sábado, 7 de novembro de 2009

Festival de Cinema do Estoril


Estou em todas neste Festival do Estoril, que comecei ontem e recomendo vivamente.
Uma amostra: hoje, sábado, temos entre outros O Laço Branco, de Haneke, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, a antestreia do último de Fernando Lopes, Os Sorrisos do Destino, o mais completo documentário sobre a Guerra Civil Espanhola, La Guerra Filmada (que não vou ver), um intrigante filme catalão Le Petit Indi, que já vi. Para al´
em das Robert Frank Sessions, da retrospectiva de Juliette Binoche e do mais que aí vem.
O problema é não se poder estar em dois lugares ao mesmo tempo e ter este vício burguês de comer uma ou duas vezes por dia.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pacheco Pereira ─ diz-me com quem andas!

Estes são os livros que Pacheco Pereira anda a estudar: panfletos da Democracia Nacional, associação da extrema-direita espanhola, contra a União Europeia.
Como se vê, no seu blog .

Leva o caminho de Jacques Doriot, que começou radical de extrema-esquerda, nas juventudes comunistas francesas no princípio dos anos 20, e acabou fascista e colaboracionista no final dos anos 30, no chamado Partido Popular francês? Veja-se esta apreciação, muito a propósito, de João Pinto e Castro, assinalada pela Câmara Corporativa:

SEXTA-FEIRA, NOVEMBRO 06, 2009

Da série "Frases que impõem respeito" [377]

    Pacheco Pereira promete ser a voz do Jornal do Crime na Assembleia da República.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Outra vez?! Ao Everton?! Sem problemas no túnel?!

Saviola (right) was superb as an attacking force for Benifica

Javier Saviola and Oscar Cardozo scored as Benfica deservedly defeated Everton in the Europa League ─ diz a BBC e tem razão.

É o que acontece quando não nos expulsam ao intervalo
o nosso ponta-de- lança.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Juncker e Fischer: os melhores para a Europa!

O Tratado de Lisboa vai entrar em vigor no dia 1 de Dezembro. Finalmente! Do que conheço, e nos meus tempos de jornalista conheci praticamente todos os Estados-membros, o que faz falta agora é eleger para os dois altos cargos duas personalidades pró-europeias, capazes de dar voz à Europa e fazer avançar a solidariedade e a coesão social.

Por mim se houvesse sufrágio universal na União Europeia para a designação dos dois altos cargos previstos na Tratado de Lisboa, votaria sem a mínima hesitação em...
  • Jean-Claude Juncker, para Presidente do Conselho Europeu e
  • Joschka Fischer, para Alto Representante para a Política Externa e de Segurança.

E se fosse na RDA a rejeição chegava aos 99,9%

A facilidade com que os gajos do PCP e do BE fazem seus os votos do PSD e do CDS.! Vejam aqui e pasmem:

Infelizmente para o autor do post, o Muro caiu, faz agora vinte anos, e deixou de ser possível juntar os votos todos no mesmo saco.


terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Democracia tem regras

Não vejo como o Parlamento pode impor numa suspensão da avaliação dos professores. Trata-se de uma medida governativa em curso. A Assembleia não governa, legisla, controla o Governo (pode fazê-lo cair, pode mesmo impedir que entre em pleno funcionamento, basta-lhe rejeitar o programa), pode chumbar o Orçamento de Estado (o que seguramente vai fazer em Janeiro) mas não pode suspender ou anular actos avulsos do Governo. ´

Por isso se diz que não temos um "governo de Assembleia", como no tempo de Robespierre, nem "um governo dos sovietes", como na época de Lenine, de Trotsky e de Estaline.

A Oposição tem maioria, é verdade. E entende-se com facilidade, está unida. Mota Soares, do CDS, diz exactamente o mesmo que Helena Pinto, do BE, a qual dá o mote para o que vai dizer Aguiar-Branco, do PSD, apenas Bernardino Soares, na forma, diverge ligeiramente dos demais. Ouviram as reacções ao programa do Governo?

Entende-se com facilidade, a Oposição está unida, "e jamais será vencida", na condenação da avaliação dos professores, que entra na segunda fase se o Programa do Governo não for rejeitado. Pois rejeitem o Programa do Governo. Isso a Oposição pode fazer. Não pode é governar e continuar a ser Oposição.

