terça-feira, 25 de outubro de 2011

Depois da Primavera árabe o Outono islamista

Os islamistas triunfam na Tunísia, contra "a pesada herança" laica do regime anterior, culpado designadamente de ter despenalizado o aborto, enquanto na Líbia é proclamada "a sharia" e o primeiro exemplo que o líder dos rebeldes dá dos crimes de Kadafi é a passada limitação à poligamia, que readquire de novo todo o esplendor em nome do Corão.

Eu não sei se os aviões da NATO bombardearam hospitais e populações civis para derrotar Kadafi, se o ditador apalhaçado foi morto com requintes de crueldade semelhantes aos infligidos ao ditador Mussolini em 1945. O que não tenho dúvidas, porque salta à vista, é que "os aliados" jogaram à roleta russa com a Primavera líbia e se pretendiam abrir caminho a uma democracia mais respeitadora dos direitos fundamentais do que os regimes que ajudaram a derrubar o objectivo saiu-lhes furado.

Como no Afeganistão quando apoiaram os talibãs, de todas as maneiras e feitios, contra o regime progressista, laico, que se seguira à ocupação soviética. Os talibãs fizeram do Afeganistão um refúgio, e uma base, Al Qaeda, para os terroristas islâmicos? Pois chamem-lhes "moderados", convençam-se disso, e esperem-lhe pelo Inverno, "do nosso descontentamento", pela queda da Argélia e Marrocos, também, nas mãos dos fundamentalistas islâmicos.

"Os aliados" de hoje  ─ Obama, Cameron, Sarkozy ─ estão a ser tão ingénuos com os rebeldes muçulmanos como Churchill e Roosevelt a lidar com Estaline. Será que ainda há volta a dar-lhe? Esperemos sentados.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Cavaco e a vaca que ri

Este é, cara Ana Sá Lopes, o tal sorriso das vacas que Cavaco viu nos Açores.  A rir de quê ? Pois do queijo suiço em que está transformada a Madeira ─ é verdade, Pedro Santos Guerreiro, eu também vi e contei uma data de coisas ─ com túneis caríssimos para todo o lado, e é só um exemplo, o que, de facto, "não é um problema de eleitores (da Madeira), é um problema de contribuintes (do Continente)- e devia ser um problema de tribunais"?


Suponho que não: a vaca que riu para Cavaco estava a lembrar-se da desculpa esfarrapada que não sabia de nada "pois se nem o Banco de Portugal se deu conta". Ele sabia. O Banco de Portugal até podia não saber: não tem os informadores privilegiados, os membros da Comissão de honra da sua candidatura, entre outros, tão bem colocados no aparelho madeirense. Nem está provado que o Banco de Portugal não tenha querido saber do que o caudilho fazia de mal como Cavaco em visita oficial esquivando-se a ouvir "o bando de loucos" da Oposição madeirense ─ lembram-se?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Visita do Papa paga pelo Estado e grandes empresas

Crise? Austeridade? A visita do Papa a Espanha nos próximos dias vai custar ao Estado espanhol cerca de 50 milhões de euros e isto é apenas metade dos gastos, o resto fica por conta de empresas como a Telefónica, o Corte Inglês e o Banco Santander.

De patrocínios se trata e tem contrapartidas, como relata o Público: A cambio del apoyo, Rouco (o cardeal de Madrid) se compromete con De la Vega a reducir las críticas al Gobierno. De resto, para que Sua Santidade não se sinta incomodado já se proibiu a chamada manifestação antipapa de se dirigir à tradicional Puerta del Sol, um direito de que sempre usufruiram até agora todos "os indignados" de Espanha. Em suma, defende o Estado laico, "indignem-se contra tudo o que quiserem, contra uma visita do Papa é que não".


De patrocínios se trata, directos e indirectos: La principal colaboración del Gobierno está en declarar la visita del Papa "evento de interés especial", al mismo nivel que la regata Ocean Volvo Race o unos Juegos Olímpicos. Esto supone que las empresas que financien la misma contarán con beneficios fiscales, que podrían alcanzar el 80% de los fondos.


Em Espanha ao menos fazem-se contas. Em Portugal nem isso.




segunda-feira, 18 de julho de 2011

Crime ou parvoíce

Em Espanha, a resistência às agressões das agências de rating é um assunto sério. Exige-se que lhes congelem as contas bancárias, que cessem os pagamentos, que isto não pode ser como na China onde executam os condenados à morte com um tiro na cabeça e depois mandam a conta da bala à família do morto.  Vejam por esta capa do Público de lá., melhor que o do Belmiro todos os dias.

Por cá, todo o destaque vai para mais uma patacoada de um antigo assessor de Cavaco, que o próprio Presidente até parecia mal que dissesse o que disse no tempo de Sócrates, este Governo é dele. A Renascença dizia este César que falar mal desses chulos das agências era bater no árbitro. Aos jornais acrescenta que é monstruoso. Coitadinhas das agências que ganham balúrdios com a batota das bolsas, participam nos lucros dos grandes operações de usura internacional. A credibilidade do César! Além de próximo de Cavaco, anda pela Católica e é reaccionário até às unhas dos pés. Isto é, tem tudo para vingar na rádio, tv's e discos e nas cassettes piratas.

Monstruoso, diz ele. Monstruoso é empurrar o País para a desesperança total, confiados em que uma longa depressão, agora de dois anos no mínimo, lhes vai permitir fazer pouco da gente, agora que têm Governo, Maioria, Presidente, Autarquias, Sindicatos de Professores, Magistrados, as televisões e, globalmenmte, os jornais.  Agora, sim: "o que faz falta é ir para a rua lutar". Volta, Zeca, precisamos de ti.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Escutas na S. Caetano? Foi o News of the World.

