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segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Tratado de Lisboa foi ontem a enterrar


As eleições foram uma catástrofe política para a Europa em quase todos os países. Porque simplesmente, à esquerda e à direita, ganharam sobretudo os cépticos, os adversários, os ressabiados, os inimigos, do ideal europeu. E não falamos sequer da extrema direita, que arrasou na Grã-Bretanha, consolidou-se em Itália, impôs-se na Holanda. Falamos dos ideais proteccionistas que prosperaram, da desconfiança e do primarismo político que os eleitores premiaram. Neste sentido é que estas eleições europeias são sobretudo um triunfo da extrema direita antieuropeia, mais do que uma normal vitória da direita moderada, e muito menos da extrema esquerda, como se poderia pensar, vistas as coisas aqui do quintal.

De facto, tirando Portugal, a extrema esquerda europeia não saiu das covas em que tem vegetado nos últimos vinte anos. Besancenot, o mais próximo companheiro de armas de Louçã em França, depois de ter tido nas sondagens uns 15% para o seu Novo Partido Anticapitalista - "os ricos que paguem a crise" - ficou-se por menos de 5% e um deputado.

Quem ganhou muito em França e ficou a uma unha negra de bater os socialistas foram os centristas e altermundialistas da Europe Ecologie - liderados pelo alemão Daniel Cohn-Bendit, líder de Maio de 68, pela norueguesa Eva Jolie, uma magistrada anti-corrupção do gabarito, e com o mesmo insucesso, de uma Maria José Morgado, entre nós, e pelo campónio José Bové.

Claro que também ganhou o populista, proteccionista, nacionalista (será ainda gaullista?), partido do Presidente Sarkozy, o UMP. E ganhou, precisamente, por ter desencadeado o proteccionismo francês contra a europeia liberdade de circulação de pessoas e bens. Ganhou contra a Europa e isto é uma catástrofe política, pior do que a subida imprevista do UK Independence Party que reclama a saída da União Europeia. Ou a dos alegados fascistas do BNP que fazem uma entrada triunfal no PE com 2 deputados.

Acontece que os conservadores, que também ganharam nestas europeias e se preparam para arrasar a concorrência nas próximas legislativas britânicas, são contra o Tratado de Lisboa, propõem-se voltar atrás na ratificação parlamentar que já ocorreu e submeter o Tratado ratificado à humilhação de um referendo, o que deverá fazer estremecer de emoção os nossos Pachecos Pereiras domésticos. Mais do que Irlanda, o Reino Unido quer-se fora da Europa, não avança nem deixa avançar, melhor seria que saísse de uma vez, o UKIP é mais honesto do que o Partido de David Cameron.

De facto, que é que o Reino Unido está a fazer na Europa? Não é do Espaço Shenghen. Está fora do euro. Excluiu-se da Europa Social. A Suiça partilha mais das vantagens e inconvenientes das leis da União Europeia do que a Grã-Bretanha.

UKIP, BNP, Conservadores, vão unir-se para a machadada final no Tratado de Lisboa, para fazer a vida negra ao euro, para deitar abaixo o que restar da União Europeia, depois da guerrilha que agora começa. Com Durão Barroso ao leme da Comissão, ungido por Berlusconi e Sarkozy, com um Executivo amolecido, que não teve, nem terá, autoridade para contrariar os proteccionismos que aí estão, não saímos da cepa torta. Iremos de recuo em recuo até à debandada final.

Para a Europa é sobretudo esta falta de força, esta inanição, da Comissão Europeia, que constitui o problema. Como naquela parábola profética do genial Georges Pérec:
Trois cardinaux, un rabbin, um amiral franc-maçon, un trio d'insignificants politicards soumis au bon plaisir d'un trust anglo-saxon, ont fait savoir à la population par radio, puis par placards, qu'on risquait la mort par inanition. On crut d'abord à un faux bruit. Il s'agissait, disait-on, d'intoxication. Mais l'opinion suivit. Chacun s'arma d'un fort gourdin. "Nous voulons du pain", criait la population, conspuant patrons, nantis, pouvoirs publics. Ça complotait, ça conspirait partout. Un flic n'osait plus sortir la nuit. À Mâcon, on attaqua un local administratif. À Rocamadour, on pilla un stock: on y trouva du thon, du lait, du chocolat par kilos, du maïs par quintaux, mais tout avait l'air pourri. À Nancy, on guillotina sur un rond-point vingt-six magistrats d'un coup, puis on brûla un journal du soir qu'on accusait d'avoir pris parti pour l'administration. Partout on prit d'assaut docks, hangars ou magasins.
Plus tard, on s'attaqua aux Nord-Africains, aux Noirs, aux juifs. On fit un pogrom à Drancy, à Livry-Gargan, à Saint-Paul, à Villacoublay, à Clignancourt. Puis on massacra d'obscurs trouffions, par plaisir...
E por aí adiante, foi assim que começou... La disparition, a desaparição da Europa, que passou logo a chamar-se Uropa, após a proscrição do amaldiçoado quinto signo... Tudo arrancou num domingo, não muito acalorado, num próximo post conto-vos tudo, na forma trabalhada, ímpar, do autor.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Previsões europeias: nossas e não só (3)