Há regras. A Oposição, mesmo estando unida no Parlamento, não pode, como se fez uma vez no tempo de Salazar, aprovar uma lei a anular uma sentença de um tribunal. O Salazar também não podia, e era ditador. Lembro-me como, quando comecei os meus estudos de Direito, antes do 25 de Abril, na Faculdade de Direito de Lisboa ─ na qual os professores eram todos "salazaristas", com a excepção do Palma Carlos e do Olavo, "especialistas" convidados ─ como a grande (única?) crítica ao Governo em várias cadeiras era aquela decisão judicial que tinha sido anulada por decreto!

Que Paulo Portas, mau aluno de Direito, já esteja a publicitar o decreto que tem em mente para resolver a avaliação ─ não me admira nada. Portas não tem escrúpulos.

Que o Bloco de Esquerda também ache que a coisa se resolve por decreto - está-lhes no sangue. Ainda recentemente apoiaram o Manuel Zelaia, das Honduras, que pretendia levar a referendo, e não podia, a possibilidade de se recandidatar ao lugar de Presidente. O Bloco aceita a Constituição enquanto não puder acabar com ela. Do que ele gosta mesmo é de um "governo dos sovietes", da "revolução permanente". O voto é apenas "uma forma de luta", como disse Miguel Portas, na "luta" que o levou a Bruxelas.

Agora que o PSD alinhe nisso é que causa impressão. Os governos de Assembleia acabam geralmente mal.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Vamos contar espingardas/manifestantes como deve ser!

Citações.

«As notícias chegam de Espanha, de uma manifestação (por acaso de direita, mas com a esquerda seria o mesmo) contra o aborto. Estimaram os organizadores: 2 milhões. A Comunidad de Madrid (do PP, próxima dos organizadores): 1,2 milhões. A polícia: 250 mil. Extraordinária diferença! Mas ainda não viram nada. A empresa Lynce, especialista do assunto, pôs um zepelim no ar, com quatro câmaras de alta resolução e dois vídeos de alta definição. E não estimaram, contaram: 55 316 cabeças! A ciência lá nos deu cabo de mais uma ilusão.»

Ferreira Fernandes, DN, 29.10.09


Ah se a moda pega, se um olho de Lynce começa a contar manifestantes por cá. Lembram-se das manifestações contra a União Europeia, no dia da assinatura do Tratado de Lisboa, que congregaram 200 mil pessoas em Lisboa e 100 mil no Porto? Ou dos ajuntamentos patrióticos de professores contra os propósitos fascistas de sujeitarem as progressões na carreira a avaliações de desempenho? Pois são sempre 200 mil em Lisboa e 100 mil no Porto! E os jornais confirmam.


Nada de extraordinário, já era assim no PREC. Estive a reler há dias Álvaro Cunhal, "A Revolução Portuguesa - O Passado e o Futuro", edições Avante, 1976. Pois as "grandiosas concentrações de massas" de apoio a Vasco Gonçalves, ou, se se preferir, "as grandes mobilizações populares" de "contenção da ofensiva da reacção", convocadas pela Cintura Industrial de Lisboa, reúne, em 16-11-75, "no Terreiro do Paço cerca de 200 mil pessoas" e quatro dias depois "100 mil, em Belém" (pág. 167).


Também foram de 200 mil em Lisboa e de 100 mil no Porto, as manifestações que "partiram os dentes à reacção" no 28 de Setembro, e de 200 e 100 mil as celebrações da vitória sobre a intentona do 11 de Março, que, lembremos, conduz à nacionalização da banca pelo Conselho da Revolução a 13 de Março, no dia em que "o cérebro e a mão de ferro do capitalismo monopolista sofreram um golpe mortal" - Cunhal dixit.


Uma excepção, a manifestação de 14 de Janeiro de 1975 pela unicidade sindical reuniu "300 mil trabalhadores" (Cunhal, obra citada, pág. 89). Só para esmagar a concentração do PS, contra a mesma unicidade, que dois dias depois pôs o Pavilhão Carlos Lopes a deitar para fora!


Em suma, há 35 anos que é assim: são sempre 200 mil em Lisboa, excepcionalmente 300 mil, os comunistas do Bloco e do PCP só sabem contar em múltiplos de 100 mil, com as televisões, as rádios e os jornais (mais agora do que em 75, aliás) a contar e fazer crescer os múltiplos de cem mil. A falta que nos faz o exemplo de Espanha!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Todos os caminhos vão dar a Marcelo

A Marcelo estendem-lhe a passadeira. Desta vez nem é preciso que Deus desça à Terra, a ele, Marcelo, ergue-se-lhe um caminho semeado de flores, serpenteando por cima dos mares, até ao Céu. Em verdade em verdade vos digo: Ele é o caminho, a verdade e a vida, do PSD.