Aparentemente, segundo o DN, Passos Coelho aproveitou estar entre amigos para largar uma bojarda capaz de abalar definitivamente a reputação do País junto dos mercados: disse que encontrou um "desvio colossal" nas contas. Respondeu-lhe João Galamba, do PS, como já o tinha feito na Assembleia a uma intervenção parecida do agitador Vítor Gaspar: o que é que o Governo descobriu que tinha escapado aos peritos da tróika?

Ainda não obteve resposta do Governo, que se saiba. O Presidente da República também ainda não disse nada sobre a descoberta de Coelho. Bem sabemos que agora "a ameaça" vem das agências de rating, contrariamente ao que acontecia há um ano, quando a ameaça ao crédito do País vinha do Governo Sócrates e por isso lhe puxou o tapete. Só que, sr. Presidente, a ser verdade essa vilania "colossal", pode ter-se mesmo verificado um "irregular funcionamento das instituições", tem que demitir o Sócrates outra vez, ou então, dissolver... a Oposição!

O Presidente não diz nada, o Governo não diz nada, ficam as perguntas: vale a desculpa, esfarrapada, que não foi o gabinete de Passos Coelho que mandou a noticia ao DN? Então quem foi? O News of the World? A Felícia Cabrita que já começou a fazer das suas? Ou a equipa da Manuela Moura Guedes que não gosta de algum Secretário? Ou o DN que pôs microfones na S. Caetano? 

Seja como for que a notícia foi parar aos jornais, resta a gravidade da afirmação em si. O que eu não gostaria de ouvir é que foi uma boca, entre amigos, assim do género "é carnaval e ninguém leva a mal", como aquela da entrevista ao miúdo numa escola de Vagos nos últimos dias da campanha. Um Primeiro Ministro que se respeita, e nos respeita, não cairia daí abaixo,

Convém saber. Do "desvio colossal nas contas" se o houver. Ou então do colossal despautério do nosso PM.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Voltou o discurso da tanga a quatro vozes

Foi-se embora José Sócrates, o único líder português que tentava puxar o País para cima e o ódio que lhe tinham por isso. Agora é o discurso da tanga, que voltou, revisto e aumentado, cantado a quatro vozes, e ainda faltam os sindicatos de magistrados e os professores, que tanto ajudaram a direita a tomar o poder.

Que eles precisam de um clima de depressão, longa e profunda, para realizarem os negócios deles. Ei-los  todos em coro, no Ministério das Finanças (Vítor Gaspar  ─ que é deles o grande falcão, ou, melhor dizendo, o corvo-mor! ─ foi o primeiro a lançar a boca de que vinham aí 9 trimestres de recessão!), no Banco de Portugal (Carlos Costa,  ─ que é deles, e tem alma de chefe de gabinete para não dizer moço de recados! ─, já tinha lançado o tema, em entrevista à Maria João Avillez, ─ outra que tal, chique a valer !─  ainda a recessão, dois trimestres consecutivos, não se tinha verificado), na Presidência da República (agora todo mãozinha de veludo com os sacrifícios e a caridadezinha, do antigamente, com que se entretém, enquanto pensa nos negócios!). Last but not least: Durão Barroso  ─ que é deles e de mais ninguém, tinha andado um pouco perdido mas voltou!  ─ já veio dizer ontem em entrevista à RTP que a recessão em Portugal é para durar mais dois anos pelo menos, tem de ser, "vamos fazer o que ainda não foi feito".

É um fartar vilanagem! Safam-se os professores, os magistrados, os militares, os donos do futebol e os polícias ─ querem apostar?

domingo, 10 de julho de 2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Sacrificámos as golden shares em troca de quê?

Que é que Portugal ganha com o harakiri que o Governo acaba de fazer na questão das golden shares? Qual é a vantagem de termos um Ministro das Finanças que faz questão em aparecer como pau-mandado de Durão Barroso e do directório do Tribunal dos grandes? E qual é a pressa, que raio de soberania é esta? O Governo de Sócrates, ao menos, resistiu enquanto pôde.  honra lhe seja. Porque não vale a pena disfarçar: a partir de agora, como logo destaca a agência chinesa Xinhua, without golden shares, any national or foreign investor would be able to buy these companies.

Esse é que é o problema, o resto é areia que se atira para os olhos das pessoas. Não vale que o Tribunal Europeu decidiu está decidido. Que não é assim, por exemplo, com a França, a Alemanha, a Itália, e muito menos com o Reino Unido. Em França, assisti a isso, nem são precisas golden shares: sempre que se perfila a possibilidade de uma grande empresa francesa ser comprada por estrangeiros, o Ministro respectivo chama lá os interessados e diz-lhes: "Não queremos, parece mal, bem sabemos que têm esse direito, mas nós não gostamos de Vocês se fizerem isso, acabou-se e livrem-se de insistir".

Os grandes da Europa, que o Tribunal Europeu protege, os "padrinhos", de que Durão Barroso é o homem de confiança, resolvem assim o problema das suas empresas estratégicas: com uma "proposta" que ninguém pode recusar". Os pequenos, todos (Portugal estava até agora bem acompanhado) fazem resistência passiva, promovem a reestruturação desses direitos especiais, invocam um interesse estratégico fundamental.

A pressa do Governo Passos Coelho em agradar a Bruxelas chega a parecer obscena. E sobretudo não serve para nada. Horas depois do anúncio de Víctor Gaspar e das justificações esfarrapadas que arranjou estava uma agência de rating a atirar-nos para o lixo. Roma não paga a traidores.