Depois das novidades dos seis grandes, e da análise das eleições nos países do meio tabela, entre os quais Portugal, apresento agora uma vista de olhos, do meio da tabela para baixo, sempre com o critério do número de habitantes em ordem decrescente:

14 – Suécia: não à Europa perde terreno (Pop 9.045.389, elege 18 dep.) – Os suecos, que em referendo recusaram a adesão ao euro, fazem agora figura de euroentusiastas segundo as sondagens.  Perde o Movimento do Não à Europa, parceiros do PCP e do Bloco no GUE/EVN e perdem os independentes eurocépticos. Há 8 partidos com hipóteses de eleger deputados. Vantagem do PSD sueco (SOC), com 31% dos votos e 7 deputados.

15 – Áustria: alterações mínimas (Pop 8.205.533, elege 17 dep.).  O Partido Liberal, do finado Haider, duplica a sua representação: de 1 para 2, como o nosso Bloco. Os sociais democratas (SOC) deverá passar de 33,4% a 28,0% e perder 2 deputados, ficando quase empatados com os democratas cristãos, 28% contra 27%.

16 – Bulgária: cristãos a subir (Pop 7.262.675, elege 17 dep.) – Tiveram eleições europeias pela primeira vez em 2007. Em dois anos, segundo as previsões, os liberais perdem 3 deputados. Ganham os democratas cristãos, do PPE, que avançam 10 pontos e deverão ter 6 deputados mais um do que os socialistas.

17 – Dinamarca: afundam-se os do contra (Pop 5.484.723, elege 13 dep.) – Era uma vez um  Movimento do Povo dinamarquês contra a União Europeia, companheiro de luta, e de grupo, do PCP e do BE,  que chegou a ter 4 deputados no PE. Desaparece desta vez, segundo as sondagens. O não à União, por vezes disfarçado de não a esta União, só ganha terreno em Portugal e em França.

18 – Eslováquia: 3 partidos no PPE (Pop 5.455.407, elege 13 dep.) – Os cristãos de 3 partidos búlgaros com assento no PPE tinham maioria absoluta 8/14, agora perdem 3, empatando com os socialistas, que deverão recolher 35 % dos votos e eleger 5 deputados.

19 – Finlândia: 7 partidos num pequeno país (Pop  5.244.749, elege 13 dep.) – Perdem os liberais (ALDE) que terão menos 2 deputados. De resto, a notícia é que haverá 7 partidos a partilhar os 13 lugares da Finlândia, com o PPE com 25% e 4 deputados.

20 – Irlanda: pequenina e bailarina (Pop 4.156.119, elege 12 dep.) – Bloqueou o Tratado de Lisboa, com menos de um milhão de votos contra. Agora, com a crise a bater-lhes forte e feio, são “os mais interessados” nestas eleições no reino dos maus. O Fine Gael, do PPE, perde 1 mas continua à frente com  32% e 4 lugares.

21 – Lituânia: liberais afundam-se (Pop 3.565.205, elege 12 dep.) – Os liberais da ALDE tinham ganham as eleições em 2004 com 30% e 5 deputados. Aparentemente, a época está mal para liberalismos, também na Lituânia, onde os liberais devem perder 4 dos seus 5 eleitos. Ganha o PPE com 21% e 3 deputados.

22 – Letónia: 8 partidos para 8 lugares (Pop 2.245.423, elege 8 dep.) – Os eurocépticos letões, na Europa das Nações, foram em 2004 o partido mais votado, com 30% dos votos e 4 representantes. Perdem 3. Prevê-se que desta vez oito partidos obtenham representação europeia, 1 deputado para os que ganham, 1 deputado para os que perdem.

