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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Viva a República !

Nos 100 anos da República, incorporei-me na manifestação, hoje na Cordoaria.



terça-feira, 6 de outubro de 2009

Para quem a "ética republicana" é uma batata

Depois do fiasco da "operação escutas" (e ninguém esqueça que continua em Belém ao serviço indeterminado do Presidente ─ será nos «serviços secretos? ─ o "mandatário", o homem que encomendou a coisa e disse estar ali "a pedido do Presidente") até dá comichões ouvir um Presidente, que se inventou um pretexto para não aparecer nos Paços do Concelho no dia da República, falar em "ética republicana". A ideia que ele tem da honra da República e da honra dos republicanos que fizeram o 5 de Outubro!

A ideia que ele tem? Só se for esta, que o Inimigo Público, mais uma vez, descobre e publica:

Cavaco Silva celebra altura em que Afonso Costa não vigiava Teófilo Braga
05 5e Outubro Por Vítor Elias
Cavaco Silva presidiu às comemorações dos 99 anos da implantação da República, salientando que este é o momento dos portugueses se unirem em torno dos ideais republicanos

“Nesta data, eu pergunto-me a mim mesmo: será que o Afonso Costa ouviria o que o presidente Teófilo Braga dizia no seu gabinete? E, se o fizesse, usaria um copo de água encostado à parede?”, afirmou Cavaco Silva, o homem que mais se interroga a si próprio desde o filósofo grego Sócrates. “E antes da implantação da República, o João Franco espiaria o palácio do rei D. Carlos? Eu pergunto-me: porque é que a galinha atravessa a estrada???”, concluiu o Presidente da República.
A ideia que Cavaco Silva tem da ética republicana está toda e por inteiro nesta evocação.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Quando um Chefe do Estado apostou em renegados

Aconteceu na Grécia, em 1965, era Primeiro-Ministro Geórgios Papandréou, o avô, precisamente, do Geórgios Papandréou, que ontem ganhou as eleições na Grécia à frente do PASOK. Papandréou, Senior, fora um resistente à ocupação nazi, tinha sido preso e exilado, liderara o primeiro governo do pós-guerra, em 1945, após a ocupação da Grécia pelos fascistas italianos e pelos nazis alemães, em 1965 era pela terceira vez Primeiro-Ministro, depois de ter ganho as eleições gerais de 1963 ao conservador Constantino Caramanlis, tio do PM da Nova Democracia ontem derrotado.

O que aconteceu, em 1965, foi um pretenso escândalo, até hoje por esclarecer: a descoberta pela imprensa de direita de uma organização clandestina de jovens oficiais de esquerda que estariam dispostos a bater-se contra um eventual golpe de direita e aos quais aparecia ligado o nome de Andréas Papandréou, ministro e filho do então PM, que viria a ser PM, ele próprio, vinte anos mais tarde. Na Grécia todos os vinte anos há um Papandréou Primeiro-Ministro, de esquerda? Que alterna com um Caramánlis, Primeiro-Ministro conservador? Assim parece.

Em 1965, na Grécia, por azar, a possibilidade de um golpe de Estado militar da direita era pública e notória, como mais tarde contará o filme Z, de Costa-Gavras ─ acabavam de assassinar em Salónica o deputado Lambrakis, num complot que meteu milícias de extrema-direita, com a cumplicidade dos altos comandos da polícia e, ao que se diz, até hoje, do próprio Caramanlis, vencido nas eleições de 1963. Por isso, a existência de uma organização clandestina de oficiais do Exército, anti-golpistas, "ligados" ao filho do PM, enervou as chefias militares. Exigiu-se a demissão do ministro da Defesa. Que Papandréou aceitou.

Mas quando Geórgios Papandréou quis ser ele próprio o ministro da Defesa, acumulando com o lugar de PM, o jovem Rei Constantino, há um ano em funções, resolveu dar um ar da sua graça e opôs-se frontalmente. O impasse conduziu à demissão de Papandréou. E à tentativa de formação de Governo com personagens menores do partido do líder demitido (chamava-se então "União do Centro").

Cinco governos se sucederam, com "renegados", "apóstatas", do partido que acabava de ser escorraçado do Poder sem que o Rei tivesse tido a coragem de dissolver o Parlamento e convocar novas eleições. Assim como D. Carlos em 1906-1908, com a ditadura de João Franco, quando mandou fechar S. Bento e se esqueceu de convocar novas eleições.

Cinco Governos chumbados, todos, no Parlamento, que iam prolongando a agitação nas ruas e os confrontos. Foi o que ficou conhecido na Grécia como "a apostasia de 1965". E criou as condições para o golpe de Estado dos coronéis em 1967. O Reizinho que soltara contra Papandréou todos os demónios, de repente calou-se. Mas um ano depois fugiu para Roma e proclamou a sua oposição aos coronéis. Os quais de imediato extinguiram a Monarquia.

Quando em 74 os coronéis foram corridos e voltou a democracia, o Rei Constantino também quis reocupar o trono. Demasiado tarde. "Roma não paga a traidores", o Povo grego, em referendo, desta vez, votou o fim da Monarquia. E o primeiro Presidente da República eleito foi o juiz que em 1964 tenha instruído o caso Lambrakis e inculpado pelo assassinato alguns altos quadros da Polícia e do Exército. Como se conta no Z, um filme a ver e rever, com Jean Louis Trintignant, no papel do juiz, Yves Montand, como Lambrakis. Um dos dez melhores que vi na minha vida.

Constantino, como D. Carlos, os reis, e alguns chefes de Estado que pensam como reis, não se conformam com o voto popular. A criação de cisões nos partidos existentes é uma tentação frequente. Para alguns chefes de Estado que pensam como reis.

Digo eu neste 5 de Outubro, dia da República, proclamada há 99 anos da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa. Onde todos os Presidentes da República, democraticamente eleitos, faziam questão em ir num dia assim. Até hoje.