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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Eu conheço um país...

Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade mundial de recém-nascidos, melhor que a média da UE.

Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.

Eu conheço um país que é líder mundial na produção de feltros para chapéus.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende no exterior para dezenas de mercados.

Eu conheço um país que tem uma empresa que concebeu um sistema pelo qual você pode escolher, no seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou um sistema biométrico de pagamento nas bombas de gasolina.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou uma bilha de gás muito leve que já ganhou prémios internacionais.

Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, permitindo operações inexistentes na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos.

Eu conheço um país que revolucionou o sistema financeiro e tem três Bancos nos cinco primeiros da Europa.

Eu conheço um país que está muito avançado na investigação e produção de energia através das ondas do mar e do vento.

Eu conheço um país que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para toda a EU.

Eu conheço um país que desenvolveu sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos às PMES.

Eu conheço um país que tem diversas empresas a trabalhar para a NASA e a Agência Espacial Europeia.

Eu conheço um país que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas.

Eu conheço um país que inventou e produz um medicamento anti-epiléptico para o mercado mundial.

Eu conheço um país que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça.

Eu conheço um país que produz um vinho que em duas provas ibéricas superou vários dos melhores vinhos espanhóis.

Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamento de pré-pagos para telemóveis.

Eu conheço um país que construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade um pelo Mundo.

O leitor, possivelmente, não reconheceu neste país aquele em que vive... PORTUGAL.

Mas é verdade.Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.

Chamam -se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Out Systems, WeDo, Quinta do Monte d'Oiro, Brisa Space Services, Bial, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Portugal Telecom Inovação, Grupos Vila Galé, Amorim, Pestana, Porto Bay e BES Turismo.

Há ainda grandes empresas multinacionais instalada no País, mas dirigidas por portugueses, com técnicos portugueses, de reconhecido sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal e a Mc Donalds (que desenvolveu e aperfeiçoou em Portugal um sistema que permite quantificar as refeições e tipo que são vendidas em cada e todos os estabelecimentos da cadeia em todo o mundo).

É este o País de sucesso em que também vivemos, estatisticamente sempre na cauda da Europa, com péssimos índices na educação, e gravíssimos problemas no ambiente e na saúde... do que se atrasou em relação à média UE...etc.

Mas só falamos do País que está mal, daquele que não acompanhou o progresso.

É tempo de mostrarmos ao mundo os nossos sucessos e nos orgulharmos disso.

Nicolau Santos, Director - adjunto do Jornal Expresso, In Revista "Exportar", via Absorto, de Eduardo Graça

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Curiosidades da ratificação do Tratado de Lisboa (1)

Os processos de ratificação do Tratado de Lisboa são bem a medida do europeísmo dos Estados-membros. E sobretudo não me digam que os ricos, ou os grandes, são pelo Tratado de Lisboa, enquanto os pobres e os pequenos não o querem.

Grandes houve que votaram entusiasticamente o Tratado, praticamente por unanimidade, como a Itália (551 a 0, na Câmara dos Deputados, e 286 a 0, no Senado, 0 abstenções em ambas). Pois é: a Itália tem defeitos, a começar pelo seu Primeiro Ministro Berlusconi, só não é mal-agradecida.

Tem neofascistas e neocomunistas, eurocépticos e eurocomunistas, comunistas ortodoxos e comunistas convertidos à democracia burguesa, socialistas e democratas cristãos, radicais, nacionalistas, internacionalistas, separatistas e liberais. A Itália tem de tudo, só não tem caspa anti-europeia na cabeça. Agradece à Europa, sem complexos, toda a solidariedade que tem recebido dela desde o Tratado de Roma. Quer instituições renovadas e funcionais. Votou o Tratado de Lisboa sem o único voto contra.

A Itália é um grande País e o Tratado de Lisboa favorece os grandes? É o que dizem os antieuropeístas primários portugueses do nosso Bloco Comunista, mas não é verdade. Também há/houve pequenos Estados absolutamente pró-europeus e nada desconfiados, como Malta (65 a 0) e o Luxemburgo (47 a 1).

Idêntica maioria obteve o Tratado de Lisboa no Senado da Alemanha (65 a 0), onde estão representadas as 17 regiões, e onde os comunistas da antiga RDA, que obviamente se opõem à União Europeia, preferiam o Pacto de Varsóvia, ainda não conseguiram entrar.

De uma maneira geral, as votações a favor do Tratado de Lisboa foram esmagadoras ─ em Espanha (322 a 6, no Congresso, e 232 a 6, no Senado), na Roménia (387 a 1), na Estónia (91 a 1). Até mesmo na Irlanda, no segundo referendo, após longa reflexão, a semana passada: 67,1% a favor do Tratado de Lisboa, isto é mais de dois terços do sufrágio popular.

Em Portugal, o Tratado de Lisboa não mereceu mais do que uma aceitação mitigada (208 a 22), provavelmente porque a ele surgem associados os nomes de Sócrates e Barroso e porque sem a Europa teríamos sido presa fácil de todos os extremismos. Progredimos com a Europa, a Europa Connosco serviu-nos de protecção suplementar.

Os vencidos do PREC nunca hão-de perdoar. De facto, toda a extrema esquerda portuguesa, a mais numerosa e mais bem representada no parlamento nacional de toda a União Europeia (em alguma coisa havíamos de ser os primeiros!) esteve contra desde o primeiro dia: a 19 de Outubro de 2007.

Ainda não estava terminada a negociação na cimeira do Parque das Nações e todos os comunistas portugueses, os mais estalinistas tanto como os menos, já desciam à rua a clamar vingança. Obtiveram-na, em parte, dois anos depois, nas últimas eleições para o Parlamento Europeu.

Reforçaram-se nas legislativas. Têm boa imprensa. Amigos bem colocados em todas as televisões e rádios. O combate continua. Mas ou me engano muito ou os próximos tempos provarão que não vão a lado nenhum. Que não servem para nada. Nem os revolucionários portugueses nem os reaccionários polacos ou britânicos. Como veremos amanhã.