 23 – Eslovénia: país de resistentes (Pop 2.007.711, elege 7 dep.) – A pequena república dos Alpes sobreviveu à ex-Jugoslávia e aprende agora a sobreviver aos grandes da União. Os subsídios de Sarkozy a uma multinacional automóvel foram para se tiver de fechar fábricas o fazer na Eslovénia. SOC e PPE empatados com 25% e 2 deputados, cada.

24 – Estónia: Socialistas perdem (Pop 1.307.605, elege 6 dep.). Os socialistas tinham ganham por muitos em 2004 com 36% e 3 deputados: perdem agora 20 pontos e 2 lugares. De resto espalham-se os votos por 5 partidos, só os liberais têm 2.

25 – Chipre: Socialistas entram (Pop 792.604, elege 6 dep.) – Só 1 PPE muda de mãos: deverá passar aos SOC que não tinham nenhum, o que já é muito quando há apenas 6 a repartir e tão poucos votos. O partido centrista, também do PPE, lidera com 32% e 2 deputados.

26 – Luxemburgo: tudo na mesma (Pop 486.006, elege 5) – Panorama inalterado na sede oficial (administrativa) do PE. Os democratas cristãos (PPE) garantem mais uma vez 3 dos 6 eleitos luxemburgueses.

27 – Malta também não muda (Pop 403,532, elege 5 dep.) – Tudo inalterado: os democratas cristãos (PPE) deverão manter os 2 deputados que têm, os trabalhistas (SOC) deverão conseguir uma maioria de votos, 51%, e de deputados, 3.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Previsões europeias: nossas e não só (2)

Vimos as previsões dos seis grandes - Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Espanha, Polónia (os países do Directório?) Continuamos pela mesma ordem, do mais populoso para o menos, com os chamados médios Estados da União Europeia, da Roménia à Hungria, com Portugal, em 10º (sabia?), com destaques da última hora.

7 - Roménia: empate à vista (Pop 22.246.862, elege 33 dep.) – Os democratas-cristãos (que eram dois partidos na Roménia, chamados, respectivamente, liberais-democratas e democratas-liberais, unem-se nestas eleições, mas deverão perder cada um 3 deputados. Socialistas em alta, pelo que até ontem PPE e SOC estavam empatados a 30% dos votos e 11 lugares cada. Mas os socialistas na última sondagem desfaziam o empate: 12 a 10.

8 – Holanda: convivência genética (Pop. 16.645.313, elege 25 dep.) – Perdem socialistas, menos 3 lugares, e os Verdes, menos 2. A grande notícia é que haverá 9 partidos que elegem deputados europeus. A Holanda é um Estado pluralista, habituado a viver e conviver, sem dramas, em coligação – uma questão de tolerância genética, de raiz protestante, toldada apenas pelos movimentos racistas de extrema direita, em recessão. O Partido Cristão Social (PPE) deverá continuar o mais votado com  20% e 4 deputados.

9 – Grécia: PASOK resiste (Pop 10.722.816, elege 22 dep.) – Os cristãos da Nova Democracia (PPE) deverão perder terreno, menos  4 deputados. Ganham os Verdes, os comunistas ortodoxos e os independentes, mais 1, cada. Mas o PASOK (SOC) deverá continuar à frente com cerca de 36% dos votos e 8 lugares no PE. 

10 – Portugal: PSD e Bloco vencem 1ª batalha? A guerra é para continuar (Pop 10.676.910, elege 22 dep.) – O PS baixa de 12 deputados em 2004 para 9, ou 8, segundo a última sondagem da Marktest, e assim o partido da adesão, do euro e do Tratado de Lisboa perde 3 ou 4 deputados. Ganha o partido do Presidente da República, do Presidente da Comissão Europeia, da TVI, do Público, dos Negócios, do Privado. Ave César! Ganha o PSD mas não só: ganham os professores, ganham os magistrados, ganha a CGTP, ganha o PCP e ganha sobretudo o Bloco de Esquerda, da extrema de esquerda não democrática – “o voto é apenas uma forma de luta” –, promotor de ocupações e arruaças, no próprio Parlamento português e lá fora, parceiro e amigo de todos os inimigos desta Europa. Seguem-se as legislativas, que como em 87 tinham todas as razões para coincidir com as europeias, mas assim não quis o PR que preferiu prolongar por mais cinco meses o confronto, mediático, justicialista, professoral, em que todos os golpes são permitidos, rumo à vitória, sempre. Vae victis!

