Este é, cara Ana Sá Lopes, o tal sorriso das vacas que Cavaco viu nos Açores. A rir de quê ? Pois do queijo suiço em que está transformada a Madeira ─ é verdade, Pedro Santos Guerreiro, eu também vi e contei uma data de coisas ─ com túneis caríssimos para todo o lado, e é só um exemplo, o que, de facto, "não é um problema de eleitores (da Madeira), é um problema de contribuintes (do Continente)- e devia ser um problema de tribunais"?
Suponho que não: a vaca que riu para Cavaco estava a lembrar-se da desculpa esfarrapada que não sabia de nada "pois se nem o Banco de Portugal se deu conta". Ele sabia. O Banco de Portugal até podia não saber: não tem os informadores privilegiados, os membros da Comissão de honra da sua candidatura, entre outros, tão bem colocados no aparelho madeirense. Nem está provado que o Banco de Portugal não tenha querido saber do que o caudilho fazia de mal como Cavaco em visita oficial esquivando-se a ouvir "o bando de loucos" da Oposição madeirense ─ lembram-se?
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011
terça-feira, 2 de março de 2010
Madeira, o outro lado da tragédia e ponto final
Estive três semanas fora, longe, muito longe. Claro que soube da tragédia da Madeira (que não é só política, como se viu), das muitas dores, das gentes de lá e cá, e o primeiro que me apeteceu dizer foi uma observação que me ocorreu descíamos nós do Monte de autocarro a caminho da Rua Visconde do Anadia, Mercado dos Lavradores, Praça da Autonomia, Almirante Reis, a baixa do Funchal:
─ "O arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles é que não ia gostar nada disto"
Sucediam-se as ladeiras estreitas, a pique, e as curvas de meter medo. Deviam ser de sentido único, mas não eram, havia carros estacionados nas bermas, que obrigavam a perigosíssimas paragens e marchas atrás, para deixar passar quem vinha de frente. Ao lado viam-se as ribeiras emparedadas, em ziguezagues, sem o cuidado sequer de lhes arredondar os ângulos, o betão a invadir o leito dos rios.
Foi isso que me lembrou a tese de Ribeiro Teles, antiga e comprovada. As margens dos rios, com vegetação natural, a chamada mata ciliar, são uma espécie de esponja para as águas sujas que passam, funcionam como uma continuada estação tratamento, além de combaterem a erosão, tanto mais perigosa quanto maior o declive das águas que correm. As margens dos rios não gostam de ser aprisionadas pelo betão, um dia zangam-se, saltam para fora, levam tudo à frente, vingam-se.
Sim, sei que as catástrofes acontecem, não são culpa de ninguém. Não, não previ a tragédia, não sou cientista do ambiente.
Mas tenho bom senso. Alberto João Jardim vai ter agora ainda mais dinheiro para gastar. Alguém que o controle - precisa-se.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Não pagamos, não pagamos, não pagamos
Acabo de regressar da Madeira. A minha opinião é que devemos pegar o boi pelos cornos. Ter o incómodo de dizer a Sua Excelência que não podemos pagar tudo. É um incómodo muito grande: os jornais, que ele comprou, a RTP e a RDP, cujos directores dependem dele, e todos os subsidiados, que são legião, vão dizer de nós cobras e lagartos mas não há outra solução. A Madeira está rica, nós é que somos pobres. Não pagamos. As propinas do Jardim, não pagamos. Não pagamos.
Vou contar-vos a coisa por miúdos. Mas para já o que vos proponho é muito simples: organize-se uma excursão de autarcas de Trás-os-Montes à Ilha da Madeira. De autarcas das juntas de freguesia, não de vereadores, ou presidentes de câmara, esses querem é Brasil, países nórdicos, viagens caras, chorudas despesas de representação.
A Região Autónoma da Madeira tem sensivelmente o mesmo número de habitantes que o distrito de Vila Real de Trás-os-Montes.
- Vila Real de Trás-os-Montes que não recebeu ao longo destes anos milhares de milhões.
- Vila Real de Trás-os-Montes que não pode permitir-se uma dívida (avalizada pelo Estado?) de cinco mil milhões de Euros. Que não pode subsidiar os agricultores para manterem os terraços do Rio Douro a parecer bem aos turistas.
- Vila Real de Trás-os-Montes que não pode financiar a construção hoje de antigas casas, tradicionais (não é gralha, tenho fotografias!), ridículas casas de bonecas.
- Nem dezenas de "arrastadores" de carrinhos de cestos, que não têm clientes, e andam ao alto (contei 72, a jogar cartas, e nenhum cliente, um dia inteiro)
- Nem dezenas de jardineiros, por canteiro, a cavar e recavar, os jardins do Palácio Presidencial.
- Nem comprar quintas atrás de quintas.
- Nem deixar de cobrar IVA.
- Nem pôr a gasolina mais barata.
- Nem esburacar as montanhas em todas as direcções com 164 túneis, com um total de 73 quilómetros, todos gratuitos, que já começam a precisar de elevadas despesas de manutenção.
