quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Não tarda aí o 18 do Brumário

Vi há bocado o debate na SIC Notícias, com todos os partidos, sobre a declaração à comunicação social do Presidente da República sobre o caso das escutas. Todos concordaram que é gravíssimo haver falhas de segurança dos mails presidenciais. O que isso tem a ver com as escutas denunciadas ao Público em Agosto "por fonte autorizada da Presidência da República"? Não tem nem precisa de ter. Sócrates fica a cozer em lume brando. Sob suspeita, sempre ─ e não é preciso mais nada.

Lá para finais do mês, Cavaco diz ao PS que o País não pode permitir-se um PM sob suspeita, que ele próprio alimentou e promoveu ─ mas que é que isso importa? O PS que indique outro candidato a formar Governo, Sócrates, ele não aceita. O PS, se tem vergonha na cara, recusa.

Aí o PR faz um discurso vicioso, como o de ontem, e anuncia ao País que o PS não quer formar Governo, e de qualquer maneira não tem direito a isso, que a soma do PSD e do CDS é maior do que o PS, sem contar com o PCP e o BE, que também não o querem.

E logo a seguir indigita Manuela Ferreira Leite para formar assim a modos que um Governo de maioria presidencial... Bonapartismo? "Só se foi por ter ocorrido por alturas do 18 do Brumário" ─ dirão, fazendo-se desentendidos, os homens do Presidente

Claro que o programa de um tal Governo não passa na Assembleia. Por isso não seja a dúvida: Manuela mantém-se em Governo de gestão, descobre escutas por todo o lado, o caso Freeport avança a todo o vapor, até Março do próximo ano, até às Presidenciais, não há condições para substituir Manuela Ferreira Leite e o seu governo presidencial.

Estou a imaginar? Pois não sou o único. Já viram bem o que o Presidente disse?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Obviamente demita-se

Em minha humilde opinião, foi uma intervenção paranóica, a do Presidente da República, hoje, como paranóica foi a da “fonte autorizada da Presidência” ao Público, em Agosto último, que revelou “as escutas”, mesmo se não foi por escrito, como paranóica tinha sido a “démarche” de Fernando Lima junto do Público “a pedido do Presidente da República”, em Abril de 2008, que lhe encomendou uma “investigação” sobre a presença na Madeira de um colaborador do Primeiro Ministro durante uma visita oficial do Presidente da República, alegadamente para o espiar.

Continua tudo na mesma se não pior: as suspeições agravam-se, ninguém pode fazer de conta, é o próprio PR que vem agora fazer suas as manobras dos seus colaboradores. E fá-lo, pasmai, ó gentes, sem apresentar um único facto relevante.

Os mails do Presidente têm falhas de segurança?! O que é que tem a ver o cu com as calças? O que estava em causa era o mail do Público, de Alvarez para Tolentino, relatando uma encomenda de notícia, que era uma espionagem de um colaborador do Primeiro Ministro, que se teria infiltrado na comitiva do Presidente em visita oficial à Madeira.

E nesse ponto o Presidente insiste na perfídia ao dizer que não sabe o que esse senhor ouviu, ele não tem nada a esconder. Calma no Brasil: está a dizer que o tal senhor ouviu alguma coisa que não devia? Ou que não podia espiar uma visita oficial do Presidente porque não há nada a espiar?

Então porque mandou Fernando Lima (ou não mandou?) falar com o Público, contar-lhe uma história sinistra e entregar-lhe um dossier sobre aquela pessoa? O colaborador do PM integrou legalmente a comitiva, sentou-se onde o mandaram, participou nos eventos para que foi convidado? Sim ou não?

O Presidente continua a desconfiar e a alimentar o clima de suspeições, isto é de doidos. Onde estão os factos em que alicerça a sua desconfiança? Que o Presidente da República não tinha conhecimento daquele mail do Público? Pois não teria, a menos que daquele mail tenha sido dado conhecimento a Fernando Lima, e este, fazendo jus à sua qualidade de leal colaborador do Presidente, que o era e continua a ser, tenha corrido a mostrá-lo a Cavaco Silva: “Veja isto, senhor Presidente, os dados estão lançados, com a ajuda do Público vamos fazer deles gato sapato”.