11 – Bélgica: a mesma confusão (Pop 10.403.951, elege 22 dep.) – Se destas eleições decorresse a formação de um Governo, não se vê qual fosse, como habitualmente. Os belgas distribuem-se por partidos francófonos, flamengos e germânicos, de todas as confissões, menos a comunista, e é a única vantagem que têm. Desta feita perdem os socialistas, tanto os da Valónia como os da Flandres e também os liberais. Mas os que ganham, os cristãos flamengos, também não vão longe: 12% dos votos e 3 deputados. 

12 – Chéquia: comunistas em baixa (Pop 10.220.911, elege 22 dep.) – Dos países do antigo Pacto de Varsóvia é o único na União Europeia que tem um partido comunista assumido (os da ex-RDA juntaram-se a um grupo de dissidentes do SPD), com o nome empolgante de Partido Comunista da Chéquia e Morávia. Causa espanto num País em que se atiraram ministros pela janela, no pós-guerra, e se chamaram os tanques soviéticos em 1968 para esmagar qualquer veleidade de “democracia socialista”. Pois os orgulhosos (de quê?) comunistas checos deverão perder terreno desta vez: menos 3 deputados. Ganham os socialistas, mais 7 lugares no PE.

13 – Hungria: maioria absoluta cristã  (Pop 9.930.915, elege 22 dep.) – Os socialistas perdem 1 deputado, o PPE ganha 2. A grande notícia é que o PPE húngaro deverá atingir os 53% dos votos e os 14 deputados.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Previsões europeias: nossas e não só (1)


Nestas eleições europeias, somos parte, um 22/736 avos, não faz sentido fazermos de conta que tudo gira à volta dos nossos pequeninos problemas internos. Vale a pena acompanharmos o resto das eleições europeias, o que dizem as sondagens, lá fora, Estado a Estado, nos 27. Achamos que o melhor dos instrumentos desta análise é o Predict09, um site de referência, nesta campanha, aqui e lá fora. Esta são algumas das notícias que nos esperam, a menos que todas as sondagens se enganem, domingo à noite, nas televisões.


Alemanha: Merkel batida (População: 82.428.000, 99 dep. a eleger) – As últimas previsões apontam para a perda de 11 lugares no PE pela CDU (PPE), de Angela Merkel, actual chanceler. Perdem também os Verdes,  menos 2. Ganha o Die Linke (GUE/EVN), partido de Oskar Lafontaine e dos antigos comunistas da ex-RDA, mais  2, ganham também os liberais (ALDE), mais  4, e, mais do que todos, ganha o SPD (SOC), mais 9, que poderá subir ao 1º lugar na Alemanha, com 30% dos votos e 32 deputados.

França: triunfo trotsquista (População: 62.886.000, elege 72 dep.) – Perdem os socialistas, que se dividiram no referendo da Constituição Europeia e na aprovação do Tratado de Lisboa: menos 10 lugares no PE. O grande fenómeno desta campanha é o NAP – Novo Partido Anticapitalista , do carteiro Olivier Besancenot, trotsquista internacionalista da mesma tendência que Francisco Louçã, que se prevê eleja 9 deputados. A UMP de Sarkozy, que governa, e se fez notada por medidas proteccionistas, deverá ficar em 1º lugar, com 27% e 27 lugares no PE.

Reino Unido: menos antieuropeus (População: 60.422.000, elege 72 dep.) – Perde eleitores o UK Independence Party, partido que luta por que o Reino Unido saia de imediato da União Europeia e por leis anti-imigração,   6 deputados, segundo as sondagens.  Os liberais, que são os britânicos mais leais ao projecto europeu, ganham 5% e um deputado. Trabalhistas e conservadores mantêm as suas posições relativas no PE, com os Tories na liderança:  31% dos votos e 26 lugares em perspectiva.

Itália: um "duce” nas alturas  (População: 58.752.000, elege 72 dep.) –  Quem mais perde é a Rifundazione Comunista (GUE/EVN), que deverá ter menos 3 lugares. A Lista Bonino, da carismática antiga comissária Emma Bonino perde os seus 2 representantes, tantos como os adeptos oficiais de Mussolini. Os socialistas sobem 3 lugares. Mas a grande vedeta continua a ser Berlusconi, que encabeça o seu Povo pela Liberdade em todos os círculos eleitorais e se mantém à frente, com  33% dos votos e 25 deputados/as, algumas muito giras, no seu séquito.