- Nem meter ao bolso as receitas das fugas aos impostos numa escandalosa zona franca.
- Nem e nem e nem.
Temos de confrontar os eleitos de Vila Real de Trás-os-Montes à Assembleia da República (aliás maioritariamente do mesmo partido que Sua Excelência o Dr Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim - um nome que está em toda a parte na Madeira) com as suas decisões de mandar mais dinheiro, sempre mais dinheiro, para os luxos da autonomia e da irresponsabilidade. Só porque assim querem o PSD, o CDS, o PCP e o Bloco de Esquerda. Faz cá falta. O Governo da Madeira não merece mais.
O que Jardim faz com o nosso dinheiro? (1) Arrastadeiras
Carrinhos de cesto, escorregas, com dois "arrastadores" por unidade, a lembrar as liteiras em Roma Antiga. Funciona, só nos cartazes, como na primeira imagem. De facto carrinhos ao alto, contámos 38, e arrastadores, seriam 76, ociosos, a jogar cartas, a semear um tapete de beatas, na ruela, e nas escadarias, da Senhora do Monte. Andámos por lá um dia inteiro, no Monte, no Jardim Tropical Monte Palace, do Berardo ─ esse, sim, que vale a pena! ─ e clientes dos escorregas nem um para amostra. Estranhámos, perguntámos. Pois são subsidiados por Alberto João Jardim, que acha a coisa muito turística. A ele não lhe custa a ganhar. Pagam os cubanos, do Continente. Pagamos nós. Nós os cubanos.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Pois separemo-nos então
Disse "espécie de Rei-Sol"? Falei de regabofe, destempero, mania das grandezas? Já lá vou: os exemplos são mais do que muitos, tropeçamos com eles, por toda a Ilha. Só mesmo um Jaime Gama ou um Almeida Santos é que não vêem. Mas hoje queria deter-me ainda um pouco neste jardim florido que constituem os jornais da Madeira.
São baratos w o dito Jornal da Madeira, o primeiro que nos veio ter às mãos, custava 0,10 €. O que tem pouca importância: de qualquer maneira o Governo Regional é proprietário de jornais, um privilégio que o Presidente Cavaco Silva fez questão em garantir-lhe quando vetou aquela Lei do PS que visava pôr cobro à concentração.
E mesmo que não fossem baratos eles são "impagáveis". Desde terça-feira que o Diário de Notícias, da Madeira, descobria que Sócrates impunha o adiamento, mais uma vez, da votação da "Nova Lei das Finanças Regionais" (como se Sócrates tivesse em relação à agenda da Assembleia da República os poderes que tem Alberto João Gonçalves Jardim no Parlamento regional).
Mais impagável do que isso só a edição do mesmo DN Madeira desta sexta-feira: por um lado descobre (não sabia?) que a dívida real da Região é alarmante: 4.600 milhões de euros, só nos últimos 11 anos, contando o que deve aos bancos o Governo da Madeira, as câmaras municipais da Madeira, as empresas públicas da Madeira, as parcerias público-privado criadas pelo Governo da Madeira.
Será que estes números justificam algum mea culpa de Jardim e seus apoiantes. Nem por sombras. No mesmo jornal, Miguel de Sousa, um dos mais próximos companheiros de armas do Grande Líder, publica um contundente artigo de opinião a acusar Sócrates de "separatista". Que "em Espanha qualquer autonomia assim ofendida apresentava a sua proposta de separação" w diz o destaque.
Pois por isso não seja a dúvida: separemo-nos, meus senhores, que diabo, proponho mesmo um divórcio por mútuo consentimento. O que faz falta é uma pequena alteração na Constituição (que pode ser feita nesta legislatura!) e um bom referendo no Continente que promete ser o mais mobilizador de sempre.
Ah, e já agora, levem convosco os 4.600 milhões da dívida e as vossas RTP e RDP Madeira, que nos custam os olhos da cara. Vai cada um à sua vida, amigo não empata amigo, e que sejam muito felizes os madeirenses!
São baratos w o dito Jornal da Madeira, o primeiro que nos veio ter às mãos, custava 0,10 €. O que tem pouca importância: de qualquer maneira o Governo Regional é proprietário de jornais, um privilégio que o Presidente Cavaco Silva fez questão em garantir-lhe quando vetou aquela Lei do PS que visava pôr cobro à concentração.
E mesmo que não fossem baratos eles são "impagáveis". Desde terça-feira que o Diário de Notícias, da Madeira, descobria que Sócrates impunha o adiamento, mais uma vez, da votação da "Nova Lei das Finanças Regionais" (como se Sócrates tivesse em relação à agenda da Assembleia da República os poderes que tem Alberto João Gonçalves Jardim no Parlamento regional).
Mais impagável do que isso só a edição do mesmo DN Madeira desta sexta-feira: por um lado descobre (não sabia?) que a dívida real da Região é alarmante: 4.600 milhões de euros, só nos últimos 11 anos, contando o que deve aos bancos o Governo da Madeira, as câmaras municipais da Madeira, as empresas públicas da Madeira, as parcerias público-privado criadas pelo Governo da Madeira.