E a “fonte autorizada da Presidência da República” que em Agosto revelou ao Público “as escutas”, mesmo se não o fez por escrito e em papel timbrado do Presidente? Que dois membros do PS tinham levantado a hipóteses de alguns homens do Presidente estarem a trabalhar no Programa do PSD e pediram esclarecimentos. Que é que isso tem? Pois se o próprio Presidente diz que no passado colaboradores de outros Presidentes desenvolveram actividades nos respectivos partidos... E que é que isso prova? Que há/havia escutas em Belém, como disse a tal “fonte autorizada? Mais uma vez: o que é que o cu tem a ver com as calças?

Se estivéssemos no Senado norte-americano, perante este Watergate, sem ponta por onde se lhe pegue, todos estes pormenores não deixariam de ser investigados e tirar-se-iam as ilações do caso, a saber:

  • Existe alguma razão por remota que seja para o Presidente continuar a levantar suspeições de que está a ser vigiado pelo Governo?
  • E, se não há, o Presidente goza neste momento de boa saúde mental? Está em condições de continuar no exercício das suas funções?

É que já por duas vezes na nossa História tivemos Chefes de Estado que tiveram de ser retirados de funções. Aconteceu com D. Afonso VI e com D. Maria I. Eram reis, com mandatos vitalícios, e nem isso impediu que os processos se fizessem.

Reclamo e requeiro que o Parlamento investigue. Que, eventualmente, havendo motivos para tal o Supremo Tribunal de Justiça instrua o competente processo. E que nos termos constitucionais se demita, obviamente, quem tiver de ser demitido. Ou o Governo. Ou o Presidente.

Assim sendo prefiro o futebol

Cavaco Silva continua a falar "à comunicação social", e não directamente ao País, como devia fazer se tivesse algo de importante a dizer. É um vício que lhe ficou depois das manchetes do Público, do Sol, da TVI. Não é para mim. De qualquer maneira à mesma hora tenho mais do que fazer: vou ver a bola. Como este correspondente da Câmara Corporativa, sinto-me dispensado de ouvir:

A palavra aos leitores

De um e-mail de Manuel T., de Santa Maria da Feira:
    Ao que consta, o Presidente da República vai falar.
    Para beber da “verdadeira fonte”, fui à página que a Presidência da República tem na Internet e verifiquei que, afinal, o Presidente da República fará “uma declaração à comunicação social”.
    Ora, mesmo que se pense ou queira o contrário, a comunicação social não é o país nem vice-versa.
    Donde, ou no Palácio de Belém anda muito nervosismo, ou lá continua alguém convencido de que é falando para a comunicação social que o país acede à verdade e a política à decência.
    Em consequência – como o Presidente da República não vai falar para o país, mas à comunicação social – estou por Cavaco Silva dispensado de o ouvir.


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Este é o primeiro dia do resto das nossas vidas

O Povo decidiu, está decidido. O PS ganhou e os outros perderam. Assim quis o Povo soberano, para que conste:
PS: 36,6%;
PSD: 29,1%;
CDS/PP: 10,5%
BE: 9,9%;
CDU: 7,9%
Ainda falta contar essa coisa ridícula (só existe em Portugal!) que são os deputados pelos emigrantes, uma espécie de consolação para o facto de os emigrantes serem impedidos de votar, como devia ser seu direito, nas suas terras de origem. Isto é que a composição do Parlamento português na próxima legislatura deverá ser a seguinte:
PS: 97-98;
PSD: 80-81;
CDS/PP: 21;
BE: 16;
PCP: 15.
Curiosidades e consequências lógicas (depois falaremos das outras):

Primeira: A vitória do PS, por si, não serve para nada. Porque não pode governar sozinho e seria bem imprudente que o tentasse, depois da agitação permanente, as sabotagens e os bloqueios, a que está sujeito. Mesmo que o seu programa passasse na Assembleia. Os poderes que se lhe opuseram ─ no Parlamento, na Presidência, nos tribunais, nas corporações, nos sindicatos, nas ruas, nas televisões ─ ganharam um novo fôlego, como se viu nos discursos "de vitória", do Bloco, do PCP, do CDS e da maioria dos comentadores encartados.