Espanha: 11 partidos em Bruxelas (População: 43.758.000, elege 50 dep.) – Perde o PSOE de Zapatero, no Governo, menos 7 lugares. No seu eleitorado surge a UPyD, de Rosa Diez, dissidente socialista, por causa das passadas negociações com a ETA, com dois lugares em perspectiva. E regressam em força os partidos regionais: as sondagens indicam que 11 partidos espanhóis vão eleger representantes seus no PE. O Partido Popular, de Rajoy, que perdeu as legislativas, deverá vencer agora as europeias, com 42% e 22 eleitos.

Polónia: “famílias polacas” à deriva  (População: 38.157.000, elege 50 dep) - A Liga das Famílias Polacas, um partido conservador, de inspiração fortemente católica, frontalmente anti- EU,  – que se tornou notado em 2001 por negar o pogrom anti-judeu de 1941, deverá perder os seus deputados europeus por não atingir o limiar dos 5%. Os socialistas também perdem: 2 deputados. Ganham os democrata-cristãos, no  PPE, que sobem para os 49% dos votos e deverão contar com 25 deputados.

(Continua)

terça-feira, 2 de junho de 2009

O Grupo do PCP e do BE no Parlamento Europeu



Estalinistas de sempre, como o PCP, gente para quem o voto é apenas uma arma do Povo, como o BE, saudosistas da Stasi e do Muro de Berlim, como o Die Linke (que reune os comunistas da ex-RDA), os que chamaram os tanques soviéticos para repor a legalidade socialista e esmagar a Primavera de Praga, como os comunistas checos, fundamentalistas italianos, como a Refundazione Comunista, o braço político dos bombistas do IRA, como SInn Fein da Irlanda do Norte, o dinamarquês Movimento do Povo contra a União Europeia, o sueco Movimento pelo Não à Europa, o brejnevista PCF, uma espécie em vias de extinção, todos combatem o Tratado de Lisboa, todos fazem parte do mesmo grupo político no Parlamento Europeu.


Chama-se Esquerda Europeia Unitária/ Esquerda Verde Nórdica e, repete-se, dele fazem parte, sem divergência que se tenha visto no passado, os eleitos do PCP tanto como os do Bloco de Esquerda, 3 representantes, aqui.


O grupo é liderado por Francis Wurtz, do Partido Comunista Francês, que já foi o maior partido de França, tem uma posição dúbia sobre a Europa, é contra o Tratado de Lisboa como foi contra todos os tratados europeus anteriores (não contando com o Pacto de Varsóvia!), e tem vindo a afundar-se eleição após eleição: em 2004 elegeu 3 deputados dos 78 franceses.

 

As maiores representações nacionais na Esquerda Unitária Europeia são os antigos comunistas da ex-RDA (Die Linke, 7 eleitos), a par dos comunistas checos, tão anti-europeus como o seu Presidente, que são 6, seguidos  pelos comunistas portugueses, 3 deputados, do PCP e do BE, que podem passar a 4 no domingo, e fazer de nós, proporcionalmente, a representação nacional com mais vozes contra o Tratado de Lisboa na Europa do Sul.  

 

Aliás a palavra de ordem do grupo não é nada do género “contra a Europa, marchar, marchar”  é só que se vive “uma crise de legitimidade do actual modelo europeu” – disse-o Francis Wurtz, do PCF, no seu último discurso no plenário esta legislatura e já ouvi fórmula idêntica na boca de Miguel Portas, do BE.

 

Menos dissimulados, honra lhes seja, são os aliados do PCP e do BE da chamada “Esquerda Verde Nórdica”: o deputado dinamarquês Soendergaard é do Movimento Popular contra a UE (um célebre partido na Dinamarca que só existe para as eleições europeias e já teve melhores resultados), a deputada  sueca Eva-Britt Svensson é a secretária-geral do Movimento pelo Não à Europa, o deputado-jornalista finlandês Esko Seppänen é de um partido indecifrável no site do PE mas vê-se bem que move campanha contra apoios da comissão a organizações não governamentais de jovens, que defendam o voto nas eleições para o PE.


Facto é que todos estes partidos e movimentos anti-europeus entraram em recessão acelerada nos últimos dez ou vinte anos. A excepção é Portugal, onde um Partido terceiro-mundista, como o BE, deverá duplicar o seu número de deputados. Não é por isso que vamos passar a ser um país atrasado. Limitar-nos-emos a continuar a sê-lo cada vez com mais suporte popular.