No mesmo dia, praticamente à mesma hora, Paulo Rangel e José Luís Arnaut, finalmente, lançaram nas televisões a candidatura de Marcelo ao trono do PSD. Com oito dias de atraso, a bem dizer. Logo no primeiro dos seus sermões de domingo a seguir às autárquicas, Marcelo fizera-se lembrado bem ao seu estilo: Oferecia "cimeiras" a cada uma das personalidades, maneira de preparar a procissão que o viesse buscar num andor.

Não vieram logo e Marcelo zangou-se: "Se querem transformar isto num ringue (leia-se, se houver luta pela liderança), não contem comigo, assim não vou". Ninguém tinha reparado que houvesse luta, apenas vagas intenções, para depois, se a D. Manuela abandonar o barco.

Mas Marcelo tinha pressa e resolveu dramatizar. Não vou, não vou ─ disse no Gato Fedorento. Não vou, não vou, não vou ─ insistiu com Flor Pedroso. Genial! A birra de Marcelo desatou as línguas. Esta noite caíram sobre ele uma torrente de elogios.

"Marcelo é o maior, ele foi o melhor líder de Oposição que jamais houve neste País" ─ proclamou Paulo Rangel e não foi contrariado pela sua amável interlocutora, que bem lhe podia ter dito que a bondade de uma oposição se mede pela capacidade do líder ganhar as eleições seguintes, como fez Guterres, como fez Durão, como fez José Sócrates. Claro que ninguém na RTP pode contrariar Marcelo, ele é o padre-cura daquela paróquia, e se não lhe dão tudo o que quer, ele vai queixar-se à concorrência.

Ainda mais edificante foi a oração de Arnaut: "Só ele pode unir o Partido!". Mas o PSD está desunido? Onde, quando? O próprio Arnaut se desmentiu logo a seguir: "O PSD está tão unido que Aguiar-Branco foi eleito com 77 votos".

Os dados estão lançados. Marcelo quer união, que ninguém se lhe oponha, não gosta de contraditório. Por isso não quis ser eleito deputado, que se deu mal com a função quando por lá passou na Constituinte. Já então preferia, ele próprio confessou, "a criação de factos políticos", no Expresso, "tão amigos que nós éramos", não é verdade, Dr Balsemão?

Continua na mesma. Enquanto esperava que o carteiro passasse outra vez, para quê a tribuna de S. Bento se tinha um púlpito na RTP? Marcelo, grande Marcelo, o trabalho que lhe deu esta segunda oportunidade!

Chegou a hora/chegou chegou/ A hora é boa/ E o samba começou!

A Bíblia nunca se engana


A Bíblia, segundo os crentes, é para ser tomada a sério, não é uma obra de ficção, como pretendem alguns, e a maioria dos cristãos não faz segredo disso.
5. Cremos na inspiração divina e total das Escrituras Sagradas, na Sua suprema autoridade como única e suficiente regra em matéria de fé e de conduta e que não existe qualquer erro ou engano em tudo o que ela declara.
Pelo menos, no portal evangélico, aqueles cristãos chamam os bois pelos nomes: tudo é inspiração divina, a Bíblia não tem qualquer erro ou engano, é a suprema autoridade, em matéria de fé e de conduta. Os católicos, e os judeus, dizem isso e o contrário, quando lhes convém. Os primeiros, de qualquer maneira, não lêem a Bíblia, ficam muito admirados quando se lhes aponta algum extracto ipsis verbis, por exemplo, da livro de Josué. E também não vão ler o livro de Saramago, aliás bastante mais moderado do que as afirmações que o autor tem produzido.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Cavaco acha-se Papa

E fala mais do que ele. Fala todos os dias. De cátedra. Ora quando o Papa Cavaco fala de cátedra é que se julga infalível. E como o Papa não admite contraditório.
Mesmo, e sobretudo, quando ninguém lhe encomendou o sermão.

Foi assim na tomada de posse do Governo com aquela teoria peregrina dos "défices gémeos", que só é dogma para os economistas liberais do século XIX: Cavaco pretende converter o Governo à sua ortodoxia económica, "ou crês ou morres"?

E foi assim hoje mesmo em Madrid a fixar como prioridade o aumento das exportações. Dogma ou ingerência? Pois não compete ao governo apresentar o seu programa à Assembleia, que o rejeitará ou não, e o Presidente tem o dever de não meter o nariz onde não é chamado?