Segunda: Ninguém se quer coligar com o PS e foi o que expressamente proclamaram o PSD, o CDS, o BE e a CDU. Todos fizeram sua a célebre máxima daquele anarquista espanhol: Hay gobierno? Soy contra. E como são todos homens e mulheres honrados vão manter o que disseram. Em resumo: não me admiraria nada que como na Bélgica daqui por oito ou nove meses ainda estivéssemos à espera da formação de um novo governo.

Terceira. É a vontade do Povo, que é soberano, imensamente sábio, infinitamente bom. Está tudo bem quando acaba bem, ou, como dizia o Candide, se o Povo votou assim tinha as suas razões e o futuro provará como está tudo bem no melhor dos mundos. "Há Paz em Varsóvia!" durante algum tempo (quanto?) pelo menos.

A prazo, eu bem avisei, como sabem os poucos que me lêem, vem aí... "o estoiro da boiada". Na URSS, em 1917, ocorreu num 7 de Novembro, depois de eleições que tinham dado a vitória a partidos moderados. Em Portugal, em 1910, foi num 5 de Outubro, depois de eleições que o Partido Republicano tinha perdido em todo o País excepto em Lisboa. Suponho que nas condições actuais, estando nós na Europa (contra a vontade de alguns!) "o estoiro" final ainda vai demorar algum tempo. O mais tardar, e bruscamente, no Verão, quente, quente, como nós, portugueses, gostamos tanto!

Até lá, gozemos da vida: hoje vou bicicletar no Paredão se os esbirros de Capucho me deixarem. E como está um sol bom, isso ninguém nos tira, talvez dê mesmo um mergulho no Tamariz. Carpe diem! Louvado seja o Povo nosso Senhor! E Deus me livre de dizer mal do soberano.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Declaração de voto: o melhor que anda aí...

21 de Abril de 2002. Em França, Lionel Jospin, o Primeiro Ministro da Esquerda Plural (PS+PCF+Radicais+ Verdes, geralmente considerado um bom governo), era o candidato mais bem colocado para bater o Presidente em exercício Jacques Chirac, com quem fora obrigado a "cohabitar" penosamente nos últimos anos. Todas as sondagens indicavam o desgaste do líder da direita e a previsível vitória de Jospin na segunda volta, quinze dias depois, a 5 de Maio.

Ao princípio da noite, na contagem dos votos, confirma-se a baixa popularidade de Chirac que não chega aos 20% dos votos validamente expressos: 19,88% é o score do líder da Direita. Mas, surpresa das surpresas, Jospin não é segundo, perde para o candidato da extrema-direita por 0,68%: Le Pen atinge os 16, 86%, Jospin não passa dos 16,18%.

A extrema direita obtinha o seu melhor resultado desde os anos 30; a extrema esquerda conseguia o seu melhor resultado de sempre:
  • Arlette Laguiller, trostsquista, Lutte Ouvrière, fazia 5,72%;
  • Jean Pierre Chevenement, ex-ministro de Jospin, juntava 5,33%,
  • Noel Mamère, dos Verdes, também no Governo, congregava 5,25%;
  • Olivier Besancenot, trotsquista, da mesma tendência que Louçã, subia aos 4,25%;
  • Robert Hue, do Partido Comunista Francês, obtinha 3,45%;
  • Christiane Taubira, do Partido Radical, faz 2,32%.
Isto é, se um só destes candidatos, ou todos em conjunto, tivesse menos 0,70% e Jospin os mesmos 0,70% a mais, a esquerda passava à segunda volta e provavelmente ganhava a Chirac. Não passou. A esquerda perdeu e nunca mais voltou à esfera do Poder. Foi humilhada. Pelaextrema direita. Muitos se declararam em estado de choque.