 

Diz-me com quem andas...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Novos próximos futuros grandes investimentos

Andam tão distraídos os nossos jornalistas em campanha, com as enchentes do PSD em Barcelos, um concelho enorme e um feudo social democrata, desde sempre...
Quem é que está para aí a dizer que hora e meia depois da hora marcada ainda não conseguiam dar um ar composto ao salão paroquial ? 
…caluda, podiam era dizer que um brilharete do PSD em Barcelos era tão lógico e natural, como as pessoas como a Ana Gomes quererem saber dos milhões, muitos milhões, que algumas “figuras gradas” do grande PSD do passado meteram ao bolso nos BPNs e nos BPPs, descobertos e a descobrir.

Andam tão distraídos os jornalistas em campanha que ainda não se lembraram de indagar por que estranha razão ficaram de repente tão nervosos, com o pouco que se vai sabendo do passado, algumas figuras gradas do PSD do presente. Estão preocupados com quê? 

Se o que importa é o interesse nacional (e eu não assino por baixo, que também é nosso, e muito de enaltecer, o interesse europeu) qual é o passo seguinte nesta campanha toda virada para temas internos? Os novos próximos futuros grandes investimentos privados (já vimos que de grandes investimentos públicos não gosta o PSD e não gostam os seus mais altos apoiantes) nos BPNs, nos BPPs, nas CGDs, que vão ser privatizadas?


quinta-feira, 28 de maio de 2009

Em Portugal não se sabe quando são as europeias

Uma sondagem do Eurobarómetro realizada nos 27 países da UE publicada em Bruxelas a 25 de Maio revela que, pelo menos até 15 de Maio, 60% dos portugueses não sabia a data das eleições europeias. Os serviços de informação do Parlamento Europeu entre nós fazem o quê? Ou será mesmo defeito do mau jornalismo que globalmente se pratica entre nós ? 

A mesma sondagem do Eurobarómetro tem duas notícias espantosas: 
  1. que a Suécia, que em referendo muito participado na altura se pôs fora do Euro, em oito meses, desde que estalou a crise financeira internacional, passou de eurocéptica a euroentusiasta. 
  2. e que a Irlanda, que votou contra o Tratado de Lisboa e partilha uma boa fatia da responsabilidade de não haver capacidade de resposta da União Europeia à crise (a menos que seja desculpa de Durão Barroso), é o país onde há mais gente interessada por estas eleições europeias (72%).
Outra grande notícia desta sondagem é que se tomarmos o conjunto dos 27 é provável que a participação venha a ser maior do que inicialmente se previa: poderá chegar aos 50%. 

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R

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Um rapaz com ideias próprias



Pois, desta vez não desgostei! Falo da sua entrevista ao novo jornal i. Nos blogues, os destaques que vi são a aparente atrapalhação do candidato do PSD quando se confessa antigo "compagnon de route" do CDS/PP - "participei nuns conselhos" - e a ligeira confusão sobre a data da sua adesão formal ao PSD - "tenho um problema com as militâncias".

Foi o que me levou a ir ler na íntegra a entrevista de Paulo Rangel ao i. Pois no fim de contas, pela primeira vez nesta campanha, achei-o espontâneo e verdadeiro. Com posições desempoeiradas em várias matérias sensíveis.

Assume os ideais do federalismo europeu sem papas na língua (maizena ou outras) mas com realismo e estou de acordo com ele. Explica com total credibilidade as razões porque sendo favorável a um referendo europeu, concordou que na situação actual da Europa se justificava "um avanço mais intergovernamental do que popular", o que também me pareceu sensato.

 Também demonstra ter ideias arejadas, e no fundo muito críticas, quanto às mais polémicas das posições da Igreja Católica, de que faz parte. É pela ordenação das mulheres, pelo fim do celibato dos padres. Assume-se como "radical activista" contra as posições da Igreja em matéria de anticonceptivos e  na questão dos homosexuais. Se Bento XVI sabe disso ainda manda excomungá-lo. 

Em conclusão, Rangel quanto à sua posição na Igreja vai mais longe do que ia Guterres em 1995 em vésperas da sua primeira vitória eleitoral. Sei porque o entrevistei então para o Semanárioe lembro-me perfeitamente como as posições descomplexadas de Guterres a favor da ordenação de mulheres e contra o celibato dos padres escandalizaram alguns católicos ortodoxos como Marcelo Rebelo de Sousa.

Fico a aguardar com cufriosidade a nota que o Professor Marcelo irá dar ao seu "mau aluno" Rangel na sua próxima homilia dominical. Por mim acho que foi a sua melhor entrevista até hoje. Continuo a pensar que o Vital Moreira é o melhor dos 5. Mas ainda faltam mais de duas semanas para as eleições europeias.