Será desta? A prescrição por denominação comum internacional é obrigatória na Europa há mais de 20 anos, onde o médico apenas se preocupa da substância activa para tratar a doença, não age como defensor exclusivo, propagandista, beneficiário, de nenhuma marca em particular.
Será diferente desta vez? É uma guerra que em Portugal vem dos tempos de Leonor Beleza, que também por isso teve o lobby dos médicos, e das multinacionais dos medicamentos, à perna. Foi corrida. Por Cavaco Silva. O mesmo que ainda há um ano vetou um diploma nesse sentido, que tivera a oposição da Ordem dos Médicos, pois claro, mas também do PSD e do CDS.
Será diferente desta vez? Foram 25 anos perdidos, 25 anos a financiar interesses esconsos, 25 anos a afundar o SNS e a tirar do bolso dos utentes, tratados como incapazes, sem o direito de serem informados e fazerem as suas escolhas.
Será desta? A Ordem, os laboratórios (e as agências de viagens?), vão continuar ainda algum tempo a tentar semear o pânico junto dos doentes. E na Presidência da República está a mesma personalidade que sempre tem aparecido nesta guerra quando é preciso, como último recurso. Sendo que não há almoços grátis, em troca de quê?
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
A minha América... chama-se Instituto Gama Pinto e viva o SNS!
─ Cheguei hoje dos Estados Unidos, fui lá ser operado, claro que correu tudo bem, como não podia deixar de ser, os americanos são os melhores, em tudo, digo-vos eu. Se foi caro? Claro, o que é bom… Mas valeu a pena. sinto-me como novo.
Segundo um conhecido meu, que foi secretário de Estado da Saúde há coisa de 20 anos, com vivenda, e estatuto, em Cascais, além de uma experiência ímpar no mundo dos negócios, era assim que se passava no seu círculo de relações: um dia o operando avisava a secretária que não contassem com ele nos próximos quinze dias ou três semanas, que tinha de ir a Boston, ou a Miami, ou a Los Angeles, ou a Seattle ─ quando se trata dos Estados Unidos fica sempre bem indicar um local preciso, revela a familiaridade que se tem com “o Grande País”. Quando voltasse diria mais, para já não queria que se soubesse o que lá ia fazer, era segredo ─ a melhor maneira de criar suspense, à cautela contava o mesmo a dois ou três dos seus colaboradores, sempre a pedir segredo, que era a melhor maneira de a informação se propagar.
Lançado assim, em segredo, o rumor da sua ida à América, por questões de saúde, restava-lhe ir a casa fazer a mala e ingressar, em segredo, como previamente combinado com o seu médico, no Hospital de S. José, ou nos Capuchos, ou no Santa Maria, ou na Clínica de Santa Cruz, onde, ele bem sabia, tinha os melhores profissionais de saúde, algumas vezes seus amigos pessoais, além do melhor equipamento, as melhores condições técnicas (mesmo quando a hotelaria deixava a desejar!) e fazia-se operar ao que fosse, discretamente, beneficiando do tratamento de qualidade que o SNS oferece. Tinha o melhor. E quando voltasse à empresa… fazia um vistaço, com a história dos “States”, dois em um.
Pois, a bem dizer, segui o caminho que me apontou há 20 anos o eng. Costa Freire, secretário de Estado de Leonor Beleza, lembram-se?. Acabo de regressar… da América, que excelência de tratamento, fui operado às cataratas, agora vejo tudo, ponham-se a pau comigo. A minha América, está-se mesmo a ver, não fica longe. Tratou-me nas palminhas, foi atenciosa e competente, a todos os níveis, melhor é impossível, nem sei como agradecer. Chama-se Instituto Gama Pinto. Que grande Serviço Nacional de Saúde temos nós, vou-vos contar.
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