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terça-feira, 8 de março de 2011

Chama-se fascismo...


Invadir uma reunião interna de um partido político, como aconteceu ontem em Viseu, é uma prática introduzida há 90 anos em Itália pelos "fascios" de Mussolini, como contou Bertolucci, e chama-se fascismo, com todas as letras, e o resto são cantigas, mesmo que ganhem festivais, aliás pelo mesmo método de votação, e com o apoio dos mesmos animadores de blogues que fizeram de Salazar "o maior português de sempre" e Álvaro Cunhal "o segundo maior".

Pasma-se, mas não muito, com a cobertura simpática que alguns jornais dedicam à proeza de tais arruaceiros, desculpando-os e promovendo-os : "só queríamos expor a nossa palavra, ter um espaço onde pudéssemos falar, já que ninguém nos ouve" . A canalha de Mussolini que marchou sobre Roma em 1922 tinha um discurso igualzinho.

Fascismo em bicos de pés. Não admira que Alberto João Jardim esteja com eles.



domingo, 12 de dezembro de 2010

E a mim ninguém me diz nada ?!


Sócrates: Executivo do PS "vai chegar ao fim da legislatura". "Isto é que ter fé, irmã!" Como dizia o passante àquela freirinha com o carro avariado apanhada a fazer xixi para dentro de uma lata de gasolina...

Há 2077 pensionistas com mais de 100 anos. É sempre assim em vésperas de eleições: esqueceram-se de actualizar os cadernos.

Metade das vagas de emprego fica por preencher. Como diria a Ivone Silva: "Isto é que vai uma crise!".

Videojogos sabem jogar com a crise e estão a vender mais em Portugal. Eis o caminho! Já se vê uma luz ao fundo do túnel.

Estado de euforia passou - admite Jesus. (Notícia com chamada de 1ª pág no CM) Até que enfim! Por que é eu sou sempre o último a saber?

Paulo Portas defende que as horas extraordinárias não devem ser tributadas. E ainda há quem diga foi o PP espanhol que esteve por detrás da greve dos controladores aéreos. Afinal foi o PP português.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

As Razões de Cavaco Segundo Malheiros


Justificações para a ausência de Cavaco Silva, no Público de hoje:

"Os que dizem que nada justifica a ausência do PR no funeral de Saramago não têm uma pinga de razão

1ª - Cavaco Silva nunca leu José Saramago. Tentou uma vez mas sempre achou aquelas frases demasiado compridas e complicadas e com pontuação muito, mas muito mal feita. Nunca percebeu por que razão havia (e há) pessoas que dizem que Saramago é um grande escritor mas suspeita que eles também nunca o leram e que o fazem apenas por pedantaria e porque são comunistas. É verdade que Nobel veio abanar um pouco esta convicção, mas apenas durante dez minutos. Afinal, não há nenhuma razão para que o Nobel também não tenha sido dado a Saramago por pedantaria e comunismo (os nórdicos não parece por causa do design, mas são muito comunistas).

2ª - Cavaco Silva leu Saramago. Fez sacrifício mas leu. Leu mas não gostou. O estilo de Saramago tem um... não sei... não gosta. Não é como... como outros escritores de que gosta, prontos. E os temas não lhe interessam muito. E o enredo parece-lhe fraco. Muita parra, pouca uva. Tudo aquilo podia-se contar de outra maneira. E há ali muito desrespeito pela tradição católica. Muito. E pela história de Portugal e pela religião. Aquilo nem é bem literatura, é quase só despeito.

3ª - Cavaco Silva não sabe se gosta ou não dos livros de Saramago. Mas sabe que antipatiza profundamente com o homem. Saramago dá-lhe cá uma raiva que ele nem sabe. E agora que morreu ainda mais porque toda a gente diz que ele era um figura ímpar da cultura portuguesa.

4ª - Saramago era um escritor medíocre. A verdadeira crítica de Saramago foi feita por um membro do Governo de Cavaco Silva em 1992, Lara, então subsecretária de Estado da Cultura - por quem aliás o Doutor Jivago se viria a apaixonar num filme lindíssimo.

5ª - Saramago era comunista. E ateu.

6ª - Só lá iam estar comunistas e companhons de Rute e até podia ter de ouvir coisas desagradáveis.

7ª - Alguém que pode escolher os Açores e escolhe Lanzarote só merece desprezo.

8ª - Cavaco Silva tem de mostrar que é diferente de Manuel Alegre, que é um homem de cultura.

9ª - Cavaco Silva é presidente de todos os portugueses, mas o Saramago não é espanhol? A mulher pelo menos tem um sotaque.

10ª - Isso de "presidente de todos os portugueses" não pode ser visto de uma forma fundamentalista.

11ª - Os Açores estavam óptimos, óptimos.

12ª - Cavaco Silva tinha prometido à família umas férias nos Açores e não tinha prometido nada ao Saramago.

13ª - Se tivesse de ir ao funeral de todos os portugueses que ganharam um Nobel não fazia mais nada.

14ª - Os dois dias de luto nacional significam que Saramago era uma figura nacional ímpar a quem o país muito deve e que os portugueses admiram e respeitam, mas o PR só vai aos funerais de figuras de três dias de luto para cima.

15ª - Depois da triste figura que o seu Governo fez quando censurou O Evangelho segundo Jesus Cristo, Cavaco Silva jurou que odiaria Saramago para além da morte. Talvez tenha sido exagerado, mas uma jura é uma jura.

16ª - O PR só vai a funerais de amigos ou conhecidos.

17ª - Não era na outra semana?

Fica provado que há não uma mas várias justificações para a ausência do Presidente da República nas cerimónias fúnebres de Saramago. A ausência pode ter sido devida a iliteracia, sectarismo, grosseria, mesquinhez, cálculo político, medo, provincianismo, confusão entre o gosto pessoal e pose de Estado ou outra razão."

José Vítor Malheiros, PÚBLICO, 23-06-2010