoas singulares. Nisso o PSD/CDS até antecipava de 6 meses o anúncio, de maneira a criar mais infelicidade e prolongar por mais trimestres a depressão. Agora redução do nº de municípios? Isso não se faz ao Ministro Relvas que tão bem conhece, e quer continuar a conhecer, no sentido bíblico do termo, o aparelho do PSD.