Porquê ? Como se apurou em seguida, muitos votantes do PS, incluindo militantes na campanha de Jospin, daqueles que andaram a distribuir panfletos e a colar cartazes, deram por garantido o resultado para que apontavam as sondagens, a ida de Jospin à segunda volta, e divertiram-se a votar Besancenot, um carteiro, jovem bonito, bem falante, ou Chevenement, o apóstolo dos movimentos de cidadãos, ou Taubira, uma simpática militante negra moderada, ou Mamère, um antigo jornalista televisivo muito popular, oráculo dos Verdes. E ao votar nos alternativos, deram cabo da única alternativa que a Esquerda tinha.

No dia 27 de Setembro, se Sócrates, porque lhe fugiram os votos, tiver um a menos do que Manuela Ferreira Leite, que é politicamente feia, mesquinha, má pessoa (um Pacheco Pereira de saias! um nojo de política!) temos a direita a governar sem partilha, no Governo e na Presidência, por muitos e muitos anos. Uma democracia, à imagem e semelhança da Madeira de Alberto João Jardim, com Cavaco como guardião.

Então é que vão ver o que a outra senhora queria dizer com a "asfixia democrática", eles bem avisaram. Em França, a direita ganhou em 2002, num bambúrrio de sorte, e nunca mais perdeu, mas mantiveram-se as práticas democráticas. Será assim em Portugal com uma aliança Jardim, Manuela e Cavaco? Não tenho a certeza. Você tem?

E se o PS ganhar mas não tiver maioria vamos ter manifestações permanentes, o cerco a S. Bento, ocupações em série, c'est la lutte finale!, os extremistas andam eufóricos, com as vitórias populistas na América Latina, com a o seu triunfo nas europeias, ninguém os pára, a "revolução permanente" tem uma ocasião única, em Portugal, novamente, como em 75, escapámos por uma unha negra. Pois não ouviram o que disse Miguel Portas sobre a superioridade da "forma de luta" das ocupações em relação à forma de luta, apenas isso, dos votos?

Nada a fazer? Anda toda a gente cega com o charme discreto dos nossos "radicais pequeno-burgueses de fachada socialista", como disse o Alvarinho, e na altura também se referia à minha pessoa? Vem aí um PREC que nem em 74-75?

Pois com o meu voto, não. Eu voto Sócrates. Que tem carácter. Que como Primeiro Ministro foi, e deverá continuar a ser, o melhor que anda aí.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Anda com uma cara o infeliz...

Clique na imagem para aumentar.
O problema é : o que é que acontece se eu não votar em quem penso que deve ganhar. Obrigado à Maria Antonieta que me enviou esta banda. Declaração de interesses: Pela minha parte, desta vez, estou absolutamente satisfeito por votar em quem voto.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dize tu direi eu

A queda do homem-sombra de Cavaco


Em Novembro de 2003 Fernando Lima, que fora durante dez anos assessor de Cavaco e dois anos assessor do ministro Martins da Cruz, foi contemplado com o cargo de director do Diário de Notícias. A nomeação foi mal recebida pela redacção do DN, dado que o seu percurso como assessor de imprensa de governos do PSD podia pôr em causa a imagem de independência do jornal. A confirmar esses receios, seria pouco depois acusado internamente do «impedimento da publicação de notícias e de artigos de opinião que, supostamente, poriam em causa a imagem de figuras do PSD», lê-se hoje no insuspeito Público. Desenha-se o retrato de um Lima perito em asfixia, pois...
Copiei do nikadas, onde pode ver a continuação desta prosa, que vale bem a pena. E já agora veja esta no Câmara Corporativa:

Que diferença há entre Nixon e Cavaco?




É verdade que Nixon também começou por despedir os assessores na lógica do "eu não sabia de nada"... mas, como aqui se escreve, “ao menos Nixon teve a coragem de anunciar a demissão e de prestar uma homenagem pessoal aos seus assessores. Fernando Lima foi atirado pela sanita sem direito a uma palavra e nem sequer houve um comunicado, foi uma fonte oficiosa que deu a dica à comunicação social.”






segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Como se faz um título feio: a proeza da Exame

Hoje todo o dia em vários sites a notícia foi que "Sócrates é o pior Primeiro Ministro..." Cartaz do PSD? Palavra de ordem corporativa ou sindical? Boca de campanha de um seu adversário político? Mais uma "encomenda de Belém", a última da era Fernando Lima?