Será que estes números justificam algum mea culpa de Jardim e seus apoiantes. Nem por sombras. No mesmo jornal, Miguel de Sousa, um dos mais próximos companheiros de armas do Grande Líder, publica um contundente artigo de opinião a acusar Sócrates de "separatista". Que "em Espanha qualquer autonomia assim ofendida apresentava a sua proposta de separação" w diz o destaque.
Pois por isso não seja a dúvida: separemo-nos, meus senhores, que diabo, proponho mesmo um divórcio por mútuo consentimento. O que faz falta é uma pequena alteração na Constituição (que pode ser feita nesta legislatura!) e um bom referendo no Continente que promete ser o mais mobilizador de sempre.
Ah, e já agora, levem convosco os 4.600 milhões da dívida e as vossas RTP e RDP Madeira, que nos custam os olhos da cara. Vai cada um à sua vida, amigo não empata amigo, e que sejam muito felizes os madeirenses!
Cubanos como nós
Chegámos a Madeira com as finanças regionais, e Guilherme Silva, em todos os noticiários: hipocrisia, vingança, perseguição… pelos cubanos do Continente
cubanos como nós!
e qual é a grande manchete que nos atiram desde o Aeroporto? Duas linhas a toda a largura da primeira página por cima do cabeçalho do Jornal da Madeira:
Líder histórico do Partido Socialista
vem à Madeira elogiar Jardim
A foto é de Almeida Santos, que quanto a ser "líder histórico" também é um exagero. Só aderiu ao PS em 78 ou 79, depois de duas ou três eleições gerais, quando foi manifesto que o PS era um partido de Poder. Lembro-me de Mário Soares a chamar por ele no Congresso da Reitoria em Dezembro de 1974: "o nosso amigo Almeida Santos!... "que deve estar por aí" (sic). Não estava. Era um risco ser do PS naqueles dias em que a grande notícia era, mais do que o 1º Congresso do PS em liberdade, a prisão dos "capitalistas sabotadores da economia nacional", por mandato directo de Vasco Gonçalves dizia –se com o MDP/CDE a promover na rua a caça aos fugitivos.
Almeida Santos não é bem "um líder histórico" do PS nacional, embora seja de facto o seu Presidente honorário. Mas sobretudo o título do Jornal da Madeira peca por defeito: é que o homem não foi só "elogiar Jardim", foi "pregar mais um prego" no caixão do PS/Madeira, que já tinha baixado de três para um deputado (ao "Parlamento nacional"!) desde que Jaime Gama passou por cá a elogiar o Grande Político Alberto João.
Agora mais do que Grande Político e ele atinge o invejável estatuto de "economicamente sério", exactamente o título que lhe faltava, quando volta a ser notícia o regabofe, o destempero, a mania das grandezas, os gastos sumptuários desta espécie de Rei-Sol, que sustentam os parvos dos cubanos do Continente,
cubanos como nós.
Já explicaremos isso tudo, ainda estamos no primeiro dia.
cubanos como nós!
e qual é a grande manchete que nos atiram desde o Aeroporto? Duas linhas a toda a largura da primeira página por cima do cabeçalho do Jornal da Madeira:
Líder histórico do Partido Socialista
vem à Madeira elogiar Jardim
A foto é de Almeida Santos, que quanto a ser "líder histórico" também é um exagero. Só aderiu ao PS em 78 ou 79, depois de duas ou três eleições gerais, quando foi manifesto que o PS era um partido de Poder. Lembro-me de Mário Soares a chamar por ele no Congresso da Reitoria em Dezembro de 1974: "o nosso amigo Almeida Santos!... "que deve estar por aí" (sic). Não estava. Era um risco ser do PS naqueles dias em que a grande notícia era, mais do que o 1º Congresso do PS em liberdade, a prisão dos "capitalistas sabotadores da economia nacional", por mandato directo de Vasco Gonçalves dizia –se com o MDP/CDE a promover na rua a caça aos fugitivos.
Almeida Santos não é bem "um líder histórico" do PS nacional, embora seja de facto o seu Presidente honorário. Mas sobretudo o título do Jornal da Madeira peca por defeito: é que o homem não foi só "elogiar Jardim", foi "pregar mais um prego" no caixão do PS/Madeira, que já tinha baixado de três para um deputado (ao "Parlamento nacional"!) desde que Jaime Gama passou por cá a elogiar o Grande Político Alberto João.
Agora mais do que Grande Político e ele atinge o invejável estatuto de "economicamente sério", exactamente o título que lhe faltava, quando volta a ser notícia o regabofe, o destempero, a mania das grandezas, os gastos sumptuários desta espécie de Rei-Sol, que sustentam os parvos dos cubanos do Continente,
cubanos como nós.
Já explicaremos isso tudo, ainda estamos no primeiro dia.
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