Mostrar mensagens com a etiqueta debates. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta debates. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Os mercados são nossos amigos

O que diz Cavaco, ele que nunca se engana e raramente tem dúvidas, assim traduzido por miúdos, nada de tretas e larachas? Isto: "os mercados são nossos amigos", e não se deve atacá-los, são óptimos, assim uma espécie de BPN à escala universal, dão um dinheirão, a alguns, pelo menos a ele e à filha deram, em negócio particular, de amigos, não foi ele, foi Oliveira e Costa, em pessoa, a comprar-lhe e vender-lhe as acções no tempo certo, a preço de amigos, e os outros que se lixem, vem aí o Estado e paga os prejuízos.

Que o Povo quer em Belém alguém como ele, com provas dadas, fino que nem um rato, como naquela inventona das escutas ─ lembram-se? ─ soprada pelo amigo Fernando Lima aos seus amigos do Público, que ele cobriu, e deixou cobrir, até depois das eleições.

Os mercados são nossos amigos ─ defende Cavaco. E são: ainda ontem, noticiava o Jornal de Negócios, os juros da dívida a 10 anos sobem pela décima quarta sessão consecutiva. No mesmo dia em que o Figaro se interessava muito por nós e punha em destaque: La Chine va racheter 5 milliards de dette portugaise. Em suma, e como assinalava o El País (e o El Mundo) tínhamos/temos "Portugal en el disparadero y los mercados con el gatillo siempre a punto", enquanto a Alemanha, dona dos mercados e amiga de Cavaco, registava um crescimento de 4% do PIB, por conta dos lucros dos seus bancos com os países em dificuldade, e também, dos submarinos colocados, pagos a pronto, na Grécia e em Portugal.

Mas a Alemanha, tão nossa amiga, está a pensar numa solução (para nos asfixiar de vez?). Como revelou o Süddeutsche Zeitung, propõe um novo "Fundo de Invdestimento Europeu de Estabilidade", paralelo ao Banco Central Europeu, que concederá empréstimos aos países da zona euro em dificuldade "moyennant des garanties sous forme d'or ou de participation au capital d'entreprises publiques". Diz o Figaro, aqui.

Os mercados são nossos amigos: condenaram-nos à penúria, depois queixam-se que estamos na penúria e aumentam outra vez os juros. E um dia destes, com Cavaco em Belém e os seus homens de mão nos postos de comando (num novo BPN? Não, num novo Governo!), teremos empréstimos pagos a peso de ouro ou participação de capital nas nossas empresas públicas. Como na bancarrota de 1896, que nos arranjou um tal Oliveira Martins.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Um "Mantorras trotsquista", sem ofensa para o Mantorras

O que lá vai lá vai, o debate Sócrates e Louçã foi há mais de três quinze dias, bem sei, mas foi o último que vi. E depois mandaram-me o link de Madrid, que é o sinal de que o caso ultrapassou fronteiras, vai dar a volta ao Mundo como a gripita A. Dá para rir. Aqui vai do inimigo público com a devida vénia:

Louçã tinha pubalgia e foi ao debate em esforço
09 9e Setembro Por Mário Botequilha
A opinião é unânime: José Sócrates cilindrou Francisco Louçã, no debate de terça-feira, por KO técnico (para os nossos leitores do Correio da Manhã: porrada de meia-noite). O que não se sabe é que Francisco Louçã está lesionado e debateu infiltrado. O querido líder do Bloco teve de levar umas injecções valentes para dominar a pubalgia/mialgia de esforço/entorse da nádega de que padece, e que já lhe valeu a alcunha de “Mantorras Trotskista”.
(...)

Estou de acordo. Este blog que pratica uma política de verdade sente-se na obrigação de acrescentar que o Sócrates se portou, no debate, como o Adlai Stevenson, no Conselho de Segurança, em 1962, quando revelou as fotografias dos mísseis soviéticos em Cuba. Parecia que tinha comido leão, disse um jornal. De Stevenson, na América. Em Portugal, sobre uma vitória de Sócrates, os jornais têm vergonha de falar.

Foi patético, porque Louçã visivelmente não esperava que alguém lhe tivesse lido o programa e muito menos um tipo com mais que fazer como o PM. E muito menos que tendo-o o lido falasse dele - as pessoas bem formadas portam-se com decoro. E muito menos que lesse no debate passagens inteiras. A D. Judite ainda tentou "passar adiante", uma interrupção técnica, como no boxe, para "proteger" o revolucionário combatente em perigo.

Mas Sócrates, que tinha engolido o tal leão, não havia maneira de largar a presa tenrinha. Foi uma asfixia. Vai-se a ver e a explicação é que Sócrates mandou tirar as escutas de Belém, denunciadas por Fernando Lima, porta-voz de Cavaco Silva, e... mandou plantá-las na sede do Bloco. Foi assim que ele soube.

domingo, 6 de setembro de 2009

Os jornalistas é que são mornos

Falaram. Cada qual disse o que tinha a dizer. Não houve berros, insultos, histerias, os velhos truques, só possíveis em Portugal, de falar em cima do adversário para ninguém oiça o que ele diz. Sócrates e Jerónimo tiveram um debate civilizado. E muito interessante.

Foi assim possível ouvir e entender alguns factos que andam esquecidos nesta campanha. Por exemplo, a afirmação de Sócrates que a reforma da educação começou no primário, com as aulas de substituição, a introdução do inglês, a ocupação das crianças na escola pública em actividades diversas até às cinco da tarde, e mais tarde a distribuição de computadores.

Foi bom, foi mau? Alguns sindicatos moveram a estas medidas uma guerra danada, que foi até à greve aos exames? E os partidos da oposição, todos, preferiram alinhar com os adeptos do statu quo contra os que queriam abanar o conformismo reinante? Tudo não passou de manobras do Governo para poder prolongar os horários de trabalho dos pais das crianças, como disse Jerónimo de Sousa? Ou esta é uma desculpa de mau pagador?

Esta foi uma das primeiras “refregas” do debate e logo ali, como se vê, havia um punhado de curiosidades e interrogações que ficavam no ar, pano para mangas, uma história para contar, para um jornalista que tivesse unhas para tocar essa guitarra.

Falaram disso os jornais? Não. Foi um debate morno – repisaram cronistas ensonados, "désabusés", no Público, na TSF, em todos os serviços da TVI (sem link, que o não merecem), e na generalidade da imprensa. Ainda por cima, que falta de originalidade! Não sabem dizer mais nada?

Não sabem contar como foi porque isso iria “prolongar” os seus horários de trabalho e o director do jornal já explicou que não lhe interessam notícias sérias, umas “bocas” bastam? Depois não se admirem que a audiência dos jornais se afunde todos os dias. São ignorantes, não têm memória, nem cultura, a política não lhes interessa, não gostam do que fazem, não sabem contar.

Obviamente, a culpa, para começar, é dos directores que preferem assim: umas banalidades, desde que desconsiderem os líderes, são bem mais apetecíveis e fazem furor, junto dos amigos e colegas de profissão.

Não sabem contar e aparentemente é isso que também agrada aos patrões, tão ignorantes e mesquinhos como os seus empregados. E quando alguém sai da mediocridade que temos, alguém com algum espírito crítico, equilíbrio e sentido de Estado – digamos um homem honrado como Pais do Amaral, um dos maiores jornalistas da Península nos últimos 40 anos como Juan Luis Cebrian, ou alguém no lugar dele, quando gente deste nível proclama que
a rainha, a Manuela, vai nua, e não é bonita de ver,
mobilizam-se contra ele todos as trevas da Inquisição.

Este jornalismo que temos é um atraso de vida.