Desengane-se. Se fosse alguma coisa dessas, quem lhe pegaria? Praticamente ninguém, se exceptuarmos José Manuel Fernandes e os seus acólitos, tirando Manuela Moura Guedes e o seu comando guerreiro. Não. Trata-se dos resultados de uma "sondagem", muito a propósito encomendada, e oportunamente divulgada, em cima das eleições, no mais aceso da campanha, pela revista Exame. Grande furo, sim senhor!

No mais aceso da campanha, 27% dos votantes detestam José Sócrates, dizem que ele é "o pior Primeiro-Ministro"? Só 27 %? E os outros 73%? Como explica um politólogo no corpo da notícia, que não no título, um resultado destes é normalíssimo, inevitável, lógico, incontornável. A revista Exame, ou alguém por ela, ao encomendar a sondagem, tinha a certeza de que, mais ponto menos ponto, o resultado só podia dar um título feio para o Primeiro-Ministro.

Atenção: "o pior Primeiro-Ministro desde 1985". Porquê "desde 1985"? Porque a democracia começou em 1985? Porque não "desde 1980", que é número redondo? Ou "desde 1975", que é o ano da entrada em vigor da Constituição, do I Governo de Soares, o do "PS sozinho"?

Ingénuos. Porque nesse ano de 1985 Cavaco Silva iniciou funções depois de três anos de austeridade, acordos com o FMI, com as contas externas em ordem, e sobretudo, sobretudo, com um jackpot de fundos comunitários para gastar como lhe aprouvesse? Como era previsível, Cavaco sai da sondagem como "o mais querido" dos Primeiros-Ministros. Daí 1985.

Então e Sá Carneiro não rivaliza com Cavaco Silva como o "melhor PM" no coração dos leitores da Exame? Então e Pinto Balsemão não rivaliza com José Sócrates na disputa do lugar de "pior PM"? Ficam de fora. Assim como Nobre da Costa. Assim como Mário Soares. Assim como Lurdes Pintasilgo. Que todos tiveram adeptos.

"Poi$, poi$, J. Pimenta": é tudo uma questão de dinheiros. A Exame, que é propriedade do militante nº 1 do PSD, não podia correr o risco de promover uma "sondagem" susceptível de desconsiderar o patrão. Ia tudo raso.

Nem podia lembrar aos fervorosos de Cavaco que Sá Carneiro, ele sim, governou em condições menos favoráveis, soube congregar esforços, resistir a um Presidente desafecto, enfrentar e levar de vencida uma campanha negra negra.

Lembrar Sá Carneiro era fazer o jogo de Sócrates. Esconder Balsemão era a melhor maneira de concentrar sobre Sócrates todos os furores dos homens de negócios, de todos os turiferários de Rendeiro e de Oliveira e Costa, que suportam a Exame.

Assim não se correram riscos. Uma sondagem assim só podia dar aquele título, espécie de boca foleira, panfletário e enganador, era mais do que garantido. Não admira o sucesso que teve.

Auto-estradas solares


Nos Estados Unidos, desde que Obama, à semelhança de Sócrates, decidiu investir nas energias renováveis surgem todos os dias projectos extraordinários. O último é utilizar as auto-estradas, o piso das auto-estradas, para colocar painéis solares, produtores de energia eléctrica barata e não poluente. Já existe uma empresa, a Solar Roadways, uma equipa, subsídio público inicial de 100 mil dólares, o que é raro na América, e resultados prometidos até Fevereiro de 2010.

Pretende-se descobrir a maneira de produzir energia de maneira descentralizada, segura, inteligente, em painéis que se auto-regeneram. Pode ser um ovo de Colombo para os problemas de aprovisionamento de energia, carregamento de baterias, dos automóveis eléctricos, cuja produção em série já começou.

As auto-estradas solares são apenas um dos projectos em curso. Há uma data deles já em fase de execução como se pode constatar aqui, no site da Envision Solar. Veja e divirta-se. O que faz falta é optimismo, espírito de iniciativa, vontade de avançar, "o sonho comanda a vida". Gente desconfiada, maledicente, mesquinha, invejosa, parada no tempo - é que não nos leva a lado nenhum. Salazar foi a prova disso.